MIXTAPE DEPREDANDO #4

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Sexta-feira é dia de mixtape e mesmo viajando e sem tempo nessa semana não podia deixar de fazer um dos posts que mais gosto. Não sei se muitas pessoas tem escutado as compilações que faço aqui, mas eu gosto de pensar que pelo menos algumas tem descoberto boas bandas ou relembrado de coisas que não ouvia há tempos. Músicas estranhas, escolhidas por uma pessoa estranha para pessoas estranhas. Então segue a seleção dessa semana e espero que gostem:

 

MIXTAPE DEPREDANDO #4 by João Vitor Medeiros on Grooveshark Quer sugerir músicas pra mixtape da próxima semana? Mande pelo twitter pra @indiedadepre.

(Os melhores) Vídeos da Semana – a partir de 26/05/2013

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Clipes perderam a importância que tinham antigamente? Tocar na TV ainda atrai novos públicos? São perguntas difíceis de responder. Mas ainda é produzida muita coisa interessante e que vale a pena. Se você não conhece algo, é a oportunidade. Então saca os (melhores) vídeos dessa semana:

O Beady Eye está atrás de uma segunda chance e levou as músicas do seu nov disco, BE (que já vazou), ao conhecido programa britânico Jools Holland. Um exponencial crescimento.

Parcerias: 15 bandas recebem convidados muito especiais no palco

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No último final de semana, no maravilhoso festival espanhol Primavera Sound, o show do Jesus & Mary Chain contou com uma agradável surpresa: Bilinda Butcher, a voz suave por trás de toda a distorção do My Bloody Valentine, subiu ao palco e cantou junto à banda o clássico Just Like Honey. Não incomum, bandas recebem outros músicos pra subir ao palco e fazer versões muito especiais de algumas músicas. Abaixo, 15 desses encontros:

1. Jesus & Mary Chain recebe Bilinda Butcher (My Bloody Valentine)

MIXTAPE DEPREDANDO #3

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Sexta vocês já sabem, é dia de mixtape! Músicas estranhas, escolhidas por uma pessoa estranha para pessoas estranhas. Nessa semana tem Tame Impala e sua psicodelia, Thurston Moore e seu Sonic Youth em duas faixas diferentes, separadas por quase 30 anos de diferença, a música sexy do Massive Attack, algumas coisas menos conhecidas que eu gosto e muito mais. Então não perde tempo e dá play.
 

MIXTAPE DEPREDANDO #3 by João Vitor Medeiros on Grooveshark Quer enviar sugestões pra mixtape da semana que vem? Só mandar pelo twitter pra @indiedadepre.

(Os melhores) Vídeos da semana – a partir de 20/05/2013

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Clipes perderam a importância que tinham antigamente? Tocar na TV ainda atrai novos públicos? São perguntas difíceis de responder. Mas ainda é produzida muita coisa interessante e que vale a pena. Se você não conhece algo, é a oportunidade. Então saca os (melhores) vídeos dessa semana:

O badalado Kanye west foi ao Saturday Night Live e apresentou pela primeira vez Black Skinhead, canção que deve estar no seu próimo disco, Yeezus.

Explosions in the Sky em São Paulo: quando o tempo é relativo e a entrega absoluta

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

O post-rock, gênero de nome pomposo, não é para muitos. Mas deveria. Suas canções são cuidadosamente construídas e costumam criar uma atmosfera tão convidativa que é quase impossível resistir a fechar os olhos e entrar numa espécie de transe guiado. Não é um som urgente, descartável, nem de fácil assimilação. Na grande maioria das vezes não possui vocais. Por aqui, mesmo com bons nomes nacionais (com bandas como a Herod Layne, Labirinto e Ruído/mm) e um selo especializado (a Sinewave), ainda é conhecido por um número pequeno de pessoas. Exceções à regra, a islandesa Sigur Rós, os escoceses do Mogwai e os texanos do Explosions in the Sky possuem uma boa base de fãs no país. E foram esses últimos que fizeram um show inesquecível na última quarta no SESC Belenzinho, na zona leste.

O clima de chuva amena e céu cinzento dava o tom da noite. A maior metrópole tupiniquim parecia dar boas-vindas, do seu jeito único e truculento, à banda. Era a mais pura São Paulo. Com duas apresentações marcadas em dias seguidos na cidade, o show era ansiosamente aguardado pelos felizardos que conseguiram adquirir uma das entradas que se esgotaram em apenas uma hora e meia. Em um espaço confortável, cerca de 500 escolhidos se acomodavam pra assistir à primeira delas.

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

Já tornou-se redundante, mas é preciso novamente elogiar a organização do SESC. Não irei entrar no seara de preços praticados, pois a organização tem formas de financiamento que certamente lhe dão vantagens na comparação com a iniciativa privada. Contudo, em relação a respeito ao público, é tudo irrepreensível. Usando a proximidade com o metrô como trunfo e propiciando a utilização de transporte público tanto na ida quanto na volta, faz o que deveria se esperar de qualquer casa de shows: respeitam rigorosamente os horários. Às 21:30 em ponto os integrantes estavam em cima do palco. Chama ainda atenção o zelo com o som, que durante toda a apresentação estava perfeito e cristalino, tornando possível distinguir cada instrumento individualmente sem maiores dificuldades.

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

Com os membros da banda já posicionados em seus instrumentos, o guitarrista Munaf Rayani disse ao microfone: “Eu não sei falar português” – ironicamente em um português bastante claro. Prosseguiu: “mas é um sonho estar aqui hoje. Então fechem os olhos agora e venham sonhar com a gente”. Essas seriam as únicas palavras vindas dos americanos na próxima hora e meia, tempo em que se sucedeu um espetáculo embasbacante.

A primeira canção começou lenta, sendo aos poucos erguida pela soma das três guitarras, baixo e bateria, formação que seria utilizada até o final, com exceção de uma única música. Com a paciência de um escultor, que molda o barro com toda a frieza, a música foi ganhando corpo em sequências de notas hipnóticas. De repente, como num estalar de dedos, a explosão. Como se seguindo o mantra da camiseta do guitarrista Michael James, que continha os dizeres “make noise” (faça barulho), uma parede de distorção é criada e todos os músicos se entregam por completo aos seus instrumentos, numa simbiose tão perfeita que naquele momento era impossível discernir onde começava um e terminava o outro. O público, absurdamente respeitoso, comtemplava o que parecia tão íntimo e se entregava contribuindo como podia, tornando a experiência uma espécie de catarse coletiva, onde tudo desaguava naqueles ruídos em volume máximo. O jogo já estava ganho.

As interpretações que se seguiram não foram muito diferentes. Intercalando belas e calmas melodias com passagens barulhentas, a violência contra os instrumentos era tamanha que a certa altura do show o baterista Chris Hrasky teve que solicitar outro pedal para o bumbo, nem assim interrompendo o espetáculo, que nesse breve período foi conduzido pelo diálogo sempre eloquente entre as guitarras dos outros membros. Esses não se importavam em se jogar ao chão ou, no mínimo, balançar corpo e cabeça com toda força, conforme o ritmo requisitasse.

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

O mais animado de todos certamente era Munaf Rayani, o mesmo que proferiu as palavras de abertura. O descendente de indiano parecia estar em perfeita sinergia com tudo que se passava e se jogou no chão, mexeu em seus pedais, abusou da sua guitarra e até mesmo conduziu uma caixa de bateria extra em uma das músicas, ampliando tanto o espectro rítmico, quanto a violência do grupo naquele determinado ponto. Por fim, ele mesmo abriu o tema final da noite com sua guitarra sendo tocando com uma…caneta. A partir daí, a apresentação teve o fechamento mais que perfeito, com performance de cerca de dez minutos da mais fina distorção. Em certo momento o próprio Rayani abandonou a guitarra, se agarrou a uma pandeirola (ou meia-lua) e começou a, no tempo exigido, soca-la no chão com tanta força que fez as minhas mãos doerem de leve só de observar. Tudo isso enquanto seus companheiros castigavam, cada um à sua maneira, seus apetrechos musicais, até que inevitavelmente o silêncio voltasse a reinar. Memorável.

A banda se despediu timidamente, como se arrependida por ter dividido algo tão profundo e íntimo com todas aquelas pessoas e rapidamente se retirou do palco. Ao fim, era inacreditável que tudo aquilo tivesse durado noventa minutos. Pareciam dez. Havia pelo menos uma certeza: o que tinha acabado de acontecer ali era um dos melhores shows do ano.

APRESENTANDO: Bored Nothing – a importância do tédio

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Eu sou um ferrenho defensor do tédio. Acho que ele é um belo propulsor da arte. Aquela conversa toda de ócio criativo e que as pessoas precisam constantemente estarem fazendo nada para que tenham ideias interessantes. Não que esse tipo de ideia não possa surgir de um outro tipo de abordagem, contudo, as que surgem nesses momentos são simplesmente diferentes. É disso que se aproveita a banda- de-um-cara-só de hoje, o Bored Nothing.

O som é da Austrália, terra bastante prolífica no cenário musical e que já nos agraciou com grupos que vão do clássico AC/DC ao hype Cut Copy. Recentemente tem surgido uma série de bons artistas de lá, apostando em um som com influências gritantes de psicodelia, sendo o mais conhecido o Tame Impala (pra quem gosta, indico também o Pond, banda irmã do Impala). O Bored Nothing tem influências também relacionadas ao estilo, mas desprende-se com facilidade do solo sessentista ao caminhar por outros estilos e desaguar em um resultado que pode ser classificado como Dream Pop.

O disco homônimo, e único até agora, foi composto quando Fergus Miller, mente por trás do projeto, passava por uma temporada quase sem teto em Melbourne e as letras refletem muito da situação: deseperança, tristeza e, surpresa, tédio. Algumas delas são de cortar o coração. O timbre e maneira como canta fazem com que em certos pontos suas músicas lembrem pelo vocal o grande Elliott Smith. As guitarras e distorções usadas envolvem tudo numa atmosfera que, no conjunto, transmite exatamente a sensação de alguém que está perdido e vive por inércia. Vale cada segundo de audição e as minhas preferidas deixo disponíveis aqui mesmo no post. O disco completo pode facilmente ser achado nos inúmeros sites de compartilhamento de arquivos por torrent que existem na rede. Fique entediado, mas não agora.

 

 

Versões: 20 covers de bandas que você ama feitos por bandas que você ama

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Cada boa banda tem seu estilo próprio. Estilo que elas acabam imprimindo mesmo ao tocar canções de outro grupo. A seguir, 20 covers de bandas pra músicas de outros grupos  clássicos ou no mínimo bastante conhecidos. Aproveite e diga nos comentários os seus preferidos e indique outros que acha que deveriam entrar na lista,

The Vaccines em São Paulo: Peter Pan tinha razão

Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê
Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

“Quando me perguntam pelo mundo todo qual meu lugar preferido para tocar, sempre digo Brasil”. Com essas palavras no bis, Justin Young, vocalista do The Vaccines, resumiu o sentimento da banda na noite do último sábado em show no centro de São Paulo, pouco mais de um ano depois de terem tocado a primeira vez por aqui. Sentimento que foi inteiramente compartilhado pelo público na cerca de hora e meia em que os ingleses se apresentaram.

Uma das gratas surpresas foi o local escolhido, o Grand Metrópole, espaço situado no bairro da República e de fácil acesso por meio de transporte público. O funcionamento 24h do metrô paulistano, em virtude da Virada Cultural, contribuiu para o retorno dos cidadãos às suas casas e espera-se que os produtores continuem possibilitando a utilização das estações no futuro, evitando espetáculos que terminem em um horário no qual não seja mais possível desfrutar de tamanho trunfo. Além da facilidade logística, a casa também se destacou pelos aspectos estruturais: bem organizada, com bares de fácil acesso, decoração de ótimo gosto e, principalmente, som impecável, alto e nítido. Tudo isso faz com que o lugar sirva como excelente opção pra abrigar shows dentro da capital paulista.

A abertura dos trabalhos ficou a cargo da Inky, prata da casa e de estilo bastante diferente da atração principal. As músicas, compostas em grande parte de longas passagem instrumentais guiadas por sintetizadores, contra todas as possibilidades não soavam maçantes. Os paulistanos foram outra boa surpresa e cumpriram bem seu papel, mesmo enfrentando uma plateia em grande parte dispersa. Foram os responsáveis por abrir os shows da última turnê do LCD Soundsystem em solo brasileiro e desde então têm lançado material interessante. Merecem atenção.

Contudo, os Vaccines eram as estrelas da noite. E todo o funcionamento deles gira em torno de uma palavra: juventude. É dessas ironias mais brilhantes que o sobrenome do líder do grupo seja Young (jovem). A boa plateia que preenchia confortavelmente o local era maciçamente composta por pessoas entre 18 e 25 anos, todos com o aspecto de que tinham acabado de sair das aulas de alguma faculdade cheia de outros indivíduos da mesma idade. Foi a energia deles que deu todo o tom do show. Quando a banda subiu ao palco e começaram os primeiros acordes de No Hope, o clichê máximo de resenhas, “público indo ao delírio”, fazia todo o sentido. Jovens cantavam a plenos pulmões a maioria das letras sem se abalar. Aquele momento era tudo pra eles.

Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê
Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

Entrosados, os integrantes pareciam se divertir e davam tudo de si, destaque para o bateirista que chegou a fazer (bons) solos nos intervalos enrte as canções. Até a nova Melody Calling, com um violão pouco usual para os padrões da banda, foi bem recebida. As músicas do primeiro disco eram as que empolgavam mais e o destaque vai pra dobradinha Post Break-up Sex/All in White, seguida por Wolf Pack e A Lack of Understanding. Não houve quem resistisse a, no mínimo, cantarolar as letras, gritadas em coro pelos presentes.

A banda e presentes seguiram em bom ritmo e como se tivessem passado apenas 10 minutos do início, o Vaccines encerrou a primeira parte do show com a ainda mais acelerada If You Wanna, a qual foi sucedida por Family Friend. Os músicos deixaram o palco sob fortes aplausos.

Contudo, o público continuava sedento e eles logo voltaram para o bis com a bela Weirdo, seguida com pouca conversa para Teenage Icon, hit do segundo disco, Come of Age, do ano passado. Noutra música de levada veloz, tratam de bradar que não são ícones adolescentes, que não são heróis de ninguém, contradizendo exatamente o que se via ali: uma plateia entregue e que alçava uma banda tão nova ao status de ídolos, chegando ao ponto de brigarem por toalhas empapadas de suor que foram atiradas pelos integrantes. O final veio com Norgaard, música com-menos-de-dois-minutos-quase-punk de What Did You Expected from the Vaccines, disco de estreia, do ainda fresco 2011 e, que surpresa, cantada em uníssono.

No final, o saldo do show foi bastante positivo e o grupo mostrou que é ainda melhor ao vivo do que em disco. Banda e presentes tiveram o que esperavam e todos saíram satisfeitos com a apresentação. Como diz o refrão da canção que abriu o show e dá nome ao segundo disco dos britânicos “it’s hard to come of age” (é difícil virar adulto) e nos shows do Vaccines é melhor que seja assim. Vale a lógica de Peter Pan: crescer não ajuda em nada. As músicas do grupo provavelmente não vão mudar o mundo, mas isso algum dia foi importante pro rock?

Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê
Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

Setlist:

1. No Hope
2. Wreckin’ Bar (Ra Ra Ra)
3. Ghost Town
4. I Always Knew
5. Wetsuit
6. Under Your Thumb
7. Tiger Blood
8. Melody Calling
9. All in Vain
10. Post Break-Up Sex
11. All in White
12. Wolf Pack
13. A Lack of Understanding
14. Aftershave Ocean
15. Blow It Up
16. Bad Mood
17. If You Wanna
18. Family Friend

Encore:
19. Weirdo
20. Teenage Icon
21. Nørgaard

 

MIXTAPE DEPREDANDO #2

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Sexta é dia de mixtape por aqui! Músicas estranhas, feitas por uma pessoa estranha para pessoas estranhas. Tem coisa nova do Queens of the Stone Age, bandas mais obscuras e coisas de outras décadas. Cat Power, Vaccines, Explosions in the Sky e Brendan Benson tocam no Brasil nessa semana e aparecem também por aqui. Então, é só dar play e se divertir, escutando grandes bandas e fazendo boas descobertas.

 

MIXTAPE DEPREDANDO #2 by João Vitor Medeiros on GroovesharkQuer sugerir uma música pra próxima mixtape? Mande no twitter pra @indiedadepre.