ENTREVISTA: Yuck – “Faço o tipo de música que quero e não vou me sentir mal por ter influências”

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O Popload Festival acontece nesse sábado, 26 de outubro, no HSBC Brasil em São Paulo e trata-se de uma investida mais ambiciosa dos responsáveis pelo conhecido Popload Gig, que já trouxe ao Brasil bandas como LCD Soundsystem, Tame Impala, Primal Scream, Feist, Breeders, entre outras. A atração principal são os ingleses do XX, que irão passar por Rio e SP pela primeira vez, terminando a turnê do segundo disco do grupo, Coexist.

Aos 45′ do segundo tempo, porém, o evento ganhou um reforço considerável com a adição do, agora, também trio londrino Yuck. Depois de uma estreia barulhenta musical e jornalisticamente em 2011, o grupo passou por problemas internos, saída do frontman Daniel Blumberg e gravação e lançamento do segundo álbum, Glow & Behold.

Prontos para desembarcar em São Paulo, o grupo, por telefone, concedeu uma entrevista a mim. Inicialmente designado para responder minhas perguntas, logo ao atender o celular com uma voz cansada, o baterista Jonny Rogoff me pergunta se eu me importaria que Max Bloom, guitarrista e atual vocalista ficasse encarregado da conversa. Obviamente, aceitei. Max é o líder e principal compositor e certamente estaria mais apto a me contar coisas sobre o processo de gravação do segundo disco e como o Yuck lidou com as recentes turbulências.

“Ele deixou a banda porque ele queria se dedicar a outros projetos, eu acho”, me diz gentilmente depois de um longo suspiro, quando eu não resisto à tentação de abrir a entrevista perguntando porque Blumberg tinha saído da banda. “Ele não queria ficar preso a apenas uma coisa, ele queria fazer várias e não conseguia estar mais realmente comprometido conosco”. Quando questionei como o desinteresse dele influenciava no processo de composição ele foi assertivo: “Ele não queria mais escrever músicas pra banda, eu estava compondo o novo álbum e ele simplesmente não queria mais fazer parte”.

Na sua estreia o Yuck foi amplamente comparado a grupos de rock alternativo dos anos 90, como Dinosaur Jr. e Superchunk. O primeiro single de Glow & Behold, Rebirth (uma clara menção, mesmo que indireta, aos novos tempos do conjunto), contudo traz uma sonoridade diferente, que ainda remete à década de 90, mas dessa vez se aproxima mais de outro expoente da época: o My Bloody Valentine e seu Loveless. “Não, não foi. Eu posso ver porque as pessoas pensam isso, mas não era o que eu estava escutando na época” nega, quando pergunto se Kevin Shields tinha sido uma grande influência no disco: “Eu estava escutando eles mais na época do último disco. Desse, não”.

Sobre ser acusado de copiar bandas da época ele disse não se importar: “Inclusive depende do contexto, muitos dizem isso como elogio, de forma amável. Outros podem dizer de uma forma preguiçosa, sem realmente terem escutado a nossa música, mas no fim não me incomoda, não. Faço o tipo de música que quero fazer e não vou me sentir mal por ter influências”.

O mais recente trabalho do Yuck me soa melancólico e pergunto a Bloom se isso foi pensado: “Aconteceu naturalmente. Eu estava tomando muita porrada na época e eu só men sentia assim, sabe? Muita gente diz isso sobre o disco, sobre ele ser melancólico, porém não foi realmente planejado. Mas faz sentido, porque era como eu estava me sentindo no momento e talvez no próximo disco eu esteja em um estado mental completamente diferente e isso vai influenciar a sonoridade”.

Em 2011 eles tiveram uma rápida passagem por São Paulo ao tocar em evento fechado da Puma para convidados. “Foi uma grande surpresa pra gente. Foi muito rápido porque a gente chegou e logo em seguida tínhamos que voar para o Reino Unido pra tocar em outro festival, mas estar ali com 700 pessoas querendo ouvir a nossa música foi muito surpreendente. Não sabíamos que haviam tantas pessoas no Brasil que conheciam a gente. ”

Quando menciono o show de sábado e inquiro se ele gosta do XX, headliner da noite, ele diz nunca tê-los encontrado pessoalmente, mas que acha a banda muito boa. No que compete ao Yuck ele parece animado: “Eu acho que vai ser muito bom. Novamente não sei o que esperar, o que vai acontecer. Qualquer que seja o cenário, vamos subir e fazer nosso show e acho que vai ser muito divertido”. Ele finaliza prometendo um setlist com músicas de ambos os trabalhos do grupo.

Agradeço a entrevista e me despeço. “Te vejo no sábado”, Bloom diz por educação. Até lá, então.

Escute o Glow & Behold do Yuck na íntegra aqui.

POPLOAD FESTIVAL com THE XX – SÃO PAULO

ATRAÇÕES:

PALCO CAMPARI
20h30 SILVA
00h30 ALDO
01h30 Joe Goddard (HOT CHIP)

PALCO DESPERADOS
21h30 YUCK
23h00 The XX

DIA: 26 de outubro de 2013
HORÁRIO PORTAS: 19h
LOCAL: HSBC Brasil
R. Bragança Paulista, 1281
Chácara Santo Antonio, São Paulo – SP
Telefone: (11) 5646-2120
INGRESSOS:
Pista: R$ 200,00 (meia), R$ 400 (inteira)
Camarote: R$ 300,00 (meia), R$ 500 (inteira)
*VIP (open bar): R$ 400,00 (meia), R$ 800 (inteira)
(*VIP open bar não fica em frente ao palco. É pista, mas é atrás, numa área reservada, mais elevada.)
PONTO DE VENDA:
site HSBC Brasil

O Tame Impala está errado

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Foto por Fabrício Vianna/ Popload

A noite da última quarta-feira, 16 de outubro, marcou a volta do Tame Impala ao Brasil, pouco mais de um ano depois da primeira apresentação dos australianos por aqui. Os ingressos estavam esgotados há mais de um mês, pegando carona no sucesso do segundo disco, Lonerism (2012), que foi amplamente aclamado pela crítica e ainda não havia sido lançado na ocasião da primeira passagem do grupo por São Paulo.

A fila de entrada para o Cine Joia era grande, mas fluía de maneia rápida e todo o processo acontecia sem maiores problemas. Lá dentro um público majoritariamente formado por jovens de 20 e poucos anos competia pelos melhores espaços. A seleção de músicas antes do show entregava as credenciais da banda: de Pink Floyd da fase com Syd Barrett a Júpiter Maçã, a psicodelia era o carro-chefe.

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Foto por Fabrício Vianna/ Popload

Às vinte e duas e quarenta os integrantes subiram ao palco em meio à histeria dos presentes. Se é fácil ler a sonoridade dos anos 60 na música do Tame Impala, também era possível encontrar semelhanças entre a plateia da noite e as clássicas imagens de fãs reagindo a shows dos Beatles e Rolling Stones em começo de carreira.

Kevin Parker, líder e principal compositor, postou-se ao centro do palco e, no comando, deu início à apresentação com uma introdução seguida de Endors Toi, segunda faixa de Lonerism, e sucedida por Solitude is Bliss e Alter Ego, do disco de estreia e cantadas a plenos pulmões pelo público.

Modificando as versões de estúdio, o grupo acrescentava ou prolongava passagens instrumentais que, mesmo chegando a serem bastante longas, não soavam maçantes. A repetição incessante de riffs cheios de efeitos e embebidos em atmosfera criada por teclados e sintetizadores, guiadas por uma bateria que martelava muitas vezes em cadência quase marcial, proporcionava um efeito hipnótico que seria uma constante durante show e um dos pontos mais altos. Além disso, o entrosamento dos integrantes em paradas e mudanças de compasso chamava a atenção e, apesar de jovem, o grupo parecia muito experiente e seguro em cima do palco de uma maneira que não lembrava o bom, mas tímido conjunto que se apresentou por aqui em 2012.

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Foto por Fabrício Vianna/ Popload

O vocalista se sentia tão à vontade que cantou quase todas as canções com um sorriso estampando no rosto. Após Why Won’t They Talk To Me? ele não se conteve e cravou: “Vocês são loucos! Eu nunca havia visto uma plateia pirar nessa música!”. A sonoridade do grupo também parecia mais densa e algumas, em especial Half Full Glass of Wine e Elephant, a seguindo o nome, foram executadas com peso e contribuição do sistema do som do Cine Joia, que ao contrário de algumas reclamações recentes em outros shows, estava perfeito para os australianos. O famoso sistema de mapping do Joia também ajudou com projeções nas paredes que seguiam o ritmo das canções e abusavam das cores e dos clichês psicodélicos como a representação imagética de sinapses.

A primeira parte do show foi encerrada com uma interpretação longa e intensa de Apocalypse Dreams na qual nem lugares comuns como solos de guitarra no chão soaram forçados. Aquele foi o ápice e o Tame Impala sabia disso e se retirou para o camarim sob urros de uma plateia que àquela altura se sentia amplamente vitoriosa.

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Foto por Fabrício Vianna/ Popload

Voltaram, então, e no bis abriram com o maior sucesso do grupo, o hit Feels Like We Only Go Backwards, cantado em volume quase ensurdecedor,  para depois dar fim ao belo show com a viajante Nothing That Has Happened So Far Has Been Anything We Could Control.

A evolução do Tame Impala no intervalo de um ano foi estrondosa. De um bom, mas pouco marcante, show em 2012 a um dos melhores shows de 2013 na capital paulista. Se eles não se cansam de cantar que parece que eles só andam para trás, eles estão muito errados. A banda cresceu muito e mais, parece que é só começo.

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Foto por Fabrício Vianna/ Popload

Setlist:

Intro
Endors Toi
Jam
Solitude Is Bliss
Alter Ego
Music to Walk Home By
Why Won’t They Talk to Me?
Desire Be Desire Go
It Is Not Meant to Be
Half Full Glass of Wine
Why Won’t You Make Up Your Mind?
Elephant
Be Above It
Oscilly
Mind Mischief
Apocalypse Dreams

Bis:
Feels Like We Only Go Backwards
Nothing that Has Happened So Far Has Been Anything We Could Control

Especial Dia das Crianças: músicos famosos quando crianças

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Tá bom, a gente sabe que todo dia é Dia das Crianças, mas isso não faz com que não seja legal ter um dia dedicado a isso. E aproveitando que já estamos falando de clichês, todo mundo já foi criança um dia. Inclusive aquele músico famoso daquela banda que você adora (ou odeia). Abaixo alguns músicos quando crianças. Você consegue adivinhar quem são?

Noel e Liam

amy winehouse

alex turner e matt helders

Julian Casablancas

john lennon

Brandon Flowers

billie joe armstrong

Kurt Cobain

Lana Del Rey

Morrissey

paul mccartney

miles davis

Se você ficar em dúvida, basta passar o mouse sobre a imagem pra saber. =)

Lollapalooza 2014: o que esperar

O convite para a coletiva de imprensa que apresentaria a edição 2014 do Lollapalooza Brasil dava uma grande ênfase ao número 5. Tudo isso por conta da nova casa do festival, o Autódromo de Interlagos, 5 vezes maior em área que o Jockey, onde aconteceram as duas últimas edições (segundo a produção são 600 mil m² contra 120 mil m²). Isso foi feito, principalmente para evitar que vazasse som entre palcos, coisa comum em 2012 e 2013.

A informação pela escolha de Interlagos já circulava antes mesmo da confirmação oficial e a produção pareceu bastante preocupada em mostrar aos presentes na coletiva que mesmo acontecendo em terreno afastado do centro de São Paulo, não existirão grandes dificuldades para acesso. Existe uma estação de trem (Autódromo) a 700 metros de um dos portões e estão sendo negociadas junto à prefeitura linhas especiais de ônibus para atender ao evento. Mais ônibus, inclusive, estarão circulando no fim de semana de 5 e 6 de abril, data em que ocorrerá a versão nacional do Lolla. Os horários do metrô, a princípio, continuam os mesmos – sábado até 1h e domingo até 0h. O evento acontecerá a partir das 11h e terminará às 23h no sábado e às 22h no domingo, possibilitando a volta de todos via transporte público.

Não obstante, também haverá incentivo ao que a organização chamou de “carona solidária”. Carros com mais de 4 pessoas que utilizarem o estacionamento oficial do evento terão o valor convertido em fichas para consumação. O limite será de 4 mil veículos. Estacionamentos conveniados nas redondezas também poderão ser utilizados, porém, a priori, sem os mesmos incentivos que o oficial.
Interlagos

Quanto às atrações, o line-up está 90% definido e a previsão que seja feito o anúncio entre os dias 23 e 30 de outubro. Serão 80 atrações divididas em dois dias e cinco palcos: Palco 1, Palco 2, Palco 3, Tenda Eletrônica e Kidzapalooza. O Palco 3, inclusive, anteriormente chamado de Alternativo, receberá atenção especial e contará com atrações de peso. Isso deverá aumentar o número de choque de horários entre bandas, o que implicará decisões que nem sempre serão fáceis de serem feitas. Mas os maiores festivais do mundo são assim e isso é saudável.

Os grandes festivais estrangeiros, inclusive, foram a inspiração para a nova cara do Lolla. O maior espelho é, claro, o Lollapalooza de Chicago. Coerentemente com o aumento da área do evento, mais áreas de descanso e uma praça de alimentação maior serão instaladas em Interlagos. O dobro de banheiros das últimas edições também estarão disponíveis. Como o próprio Perry Farrell disse na coletiva, tudo isso foi feito para que a experiência de quem vai ao Lollapalooza seja diferenciada. Não é a intenção essa experiência estar restrita a 4 ou 8 horas apenas, mas que ela aconteça durante todo o fim de semana. Pessoalmente acho animadora essa abordagem e um passo importante pra que se consolide por aqui a tão falada “cultura de festivais”. É tudo muito novo pra nós, brasileiros e essa é uma evolução importante.

As Lollaparties (ou sideshows) também fazem parte dessa experiência única e estão mantidas. Nos últimos anos artistas como Of Monsters and Men, Two Door Cinema Club, Hives entre outros fizeram apresentações paralelas em casas menores. São sempre boas opções para fãs mais fervorosos e que querem conferir o show completo da banda, coisa impossível de acontecer num esquema de horários de um festival. São Paulo será o foco das Lollaparties, mas não está descartada que algumas aconteçam em outros centros, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.

Os ingressos começam a ser vendidos em novembro, ainda sem preços anunciados. Esses deverão vir juntamente ao line-up no fim do mês.

O balanço geral foi bastante positivo e, mesmo com o receio inicial, Interlagos parece pronto para receber o Lollapalooza Brasil. Se as atrações que andam circulando por aí forem mesmo verdade, a escalação promete ser a melhor entre todas as edições. A organização, inclusive, promete isso. Começou bem.

mapa lolla 2014