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Desintegração: músicas tristes me fazem mais feliz

records

Peço licença para dessa vez publicar algo em um tom mais pessoal. Obviamente, todas as opiniões emitidas por aqui são unicamente a partir do meu ponto de vista. Não tenho a pretensão de pregar supostas verdades absolutas, até porque, por convicção, acho que elas existem em raríssimos casos. Contudo, nesse post a subjetividade será maior. Eu amo a música. Mas amo mais as músicas tristes.

Escrevo esse texto enquanto escuto o “Disintegration” do The Cure. É um dos meus discos preferidos de todos os tempos e carrega uma atmosfera melancólica até nas canções mais doces. E isso é convite certeiro pra que eu me apaixone. Acordes menores sempre serão meus preferidos. Letras sobre solidão sempre tocarão mais fundo na minha alma. Eu penso em música praticamente o dia inteiro, vivo, respiro isso. E frequentemente me pego pensando o porquê dessa minha inclinação pelo aperto no peito.

Acho que a palavra aqui é deslocamento. Porque eu me senti muito e ainda me sinto, às vezes, deslocado do mundo. Porque muitas vezes eu não tenho ideia de pra onde me deslocar. Diversas vezes eu nem mesmo sei onde me encontro. Muitas pessoas tem medo de morrerem sozinhas. Meu maior medo sempre foi viver sozinho. O caminho para o autoconhecimento é tortuoso e as melhores escolas do mundo não são capazes de ensinar você a lidar com a dor. Mas a música é. Pelo menos no meu caso.

Sempre escuto pessoas dizerem que não vão escutar determinada banda ou artista pois elas vão ficar pra baixo. Que elas preferem coisas animadas, “pra cima”, que deem a elas aquele impulso extra de alegria. Eu respeito e, em algum nível, até admiro essas pessoas, mas essa abordagem nunca funcionou pra mim. Eu nunca consegui me conectar com esse tipo de som de forma integral por simplesmente não serem uma tradução genuinamente sincera de como eu sou. É nos lamentos de alguma faixa lúgubre que eu costumo encontrar algum tipo de conforto. São as canções tristes que fazem com que eu não me sinta perdido, são elas que fazem eu enxergar que existem pessoas com problemas como eu e que a vida pode ser dura, mas que sempre há um motivo pelo qual lutar. Elas me ensinam a lidar com a melancolia e são o afago que embala os muitos dias em que tudo parece muito pesado. Eu não estou sozinho.

Se mundo é cheio de contradições, nem todas elas são de todo o mal. Músicas tristes tem o poder de me deixar feliz. Que continuem assim.

18 Comments

  1. Mateus Amaral

    Cara, esses dias atrás tive o prazer de assistir o incrível documentário “Searching for Sugar Man” e queria indicá-lo para você(capaz de você já ter visto). Músicas tristes na medida certa. Essa com certeza é uma das mais tristes que ouvi, a letra é muito foda:

    http://youtu.be/jHlnmCQTXuo

  2. Que texto lindo cara, por acaso estou escutando Disintegration agora mesmo. <3

  3. Olhe só, eu por aqui. Bom, você conseguiu definir de alguma forma tudo o que eu sinto quando ouço pink floyd, u2, Enya, Marcelo Camelo, Bon Iver e outros gênios da música. O deslocamento proporciona certo desconforto, como se minha alma estivesse vagando por aí, procurando algo, ou alguém… Mas a música reconforta isso, e me faz ficar em paz com essa situação, me assegura de que não sou a única. As coisas mais belas, são as tristes.

  4. É exatamente assim que eu me sinto, a música triste me representa de uma maneira que é meio impossível de explicar, são as músicas tristes, cito aqui o exemplo de Homesick da banda Parachutes, que consegue expressar todo meu sentimento em relação as pessoas, ao mundo e a solidão, não de um modo depressivo (muitas vezes sim) mas de um modo de autoconhecimento, de uma maneira de entrar num casulo e entender qual sua relação com o exterior…

  5. Vou usar um clichê: faço minhas as suas palavras. Eu tenho uma atração louca por música deprê, fico feliz, mas feliz da vida com elas. Engraçado porque nunca fui uma pessoa depressiva, mas é bem isso. Música triste me toca lá dentro e eu vejo uma beleza nelas que só pode me deixar mais feliz, Ah, Desintegration é, de fato, um disco lindo demais.

  6. Cristina Silva

    Tenho certeza que o público de qualquer banda emo concorda com seu texto. A abordagem é a mesma, mas você não vai aceitar ser chamado de emo porque a música que você escuta é mais profunda..

    • João Vitor Medeiros

      Existem boas coisas emo como Brand New ou American Football, que eu inclusive curto. Mas se você está falando de coisas com Simples Plan ou Good Charlotte, não gostar dessas bandas não tem nada, mas absolutamente a ver com abordagem. De mais a mais, chamar uma pessoa de emo por isso, simplesmente, é tão, mais tão raso.

      Abraço,

      João

  7. Acho que vc fez um panorama muito interessante da arte, no caso música, na sua vida. Compartilho das mesmas idéias(e necessidades), acredito que arte tá ai é pra transformar nossas vidas mesmo, mesmo que seja de pequenas em pequenas catarses.

  8. Hahahaha, é bem assim mesmo no meu caso, você sabe disso. Uma vez me pediram pra fazer um CD de playlist de músicas pra uma festa. Na verdade, não era festa, era aquelas paradas que a gente fazia aqui em casa, de reunir uma galera e ficar bebendo e trocando ideia ou jogando poker. Perguntei que tipo de música eles queriam (sempre pergunto, porque já viu né?) e caíram na bobeira de me dizer “Pô, n sei, bota as que você curte!”.

    Meu irmão, chego lá com um CD com Creep e Wish you were Here do Radiohead, Pink Floyd, etc. Me esculacharam uma quantidade que puta merda. Essa foi a história de como eu aprendi que “Pô, bota as que você curte” significa “Baixa sertanejo, axé e funk, com a ajuda de sites pra dizer o que é top 10, e talvez com uma ou outra eletrônica pra botar e mostrar como você é cool por saber o que tá tocando em Ibiza, e mete isso tudo no CD”. Hahaha.

    Bom texto, como sempre!

    Abraço e Sucesso!

    Ps: uma sugestão pra você (e não sei se é intencional e posso tá falando merda das grandes), tentar ver se conseguem fazer nos blogs aquela parada pra comentar com o próprio Facebook. Fica até melhor pra divulgar a parada e facilita tbm.

    • João Vitor Medeiros

      hahahahah eu lembro bem como é!!! Faculdade foi isso na pele.

      Maneiro você comentando por aqui, se chegar em SP me dá um toque.

      Vou ver essa parada dos comentários com facebook, mesmo, é uma boa.

      Abração

  9. li teu texto enquanto escuto pela milionésima vez o Turn On The Bright Lights da Interpol.. acho que fez ainda mais sentido, se é que isso é possível. Super bem escrito. Um dos meus preferidos até hoje! :)

  10. Danilo Sleepyboy

    concordo,musicas triste aborda as realidade nos transmites sentimentos, que pra mim e muito satisfatorios,os acordes tem sintonia emoção! háa e vc me deve um vip la na balada Indie, vc trocou ideia comio la no wake to rock! sou o brother q colou com vcs no metro comentando de Radiohead shahshashsahashsa

  11. Cristina Silva

    Você ficou ofendido porque coloquei seu comentário no mesmo patamar das bandas emo? Você escreveu:

    “São as canções tristes que fazem com que eu não me sinta perdido, são elas que fazem eu enxergar que existem pessoas com problemas como eu e que a vida pode ser dura, mas que sempre há um motivo pelo qual lutar.” e coloca meu comentário como raso?

    Desculpe se não sou sua amiga para só vir aqui elogiar. Não fique triste.

    • João Vitor Medeiros

      Por que eu me sentiria ofendido com seu comentário? Eu deixei claro que eu até gosto de algumas coisas de emo e o preconceito com o gênero surgiu de uma série de comportamentos extra-musicais e cotidianos e eles são impossíveis de serem analisados por um texto assim. Agora, eu fiqui tristíssimo com esse comentário, quase não levantei da cama. Profundidade de uma piscina de plástico.

      Abraço,

      João

  12. Joice Ferreira

    Essa matéria, e você, realmente conseguiram sintetizar o que sinto, e sempre me senti, ainda sinto, meio perdida por ter esse gosto excêntrico. Já tentei diversas vezes escutar essas músicas “pra cima” pra contornar algumas tristezas ou aumentar as alegrias. E de início deu certo. Mas acabei descobrindo que apenas escondia aquela e que esta se mantinha intacta. Então voltei para as melancólicas, tristes e profundas músicas que conseguem me retratar e com as quais minha alma encontra um par apropriado. Elas me fazem mais feliz, porque elas me acolhem e aceitam. Enfim, acabei divagando, é tudo o que você disse, da mesma forma que descreveu, com as mesmas vírgulas.

  13. solange beatriz marmitt - Dinda Sô

    João, teu texto me tocou profundamente porque me sinto exatamente assim. Adoro as músicas tristes, elas tocam o mais profundo do meu coração. A além de tudo, escreves muito bem. Grande beijo com saudade

  14. Seu texto é bem escrito, mas eu me pergunto por que você insiste em procurar um “remédio” pra essa sua tal melancolia. usar música para ajudar a si mesmo é, na minha opinião, um escapismo bobo. A música não pode ser um remédio, mas sim algo que te faca ver o mundo de forma mais clara, mesmo com suas desavenças.
    flw

  15. Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
    Entenda
    Assim pude trazer você de volta pra mim
    Quando descobri que é sempre só você
    Que me entende do iní­cio ao fim.

    E é só você que tem a cura pro meu vício
    De insistir nessa saudade que eu sinto
    De tudo que eu ainda não vi.

    Seu texto me lembrou dessa música. Essa melancolia e sensação de incompletude indescritível. Eu no geral prefiro as músicas felizes, porque elas são melhores pra sair do lugar e se mover, mas até aprecio as tristes desde que não sejam apelativas.

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