Arctic Monkeys em Munique: Do YOU wanna know?

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Quem nunca sonhou em viajar pra Europa ou EUA ou qualquer lugar do mundo e assistir por lá o show de alguma banda querida. Por isso aqui no blog, vira e mexe convido pessoas pra falarem de suas experiências musicais no estrangeiro. E dessa vez a convidada foi a Luiza Mayumi, que escreveu sobre o show que ela assistiu do Arctic Monkeys na Alemanha esse mês. Saca só como foi:

Arctic Monkeys em Munique – Por Luiza Mayumi

Em Junho deste ano, quando estava resolvendo os últimos detalhes da minha viagem no segundo semestre para a Alemanha, tive uma das melhores notícias possíveis: Arctic Monkeys, 12 de novembro de 2013, em Munique. Pela primeira vez eu teria a oportunidade de ir a um show da minha banda preferida.

Zenith não é uma casa de shows muito grande, o que achei ótimo pois deu para ficar bem perto do palco. Logo de cara já deu para notar que o público europeu é realmente muito diferente do brasileiro, as pessoas são muito mais contidas e comportadas.

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Quem abriu o show foi a banda irlandesa The Strypes e os caras mandaram muito. Fizeram uma apresentação de aproximadamente 45 minutos de duração e animaram bastante o público.

Mas vamos ao que interessa: Arctic Monkeys. Como todos osshows da turnê nova, eles abriram com “Do I Wanna Know? “ e eunão tenho palavras pra descrever a introdução dessa música.                                                                                                            

A setlist (composta por 21 músicas) estava muito boa e agradou o público. Além de novas músicas do AM como “Arabella”, “Why’d You Only Call Me When You’re High?” e “R U Mine?”, os caras também tocaram músicas dos álbuns passados como “Fluorescent Adolescent”, “Crying Lightning”, “Don’t Sit Down Cause I’ve Moved Your Chair” e “I Bet You Look Good On The Dancefloor” (que levou a galera à loucura). Comparando com os outros shows da turnê européia, na minha opinião, as três músicas tocadas no Encore do show de Munique foram as melhores. “Snap Out Of It”, “Cornerstone” e “R U Mine?” pra fechar.

 A única coisa que senti falta foram algumas músicas que amo e que ficaram de fora da setlist como “Suck It And See, “Mad Sounds” e principalmente “505”. Mas é claramente impossível montar uma setlist com 21 músicas do Arctic Monkeys sem deixar alguma querida de fora.

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Ah, claro que eu não poderia deixar de falar da presença de palco do Alex Turner. O cara tem uma energia contagiante, com seus famosos “dance moves”, e uma conexão absurda com o público. Ele ainda arriscou algumas frases em alemão como “Servus München” e “Vielen Dank”.

Bom, resumindo: o show foi sensacional e os caras mandam muito bem ao vivo. Agora só nos resta torcer para eles confirmarem algumas datas no Brasil ano que vem!

Setlist: (via setlist.fm)

1. Do I Wanna Know?

2. Brianstorm

3. Dancing Shoes

4. Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair

5. Teddy Picker

6. Crying Lightning

7. Fireside

8. Reckless Serenade

9. Old Yellow Bricks

10. Why’d You Only Call Me When You’re High?

11. Arabella

12. I Want It All

13. Pretty Visitors

14. I Bet You Look Good on the Dancefloor

15. Do Me a Favour

16. One for the Road

17. Fluorescent Adolescent

18. I Wanna Be Yours

Encore:

1. Snap Out of It

2. Cornerstone

3. R U Mine?

Atoms for Peace em Roma: porque música ao vivo sempre vale a pena

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Mariana di Pilla é jornalista meio brasileira – meio italiana e amiga pessoal e do blog. A meu pedido relatou as experiências que teve na Europa assistindo aos shows de The National e Atoms for Peace. Abaixo o relato de como foi a apresentação do grupo de Thom Yorke e Flea.

Atoms for Peace em Roma: a prova de que o som é incrível e os caras da banda são realmente exigentes com uma apresentação impecável por Mariana Di Pilla

Durante as minhas férias na Itália em julho deste ano me programei para assistir a dois shows: The National, em Milão, e Atoms or Peace, em Roma. O primeiro, como descrevi aqui, era um para ter na memória e no coração. Já o do projeto de Thom Yorke e Flea, entre outros caras fodas, era mais pela curiosidade. Valeu à pena igualmente.

Eu não tinha expectativa alguma com a apresentação. Já tinha ouvido o álbum AMOK algumas vezes, mas nada que tivesse ficado no repeat (eu tenho essa mania com álbuns pelos quais me apaixono). Cheguei no Ippodromo del Galoppo, onde uma série de shows estão rolando na capital italiana por conta do festival Rock in Roma, e tudo era muito organizado. O show começou pontualmente às 22h e logo de cara Atoms for Peace tocou “Before Your Very Eyes”, a primeira faixa do primeiro e único álbum do grupo. Na sequência veio “Default”, também de AMOK e depois “The Clock”, faixa solo de Thom Yorke em seu projeto The Eraser.

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Meus olhos brilharam neste momento, pois percebi que o show duraria mais do que previsto – se eles tivessem tocado apenas as músicas de AMOK teria sido uma hora de som e arrivederci. Thom se mostrou extremamente simpático e participativo com o público: entre uma faixa e outra, ele soltou palavras em italiano como ciao, buona sera e até um allora, que significa “então” e é super usada pelas pessoas em conversas informais, além de grazie, claro.

A projeção do palco é simples e linda: o vermelho domina a iluminação, que ora brinca com o azul, ora fica monocromática. Em poucos momentos ela muda para o verde e amarelo (alô, Brasil!). O som é tão, mas tão incrível, que foi capaz de conquistar até meus amigos que tinham ido comigo à apresentação apenas para “ver qual era”. Exigência com o som impecável, taí uma coisa que eles cobram: um problema técnico forçou a saída da banda no palco por alguns minutos. Problema resolvido, eles voltaram e tocaram mais cinco músicas. Saíram, voltaram e tocaram mais duas.

Resumo do show: sim, os caras são fodas no palco. Thom Yorke dança tão charming e divertido (e quase possuído) como no clipe de “Lotus Flower” (música de “The King of Limbs”), hit na internet. E claro, vale muito mais ver ao vivo do que ouvir o disco se você não é fã. Com certeza você vai se surpreender.

Setlist (via setlist.fm):

Before Your Very Eyes…

Default

The Clock

(Thom Yorke song)

Ingenue

Stuck Together Pieces

Unless

And It Rained All Night

(Thom Yorke song)

Harrowdown Hill

(Thom Yorke song)

Dropped

Cymbal Rush

(Thom Yorke song)

Encore:

Skip Divided

(Thom Yorke song)

Feeling Pulled Apart by Horses

(Thom Yorke song)

Rabbit in Your Headlights

(UNKLE cover)

Paperbag Writer

(Radiohead cover)

Amok

Encore 2:

Atoms for Peace

(Thom Yorke song)

Black Swan

(Thom Yorke song)

 

Mariana Di Pilla é jornalista e blogueira da Marie Claire, inventa e escreve sobre moda.

The Breeders em São Paulo: Kim Deal vai muito bem, obrigada

Foto por Fabrício Vianna/ Popload
Foto por Fabrício Vianna/ Popload

Há cerca de um mês o Pixies oficializou a saída de Kim Deal da banda em comunicado pouco esclarecedor no site oficial. Assinado pelos integrantes restantes, a nota agradecia à baixista e desejava sorte, como ocorre de praxe nessas ocasiões. Dias depois a seminal banda lançou uma nova música, a primeira em 9 anos e aumentou ainda mais os rumores de novo disco. Deal, que sempre foi claramente contra a gravação de material novo em entrevistas, parecia ter um motivo claro para deixar o grupo.

Outro motivo, porém, parecia estar estampado nos sorrisos que ela distribuiu sobre o palco do Cine Joia ontem em mais uma edição do Popload Gig, dessa vez estrelado pelo Breeders. Junto à irmã gêmea Kelley, ao baterista Jim MacPherson, a multi-instrumentista Carrie Bradley e a baixista Josephine Wiggs, Kim reuniu a formação clássica do conjunto para mais uma apresentação da turnê mundial em comemoração aos 20 anos do lançamento de Last Splash, álbum mais aclamado da banda.

Foto por Fabrício Vianna/ Popload
Foto por Fabrício Vianna/ Popload

Com a casa lotada à revelia do frio absurdo que tomava conta de São Paulo e a banda absolutamente confortável, uma a uma as músicas do disco de 1992 foram executadas de forma perfeita. O público vibrava e interagia com os integrantes que, excetuando-se a imóvel e sisuda Josephine Wiggs, respondia com grande simpatia.

Na primeira parte da apresentação os singles Divine Hammer e a clássica Cannonball foram as canções mais celebradas. A atmosfera que transita entre a calma e o ruído de Last Splash tomava conta do Joia e o sistema de som, que melhorou muito nos últimos tempos, contribuía bastante. Em Flipside as irmãs ensaiaram uma dancinha que emulava braçadas em alto mar. Kelley parecia ser a queridinha da plateia que gritou seu nome por diversas vezes e foi à loucura quando ela assumiu os vocais em I Just Want to Ger Along. Após 15 canções e finalizando com a barulhenta e curta reprise de Roi os membros deixaram o palco.

No primeiro bis covers de Guided By Voices (Shocker in Gloomtown, presente no EP Head to Toe) e Beatles (Happiness is a Warm Gun) se misturaram a faixas de outros lançamentos do Breeders, como Pod e o EP Safari, cuja faixa-título foi bastante comemorada. Os americanos ainda voltaram para mais um bis que teve Iris e Hellbound. Ao fim do show, Kelley Deal permaneceu solícita por um bom tempo no palco autografando material dos fãs e mostrando-se um tanto carinhosa.

A sensação que ficou é que o Breeders continua bem, duas décadas depois do lançamento do seu melhor disco. Eles não são mais tão jovens, assim como também não era a grande maioria dos presentes, mas continuam se divertindo e fazendo um show indispensável para quem é fã da produção musical dos anos 90. E se havia alguma dúvida sobre Kim Deal após a saída do Pixies, ela está muito bem, obrigada.

 

Foto por Fabrício Vianna/ Popload
Foto por Fabrício Vianna/ Popload

Setlist:

New Year

Cannonball

Invisible Man

No Aloha

Roi

Do You Love me Now?

Flipside

I Just Wanna Get Along

Mad Lucas

Divine Hammer

SOS

Hag

Saints

Drivin’ on 9

Roi Reprise

 

Encore 1:

Shocker in Gloomtown (Guided by Voices cover)

Head to toe

Happiness is a Warm Gun (Beatles Cover)

Safari

Opened

Oh!

Limehouse

 

Encore 2:

Iris

Hellbound

 

 

Lee Ranaldo no SESC Pompeia: membro do Sonic Youth, SIM!

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O noite era fria em São Paulo. Dentro da choperia do SESC Pompeia um bom público se aglomerava à espera da primeira apresentação de Lee Ranaldo na cidade. Os ingressos para os dois shows que o americano faria acompanhado de sua banda, The Dust, já estavam esgotados há tempos. Com a entrada mais cara ao preço de R$20,00 e carregando nas costas o peso do nome do ex-grupo, nada menos que o lendário Sonic Youth, era de se esperar que isso acontecesse.

E era o fantasma do Sonic Youth, terminado em 2011, que dava a tônica do local. Como acontece na esmagadora maioria dos casos, um artista que tenha passado por conjunto minimamente relevante jamais irá conseguir desvincular sua imagem da banda mais famosa. Faz parte do jogo. Muitos nem mesmo querem isso. Parecia o caso de Ranaldo, que inclusive vendia produtos do grupo que formou por anos com Thurston Moore e Kim Gordon junto ao merchandising do novo projeto. Uma corrida rápida de olhos pelos presentes e as chances de não topar com alguma referência aos Youth eram remotas.

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Foto por Marcelo Costa/ Scream & Yell

Às vinte uma e quarenta os integrantes subiram ao palco anunciados pelo sistema de som da casa e deram início à apresentação. Na primeira música era possível notar que as guitarras estavam baixas, fato que logo foi corrigido a pedido do próprio Ranaldo. Algumas pessoas dançavam timidamente dentro dos limites de seus campos de força imaginários, contudo a grande maioria permanecia estática. A despeito disso a banda parecia bastante à vontade.

O The Dust tinha Alan Licht na guitarra, Tim Luntzel no baixo e Steve Shelley, também ex-membro do Sonic Youth, na bateria, todos devidamente apresentados ao público pelo próprio Lee. Entrosados, desfilaram uma série de boas canções, a maioria de Between the Times and Tides de 2012. As músicas, mesmo por vezes flertando com uma sonoridade mais barulhenta e distorcida, passavam longe de lembrar as partes mais bizarras e experimentais da banda mais famosa de Ranaldo. Não que isso fosse um ponto negativo. Na comparação de carreiras solo, ouvi de mais de uma pessoa que elas preferiam a de Lee a de Thurston Moore.

Foto por Marcelo Costa/ Scream & Yell
Foto por Marcelo Costa/ Scream & Yell

E o passado não só era algo do qual o nova iorquino não conseguia escapar como fazia questão de abraçar afetuosamente. O esmero dele com as experiências transpostas musicalmente era tanto que antes de quase todas as músicas fazia questão de explicar o que elas significavam e de onde tinham vindo. Alguns podem reclamar que isso tirava um pouco da dinâmica do show por conta do excesso de diálogo com a plateia, mas me pareceu essencial ao objetivo de Ranaldo. O próprio título do último álbum reforçava essa relação. Ele contou sobre uma amiga da adolescência, fez referências elogiosas ao Occupy Wall Street, falou sobre e tentou mostrar essa foto famosa às pessoas http://bit.ly/18r0z9B, contou sobre um lugar esquizofrênico que conhecia nos EUA. Tudo isso pra explicar como chegou a cada um dos resultados que exibia no palco.

Depois de cerca de uma hora e dez com 12 músicas, sendo uma delas um cover para She Cracked do Modern Lovers, a banda se retirou. Alguns minutos depois eles voltaram para o bis com Waiting on a Dream, faixa de abertura de Between the Times and Tides. Nesse momento o público já estava mais caloroso e a recepção a última música, Genetic do Sonic Youth (veja vídeo abaixo), foi em clima de festa. Um jeito perfeito de encerrar dando aos presentes um gostinho do passado que mais significava para eles.

@andyamagami

Ranaldo não se arrisca em sua carreira solo. E nem precisa. Se a história nada mais é que a repetição do passado inserido em um novo contexto, quem estava na choperia do SESC Pompeia presenciou ela sendo celebrada e construída. E da melhor forma possível: em forma de boa música.

Setlist:

Setlist


 

The National em Milão: a emoção que só sua banda preferida consegue causar.

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Não é preciso falar as oportunidades que a Europa te oferece. Uma delas é a grande oferta de shows e festivais de qualidade. Mariana Di Pilla, amiga pessoal e do blog, jornalista meio italiana-meio brasileira passa temporada na Itália e aceitou o convite de escrever sobre os shows que ia acompanhar por lá. E essa mini-turnê começou muito bem com o show do The National em Milão no dia 1º de julho. Confira o relato abaixo e aguarde ansiosamente a passagem da banda por aqui no primeiro semestre de 2013.

The National em Milão por Mariana Di Pilla

O cenário não poderia ser mais incrível: Milão, a cidade onde vivi e que tanto amo. Um dia de verão, três antes do meu aniversário e a companhia do meu namorado, que tem The National como uma de suas bandas prediletas. Como uma boa e grande fã antes de um show, eu já não só tinha pesquisado o setlist possível que seria cantado, como feito um playlist no meu iTunes e ouvido inúmeras vezes para preparar o coração. A apresentação da banda não só atendeu, como superou as minhas expectativas.

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Foto por Mariana di Pilla

Fato é: para minha vida nada estará acima das letras sofridas de High Violet, mas a ansiedade para ver ao vivo as músicas de Trouble Will Find Me, o último lançamento deles, já era suficiente para me deixar empolgada.

O nervoso de Matt era visível da terceira fileira de pessoas, onde estávamos assistindo ao show. Que iniciou, digamos, um pouco duro, sem tanta emoção – foi assim que eles cantaram as primeiras músicas, I Should Live In Salt e Don’t Swallow The Cap. A banda começou a se soltar na terceira, Bloodbuzz Ohio. Foi neste momento que os italianos, geralmente tímidos e contidos em shows (morei aqui e fui a muitos), começaram a cantar com eles. Nós também.

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Foto por Mariana di Pilla

Daí pra frente, a apresentação começou a ficar mais forte no sentido emocional. The National tocou empolgado ao ver a passagem do dia para a noite – o show começou pontualmente às 21h30, quando o sol ainda dava as caras na cidade. O highlight antes do encore ficou por conta de Conversation 16, I Need My Girl, England e Graceless, músicas que pelo visto eles amam tocar, posto que era visível a empolgação do grupo.

Após 19 canções, a banda sai para depois voltar para o bis, que geralmente tem mais quatro doses de emoções. Eles retornam ao palco e eis que Aaron, meu favorito, anuncia Runaway. Segundo meu perfil na Last.fm, ela foi ouvida 225 vezes, número representativo e, sem dúvida, a letra mais emocionante, na minha opinião. Chorei como criança a cada estrofe pelas palavras e pelo fato de que eles não a haviam praticamente tocado em nenhuma das apresentações desta turnê. Me senti especial e satisfeita, sem saber que mais “coração na boca” ainda estava por vir.

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Fãs de The National sabem bem que quando Matt canta Mr. November ele pula no palco. Estávamos do lado direito e deixamos a cargo da sorte ter a companhia dele ou não. Berninger pulou longe, andou por fora da plateia. E voltou. Voltou para o nosso lado, subiu na grade e se jogou na galera. Seu corpo passou pelas minhas mãos. Eu não acreditava no que estava vendo e sentindo, mas era tudo verdade ali, em cima de nós.

Esta é a terceira apresentação que vejo do National. Na primeira, em Milão no ano de 2010, durante a turnê de High Violet, senti um aperto forte por estar sozinha no local, sentindo na minha vida praticamente tudo o que estava sendo cantado no momento. Na segunda, em 2011 durante a turnê por São Paulo, conheci toda a banda com exceção de Matt, que tinha voltado pro hotel. Esta, a terceira, foi sem dúvida a mais f**** de todas. Pegar Matt no colo, ouvir Runaway inesperadamente e ter ao lado a companhia mais incrível possível para aquele momento deixa qualquer outro sentimento no chinelo.

Faltou só cantar Mistaken For Strangers, música cuja letra está tatuada na minha pele, mas outras apresentacões virão, e com certeza reservarão surpresas inesquecíveis.

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Setlist (via setlist.fm)

I Should Live In Salt
Don’t Swallow the Cap
Bloodbuzz Ohio
Secret Meeting
Sea of Love
Demons
Afraid of Everyone
Conversation 16
Squalor Victoria
I Need My Girl
This is the Last Time
All the Wine
Abel
Apartment Story
Pink Rabbits
England
Graceless
About Today
Fake Empire

Encore:
Runaway
Humiliation
Mr. November
Terrible Love
Vanderlyle Crybaby Geeks
(acoustic)

 

Mariana Di Pilla é jornalista e blogueira da Marie Claire, inventa e escreve sobre moda e ainda prometeu falar sobre o show do Atoms for Peace que vai acompanhar na Europa.

17º Cultura Inglesa Festival – O show tem que continuar

Foto por Kaue Lima/Discophenia
Foto por Kaue Lima/Discophenia

O 17º Festival da Cultura Inglesa tinha a missão de suceder duas boas edições, que trouxeram gratuitmente bandas como Gang of Four, Blood Red Shoes e Miles Kane em 2011 e The Horrors, We Have Band e Franz Ferdinand em 2012. Na última, inclusive, a procura foi tão grande que gerou uma série de problemas, deixando gente de fora e obrigando a organização a distribuir ingressos antecipadamente nesse ano, a fim de evitar que isso ocorresse novamente.

O local também mudou. O evento deixou o Parque da Independência e passou ao Memorial da América Latina, bem próximo à estação Barra Funda na linha vermelha do metrô. Isso fez com que o acesso fosse simples e a entrada tranquila, sem maiores tumultos. O público presente era bom e o espaço confortável, como sempre deve ser. Lá dentro a organização estava impecável: banheiros em grande quantidade e sem filas, telões com boas imagens e auxiliando quem estivesse mais longe do palco e shows começando pontualmente, com exceção de Kate Nash, iniciado com cerca de 30 minutos de atraso. Balões vermelhos distribuídos ainda davam um toque especial à multidão.

Entre as atrações, as bandas Stay Johnny e Mind the Gap abriram os trabalhos, sendo sucedidas pela escocesa e pouco conhecida The Dark Jokes. Não acompanhei esses shows, mas ouvi elogios às apresentações. Cheguei a tempo de ver o Bonde do Rolê, que tinha a missão de tocar clássicos do The Cure, uma das minhas bandas preferidas. Eles foram escolhidos através de enquete no site da Cultura Inglesa, que também trazia como opção Jair Naves interpretando Joy Division. Essa teria sido uma decisão muito mais sensata, tendo em vista que os curitibanos são, musicalmente, uma piada. Sobre o show, entrevistei uma pessoa do público que, em poucas palavras, conseguiu resumi-lo bem. Veja abaixo no vídeo:

Ainda traumatizado com o que vira, acompanhei a performance do Magic Numbers, penúltima do dia. Com um indie pop feijão-com-arroz, porém bem feito, os ingleses conseguiram segurar bem a plateia e fizeram um show regular do começo ao fim com suas melodias cantaroláveis. Destaque para a baixista, que se movimentava com grande energia enquanto martelava as cordas do seu instrumento sem nenhum remorso. De tempos em tempos o grupo pedia e a galera gentilmente atendia com palmas que marcavam os compassos.

Já quase no fim da apresentação, chamaram ao palco Marcelo Jeneci, caracterizado bizarramente. Com o brasileiro na sanfona, interpretaram You Don’t Know Me, faixa de Caetano Veloso no disco Transa. Passado o momento, os ingleses tocaram mais algumas músicas e deram fim ao bom show. Agora só faltava Nash vir a público e encerrar a noite.

Foto por Kaue Lima/Discophenia
Foto por Kaue Lima/Discophenia

E ela veio pra surpreender alguns que esperavam a boa mocinha que explodiu cantando melodias alegres e letras sobre relacionamentos há alguns anos no Reino Unido. Visivelmente diferente, a inglesa fez de capa uma bandeira do Brasil e iniciou sua performance com duas faixas do seu último e mais agressivo disco. Lançado esse ano, Girl Talk não recebeu muita atenção da imprensa, mas traz uma artista com novas influências e que tenta se livrar da etiqueta de menina bobinha.

Foi nesse clima que o show continuou a mil por hora, com Nash indo diversas vezes de encontro ao público, só tendo diminuído o ritmo nas faixas mais lentas do repertório e nos momentos entre as canções, nos quais a cantora não se cansava de dizer o quão alegre a fazia estar ali. E foi num desses discursos que as lágrimas vieram e ela contou aos presentes sobre a importância que os últimos shows que tinha feito por aqui em 2011 tiveram em sua vida, fazendo-a perceber a influência nociva de pessoas que a rodeavam.

A felicidade era visível e poucas coisas podem impedir um artista nesse estado de fazer um ótimo show. Nada impediu Nash, que com sua boa banda formada apenas por mulheres, contemplou também sucessos antigos, como o hit Foundations e fez um cover do pesado grupo Fidlar. Ela voltou para o bis com a acústica We Get On e encerrou com Bird. No fim das contas, ela pareceu estar em uma fase de transição, mas pelo que se viu ali, está indo pelo caminho certo.

O Festival da Cultura Inglesa é uma excelente iniciativa e mesmo sendo gratuito e com atrações de menos peso que nos últimos anos, não perde em nada para outros eventos do mesmo tipo. Que continue, então, por um longo tempo e se consolide ainda mais como boa opção dentro do nosso calendário. Esse é o nosso desejo e tenho certeza de que de muitos ali presentes. Porque, afinal, o show tem que continuar.

Foto por Kaue Lima/Discophenia
Foto por Kaue Lima/Discophenia

Setlist – Kate Nash:

Sister
Death Proof
Take Me To A Higher Plane
Kiss That Grrrl
Mariella
Do-Wah-Doo
OMYGOD!
Paris
Fri-end?
Dickhead
Don’t You Want To Share The Guilt?
Foundations
3AM
Grrrl Gang (Cocaine – FIDLAR (Cover))
Under-Estimate The Girl

Bis:
We Get On (Acoustic)
Birds

Explosions in the Sky em São Paulo: quando o tempo é relativo e a entrega absoluta

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

O post-rock, gênero de nome pomposo, não é para muitos. Mas deveria. Suas canções são cuidadosamente construídas e costumam criar uma atmosfera tão convidativa que é quase impossível resistir a fechar os olhos e entrar numa espécie de transe guiado. Não é um som urgente, descartável, nem de fácil assimilação. Na grande maioria das vezes não possui vocais. Por aqui, mesmo com bons nomes nacionais (com bandas como a Herod Layne, Labirinto e Ruído/mm) e um selo especializado (a Sinewave), ainda é conhecido por um número pequeno de pessoas. Exceções à regra, a islandesa Sigur Rós, os escoceses do Mogwai e os texanos do Explosions in the Sky possuem uma boa base de fãs no país. E foram esses últimos que fizeram um show inesquecível na última quarta no SESC Belenzinho, na zona leste.

O clima de chuva amena e céu cinzento dava o tom da noite. A maior metrópole tupiniquim parecia dar boas-vindas, do seu jeito único e truculento, à banda. Era a mais pura São Paulo. Com duas apresentações marcadas em dias seguidos na cidade, o show era ansiosamente aguardado pelos felizardos que conseguiram adquirir uma das entradas que se esgotaram em apenas uma hora e meia. Em um espaço confortável, cerca de 500 escolhidos se acomodavam pra assistir à primeira delas.

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

Já tornou-se redundante, mas é preciso novamente elogiar a organização do SESC. Não irei entrar no seara de preços praticados, pois a organização tem formas de financiamento que certamente lhe dão vantagens na comparação com a iniciativa privada. Contudo, em relação a respeito ao público, é tudo irrepreensível. Usando a proximidade com o metrô como trunfo e propiciando a utilização de transporte público tanto na ida quanto na volta, faz o que deveria se esperar de qualquer casa de shows: respeitam rigorosamente os horários. Às 21:30 em ponto os integrantes estavam em cima do palco. Chama ainda atenção o zelo com o som, que durante toda a apresentação estava perfeito e cristalino, tornando possível distinguir cada instrumento individualmente sem maiores dificuldades.

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

Com os membros da banda já posicionados em seus instrumentos, o guitarrista Munaf Rayani disse ao microfone: “Eu não sei falar português” – ironicamente em um português bastante claro. Prosseguiu: “mas é um sonho estar aqui hoje. Então fechem os olhos agora e venham sonhar com a gente”. Essas seriam as únicas palavras vindas dos americanos na próxima hora e meia, tempo em que se sucedeu um espetáculo embasbacante.

A primeira canção começou lenta, sendo aos poucos erguida pela soma das três guitarras, baixo e bateria, formação que seria utilizada até o final, com exceção de uma única música. Com a paciência de um escultor, que molda o barro com toda a frieza, a música foi ganhando corpo em sequências de notas hipnóticas. De repente, como num estalar de dedos, a explosão. Como se seguindo o mantra da camiseta do guitarrista Michael James, que continha os dizeres “make noise” (faça barulho), uma parede de distorção é criada e todos os músicos se entregam por completo aos seus instrumentos, numa simbiose tão perfeita que naquele momento era impossível discernir onde começava um e terminava o outro. O público, absurdamente respeitoso, comtemplava o que parecia tão íntimo e se entregava contribuindo como podia, tornando a experiência uma espécie de catarse coletiva, onde tudo desaguava naqueles ruídos em volume máximo. O jogo já estava ganho.

As interpretações que se seguiram não foram muito diferentes. Intercalando belas e calmas melodias com passagens barulhentas, a violência contra os instrumentos era tamanha que a certa altura do show o baterista Chris Hrasky teve que solicitar outro pedal para o bumbo, nem assim interrompendo o espetáculo, que nesse breve período foi conduzido pelo diálogo sempre eloquente entre as guitarras dos outros membros. Esses não se importavam em se jogar ao chão ou, no mínimo, balançar corpo e cabeça com toda força, conforme o ritmo requisitasse.

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

O mais animado de todos certamente era Munaf Rayani, o mesmo que proferiu as palavras de abertura. O descendente de indiano parecia estar em perfeita sinergia com tudo que se passava e se jogou no chão, mexeu em seus pedais, abusou da sua guitarra e até mesmo conduziu uma caixa de bateria extra em uma das músicas, ampliando tanto o espectro rítmico, quanto a violência do grupo naquele determinado ponto. Por fim, ele mesmo abriu o tema final da noite com sua guitarra sendo tocando com uma…caneta. A partir daí, a apresentação teve o fechamento mais que perfeito, com performance de cerca de dez minutos da mais fina distorção. Em certo momento o próprio Rayani abandonou a guitarra, se agarrou a uma pandeirola (ou meia-lua) e começou a, no tempo exigido, soca-la no chão com tanta força que fez as minhas mãos doerem de leve só de observar. Tudo isso enquanto seus companheiros castigavam, cada um à sua maneira, seus apetrechos musicais, até que inevitavelmente o silêncio voltasse a reinar. Memorável.

A banda se despediu timidamente, como se arrependida por ter dividido algo tão profundo e íntimo com todas aquelas pessoas e rapidamente se retirou do palco. Ao fim, era inacreditável que tudo aquilo tivesse durado noventa minutos. Pareciam dez. Havia pelo menos uma certeza: o que tinha acabado de acontecer ali era um dos melhores shows do ano.

The Vaccines em São Paulo: Peter Pan tinha razão

Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê
Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

“Quando me perguntam pelo mundo todo qual meu lugar preferido para tocar, sempre digo Brasil”. Com essas palavras no bis, Justin Young, vocalista do The Vaccines, resumiu o sentimento da banda na noite do último sábado em show no centro de São Paulo, pouco mais de um ano depois de terem tocado a primeira vez por aqui. Sentimento que foi inteiramente compartilhado pelo público na cerca de hora e meia em que os ingleses se apresentaram.

Uma das gratas surpresas foi o local escolhido, o Grand Metrópole, espaço situado no bairro da República e de fácil acesso por meio de transporte público. O funcionamento 24h do metrô paulistano, em virtude da Virada Cultural, contribuiu para o retorno dos cidadãos às suas casas e espera-se que os produtores continuem possibilitando a utilização das estações no futuro, evitando espetáculos que terminem em um horário no qual não seja mais possível desfrutar de tamanho trunfo. Além da facilidade logística, a casa também se destacou pelos aspectos estruturais: bem organizada, com bares de fácil acesso, decoração de ótimo gosto e, principalmente, som impecável, alto e nítido. Tudo isso faz com que o lugar sirva como excelente opção pra abrigar shows dentro da capital paulista.

A abertura dos trabalhos ficou a cargo da Inky, prata da casa e de estilo bastante diferente da atração principal. As músicas, compostas em grande parte de longas passagem instrumentais guiadas por sintetizadores, contra todas as possibilidades não soavam maçantes. Os paulistanos foram outra boa surpresa e cumpriram bem seu papel, mesmo enfrentando uma plateia em grande parte dispersa. Foram os responsáveis por abrir os shows da última turnê do LCD Soundsystem em solo brasileiro e desde então têm lançado material interessante. Merecem atenção.

Contudo, os Vaccines eram as estrelas da noite. E todo o funcionamento deles gira em torno de uma palavra: juventude. É dessas ironias mais brilhantes que o sobrenome do líder do grupo seja Young (jovem). A boa plateia que preenchia confortavelmente o local era maciçamente composta por pessoas entre 18 e 25 anos, todos com o aspecto de que tinham acabado de sair das aulas de alguma faculdade cheia de outros indivíduos da mesma idade. Foi a energia deles que deu todo o tom do show. Quando a banda subiu ao palco e começaram os primeiros acordes de No Hope, o clichê máximo de resenhas, “público indo ao delírio”, fazia todo o sentido. Jovens cantavam a plenos pulmões a maioria das letras sem se abalar. Aquele momento era tudo pra eles.

Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê
Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

Entrosados, os integrantes pareciam se divertir e davam tudo de si, destaque para o bateirista que chegou a fazer (bons) solos nos intervalos enrte as canções. Até a nova Melody Calling, com um violão pouco usual para os padrões da banda, foi bem recebida. As músicas do primeiro disco eram as que empolgavam mais e o destaque vai pra dobradinha Post Break-up Sex/All in White, seguida por Wolf Pack e A Lack of Understanding. Não houve quem resistisse a, no mínimo, cantarolar as letras, gritadas em coro pelos presentes.

A banda e presentes seguiram em bom ritmo e como se tivessem passado apenas 10 minutos do início, o Vaccines encerrou a primeira parte do show com a ainda mais acelerada If You Wanna, a qual foi sucedida por Family Friend. Os músicos deixaram o palco sob fortes aplausos.

Contudo, o público continuava sedento e eles logo voltaram para o bis com a bela Weirdo, seguida com pouca conversa para Teenage Icon, hit do segundo disco, Come of Age, do ano passado. Noutra música de levada veloz, tratam de bradar que não são ícones adolescentes, que não são heróis de ninguém, contradizendo exatamente o que se via ali: uma plateia entregue e que alçava uma banda tão nova ao status de ídolos, chegando ao ponto de brigarem por toalhas empapadas de suor que foram atiradas pelos integrantes. O final veio com Norgaard, música com-menos-de-dois-minutos-quase-punk de What Did You Expected from the Vaccines, disco de estreia, do ainda fresco 2011 e, que surpresa, cantada em uníssono.

No final, o saldo do show foi bastante positivo e o grupo mostrou que é ainda melhor ao vivo do que em disco. Banda e presentes tiveram o que esperavam e todos saíram satisfeitos com a apresentação. Como diz o refrão da canção que abriu o show e dá nome ao segundo disco dos britânicos “it’s hard to come of age” (é difícil virar adulto) e nos shows do Vaccines é melhor que seja assim. Vale a lógica de Peter Pan: crescer não ajuda em nada. As músicas do grupo provavelmente não vão mudar o mundo, mas isso algum dia foi importante pro rock?

Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê
Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

Setlist:

1. No Hope
2. Wreckin’ Bar (Ra Ra Ra)
3. Ghost Town
4. I Always Knew
5. Wetsuit
6. Under Your Thumb
7. Tiger Blood
8. Melody Calling
9. All in Vain
10. Post Break-Up Sex
11. All in White
12. Wolf Pack
13. A Lack of Understanding
14. Aftershave Ocean
15. Blow It Up
16. Bad Mood
17. If You Wanna
18. Family Friend

Encore:
19. Weirdo
20. Teenage Icon
21. Nørgaard