No fim, é tudo sobre música ou como foi o 2º dia do Lollapalooza Brasil

Foto por João Vitor Medeiros/Catárticos
Foto por João Vitor Medeiros/Catárticos

O segundo dia do Lollapalooza Brasil de 2014 começou em ritmo bem mais tranquilo que o anterior. Se no sábado tinham ocorrido muitos problemas, a resposta pra maioria deles estava ali na segunda etapa do festival: menos gente. Bem menos concorrido, era fácil se locomover entre os palcos, ir aos banheiros e comprar o que quer que você precisasse (com um pequeno porém que comentarei mais à frente). Filas e espera são inevitáveis em eventos desse porte, mas no domingo parecia tudo funcionar bem. E no começo da tarde os problemas se resumiam às dores nas pernas e ao sol escaldante.

Aí fica fácil se concentrar no que realmente importa: a música. Eu resolvi que assistiria a quatro shows naquele dia: Johnny Marr, Savages, Pixies e Arcade Fire. Gostaria de ter visto Soundgarden, Vampire Weekend e New Order, mas festival é escolha e em todos os lugares do mundo funciona assim. Imagine ir ao Glastonbury ou ao Coachella e tentar assistir a todos os shows? Perguntei a um amigo que já foi a vários eventos do tipo no exterior se ele havia ido a algum que fosse maior em área e caminhadas que o Lolla de 2014 e ele me contou que o Reading, um dos mais famosos do planeta, era ainda mais extenso. Não estamos totalmente acostumados a esse formato, mas nesse fim de semana um passo importante com relação a isso foi dado.

E eu não poderia ter sido mais feliz nas minhas escolhas. Nenhum show me decepcionou e alguns me surpreenderam. Fui em todos os dias de todas as edições do Lollapalooza Brasil até hoje e certamente esse foi o meu preferido de sempre.

Foto por Clarissa Wolff/Catárticos
Foto por Clarissa Wolff/Catárticos

Às duas da tarde e sob um calor de rachar a cuca, Johnny Marr era os Smiths no palco Ônix. E que show, amigos. A apresentação do inglês quase foi cancelada por ele ter fraturado a mão há duas semanas, mas isso parecia ter ficado em um passado longínquo. As canções do seu recente primeiro disco solo, The Messenger, ao vivo ficaram muito melhores, e a banda que o acompanhava deu conta do recado. Ainda teve espaço pra uma cover de I Fought the Law, que ficou famosa com o Clash, uma música do Electronic e quatro músicas da banda mais famosa do guitarrista. Destaque pra How Soon Is Now? com a participação de Andy Rourke e ½ Smiths no palco. O encerramento com There Is A Light That Never Goes Out cantada em uníssono não deixou dúvidas de que foi um dos grandes shows do evento e, provavelmente, do ano inteiro por aqui.

Abri mão de ver o Vampire Weekend e fui pro Palco Interlagos aguardar pelas meninas do Savages. Era o menor público entre todas as apresentações que acompanhei no autódromo. Novatas e com só um disco na bagagem – Silence Yourself, do ano passado – as europeias não ficaram devendo pra nenhum veterano. Boas músicas, banda afiada e vocalista sisuda vestida toda de preto, exceto pelo salto alto rosa, foi o mais próximo que já cheguei de um show do Joy Division – e eu já vi o New Order. Excelentes instrumentistas, era impossível não se deixar levar pelo clima obscuro que era construído a cada música executada com pulsação do baixo como fio condutor. Matador.

Foto por Clarissa Wolff/Catárticos
Foto por Clarissa Wolff/Catárticos

Com um sorriso no rosto, fui até o Palco Skol esperar pelo próximo show, do Pixies, banda que adoro e que passou por muitas mudanças nos últimos tempos. Mês passado conversei com o baterista por telefone sobre isso tudo e se você não leu, pode fazê-lo AQUI.

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Foto por Clarissa Wolff/Catárticos

Aqui cabe um parêntesis: os vendedores ambulantes que eu tanto tinha elogiado no dia anterior, dessa vez deixaram a desejar. Não pela presença deles, que costumava bastante satisfatória, mas pela falta de controle e organização. Abordei no entorno do palco mais de cinco deles e nenhum queria vender água pelo valor estipulado de 3 reais, mesmo usando vestimentas que deixavam explícito o preço. Me neguei a comprar e só consegui fazê-lo pelo valor justo mais de uma hora e meia depois. Além disso, muita gente reclamou que quase nenhum dos ambulantes aceitava fichas, o que tornava a utilização delas uma dor de cabeça. A organização precisa se atentar a isso nas próximas edições, porque no meio de tantos shows e longas caminhadas, é inadmissível ser extorquido para se hidratar.

Frank Black e companhia então entraram no palco e desfilaram seu repertório extenso. O show do Pixies é basicamente isso: repertório. E é o suficiente. Na sua simpatia de sempre, a banda não trocou uma só palavra com a plateia ao longo de toda a apresentação. Foram 23 músicas e muitos sucessos. As músicas novas não empolgaram, mas não comprometeram. A nova baixista, a argentina Paz Lechantin, não é nenhuma Kim Deal, mas deu conta do recado e parecia a mais animada dos quatro no palco. A história do rock passa obrigatoriamente pelo Pixies e foi uma satisfação poder vê-los ao vivo pela primeira vez.

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Foto por João Vitor Medeiros/Catárticos

Finalmente então era hora de esperar pelo último show da noite, o Arcade Fire. Muita gente optou pelo New Order, na mesma hora, de forma que o o Pixies pareceu ter sido assistido por mais pessoas. Nada que interferisse no resultado final. O que aconteceu ali foi uma das maiores surpresas que já tive com relação à música. Gosto bastante da banda canadense em disco, mas nunca foi das minhas preferidas. Cheguei diversas vezes a me perguntar o porquê de todo o oba-oba em volta deles. Tive então a minha resposta.

Tenho certeza que você já ouviu gente de mais comentar sobre o show e vamos simplesmente dizer que foi o melhor do festival. Aqui é permitido se entregar ao clichê do “show catártico” nas resenhas. Foi a missa mais hipster do mundo. A plateia ajudou e a banda parecia muito feliz. Poucas coisas impedem uma banda feliz de fazer um grande show e nenhuma delas impediu o Arcade Fire ontem. Desde os primeiros acordes de Reflektor, passando por danças, referências ao Brasil e antigas canções, até desembocar no final com Wake Up com direito a chuva de papel picado e fogos de artifício, tudo deu maravilhosamente certo. Destaque para terem tocado Laika, canção de Funeral, pela primeira vez nessa turnê nos shows do Rio e em São Paulo. A música foi requisitada à banda por meio do fã clube deles por aqui, o pessoal gente finíssima do Arcade Fire Brasil.

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Foto por João Vitor Medeiros/Catárticos

O saldo final foi positivo. Ouso dizer que foi o melhor entre todas as três edições, mesmo com todo os seus problemas. Dessa vez fiquei até o final e a volta de trem ocorreu tranquilamente. Há bastante coisa a ser repensada, como a capacidade máxima e o acesso aos palcos, mas há muita coisa a ser mantida. No Jockey, talvez fosse mais cômodo pra maioria das pessoas, mas era em um espaço apertado e como som vazando entre palcos, algo péssimo em um festival de música. E no final, não é a música que importa mais?

Confira um resumo do festival em 30 fotos AQUI.
Confira nossa cobertura completa AQUI.

O teste de Interlagos ou como foi o 1º dia do Lollapalooza Brasil

Foto por Clarissa Wolff/Catárticos
Foto por Clarissa Wolff/Catárticos

O primeiro dia do Lollapalooza Brasil era um teste importante: agora sob o comando da Time For Fun, o festival tinha a missão de provar que poderia fazer do Autódromo de Interlagos sua nova e definitiva casa no país. Os ingressos, esgotados na véspera, mostravam que o público tinha dado um voto de confiança à organização e superado a desconfiança inicial com a escolha do local.

Fui de metrô/trem até a estação Autódromo e o percurso todo funcionou de forma satisfatória na ida, dentro das suas limitações. O único problema foi mesmo a superlotação e o aperto, o que não chega a ser nenhuma novidade pra quem vive em São Paulo. Aliás, foi uma “boa” oportunidade para quem não mora na cidade conferir uma pequena parte de como é o dia a dia de quem depende de transporte público por aqui, porque é dali pra pior.

Chegando a Interlagos logo ficou claro qual seria o maior vilão do festival: a distância. Entrei próximo ao palco que leva o nome do autódromo e para chegar até o show do Cage the Elephant (banda que foi a primeira que assisti em um Lollapalooza, em 2011), no palco Ônix, foi um belo pedaço de chão. Consegui ver algumas músicas de longe, aproveitando os morrinhos que permitiam enxergar com clareza a banda mesmo estando afastado. Esse fator foi um belo acerto e funcionou bastante bem naquele palco. Contudo, preferi me adiantar e ir até o palco Skol conferir em pessoa o tão (mal) falado novo projeto de Julian Casablancas.

Foto por Clarissa Wolff/Catárticos
Foto por Clarissa Wolff/Catárticos

Eu gosto de Strokes. Gosto bastante. Vi a apresentação deles por aqui no Festival Planeta Terra de 2011 e mesmo com todos os problemas achei que foi um belíssimo show, principalmente por causa do público, que cantou todas as músicas o tempo todo. Do projeto solo do vocalista nunca fui dos maiores fãs, mas era preciso confirmar com meus próprios olhos (e ouvidos) o que o nova-iorquino aprontaria acompanhado da sua nova banda, The Voidz. Aí deu tudo errado. Sem versões de estúdio pra comparar (o disco deve ser lançado ainda esse mês), a estranheza com as novas canções era enorme. Era quase impossível distinguir a voz no bolo sonoro que se formou em meio a duas guitarras Flying-V com timbres de hard rock e uma bateria raivosa. Todas as músicas novas eram versões dessa combinação. E mesmo com a referência à bandas punks da Inglaterra do final dos anos 70 (Julian usava patchs do GBH e Discharge em sua jaqueta), tudo ali parecia soar como a primeira banda de um adolescente que acabara de descobrir o metal. Julian parecia animado, mas inseguro. Brincou com plateia dizendo: “Novas músicas, pessoal! Estamos aprendendo, estamos aprendendo”. O show melhorou sensivelmente na parte final quando foram tocadas 11th Dimension do seu primeiro disco solo e Take It or Leave It dos Strokes, mas aí já era tarde. O músico andou dizendo em entrevistas que seu novo disco iria explorar uma combinação pouco utilizada na música até agora. Se for parecido com o que apresentou, o pouco uso da tal combinação não é coincidência.

Foto por Clarissa Wolff/Catárticos
Foto por Clarissa Wolff/Catárticos

Em mais uma etapa da meia-maratona, voltei ao palco Interlagos pra conferir os shows de Portugal. The Man e Lorde. O primeiro, que faz um pop bem legal em disco, não comprometeu. Fez o arroz com feijão e agradou aos fãs. Foi legal ouvir ao vivo boas canções como Modern Jesus, mas pra quem não é louco pelo grupo, não foi um show memorável. Ainda assim, foi divertido.

Era a vez então de Lorde, o mais recente fenômeno da música pop. Eu inclusive ouso dizer que os ingressos esgotados do dia talvez tivessem mais a ver com a neozelandesa (e o Imagine Dragons, outro fenômeno recente) do que com os headliners do dia. E ela não decepcionou. Com uma banda enxuta, formada apenas por um baterista e um tecladista, a adolescente parecia genuinamente emocionada e não cansava de elogiar o Brasil e dizer como estava feliz de estar ali. Lorde não faz meu estilo de música preferido e não coloco pra rodar um disco da cantora quando que quero relaxar, mas em meio a um pop radiofônico cada vez mais saturado, produzido em série e superproduzido em estúdio com batidas eletrônicas pasteurizadas, ver algo bem mais orgânico sendo feito é um alívio. A garota parece bem distante do personagem de diva pop e eu acho que ela tem um belo futuro pela frente. Não seria a primeira vez (e espero que não seja a última) que um adolescente daria um sopro de frescor ao pop de FM. O público pareceu não ter reclamações.

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Foto por Clarissa Wolff/Catárticos

Na saída, empurra-empurra e aperto. Não sei se a produção subestimou o público que gostaria de ver o show da Lorde, mas foi extremamente difícil e doloroso mudar de palco após a apresentação. E olha que eu saí faltando duas ou três músicas pro fim. Mais um ponto fraco do festival: os acessos aos palcos não comportaram bem o número de pessoas e por vezes, principalmente à noite, foi complicado se deslocar, mesmo para os palcos menos concorridos. A produção precisa encontrar uma maneira melhor de fazer isso funcionar com tanta gente (em rota de colisão) por ali.

Dei um tchauzinho de longe para o palco abarrotado onde o Phoenix tocava e fui esperar Trent Reznor e companhia no show do Nine Inch Nails. E daí foi só alegria. Ou melhor, foi só melancolia, raiva e violência. A banda entrou a mil com Wish e me fez esquecer o cansaço e a dor nos pés que naquela hora já estavam bastante grandes. Com a cara de que saiu de uma instituição mental direto para o palco de sempre e se comunicando com o público apenas por meio de seus “hey”, o americano não deixou a peteca cair nem quando a apresentação entrou numa parte mais calma. Mesmo com uma formação reduzida de oito pra quatro integrantes e sem a parafernália de iluminação completa, a banda fez o show do dia do festival. Pesado. A galera era intensa em algumas partes, mas em geral assistiu ao show com atenção e em silêncio. E mesmo que não dê pra esperar uma plateia feliz e saltitante em um show do Nine Inch Nails, até o mais sisudo dos presentes saiu com um sorriso no rosto. Ouvir Hurt ao vivo encerrando tudo foi a cereja do bolo.

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Foto por Clarissa Wolff/Catárticos

Vi algumas músicas do Muse de longe, mas não quis arriscar sair ao mesmo tempo daquele mundaréu de gente e fui embora ainda no começo do show. Na saída, passei pelo palco do Disclosure, que tinha bom público pra quem concorria com um headliner. Na volta, o transporte novamente funcionou de forma ok.

Mais organizado que os Lollapalooza do Jockey, não enfrentei fila pra comprar água ou alimentos em nenhum momento. Os vendedores ambulantes aceitando fichas e dinheiro funcionaram maravilhosamente bem. As ativações das marcas não ficaram cansativas e contribuíram pra experiência de quem estava ali querendo mais do que música. Não fui ao Chef Stage, mas só ouvi elogios à comida e ao serviço. O 3G, como sempre, foi impossível de acessar e os palcos às vezes pareciam apertados. E andar aquela distância toda foi bastante estafante. Contudo, jogando isso na balança, o saldo foi positivo. Longe de estar ainda perfeito, o #NovoLollaBR, como foi divulgado o tempo todo, tem potencial pra mudar o jeito como o público brasileiro se relaciona com festivais e Interlagos (sem chuvas) funcionou bem no todo. Como tudo que tem relação com essa edição, ainda há um longo caminho a ser percorrido (hehe), mas é possível chegar lá.

Vejamos como será o segundo dia de festival, que deve ter um público bem menor.

ENTREVISTA EXCLUSIVA: Pixies – “Depois que a Kim Deal saiu, rolou uma união maior que fez o Pixies seguir”

Quando a escalação do Lollapalooza 2014 foi anunciada, depois da mudança de comando da GEO para a Time For Fun, eu fiz questão de deixar claro que achava esse o melhor line-up do festival americano em solo brasileiro. Talvez não comercialmente, mas certamente em termos de qualidade: talento e sucesso comercial nem sempre andam lado a lado, como bem sabemos. E se a princípio as bandas não são tão populares quanto as de outros anos, com certeza existem mais grupos que eu faço questão de assistir em 2014 do que em edições anteriores.

O Pixies é um desses grupos e dispensa grandes apresentações. Formado em 1986 na cidade estadunidense de Boston, a banda se dissipou em 1993, depois de ter lançado quatro LP’s e influenciado quase todo mundo no rock alternativo, gente como o Nirvana e o Weezer.

Em 2004, a reunião. Com direito a turnê mundial e show no Brasil, os membros originais se juntaram novamente e desde então vêm fazendo shows com maior ou menor frequência, mas de forma ininterrupta. Contudo, até o ano passado, apenas uma nova música havia sido gravada e lançada, no mesmo ano da volta ao palcos: Bam Thwok, cantada e composta pela baixista Kim Deal.

O conjunto, que sempre foi avesso a grandes badalações, viu-se bastante assediado pela mídia em 2013 quando anunciaram pelo site oficial a saída de Deal, um de seus símbolos. Em um comunicado curto, sem muitas explicações, agradeciam e desejavam sorte a Kim. Alguns dias depois, mais uma surpresa: lançaram Bagboy, primeira música em 9 anos, com direito a clipe. O Pixies certamente está na ativa.

Depois vieram dois EP’s chamados de EP1 e EP2, em setembro de 2013 e janeiro de 2014, respectivamente, e o lançamento de uma nova turnê mundial que começou em Paris e passará por uma série de cidades e festivais, entre eles o Lollapalooza Brasil.

Tendo em vista tudo isso, o baterista David Lovering, na banda desde o início, gentilmente conversou comigo em nome do grupo, por telefone, durante 30 minutos na última sexta-feira. Essa é a primeira entrevista do Pixies pra um veículo brasileiro desde 2010, quando tocaram no SWU. E você pode conferir a conversa abaixo:

DAVID LOVERING: É o David falando.

JOÃO VITOR MEDEIROS: Ei, David, é o João, como você está?

DL: Bem e você?

JVM: Bem também. Estou ligando do Brasil pela entrevista.

DL: Maravilhoso!

JVM: Você parece estar de bom-humor.

DL: (risos) Ontem ficamos de folga, consegui descansar um pouco.

JVM: Isso é ótimo! Podemos começar? Vou fazer algumas perguntas e espero que você não fique bravo comigo (risos).

DL: (risos) Ok, claro.

JVM: Então, Bagboy e o EP1 foram as primeiras gravações do Pixies em nove anos. Como isso aconteceu? Como vocês decidiram que era hora de gravar material novo?

DL: Demorou muito tempo. Nós estamos excursionando desde a reunião, em 2004, sem parar. Foi uma tour e então a próxima, a próxima, a próxima… E daí nós começamos a turnê do Doolittle, que era tocando o disco do começo ao fim, e isso levou dois anos. Naquele momento, logo quando a turnê acabou, nós estávamos discutindo: “Ei, nós ainda somos uma banda viável, acho que deveríamos fazer algo, lançar algo”. Lançar, essa foi a palavra exata. Mas demorou muito tempo, demorou quatro anos da época em que discutimos até o EP1 nascer, até termos demos e finalmente decidir ir ao estúdio gravar. Então foi muito tempo, quatro anos até chegar nesse ponto. Mas chegamos lá e aí está.

JVM: Foi ideia do Charles (Thompson IV, também conhecido como Frank Black)?

DL: Sim, eu acho, porque ele tinha várias músicas. Charles é definitivamente um compositor, então ele tinha músicas e algumas ideias em mente, então eu diria que foi ideia dele sim.

JVM: Eu li algumas críticas bem ruins sobre o EP1 e EP2. Isso incomodou vocês?

DL: Não, de jeito nenhum. É engraçado, nós somos uma banda, nós…o chato é que, deus, nós nunca tínhamos tido uma crítica ruim, nunca. E dessa vez chegaram as notícias e tinham algumas, acontece. Mas não demos ouvidos, elas não nos machucaram de jeito nenhum. Só deixamos rolar.

JVM: E como tem sido a resposta do público às novas músicas?

DL: É boa. Estamos fazendo um show de mais ou menos uma hora e meia, dá quase umas 30 músicas e no set tem músicas antigas e daí colocamos umas novas, entre 8 e 5, e é bem legal. Já que estou na bateria, eu consigo ter uma visão um pouco mais privilegiada do fundo e eu consigo ver se tem alguém indo embora ou ao banheiro durante nossas músicas, então tenho uma boa indicação. Nesse momento está bem bom.

JVM: Isso é ótimo. E na sua opinião, qual o papel da crítica musical hoje em dia, nos tempos de internet, pra uma banda como vocês? Já que vocês estão na estrada há quase trinta anos e pegaram períodos diferentes.

DL: Ahn, eu acho que a banda ainda está na mesma posição. Eu acho que se você é uma boa banda, se você tem boas músicas, as pessoas vão te notar. Então de alguma forma você pode ir lá e fazer isso, com a internet, mp3 e coisas desse tipo, é o mesmo de antes: se você é bom, se você é diferente, as pessoas vão prestar atenção em você. E eu acho que sair, fazer shows, tocar ao vivo, é a coisa mais importante pra uma banda, ainda é o que faz a diferença. Eu acho que o tabuleiro ainda é o mesmo que antes. Mas nós temos sorte de ser o Pixies, ter uma base de fãs grandes que recebe nossos e-mails pelo nosso website, e então nós podemos nos aproveitar disso e distribuir por ali. Nós não temos uma gravadora e podemos fazer isso do jeito que quisermos, chegamos no nível de sermos suficientemente grandes pra isso. Nisso talvez as bandas menores não tenham tantas oportunidades hoje em dia sem alguma ajuda externa, mas certamente é possível.

JVM: E agora o que vocês estão preparando com a banda? Podemos esperar um LP inteiro?

DL: Como um músico, eu não posso revelar a maioria dos segredos, mas nós lançamos esses dois EP’s e pode haver mais um terceiro e ao final deles, um LP completo. Mas como músico tenho que guardar o resto.

JVM: Ah, mas pode me contar, prometo que não vou contar pra ninguém! (risos)

DL: (risos) Ok, pode deixar.

JVM: A Kim Deal deixou o Pixies ano passado. Como foi esse momento pra você?

DL: Foi bem difícil. Quando ela disse que estava indo foi bastante emocionante. Claro que não queríamos que ela fosse, mas desejamos a ela o melhor. Foi um momento complicado, não sabíamos o que fazer, estávamos gravando, literalmente na metade e, nós três, Joe, Charles e eu decidimos ir em frente e terminamos. Foi bom, nós tivemos uma bom método de trabalho e foi legal, rolou uma união maior entre nós naquele momento que fez o Pixies continuar.

JVM: E você sabe por que ela fez isso? Ela disse?

DL: Não, ela só disse que pra ela já tinha dado com o Pixies e foi isso. E sabe, eu entendo ela, de verdade. Desejamos a ela o melhor e ela pode voltar a hora que quiser.

JVM: Oh, e essa é a minha próxima pergunta: você sente falta dela?

DL: Sim, claro. Por um tanto de anos, ahn, talvez um total de 18 anos – nos primeiros anos, na reunião – ela foi a única baixista que esteve à minha esquerda. Então fez uma diferença quando ela foi embora, ela não estando lá: “oh, a Kim se foi”. É uma grande diferença.

JVM: E você gosta da outra banda dela, o Breeders?

DL: Sim, sim, gosto sim.

JVM:  Daí a Kim Shattuck entrou no lugar da Kim Deal e o que aconteceu? Ela (Shattuck) diz que foi jogada fora da banda por ser muito extrovertida, social. Isso é verdade?

DL: Ahn, não. Nós nunca comentamos sobre isso porque…basicamente ela foi contratada pra ser a baixista do Pixies pra turnê europeia e só essa. Só vou dizer que ela foi muito pouco profissional no que ela disse. (risos) Mas foi bom naquela tour, a Kim Deal tinha saído e estávamos com pressa e colocamos a Shattuck, mas logo depois a substituímos pela Paz Lenchantin e ela é ótima. Excelente baixista, ela é fantástica, é maravilhoso tocar. Ela é muito boa e tá fazendo com que EU toque melhor.

JVM: Eu vi o documentário loudQUIETloud (2006) e eu acho que foi a Kelley Deal que disse que vocês são “os piores comunicadores de todos os tempos”, que você não conversam muito. É verdade?

DL: Não. Naquele filme aquela empresa seguiu a gente por dois anos e gravaram um monte de coisas e no fim eles acharam que a gente era uma banda muito chata. Sem drama ou nada do tipo. Então, as coisas que eles deram destaque quando editaram fizeram nós parecermos muito antissociais, mas nós não somos. Nós passamos tempo juntos, nós somos uma banda, passamos um tempão na estrada, tocando juntos, dentro do ônibus, claro que precisamos de um tempo a sós, como qualquer pessoa, entende? Mas não somos antissociais um com os outros não. Além disso, a coisa das drogas e a linha do tempo no filme, as coisas aconteceram, mas não foi escalando ao longo de dois anos como eles fizeram parecer. Então eles colocaram um drama lá. (risos)

JVM: Vocês são normais demais! (risos)

DL: É, obrigado. Eu me lembro de ver a primeira vez e só ia afundando, afundando e afundando cada vez mais na minha poltrona. (risos)

JVM: E como tá a turnê agora?

DL: Ah, estamos nos EUA e tá sendo ótimo. Estou gostando muito e temos uma grande plateia, dos mais novos aos mais velhos, de pessoas que nem tinham nascido quando o Pixies começou até gente da minha idade, estamos tocando em uma série de lugares.

JVM: Eu não tinha nascido quando os Pixies começaram! Nasci em 1990 e sou um grande fã.

DL: Oh, obrigado, você tem bom gosto! (risos)

JVM: Então, vocês vão tocar no Lollapalooza Brasil em abril. É a terceira vez que vocês vêm ao país. Certo?

DL: Isso! Acho que é isso mesmo.

JVM:  Como foi das outras vezes?

DL: Eu tenho que dizer que quando viajamos até aí tem sido ótimo. Tanta gente nos vendo e a gente realmente se divertindo, a gente vê isso em algumas partes do mundo, mas é diferente por aí. Isso te deixa muito animado, você quer tocar melhor ainda.

JVM: E alguma experiência marcante aqui? Vocês provaram algo típico?

DL: Comida! Quando eu não estou tocando, estou comendo e a comida daí era muito boa.

JVM:  E o que vocês tão esperando pra próxima vez em abril?

DL: Ah, eu to muito animado. Vai ser a primeira vez com a Paz e ela meio que transformou a gente, de alguma forma, numa versão 2.0 e a parte rítmica está muito boa e acho que vocês vão curtir.

JVM: Vai ser o meu primeiro show do Pixies, então tem que ser bom, ok? (risos)

DL: (risos) Ok, vamos fazer mais especial ainda.

JVM: Vocês são headliners de grandes festivais esse ano. Você prefere shows em festivais ou em casas fechadas?

DL: Oh, é difícil, porque…hmm, se eu tivesse que escolher um, acho que seria em casas fechadas, algo que não seja um festival, algo não muito grande. Mas festivais são bons, é legal, é divertido, é algo diferente pra gente, mas eu prefiro casas fechadas. Eu diria que você tem mais controle, arruma as coisas do jeito que quer e em um festival você não tem nenhum controle, porque tudo já é provido pra você e é um ambiente totalmente diferente pelo tamanho, você só chega lá e faz seu show. É diferente. Cinquenta, setenta mil pessoas fazem a coisa bem diferente.

JVM: E qual sua memória favorita do Pixies?

DL: Meu deus, essa é difícil. A única coisa que eu poderia dizer nesse caso, realmente, seria sobre o primeiro show que nós fizemos. Eu me lembro disso. Foi numa noite em Boston e acho que foi algo grande. Porque a partir dali a gente só foi crescendo e crescendo.

JVM: E como foi a separação no começo dos anos 90? Como você se sentiu?

DL: Ah, nós éramos uma banda tocando juntos por sete ou oito anos e era tudo que a gente sabia, viajar e tocar e essas coisas. E claro, sempre existem personalidades e atritos em qualquer grupo de pessoas e simplesmente chegou no ponto em que não tinha mais clima e nos separamos. Foi um choque, eu não sabia o que fazer quando a banda acabou e eventualmente eu parei de tocar bateria. Mas olhando pra trás e pensando “e se a banda não tivesse se separado naquela época?”, a turnê de reunião nunca teria rolado em 2004. Nós teríamos continuado e teria ficado pior, e pior, e pior e eu fico feliz que a gente tenha se separado e tenhamos chegado no ponto que eu estou falando contigo agora no telefone!

JVM: (risos) E como foi a reunião em 2004?

DL: Ah, foi louco! Era a primeira vez que, tocando com o Pixies, dava pra ver a diferença de idade na plateia. Sabe, quando a gente tocava nos anos 80 e 90 era só gente jovem, jovens adultos, que ia assistir a gente. E agora é completamente diferente. A primeira vez que a gente tocou no Coachella, em 2004, era um mar de adolescentes e jovens cantando cada letra de cada música e foi surreal. Foi a primeira vez que a gente via algo daquele tipo. Foi maravilhoso.

JVM: E você se vê tocando daqui a 20 anos com uma turnê de 50 anos como os Rolling Stones?

DL: Ah, eu não ligaria, mas eu já tenho uma certa idade, se minha resistência me deixar, eu tocaria sem problemas, porque eu amo tocar bateria, é um trabalho divertido e vou continuar enquanto eu puder.

JVM: Ah, que legal. E o Kurt Cobain disse numa entrevista que estava praticamente tentando roubar vocês quando fez Smells Like Teen Spirit. Você lembra de escutar sobre isso? O que você pensa?

DL: Foi interessante. Eu escutei a música e eu acho que eu entendo o que ele disse. É muito difícil eu conseguir falar exatamente, mas pra mim é estranho quando as pessoas dizem que a gente influenciou elas. Pra mim, eu sou só o David, eu toco bateria e essa é a minha banda. Então é muito difícil perceber que eu fiz algo especial ou… eu não sei, é uma coisa muita estranha ouvir alguém falar isso. Mas eu gosto de Smells Like Teen Spirit, acho que é uma boa música. Eu, pelo menos. (risos)

 JVM: Mas vocês são uma das bandas mais influentes de todos os tempos. Você escuta alguma banda que diz ser influenciada por vocês? Você tem alguma preferida?

DL: Eu tenho algumas no meu iPod que mencionaram algo. Ahn, eu não consigo escolher uma favorita, elas são todas boas (risos). Todas são minhas favoritas!

JVM: E quais bandas você escuta? Você pode amar elas igualmente.

DL: Ah, eu tenho de tudo. Bowie, Nirvana, Radiohead, Weezer.

JVM: Sei que você é um grande fã do Rush.

DL: Sim, sim, adoro eles. E Steely Dan também!

JVM: Mas alguma banda nova que você curta e tenha visto?

DL: Não, acho que não. Eu não tenho a oportunidade estando tanto tempo na estrada. O único momento que realmente escuto música é no meu carro, quando estou em casa. Mas tiveram algumas boas bandas que abriram pra gente e eu gosto muito. FIDLAR é uma, eles tocaram com a gente e são bons. Tem uns clipes engraçados. São caras ótimos e gosto da música deles.

 JVM: E algo que você ainda queira fazer com a banda?

DL: Não. Agora só estamos nos concentrando nos shows e nos EP’s e acho que esse vai ser o espírito de 2015.

JVM: E a última pergunta: você quer dizer algo pros fãs brasileiros de Pixies?

DL: Ahn, assim, de bate-pronto só queria dizer que todo mundo curta a mistura das músicas novas e velhas e não fiquem chateados se a gente não conversar, nós só queremos fazer música.

Aquela banda que você adora de novo no Brasil? Ótimo!

Levantamento feito por www.rockinchair.com.br - veja quadro completo de acordo com link no 1º parágrafo
Levantamento feito por www.rockinchair.com.br – veja quadro completo de acordo com link no 1º parágrafo

O Brasil vive a sua fase de ouro no que se refere à quantidade de artistas e turnês internacionais que passam por aqui. Em 2013, apenas no estado de São Paulo foram 493 artistas em 580 shows e 19 festivais, segundo levantamento feito pelo Rock in Chair (veja quadro completo). Apesar disso, o preço ainda é caro: R$ 80,00 a média do ingresso mais barato de cada evento.

Esse aumento começou a partir de 2009/2010, quando a demanda por shows na Europa e EUA, principais mercados, diminuiu drasticamente devido à crise financeira mundial. A América do Sul, e sobretudo o Brasil – conhecido no exterior pelo pagamento de altos cachês e pouco afetado pela crise -, passaram a ser considerados como alternativas muito interessantes para aliviar a queda nos rendimentos das turnês. Lembre-se que desde a decadência da indústria fonográfica e das vendas de discos, essa é a principal fonte de lucro dos artistas: hoje eles fazem discos para venderem shows e não o contrário, como acontecia em outras épocas. Some-se a isso o fato dos brasileiros, cada vez mais, terem acesso instantâneo ao que acontece de mais interessante no mundo devido à internet e às redes sociais e pronto, você tem um amplo mercado a ser explorado.

Em 2011 chegamos ao auge. Paul McCartney de volta depois de show disputado em 2010, o Festival Planeta Terra esgotando seus ingressos em horas, o Rock in Rio voltando ao país após 10 anos (e também esgotado em horas), o megalomaníaco SWU com mais um line-up exuberante e a inúmera quantidade de shows em casas menores com ingressos completamente vendidos: Interpol, Metronomy, The Kills e Kings of Convenience foram só alguns deles. Nunca fomos tão conectados ao resto do mundo. Para quem achava o preço dos ingressos caro (com razão) ou não podia pagá-los, o SESC continuava como alternativa mais acessível, sem perder em qualidade ou quantidade.

The Strokes no Planeta Terra de 2011
The Strokes no Planeta Terra de 2011

E todo mundo quis aproveitar o momento. O americano Lollapalooza chegou em 2012 como uma escalação de peso, que trazia bandas como Arctic Monkeys e Foo Fighters, que já tinham passado por aqui anos antes sem chamar muita atenção, mas que agora eram capazes de atrair mais de 50 mil pessoas a seus shows. O ainda-menino-do-bem Justin Bieber lotou estádios. Shows por todos os lugares, de todos os tamanhos aconteceram até que no fim do ano o suposto “encalhe” de ingressos para shows de Madonna e Lady Gaga e o cancelamento do SWU acenderam a luz amarela. Os mais pessimistas alardeavam a existência de uma suposta “bolha de consumo”, prestes a explodir e dar fim ao exponencial crescimento do setor.

O tempo encarregou-se de provar que não era bem assim. E os números de 2013 que abrem esse post são a prova disso. O que houve nada mais foi que uma regulação natural de mercado, mostrando que não basta demanda sem um trabalho de planejamento, pesquisa, produção, curadoria e marketing competentes por trás. E os “fracassos” apontados por alguns como sinais do apocalipse nada mais eram que indicativos da falta desses.

Mas e agora? Os shows inéditos no Brasil são cada vez mais raros e não é pouco comum que a reação ao anúncio de alguma banda “repetida” seja encarada com um desanimado: de novo? Essa semana foi anunciado a escalação do espanhol Primavera Sound e era impossível não notar que a maioria daquelas turnês passaram recentemente por terras tupiniquins. O mesmo com o badalado californiano Coachella. E isso deve ser encarado como algo positivo e não o contrário.

Na Europa e EUA cada turnê é considerada um show novo e por isso as bandas excursionam tanto por lá. O Arcade Fire, destaque dos festivais mundo afora em 2014, já tocou no Coachella quatro vezes, inclusa a desse ano. O Pixies, atração principal de um dos dias do Primavera Sound, também tocou por lá em 2010. Isso só pra citar esses bandas e festivais. Consulte a agenda de qualquer artista de médio porte, geralmente disponível no próprio website, e verá que isso é comum. E tem que se tornar comum por aqui também ou corremos o risco de voltar à escassez de outros dias. Tenha em mente que a cada novo lançamento o repertório dos artistas muda, assim com a experiência de vê-lo sendo interpretado ao vivo, algo que eu e, provavelmente, você amamos.

Escalação do Primavera Sound 2014
Escalação do Primavera Sound 2014

Já vi dois shows do Kraftwerk, Franz Ferdinand e Tame Impala, entre outras bandas, e cada um deles foi diferente. Todos valeram a pena. Em maio eu pretendo ir ao Primavera Sound e mal posso esperar pra rever os shows de The National e Mogwai, assim como irei conferir novamente Nine Inch Nails, Pixies e Arcade Fire, os quais verei no Lollapalooza Brasil desse ano. Lolla onde me reencontrarei com o show do Cage the Elephant. Não há motivo para não fazê-lo se a banda ainda é boa. É o velho papo do filósofo Heráclito de que ninguém passa pelo mesmo rio duas vezes. Você e o rio estão diferentes. E mergulhar novamente pode ser muito bom.

É verdade que os preços aqui ainda são proibitivos para muitos. Para isso é preciso mobilização dos produtores – evitando o pagamento de cachês exorbitantes e leilões de artistas – e do governo – regulamentando de forma mais eficaz assuntos como a meia-entrada – para que o ticket médio caia. Contudo, você pode fazer sua parte, aceitando de braços abertos mais um show daquela banda que você adora (se o preço for justo). Porque música boa nunca é demais. E ao vivo é sempre demais.

Suposto line-up do Lollapalooza Brasil e Chile 2014 vaza na internet e é muito forte

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Apareceu nessa tarde na internet o suposto line-up do Lollapalooza Brasil e Chile 2014. Não é possível saber a veracidade do mesmo, mas alguns fatos apontam pra que a história tenha um fundo de realidade:

1) Algumas bandas as quais sabemos que irão tocar no festival como Nine Inch Nails, Depeche Mode e The National estão entre as citadas.

2) No título “F. Altério’s meeting” e a data de ontem. F. Altério provavelmente se refere a Fernando Altério da Time For Fun, empresa agora responsável pela realização do Lolla no Brasil.

No rodapé do documento as bandas estão separadas em categorias, sem ficar claro o porquê. A transcrição do rodapé abaixo:

1) (em vermelho): Johnny Marr, Bjork, Vampire Weekend, Sigur Rós, Alt-j, Calvin Harris, Daughter, Editors, Dizzee Rascal, Icona Pop, SBTRKT, Disclosure, Slim Chance, Hurts

2) Depeche Mode, Phoenix, Mumford and Sons, Portishead, The National, Elie Goulding, Primal Scream, Grimes, James Blake, Jake Bugg, Django Django, Skream, Jessie Ware, Beach House

3) Nine Inch Nails, New Order, MBV (CORTADO), The Knife, NMH, Savages, Tegan and Sara, Frank Ocean, Tame Impala, Cat Power, Cut Copy, Devendra Banhart, Wavves, Alex Clare

A conclusão é de que parece apenas uma lista de possíveis negociações, algumas já fechadas e outras não. De qualquer forma, mesmo sendo uma lista inicial, o festival parte de um lugar muito bom. Vamos aguardar para saber até onde é verdade.