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Afghan Whigs em São Paulo: quando pais e mães de família voltaram a ser adolescentes

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Foto por Amanda Mont’Alvão

Em uma semana em que voltou a chover e, contra todas as probabilidades da natureza, as ruas se encheram de gelo em São Paulo, o evento mais improvável de todos aconteceu no Audio Club no bairro da barra Barra Funda. A mais nova casa de shows da cidade recebeu em seu palco o Afghan Whigs, veterana banda americana de rock alternativo que embalou 10 entre 10 baladas do gênero no final dos anos 90 e começo dos 2000, mas nunca havia pisado no país nos seus quase 30 anos de carreira.

Além da apresentação em solo paulistano, a banda passaria por Porto Alegre, mas esta última foi cancelada devido à baixa procura de ingressos. Fato que, aparentemente, não esteve nem perto de acontecer quando o show de ontem começou com casa lotada às 23 horas, exatamente. Aqui é novamente necessário se questionar o porquê de uma casa que conta com um trunfo tão grande quanto a proximidade com o metrô, abrir mão de utilizá-lo. Isso inviabiliza que muita gente vá até o evento e complica a vida daqueles que vão de qualquer maneira. Não há motivo racional, econômico ou logístico, que pareça justificar essa sandice. Ainda assim, os apelos do público continuam a serem ignorados.

Sorte da produção que quando as luzes se acenderam e a banda entrou no palco, toda vestida de preto e capitaneada pelo sisudo Greg Dulli, a plateia só parecia interessada em tirar todo o atraso de anos entalado na garganta. Com um repertório baseado no recente novo disco Do to the Beast (2014), mas passeando por toda a carreira, a banda desfilou o seu som potente e cirurgicamente martelado com uma pedrada atrás da outra. Os presentes cantavam os hits alternativos a pleno pulmões e receberam muito bem as novas canções. O destaque foi a interpretação de Gentlemen, do disco homônimo de 1993, com o Audio quase vindo abaixo. A qualquer momento era possível passar os olhos pelo recinto e apanhar um marmanjo qualquer displicentemente tocando air guitar para reforçar as três guitarras do palco. Ninguém ali parecia ter menos de 25 anos e ninguém ali parecia agir como se tivesse mais de 16

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Foto por Amanda Mont’Alvão

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A banda estava afiada e o sistema de som – que ainda pode melhorar – também não comprometeu. A voz de Dulli parece intacta e não decepcionou quando mais exigida. No palco, a banda pareceu se divertir sempre que possível, só dando uma pausa nas poucas canções mais tranquilas, nas quais o nível de silêncio sempre funciona com fator catalisador. O resultado foi um show em que ninguém se arrependeu de ter voltado pra casa em uma madrugada chuvosa de quinta-feira.

Foi a primeira vez que fui ao Audio e a casa não decepcionou, a não ser pelo que já citado. É bonita, confortável e de fácil acesso. Com ajustes, é muito promissora. Quanto à banda, a espera valeu a pena e, se ela não é mais tão relevante quanto nos anos 90, não deixa de ser especial e competente. Se relembrar é viver, quem esteve no Audio ontem não teve dúvidas de que a música faz a vida muito melhor.

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Foto por Amanda Mont’Alvão

 

Setlist :

Parked Outside
Matamoros
Fountain and Fairfax
The Lottery
Debonair
When We Two Parted/Over My Dead Body
Turn On the Water
Uptown Again
Algiers
Royal Cream
I Am Fire/Tusk (Fleetwood Mac cover)
Gentlemen
It Kills
Going to Town
John the Baptist
Heaven On Their Minds /Somethin’ Hot (Andrew Lloyd Webber cover)
My Enemy

Encore:
Bulletproof
Summer’s Kiss
People Get Ready (intro)/Faded