(Os melhores) Vídeos da Semana – a partir de 24/06/2013

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Clipes perderam a importância que tinham antigamente? Tocar na TV ainda atrai novos públicos? São perguntas difíceis de responder. Mas ainda é produzida muita coisa interessante e que vale a pena. Se você não conhece algo, é a oportunidade. Então saca os (melhores) vídeos dessa semana:

O Morrissey, vocalista do lendário Smiths, está fazendo 25 anos como artista solo e vai lançar um DVD pra comemorar. O trailer já saiu:

Explosions in the Sky em São Paulo: quando o tempo é relativo e a entrega absoluta

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

O post-rock, gênero de nome pomposo, não é para muitos. Mas deveria. Suas canções são cuidadosamente construídas e costumam criar uma atmosfera tão convidativa que é quase impossível resistir a fechar os olhos e entrar numa espécie de transe guiado. Não é um som urgente, descartável, nem de fácil assimilação. Na grande maioria das vezes não possui vocais. Por aqui, mesmo com bons nomes nacionais (com bandas como a Herod Layne, Labirinto e Ruído/mm) e um selo especializado (a Sinewave), ainda é conhecido por um número pequeno de pessoas. Exceções à regra, a islandesa Sigur Rós, os escoceses do Mogwai e os texanos do Explosions in the Sky possuem uma boa base de fãs no país. E foram esses últimos que fizeram um show inesquecível na última quarta no SESC Belenzinho, na zona leste.

O clima de chuva amena e céu cinzento dava o tom da noite. A maior metrópole tupiniquim parecia dar boas-vindas, do seu jeito único e truculento, à banda. Era a mais pura São Paulo. Com duas apresentações marcadas em dias seguidos na cidade, o show era ansiosamente aguardado pelos felizardos que conseguiram adquirir uma das entradas que se esgotaram em apenas uma hora e meia. Em um espaço confortável, cerca de 500 escolhidos se acomodavam pra assistir à primeira delas.

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

Já tornou-se redundante, mas é preciso novamente elogiar a organização do SESC. Não irei entrar no seara de preços praticados, pois a organização tem formas de financiamento que certamente lhe dão vantagens na comparação com a iniciativa privada. Contudo, em relação a respeito ao público, é tudo irrepreensível. Usando a proximidade com o metrô como trunfo e propiciando a utilização de transporte público tanto na ida quanto na volta, faz o que deveria se esperar de qualquer casa de shows: respeitam rigorosamente os horários. Às 21:30 em ponto os integrantes estavam em cima do palco. Chama ainda atenção o zelo com o som, que durante toda a apresentação estava perfeito e cristalino, tornando possível distinguir cada instrumento individualmente sem maiores dificuldades.

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

Com os membros da banda já posicionados em seus instrumentos, o guitarrista Munaf Rayani disse ao microfone: “Eu não sei falar português” – ironicamente em um português bastante claro. Prosseguiu: “mas é um sonho estar aqui hoje. Então fechem os olhos agora e venham sonhar com a gente”. Essas seriam as únicas palavras vindas dos americanos na próxima hora e meia, tempo em que se sucedeu um espetáculo embasbacante.

A primeira canção começou lenta, sendo aos poucos erguida pela soma das três guitarras, baixo e bateria, formação que seria utilizada até o final, com exceção de uma única música. Com a paciência de um escultor, que molda o barro com toda a frieza, a música foi ganhando corpo em sequências de notas hipnóticas. De repente, como num estalar de dedos, a explosão. Como se seguindo o mantra da camiseta do guitarrista Michael James, que continha os dizeres “make noise” (faça barulho), uma parede de distorção é criada e todos os músicos se entregam por completo aos seus instrumentos, numa simbiose tão perfeita que naquele momento era impossível discernir onde começava um e terminava o outro. O público, absurdamente respeitoso, comtemplava o que parecia tão íntimo e se entregava contribuindo como podia, tornando a experiência uma espécie de catarse coletiva, onde tudo desaguava naqueles ruídos em volume máximo. O jogo já estava ganho.

As interpretações que se seguiram não foram muito diferentes. Intercalando belas e calmas melodias com passagens barulhentas, a violência contra os instrumentos era tamanha que a certa altura do show o baterista Chris Hrasky teve que solicitar outro pedal para o bumbo, nem assim interrompendo o espetáculo, que nesse breve período foi conduzido pelo diálogo sempre eloquente entre as guitarras dos outros membros. Esses não se importavam em se jogar ao chão ou, no mínimo, balançar corpo e cabeça com toda força, conforme o ritmo requisitasse.

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Foto por Clarissa Wolff/Indie da Deprê

O mais animado de todos certamente era Munaf Rayani, o mesmo que proferiu as palavras de abertura. O descendente de indiano parecia estar em perfeita sinergia com tudo que se passava e se jogou no chão, mexeu em seus pedais, abusou da sua guitarra e até mesmo conduziu uma caixa de bateria extra em uma das músicas, ampliando tanto o espectro rítmico, quanto a violência do grupo naquele determinado ponto. Por fim, ele mesmo abriu o tema final da noite com sua guitarra sendo tocando com uma…caneta. A partir daí, a apresentação teve o fechamento mais que perfeito, com performance de cerca de dez minutos da mais fina distorção. Em certo momento o próprio Rayani abandonou a guitarra, se agarrou a uma pandeirola (ou meia-lua) e começou a, no tempo exigido, soca-la no chão com tanta força que fez as minhas mãos doerem de leve só de observar. Tudo isso enquanto seus companheiros castigavam, cada um à sua maneira, seus apetrechos musicais, até que inevitavelmente o silêncio voltasse a reinar. Memorável.

A banda se despediu timidamente, como se arrependida por ter dividido algo tão profundo e íntimo com todas aquelas pessoas e rapidamente se retirou do palco. Ao fim, era inacreditável que tudo aquilo tivesse durado noventa minutos. Pareciam dez. Havia pelo menos uma certeza: o que tinha acabado de acontecer ali era um dos melhores shows do ano.

MIXTAPE DEPREDANDO #2

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Sexta é dia de mixtape por aqui! Músicas estranhas, feitas por uma pessoa estranha para pessoas estranhas. Tem coisa nova do Queens of the Stone Age, bandas mais obscuras e coisas de outras décadas. Cat Power, Vaccines, Explosions in the Sky e Brendan Benson tocam no Brasil nessa semana e aparecem também por aqui. Então, é só dar play e se divertir, escutando grandes bandas e fazendo boas descobertas.

 

MIXTAPE DEPREDANDO #2 by João Vitor Medeiros on GroovesharkQuer sugerir uma música pra próxima mixtape? Mande no twitter pra @indiedadepre.