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No fim, é tudo sobre música ou como foi o 2º dia do Lollapalooza Brasil

Foto por João Vitor Medeiros/Catárticos
Foto por João Vitor Medeiros/Catárticos

O segundo dia do Lollapalooza Brasil de 2014 começou em ritmo bem mais tranquilo que o anterior. Se no sábado tinham ocorrido muitos problemas, a resposta pra maioria deles estava ali na segunda etapa do festival: menos gente. Bem menos concorrido, era fácil se locomover entre os palcos, ir aos banheiros e comprar o que quer que você precisasse (com um pequeno porém que comentarei mais à frente). Filas e espera são inevitáveis em eventos desse porte, mas no domingo parecia tudo funcionar bem. E no começo da tarde os problemas se resumiam às dores nas pernas e ao sol escaldante.

Aí fica fácil se concentrar no que realmente importa: a música. Eu resolvi que assistiria a quatro shows naquele dia: Johnny Marr, Savages, Pixies e Arcade Fire. Gostaria de ter visto Soundgarden, Vampire Weekend e New Order, mas festival é escolha e em todos os lugares do mundo funciona assim. Imagine ir ao Glastonbury ou ao Coachella e tentar assistir a todos os shows? Perguntei a um amigo que já foi a vários eventos do tipo no exterior se ele havia ido a algum que fosse maior em área e caminhadas que o Lolla de 2014 e ele me contou que o Reading, um dos mais famosos do planeta, era ainda mais extenso. Não estamos totalmente acostumados a esse formato, mas nesse fim de semana um passo importante com relação a isso foi dado.

E eu não poderia ter sido mais feliz nas minhas escolhas. Nenhum show me decepcionou e alguns me surpreenderam. Fui em todos os dias de todas as edições do Lollapalooza Brasil até hoje e certamente esse foi o meu preferido de sempre.

Foto por Clarissa Wolff/Catárticos
Foto por Clarissa Wolff/Catárticos

Às duas da tarde e sob um calor de rachar a cuca, Johnny Marr era os Smiths no palco Ônix. E que show, amigos. A apresentação do inglês quase foi cancelada por ele ter fraturado a mão há duas semanas, mas isso parecia ter ficado em um passado longínquo. As canções do seu recente primeiro disco solo, The Messenger, ao vivo ficaram muito melhores, e a banda que o acompanhava deu conta do recado. Ainda teve espaço pra uma cover de I Fought the Law, que ficou famosa com o Clash, uma música do Electronic e quatro músicas da banda mais famosa do guitarrista. Destaque pra How Soon Is Now? com a participação de Andy Rourke e ½ Smiths no palco. O encerramento com There Is A Light That Never Goes Out cantada em uníssono não deixou dúvidas de que foi um dos grandes shows do evento e, provavelmente, do ano inteiro por aqui.

Abri mão de ver o Vampire Weekend e fui pro Palco Interlagos aguardar pelas meninas do Savages. Era o menor público entre todas as apresentações que acompanhei no autódromo. Novatas e com só um disco na bagagem – Silence Yourself, do ano passado – as europeias não ficaram devendo pra nenhum veterano. Boas músicas, banda afiada e vocalista sisuda vestida toda de preto, exceto pelo salto alto rosa, foi o mais próximo que já cheguei de um show do Joy Division – e eu já vi o New Order. Excelentes instrumentistas, era impossível não se deixar levar pelo clima obscuro que era construído a cada música executada com pulsação do baixo como fio condutor. Matador.

Foto por Clarissa Wolff/Catárticos
Foto por Clarissa Wolff/Catárticos

Com um sorriso no rosto, fui até o Palco Skol esperar pelo próximo show, do Pixies, banda que adoro e que passou por muitas mudanças nos últimos tempos. Mês passado conversei com o baterista por telefone sobre isso tudo e se você não leu, pode fazê-lo AQUI.

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Foto por Clarissa Wolff/Catárticos

Aqui cabe um parêntesis: os vendedores ambulantes que eu tanto tinha elogiado no dia anterior, dessa vez deixaram a desejar. Não pela presença deles, que costumava bastante satisfatória, mas pela falta de controle e organização. Abordei no entorno do palco mais de cinco deles e nenhum queria vender água pelo valor estipulado de 3 reais, mesmo usando vestimentas que deixavam explícito o preço. Me neguei a comprar e só consegui fazê-lo pelo valor justo mais de uma hora e meia depois. Além disso, muita gente reclamou que quase nenhum dos ambulantes aceitava fichas, o que tornava a utilização delas uma dor de cabeça. A organização precisa se atentar a isso nas próximas edições, porque no meio de tantos shows e longas caminhadas, é inadmissível ser extorquido para se hidratar.

Frank Black e companhia então entraram no palco e desfilaram seu repertório extenso. O show do Pixies é basicamente isso: repertório. E é o suficiente. Na sua simpatia de sempre, a banda não trocou uma só palavra com a plateia ao longo de toda a apresentação. Foram 23 músicas e muitos sucessos. As músicas novas não empolgaram, mas não comprometeram. A nova baixista, a argentina Paz Lechantin, não é nenhuma Kim Deal, mas deu conta do recado e parecia a mais animada dos quatro no palco. A história do rock passa obrigatoriamente pelo Pixies e foi uma satisfação poder vê-los ao vivo pela primeira vez.

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Foto por João Vitor Medeiros/Catárticos

Finalmente então era hora de esperar pelo último show da noite, o Arcade Fire. Muita gente optou pelo New Order, na mesma hora, de forma que o o Pixies pareceu ter sido assistido por mais pessoas. Nada que interferisse no resultado final. O que aconteceu ali foi uma das maiores surpresas que já tive com relação à música. Gosto bastante da banda canadense em disco, mas nunca foi das minhas preferidas. Cheguei diversas vezes a me perguntar o porquê de todo o oba-oba em volta deles. Tive então a minha resposta.

Tenho certeza que você já ouviu gente de mais comentar sobre o show e vamos simplesmente dizer que foi o melhor do festival. Aqui é permitido se entregar ao clichê do “show catártico” nas resenhas. Foi a missa mais hipster do mundo. A plateia ajudou e a banda parecia muito feliz. Poucas coisas impedem uma banda feliz de fazer um grande show e nenhuma delas impediu o Arcade Fire ontem. Desde os primeiros acordes de Reflektor, passando por danças, referências ao Brasil e antigas canções, até desembocar no final com Wake Up com direito a chuva de papel picado e fogos de artifício, tudo deu maravilhosamente certo. Destaque para terem tocado Laika, canção de Funeral, pela primeira vez nessa turnê nos shows do Rio e em São Paulo. A música foi requisitada à banda por meio do fã clube deles por aqui, o pessoal gente finíssima do Arcade Fire Brasil.

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Foto por João Vitor Medeiros/Catárticos

O saldo final foi positivo. Ouso dizer que foi o melhor entre todas as três edições, mesmo com todo os seus problemas. Dessa vez fiquei até o final e a volta de trem ocorreu tranquilamente. Há bastante coisa a ser repensada, como a capacidade máxima e o acesso aos palcos, mas há muita coisa a ser mantida. No Jockey, talvez fosse mais cômodo pra maioria das pessoas, mas era em um espaço apertado e como som vazando entre palcos, algo péssimo em um festival de música. E no final, não é a música que importa mais?

Confira um resumo do festival em 30 fotos AQUI.
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