Atoms for Peace em Roma: porque música ao vivo sempre vale a pena

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Mariana di Pilla é jornalista meio brasileira – meio italiana e amiga pessoal e do blog. A meu pedido relatou as experiências que teve na Europa assistindo aos shows de The National e Atoms for Peace. Abaixo o relato de como foi a apresentação do grupo de Thom Yorke e Flea.

Atoms for Peace em Roma: a prova de que o som é incrível e os caras da banda são realmente exigentes com uma apresentação impecável por Mariana Di Pilla

Durante as minhas férias na Itália em julho deste ano me programei para assistir a dois shows: The National, em Milão, e Atoms or Peace, em Roma. O primeiro, como descrevi aqui, era um para ter na memória e no coração. Já o do projeto de Thom Yorke e Flea, entre outros caras fodas, era mais pela curiosidade. Valeu à pena igualmente.

Eu não tinha expectativa alguma com a apresentação. Já tinha ouvido o álbum AMOK algumas vezes, mas nada que tivesse ficado no repeat (eu tenho essa mania com álbuns pelos quais me apaixono). Cheguei no Ippodromo del Galoppo, onde uma série de shows estão rolando na capital italiana por conta do festival Rock in Roma, e tudo era muito organizado. O show começou pontualmente às 22h e logo de cara Atoms for Peace tocou “Before Your Very Eyes”, a primeira faixa do primeiro e único álbum do grupo. Na sequência veio “Default”, também de AMOK e depois “The Clock”, faixa solo de Thom Yorke em seu projeto The Eraser.

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Meus olhos brilharam neste momento, pois percebi que o show duraria mais do que previsto – se eles tivessem tocado apenas as músicas de AMOK teria sido uma hora de som e arrivederci. Thom se mostrou extremamente simpático e participativo com o público: entre uma faixa e outra, ele soltou palavras em italiano como ciao, buona sera e até um allora, que significa “então” e é super usada pelas pessoas em conversas informais, além de grazie, claro.

A projeção do palco é simples e linda: o vermelho domina a iluminação, que ora brinca com o azul, ora fica monocromática. Em poucos momentos ela muda para o verde e amarelo (alô, Brasil!). O som é tão, mas tão incrível, que foi capaz de conquistar até meus amigos que tinham ido comigo à apresentação apenas para “ver qual era”. Exigência com o som impecável, taí uma coisa que eles cobram: um problema técnico forçou a saída da banda no palco por alguns minutos. Problema resolvido, eles voltaram e tocaram mais cinco músicas. Saíram, voltaram e tocaram mais duas.

Resumo do show: sim, os caras são fodas no palco. Thom Yorke dança tão charming e divertido (e quase possuído) como no clipe de “Lotus Flower” (música de “The King of Limbs”), hit na internet. E claro, vale muito mais ver ao vivo do que ouvir o disco se você não é fã. Com certeza você vai se surpreender.

Setlist (via setlist.fm):

Before Your Very Eyes…

Default

The Clock

(Thom Yorke song)

Ingenue

Stuck Together Pieces

Unless

And It Rained All Night

(Thom Yorke song)

Harrowdown Hill

(Thom Yorke song)

Dropped

Cymbal Rush

(Thom Yorke song)

Encore:

Skip Divided

(Thom Yorke song)

Feeling Pulled Apart by Horses

(Thom Yorke song)

Rabbit in Your Headlights

(UNKLE cover)

Paperbag Writer

(Radiohead cover)

Amok

Encore 2:

Atoms for Peace

(Thom Yorke song)

Black Swan

(Thom Yorke song)

 

Mariana Di Pilla é jornalista e blogueira da Marie Claire, inventa e escreve sobre moda.

MIXTAPE DEPREDANDO #8: ALISSON GUIMARÃES

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Sexta é dia de bar, citações ao The Cure e de mixtape, é claro! E o convidado dessa semana é, como eu, mineiro e cruzeirense. Um dos meus melhores amigos, é o fundador e faz-tudo por trás de um do maiores e melhores sites sobre Oasis do mundo, o Oasis News. Foi por exemplo o primeiro a cravar (no mundo!) quando a banda acabou em 2009. Já dividiu uma cerveja com Liam Gallagher (oferecida pelo próprio) e assistiu futebol com Noel em um buteco do Rio de Janeiro. Ainda contribui com a conceituada Popload e é o responsável pelo também Catártico, Pop de Buteco. E a seleção que ele fez ficou linda e vai bem com o frio, olha só:

(Os melhores) Vídeos da semana – a partir de 22/07/2013

fraz love illumination
Clipes perderam a importância que tinham antigamente? Tocar na TV ainda atrai novos públicos? São perguntas difíceis de responder. Mas ainda é produzida muita coisa interessante e que vale a pena. Se você não conhece algo, é a oportunidade. Então saca os (melhores) vídeos dessa semana:

O Pixies voltou sem Kim Deal e pra compensar 9 anos sem música nova lançou logo dois clipes pra Bagboy. O segundo é uma viagem psicodélica baseada na capa do single:

O Franz tá com disco novo prestes a sair e lançou mais um clipe, dessa vez pra Love Illumination, saca só:

The Breeders em São Paulo: Kim Deal vai muito bem, obrigada

Foto por Fabrício Vianna/ Popload
Foto por Fabrício Vianna/ Popload

Há cerca de um mês o Pixies oficializou a saída de Kim Deal da banda em comunicado pouco esclarecedor no site oficial. Assinado pelos integrantes restantes, a nota agradecia à baixista e desejava sorte, como ocorre de praxe nessas ocasiões. Dias depois a seminal banda lançou uma nova música, a primeira em 9 anos e aumentou ainda mais os rumores de novo disco. Deal, que sempre foi claramente contra a gravação de material novo em entrevistas, parecia ter um motivo claro para deixar o grupo.

Outro motivo, porém, parecia estar estampado nos sorrisos que ela distribuiu sobre o palco do Cine Joia ontem em mais uma edição do Popload Gig, dessa vez estrelado pelo Breeders. Junto à irmã gêmea Kelley, ao baterista Jim MacPherson, a multi-instrumentista Carrie Bradley e a baixista Josephine Wiggs, Kim reuniu a formação clássica do conjunto para mais uma apresentação da turnê mundial em comemoração aos 20 anos do lançamento de Last Splash, álbum mais aclamado da banda.

Foto por Fabrício Vianna/ Popload
Foto por Fabrício Vianna/ Popload

Com a casa lotada à revelia do frio absurdo que tomava conta de São Paulo e a banda absolutamente confortável, uma a uma as músicas do disco de 1992 foram executadas de forma perfeita. O público vibrava e interagia com os integrantes que, excetuando-se a imóvel e sisuda Josephine Wiggs, respondia com grande simpatia.

Na primeira parte da apresentação os singles Divine Hammer e a clássica Cannonball foram as canções mais celebradas. A atmosfera que transita entre a calma e o ruído de Last Splash tomava conta do Joia e o sistema de som, que melhorou muito nos últimos tempos, contribuía bastante. Em Flipside as irmãs ensaiaram uma dancinha que emulava braçadas em alto mar. Kelley parecia ser a queridinha da plateia que gritou seu nome por diversas vezes e foi à loucura quando ela assumiu os vocais em I Just Want to Ger Along. Após 15 canções e finalizando com a barulhenta e curta reprise de Roi os membros deixaram o palco.

No primeiro bis covers de Guided By Voices (Shocker in Gloomtown, presente no EP Head to Toe) e Beatles (Happiness is a Warm Gun) se misturaram a faixas de outros lançamentos do Breeders, como Pod e o EP Safari, cuja faixa-título foi bastante comemorada. Os americanos ainda voltaram para mais um bis que teve Iris e Hellbound. Ao fim do show, Kelley Deal permaneceu solícita por um bom tempo no palco autografando material dos fãs e mostrando-se um tanto carinhosa.

A sensação que ficou é que o Breeders continua bem, duas décadas depois do lançamento do seu melhor disco. Eles não são mais tão jovens, assim como também não era a grande maioria dos presentes, mas continuam se divertindo e fazendo um show indispensável para quem é fã da produção musical dos anos 90. E se havia alguma dúvida sobre Kim Deal após a saída do Pixies, ela está muito bem, obrigada.

 

Foto por Fabrício Vianna/ Popload
Foto por Fabrício Vianna/ Popload

Setlist:

New Year

Cannonball

Invisible Man

No Aloha

Roi

Do You Love me Now?

Flipside

I Just Wanna Get Along

Mad Lucas

Divine Hammer

SOS

Hag

Saints

Drivin’ on 9

Roi Reprise

 

Encore 1:

Shocker in Gloomtown (Guided by Voices cover)

Head to toe

Happiness is a Warm Gun (Beatles Cover)

Safari

Opened

Oh!

Limehouse

 

Encore 2:

Iris

Hellbound

 

 

APRESENTANDO: Palace Hotel – a melancolia desenhada para pessoas comuns

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Eu nunca escondi meu fraco por qualquer tipo de manifestação que possua um tom melancólico. Inclusive, no texto mais pessoal que escrevi nesse blog, falei um pouco sobre isso. Elas me atingem em cheio e me absorvem de uma forma que é tão surpreendente e ao mesmo tempo tão óbvia que o resultado é um pout-porri de sentimentos daqueles que por si só justificam a existência das artes. E entre todas as artes a música sempre foi a menina dos meus olhos. Não é nada incomum então que eu me encontre frequentemente fisgado por algum disco ou canção que penda para o lado mais triste.

Tendo dito isso eu tenho que confessar que ando apaixonado por uma banda. Seria só mais um tópico no grupo da Sinewave no Facebook se eu não tivesse ouvido o Palace Hotel e seu Carnival Nights e ele tivesse despertado em mim, no mais alto grau de intensidade, todos as sensações que eu abordei no primeiro parágrafo desse texto. Como um amigo que me conhece mais do que o suficiente, a melancolia me abraçava, cada vez mais apertado, a medida que as canções iam acontecendo. As referências ao Sparklehorse, um dos meus grupos preferidos de todos os tempos, a atmosfera lo-fi das composições e as letras proferidas cadenciadamente faziam com que “às vezes eu sentisse meu coração desacelerando”, como proferem os versos de Slowing Down.

Minha reação automática foi varrer a internet atrás de informações sobre o grupo, no que não tive muito sucesso. Resolvi então perguntar diretamente à pessoa que havia criado o tópico e descobri que o Palace Hotel é na verdade um homem só: André ZP. Sim, ele é brasileiro e me contou um pouco sobre as origens do projeto e suas outras empreitadas, que incluem a fundação de um coletivo voltado a chipmusic, o Chippanze.orge um projeto de música eletrônica feito basicamente com Game Boys (sim, aquele console da Nintendo), o Pulselooper. Tudo isso será explorado em outro post no qual pretendo entrevistá-lo.

André tocou na banda que acompanhou Daniel Johnston ao país nesse ano. Entregou também que esse é o único disco do Palace Hotel, gravado em 2007, mas que pretende lançar material novo em breve. Por favor.

Abaixo você pode ouvir o disco na íntegra e decidir por você mesmo. Se preferir pode fazer o download gratuito aqui utilizando um dos códigos. Diferente do multi-colorido carnaval referido no título, você vai encontrar aqui a vida em suas cores mais abundantes: o branco, o preto e, principalmente, o cinza.

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Lee Ranaldo no SESC Pompeia: membro do Sonic Youth, SIM!

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O noite era fria em São Paulo. Dentro da choperia do SESC Pompeia um bom público se aglomerava à espera da primeira apresentação de Lee Ranaldo na cidade. Os ingressos para os dois shows que o americano faria acompanhado de sua banda, The Dust, já estavam esgotados há tempos. Com a entrada mais cara ao preço de R$20,00 e carregando nas costas o peso do nome do ex-grupo, nada menos que o lendário Sonic Youth, era de se esperar que isso acontecesse.

E era o fantasma do Sonic Youth, terminado em 2011, que dava a tônica do local. Como acontece na esmagadora maioria dos casos, um artista que tenha passado por conjunto minimamente relevante jamais irá conseguir desvincular sua imagem da banda mais famosa. Faz parte do jogo. Muitos nem mesmo querem isso. Parecia o caso de Ranaldo, que inclusive vendia produtos do grupo que formou por anos com Thurston Moore e Kim Gordon junto ao merchandising do novo projeto. Uma corrida rápida de olhos pelos presentes e as chances de não topar com alguma referência aos Youth eram remotas.

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Foto por Marcelo Costa/ Scream & Yell

Às vinte uma e quarenta os integrantes subiram ao palco anunciados pelo sistema de som da casa e deram início à apresentação. Na primeira música era possível notar que as guitarras estavam baixas, fato que logo foi corrigido a pedido do próprio Ranaldo. Algumas pessoas dançavam timidamente dentro dos limites de seus campos de força imaginários, contudo a grande maioria permanecia estática. A despeito disso a banda parecia bastante à vontade.

O The Dust tinha Alan Licht na guitarra, Tim Luntzel no baixo e Steve Shelley, também ex-membro do Sonic Youth, na bateria, todos devidamente apresentados ao público pelo próprio Lee. Entrosados, desfilaram uma série de boas canções, a maioria de Between the Times and Tides de 2012. As músicas, mesmo por vezes flertando com uma sonoridade mais barulhenta e distorcida, passavam longe de lembrar as partes mais bizarras e experimentais da banda mais famosa de Ranaldo. Não que isso fosse um ponto negativo. Na comparação de carreiras solo, ouvi de mais de uma pessoa que elas preferiam a de Lee a de Thurston Moore.

Foto por Marcelo Costa/ Scream & Yell
Foto por Marcelo Costa/ Scream & Yell

E o passado não só era algo do qual o nova iorquino não conseguia escapar como fazia questão de abraçar afetuosamente. O esmero dele com as experiências transpostas musicalmente era tanto que antes de quase todas as músicas fazia questão de explicar o que elas significavam e de onde tinham vindo. Alguns podem reclamar que isso tirava um pouco da dinâmica do show por conta do excesso de diálogo com a plateia, mas me pareceu essencial ao objetivo de Ranaldo. O próprio título do último álbum reforçava essa relação. Ele contou sobre uma amiga da adolescência, fez referências elogiosas ao Occupy Wall Street, falou sobre e tentou mostrar essa foto famosa às pessoas http://bit.ly/18r0z9B, contou sobre um lugar esquizofrênico que conhecia nos EUA. Tudo isso pra explicar como chegou a cada um dos resultados que exibia no palco.

Depois de cerca de uma hora e dez com 12 músicas, sendo uma delas um cover para She Cracked do Modern Lovers, a banda se retirou. Alguns minutos depois eles voltaram para o bis com Waiting on a Dream, faixa de abertura de Between the Times and Tides. Nesse momento o público já estava mais caloroso e a recepção a última música, Genetic do Sonic Youth (veja vídeo abaixo), foi em clima de festa. Um jeito perfeito de encerrar dando aos presentes um gostinho do passado que mais significava para eles.

@andyamagami

Ranaldo não se arrisca em sua carreira solo. E nem precisa. Se a história nada mais é que a repetição do passado inserido em um novo contexto, quem estava na choperia do SESC Pompeia presenciou ela sendo celebrada e construída. E da melhor forma possível: em forma de boa música.

Setlist:

Setlist


 

MIXTAPE DEPREDANDO #7: SCREAM & YELL

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Sexta é dia de mixtape, vocês sabem. E desde a semana passada elas começaram a ser feitas por convidados, pessoas que eu respeito e admiro. O Fernando Augusto Lopes, editor do Floga-se foi o primeiro e você pode escutar as escolhas dele aqui.

Hoje o convidado também é especial: Marcelo Costa, editor de um dos mais antigos e, sem dúvida alguma, melhores sites sobre música e cultura pop, o Scream & Yell. Além do site, Mac contribui com diversas publicações nacionais como a Rolling Stone e a GQ. Cervejeiro profissional e viajante assíduo, também possui um blog onde conta experiências pessoais e dá dicas (e que eu costumo visitar assiduamente), o Calmantes com Champagne. É um dos caras mais simpáticos e inteligentes que já tive o prazer de conhecer. Sentar com ele numa mesa de bar é sempre passar por uma aula incrível sobre jornalismo, música, cultura e, por que não, vida. Sem muita enrolação, vamos às escolhas dele no player abaixo. São quase todas músicas lançadas esse ano.

(Os melhores) Vídeos da Semana – a partir de 15/07/2013

Valentine's day

Clipes perderam a importância que tinham antigamente? Tocar na TV ainda atrai novos públicos? São perguntas difíceis de responder. Mas ainda é produzida muita coisa interessante e que vale a pena. Se você não conhece algo, é a oportunidade. Então saca os (melhores) vídeos dessa semana:

O Yuck apareceu em 2011 e logo foi aclamado pela crítica. Dois anos depois, o grupo passou por baixas de integrantes, problemas internos e agora volta diferente. A influência do My Bloody Valentine fica clara.

MIXTAPE DEPRENDANDO #6: FLOGA-SE

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Sexta volta a ser dia de mixtape! E a partir dessa edição, toda semana convidarei alguém cuja opinião é de alguma forma relevante pra mim. Na estreia, nada mais justo que convidar um dos caras que eu mais me ensinaram sobre música na vida e editor e faz-quase-tudo de um dos melhores sites sobre música do país: Fernando Augusto Lopes do Floga-se. E se você não conhece o Floga-se, meu amigo, eu acho que você está perdendo tempo. Sem mais delongas, vamos à seleção.

MIXTAPE DEPREDANDO #6: FLOGA-SE by João Vitor Medeiros on Grooveshark

(Os melhores) Vídeos da Semana – a partir de 12/07/2013

franz right action

Clipes perderam a importância que tinham antigamente? Tocar na TV ainda atrai novos públicos? São perguntas difíceis de responder. Mas ainda é produzida muita coisa interessante e que vale a pena. Se você não conhece algo, é a oportunidade. Então saca os (melhores) vídeos dessa semana:

O Franz tá com disco novo pronto pra sair do forno e divulgou o clipe do primeiro single, Right Action. O clipe é bem legal e do mesmo diretor de Take me Out.