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ENTREVISTA EXCLUSIVA : Violent Femmes – “Nossa música foi desenhada para ser atemporal”

Por Mar Herrando, de Barcelona

O Violent Femmes, banda clássica dos anos 80 e 90, voltou, mas não só para tocar nos Estados Unidos. Também viajaram à Europa para fazer uma pequena turnê de quatro shows, acabando na cidade de Vitoria, no norte da Espanha. O motivo foi retornar ao Azkena Rock Festival, que nos dias 20 e 21 de junho completou sua 13ª edição, e no qual a banda já tinha sido escalada há exatamente dez anos.

O show foi excelente e começou com três sucessos do seu primeiro álbum, auto-intitulado, de 1982: “Blister in the Sun”, “Kiss Off” e “Please Do Not Go”. Também cantaram “Add It Up”, “Good Feeling” e “Confessions” e deixaram tempo para a melhor performance percussiva do novo baterista, Brian Viglione, acompanhado de um cajón flamenco (instrumento espanhol). Para finalizar, como não poderia ser diferente, mandaram “American Music”.

Além de realizar o sonho de ver uma das minhas bandas preferidas ao vivo, tive a oportunidade de falar rapidamente, por e-mail, com o baixista Brian Ritchie, único membro remanescente da formação original do grupo. Abaixo, você confere as respostas:

O show no Azkena Rock Festival foi a última parada de vocês na Europa e também o primeiro na Espanha desde novembro 2006. Que memórias vocês tem daquela tour?

Brian: A gente sempre curte tocar na Espanha. É muito cômodo para nós. Nós tocamos em Azkena há 10 anos e alguns dos outros artistas, eu lembro que eram MC5 e Roger McGuinn. Foi fantástico. Um dos nossos sidemen, Jarrod Oldman gostou tanto que ele casou com uma menina de Vitoria e começou uma família. Ele ainda mora aqui. Não lembro muito porque na época bebi absinto demais (risos). Cidade boa e comida boa.

outro

A confirmação da escalação de vocês pro line-up foi uma surpresa para os fãs da banda na Espanha. Ainda assim, há outras gerações que foram festival além de quem nasceu no começo dos ano 80- e seu primeiro LP foi lançado em 1982. Eles quiseram escutar canções de diferentes períodos da banda? Por que você acha que estas gerações continuaram a ser influenciadas pela a fusão de punk e folk que vocês fazem, independentemente do período musical da banda?

Brian: Nossa música foi desenhada para ser atemporal. Quando fizemos o primeiro álbum, evitamos intencionalmente qualquer ferramenta de produção que teria feito com que o álbum ficasse preso num período de tempo específico.  Nós quisemos soar como algo que poderia ter sido gravado nas décadas de 1950, 1960, 1980 ou no futuro.

Agora estamos no futuro e o pessoal ainda gosta, assim acho que nossa estratégia deve ter funcionado. Nós somos parte da continuidade da música americana, iniciada com o  folk, blues e early jazz, através do rockabilly e punk. Estamos seguros de tocar para qualquer pessoa de qualquer parte, idade e pensamento. Porque nossa música é simples e direta. 

Ainda sobre a volta, a qual começou em Londres, e terminou no sábado passado no Azkena Rock Festival em Vitoria. Este último show foi o único dos quatro em Europa que foi num festival. Como vocês se sentiram num evento internacional com um line-up puramente de bandas rock?

Brian: Nós não nos importamos. Tocamos em festivais de jazz, folk, blues, e inclusive de metal. Não acreditamos em fronteiras musicais. Estive num festival na Tasmânia chamado MONA FOMA (www.mofo.net.au) no qual existem zero fronteiras musicais e essa é nossa filosofia.

“Out the window”, “Good Feeling” e “Used to be” falam sobre uma felicidade que foi embora, mas nunca vai voltar. Mas ainda assim, por outro lado, a galera pode ganhar um pouco de esperança e fé em canções como “Rejoice and be happy” ou “This Island Life”. Nos poderia dizer se você acha que esta compensação, esse equilíbrio, é o paradigma eterno do comportamento humano e também se poderia ser uma das razões do seu sucesso contínuo?

Brian: Se você parar pra pensar, em muitas música que as pessoas desfrutam, há algo introvertido e deprimido nas letras, enquanto a música por si mesma é algo alegre. Por exemplo, o blues é uma porção de queixas, mas a galera gosta de dança-lo e jogarfora da sua mente as preocupações. Nossa música é uma expressão da humanidade real, não tenta ser cool ou criada. As pessoas podem se ver nela e é por isso que se relacionam com ela.

batera

Qual é a melhor e a pior versão da “Kiss off” que você já escutou ?

Brian: Se você procurar no Youtube, tem uma versão de Kiss Off que os Dresden Dolls fizeram e que é impactante, e foi aí que pensei em colocar o Brian Viglione na banda, quando precisávamos de um novo baterista. Eu também escutei outras bandas fazendo covers boas, mas não lembro dos seus nomes agora. Nunca escutei uma versão má, porque a canção em si mesma é boa.

Por fim, você descobriu alguma banda que faz essa mistura de punk e folk com a mesma sutileza e qualidade com o que vocês fazem?  E se você nos poderia fazer uma recomendação de alguns dos seus artistas favoritos.

Brian: Obrigado pelo elogio. Imagino que poderia dizer que Bob Dylan e Jonathan Richman tem feito isso há50 anos mais ou menos. Há muitas bandas novinhas que estão influenciadas por nós como os The Lumineers e Ben Kweller. Com certeza eu acho que os Femmes são a melhor em folk-punk, mas eu estou fortemente inclinado! Enquanto há jovens com atitudes ruins e ideias boas, vamos ver o estilo de música que está surgindo aqui e ali.