Exclusivo: Escute e baixe EP solo de Francesca Belmonte, cantora do Tricky

Francesca Belmonte é uma cantora inglesa que apareceu no cenário internacional pelas colaborações com rapper e produtor Tricky, também inglês. Com uma voz ao mesmo tempo doce e forte, ela empenhou seus vocais no disco de 2013 do músico, chamado False Idols, e em janeiro lançará um álbum completo, marcando sua transição para a carreira solo.

Porém, antes do disco cheio, Belmonte liberou um EP exclusivo que você pode escutar no link abaixo ou baixar gratuitamente AQUI.

São três faixas cheios de batidas e elementos eletrônicos, incluindo  o single Stole e um cover de It Ain’t Me Babe de Bob Dylan. As faixas são minimalistas e destacam a voz de Belmonte, cantando sobre temas sombrios, como vulnerabilidade e sobrevivência.

Vale ficar de olho nela.

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Thurston Moore Band em São Paulo – Aos 45 do segundo tempo, o melhor show do ano no Brasil

Eu adoro o Sonic Youth, mas talvez tenha uma relação ainda mais próxima com o trabalho solo do seu guitarrista, Thurston Moore. Seu disco de 2011, Demolished Thoughts, figura entre os meus favoritos de todos os tempos e o último, The Best Day (lançado em outubro), é dos que mais gostei nesse ano que já se encaminha para o fim. Juntando tudo isso à uma banda de craques e uma performance explosiva, não haveria como dizer que a apresentação que a denominada Thurston Moore Band fez na noite de ontem para um Cine Joia cheio, mas confortável, – dentro da série Popload Gig – não tenha sido o melhor show que vi no Brasil em 2014.

Primeiro é preciso elogiar a produção, que fez com que a apresentação começasse às 22h15 e assim tornou possível que, ao final, o público utilizasse o metrô e o sistema de transporte público para retornar para casa. É muito bom ver o Cine Joia finalmente se aproveitando da sua excelente localização e torço para que isso se torne uma constante daqui para frente. Em um mercado tão competitivo e com tantas ofertas, esse é um diferencial que sempre conta muito.

No palco, Moore se juntou ao guitarrista inglês James Sedwards, Deb Googe (My Bloody Valentine) e Thiago Babalu, baterista brasileiro que toca na banda de Jair Naves e teve que substituir às pressas, o também Sonic Youth, Steve Shelley. Este último, já em São Paulo, constatou um problema relacionado à visão que poderia se tornar algo mais grave e, sob orientações médicas, teve que abandonar a turnê e voltará para casa para se submeter a uma cirurgia e descansar. Shelley é um dos grandes bateristas do rock e foi uma pena não poder vê-lo com o grupo, mas, orientado pelo americano na tarde inteira pré-show, Babalu deu conta do recado.

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Foto por Clarissa Wolff/ Catárticos

Sem muitas palavras, os quatro se posicionaram em seus instrumentos e executaram as belas e longas Forevermore e Speak to the Wild, faixas que também abrem The Best Day. Ali os ruídos e distorções ainda eram tímidos e o que se sobressaía era a beleza melódica e a paz que Moore explicou que prentendia passar com o álbum, em entrevista recente que fiz com ele (aqui). Juntas consumiram cerca de 25 minutos  e foram acompanhadas de calmas projeções do oceano ao fundo, preparando os presentes para a chuva de distorções que se seguiria.

Thurston é mestre de uma escola de guitarristas barulhentos na qual às vezes o mais importante é destruir. Derrubar, demolir, tornar escombros notas, arranjos e dogmas. Essa talvez tenha sido a maior virtude do Sonic Youth, ao tornar popular algo que fugisse aos padrões da própria música popular, influenciando toda uma geração e garantindo a eles o lugar que ocupam no panteão de artistas dos últimos 50 anos. E algo assim não se apaga da noite pro dia. Felizmente.

Os ruídos e distorções então começaram a florescer quando o quarteto tocou, em seguida, Germs Burn, Detonation e The Best Day, todas do disco mais recente, para desembocar numa versão arrasadora de 15 minutos da instrumental Grace Lake. Se a apresentação tivesse sido apenas a música, já seria suficiente para destaque. Eu posso dizer, sem sobra de dúvidas, que foi um dos momentos musicais mais poderosos que presenciei na vida. As guitarras de Sedwards e Moore conversavam em texturas quase palpáveis sobre a firme cama preparada por Babalu e Googe, e caminhavam por dentro da melodia de maneira hipnótica, sugando a todos os presentes. As projeções espaciais na parede do Cine Joia funcionaram como extra e criaram uma atmosfera psicodélica que fez com o que o Tame Impala – que eu adoro – parecesse uma banda de adolescentes inexperientes. A medida que eles aceleravam o ritmo, uma avalanche de som enterrava uma casa em transe. Fantástico.

Depois disso não havia muito o que fazer, senão sair do palco. Mas diante de uma plateia ainda petrificada, voltaram e tocaram maravilhosa e – surpresa- barulhenta Pretty Bad, do primeiro disco solo de Moore, Psychic Heart (1995), pra voltar e encerrar – após terem saído novamente do palco – com Ono Soul, também do álbum solo de estreia do americano. Um show pra ficar guardado para sempre e que fez jus à tradição das criações mais famosas do guitarrista, mesmo sem uma única canção do Sonic Youth. Na noite de ontem, escreveu-se certo por notas tortas.

Setlist:

Forevermore
Speak to the Wild
Germs Burn
Detonation
The Best Day
Grace Lake

Encore:
Pretty Bad

Encore 2:
Ono Soul

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Foto por Clarissa Wolff/ Catárticos
Foto por Clarissa Wolff/ Catárticos
Foto por Clarissa Wolff/ Catárticos