OS MELHORES DISCOS E SHOWS DE 2013

melhores 2013

Listas não são absolutas. Refletem puramente a opinião pessoal ou de uma publicação e por isso podem (e devem) ser discutidas, mas jamais questionadas. É tão óbvio que às vezes passa despercebido. Elas devem ser encaradas, sobretudo, como a oportunidade de se fazer novas descobertas. Por isso leia, discuta, escute e faça a sua também. É divertido, eu juro.

Abaixo, a minha lista pessoal de 20 melhores discos (e 10 melhores shows) do ano, com uma música que eu considere chave em cada um. Muita coisa boa ficou de fora, mas eu não também não queria elaborar uma lista longa demais. Está tudo misturado: nacional, internacional e tem até um EP. Espero que descubram algo legal, porque o ano foi bom. Pelo menos pra música.

Sem mais delongas:

MELHORES DISCOS DE 2013:

 

20) Kanye West – Yeezus

19) Manic Street Preachers – Rewind the Film

 18) Kurt Vile – Wakin on a Pretty Daze

17) Dean Blunt – The Redeemer

16) The Oh Sees – Floating Coffin

15) Boards of Canada – Tomorrow’s Harvest

14) Julianna Barwick – Nepenthe

13) Teho Tehardo & Blixa Bargeld – Still Smiling

12) Midlake – Antiphon

11) These New Puritans – Field of Reeds

10) My Bloody Valentine – m b v

9) Run the Jewels – Run the Jewels

8) Body/Head – Coming Apart

7) Herod – Umbra

6) Sigur Rós – Kveikur

5) Flaming Lips – The Terror

4) Mazzy Star – Seasons of Your Day

3) Burial – Rival Dealer(EP)

2) Nick Cave & the Bad Seeds – Push the Sky Away

1) Bill Callahan – Dream River (Leia mais aqui)

MELHORES SHOWS DE 2013:

10) The Vaccines no Grand Metrópole (Leia mais aqui)

Foto por Clarissa Wolff/ Indie da Deprê
Foto por Clarissa Wolff/ Indie da Deprê

9) Nas no Lollapalooza no Jockey

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8) Stephen Malkmus and the Jicks no Beco 203

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7) Breeders no Popload Gig no Cine Joia (Leia mais aqui)

Foto por Fabrício Vianna/ Popload

Foto por Fabrício Vianna/ Popload

6) Flaming Lips no Lollapalooza no Jockey

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5) Tame Impala no Popload Gig no Cine Joia (Leia mais aqui)

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4) Explosions in the Sky no SESC Belenzinho (Leia mais aqui)

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3) The Cure na Arena Anhembi no Live Music Rocks

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2) Blur no Planeta Terra no Campo de Marte

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1) Bruce Springsteen no Rock in Rio

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17º Cultura Inglesa Festival – O show tem que continuar

Foto por Kaue Lima/Discophenia
Foto por Kaue Lima/Discophenia

O 17º Festival da Cultura Inglesa tinha a missão de suceder duas boas edições, que trouxeram gratuitmente bandas como Gang of Four, Blood Red Shoes e Miles Kane em 2011 e The Horrors, We Have Band e Franz Ferdinand em 2012. Na última, inclusive, a procura foi tão grande que gerou uma série de problemas, deixando gente de fora e obrigando a organização a distribuir ingressos antecipadamente nesse ano, a fim de evitar que isso ocorresse novamente.

O local também mudou. O evento deixou o Parque da Independência e passou ao Memorial da América Latina, bem próximo à estação Barra Funda na linha vermelha do metrô. Isso fez com que o acesso fosse simples e a entrada tranquila, sem maiores tumultos. O público presente era bom e o espaço confortável, como sempre deve ser. Lá dentro a organização estava impecável: banheiros em grande quantidade e sem filas, telões com boas imagens e auxiliando quem estivesse mais longe do palco e shows começando pontualmente, com exceção de Kate Nash, iniciado com cerca de 30 minutos de atraso. Balões vermelhos distribuídos ainda davam um toque especial à multidão.

Entre as atrações, as bandas Stay Johnny e Mind the Gap abriram os trabalhos, sendo sucedidas pela escocesa e pouco conhecida The Dark Jokes. Não acompanhei esses shows, mas ouvi elogios às apresentações. Cheguei a tempo de ver o Bonde do Rolê, que tinha a missão de tocar clássicos do The Cure, uma das minhas bandas preferidas. Eles foram escolhidos através de enquete no site da Cultura Inglesa, que também trazia como opção Jair Naves interpretando Joy Division. Essa teria sido uma decisão muito mais sensata, tendo em vista que os curitibanos são, musicalmente, uma piada. Sobre o show, entrevistei uma pessoa do público que, em poucas palavras, conseguiu resumi-lo bem. Veja abaixo no vídeo:

Ainda traumatizado com o que vira, acompanhei a performance do Magic Numbers, penúltima do dia. Com um indie pop feijão-com-arroz, porém bem feito, os ingleses conseguiram segurar bem a plateia e fizeram um show regular do começo ao fim com suas melodias cantaroláveis. Destaque para a baixista, que se movimentava com grande energia enquanto martelava as cordas do seu instrumento sem nenhum remorso. De tempos em tempos o grupo pedia e a galera gentilmente atendia com palmas que marcavam os compassos.

Já quase no fim da apresentação, chamaram ao palco Marcelo Jeneci, caracterizado bizarramente. Com o brasileiro na sanfona, interpretaram You Don’t Know Me, faixa de Caetano Veloso no disco Transa. Passado o momento, os ingleses tocaram mais algumas músicas e deram fim ao bom show. Agora só faltava Nash vir a público e encerrar a noite.

Foto por Kaue Lima/Discophenia
Foto por Kaue Lima/Discophenia

E ela veio pra surpreender alguns que esperavam a boa mocinha que explodiu cantando melodias alegres e letras sobre relacionamentos há alguns anos no Reino Unido. Visivelmente diferente, a inglesa fez de capa uma bandeira do Brasil e iniciou sua performance com duas faixas do seu último e mais agressivo disco. Lançado esse ano, Girl Talk não recebeu muita atenção da imprensa, mas traz uma artista com novas influências e que tenta se livrar da etiqueta de menina bobinha.

Foi nesse clima que o show continuou a mil por hora, com Nash indo diversas vezes de encontro ao público, só tendo diminuído o ritmo nas faixas mais lentas do repertório e nos momentos entre as canções, nos quais a cantora não se cansava de dizer o quão alegre a fazia estar ali. E foi num desses discursos que as lágrimas vieram e ela contou aos presentes sobre a importância que os últimos shows que tinha feito por aqui em 2011 tiveram em sua vida, fazendo-a perceber a influência nociva de pessoas que a rodeavam.

A felicidade era visível e poucas coisas podem impedir um artista nesse estado de fazer um ótimo show. Nada impediu Nash, que com sua boa banda formada apenas por mulheres, contemplou também sucessos antigos, como o hit Foundations e fez um cover do pesado grupo Fidlar. Ela voltou para o bis com a acústica We Get On e encerrou com Bird. No fim das contas, ela pareceu estar em uma fase de transição, mas pelo que se viu ali, está indo pelo caminho certo.

O Festival da Cultura Inglesa é uma excelente iniciativa e mesmo sendo gratuito e com atrações de menos peso que nos últimos anos, não perde em nada para outros eventos do mesmo tipo. Que continue, então, por um longo tempo e se consolide ainda mais como boa opção dentro do nosso calendário. Esse é o nosso desejo e tenho certeza de que de muitos ali presentes. Porque, afinal, o show tem que continuar.

Foto por Kaue Lima/Discophenia
Foto por Kaue Lima/Discophenia

Setlist – Kate Nash:

Sister
Death Proof
Take Me To A Higher Plane
Kiss That Grrrl
Mariella
Do-Wah-Doo
OMYGOD!
Paris
Fri-end?
Dickhead
Don’t You Want To Share The Guilt?
Foundations
3AM
Grrrl Gang (Cocaine – FIDLAR (Cover))
Under-Estimate The Girl

Bis:
We Get On (Acoustic)
Birds

Versões: 20 covers de bandas que você ama feitos por bandas que você ama

boa festa

Cada boa banda tem seu estilo próprio. Estilo que elas acabam imprimindo mesmo ao tocar canções de outro grupo. A seguir, 20 covers de bandas pra músicas de outros grupos  clássicos ou no mínimo bastante conhecidos. Aproveite e diga nos comentários os seus preferidos e indique outros que acha que deveriam entrar na lista,

Desintegração: músicas tristes me fazem mais feliz

records

Peço licença para dessa vez publicar algo em um tom mais pessoal. Obviamente, todas as opiniões emitidas por aqui são unicamente a partir do meu ponto de vista. Não tenho a pretensão de pregar supostas verdades absolutas, até porque, por convicção, acho que elas existem em raríssimos casos. Contudo, nesse post a subjetividade será maior. Eu amo a música. Mas amo mais as músicas tristes.

Escrevo esse texto enquanto escuto o “Disintegration” do The Cure. É um dos meus discos preferidos de todos os tempos e carrega uma atmosfera melancólica até nas canções mais doces. E isso é convite certeiro pra que eu me apaixone. Acordes menores sempre serão meus preferidos. Letras sobre solidão sempre tocarão mais fundo na minha alma. Eu penso em música praticamente o dia inteiro, vivo, respiro isso. E frequentemente me pego pensando o porquê dessa minha inclinação pelo aperto no peito.

Acho que a palavra aqui é deslocamento. Porque eu me senti muito e ainda me sinto, às vezes, deslocado do mundo. Porque muitas vezes eu não tenho ideia de pra onde me deslocar. Diversas vezes eu nem mesmo sei onde me encontro. Muitas pessoas tem medo de morrerem sozinhas. Meu maior medo sempre foi viver sozinho. O caminho para o autoconhecimento é tortuoso e as melhores escolas do mundo não são capazes de ensinar você a lidar com a dor. Mas a música é. Pelo menos no meu caso.

Sempre escuto pessoas dizerem que não vão escutar determinada banda ou artista pois elas vão ficar pra baixo. Que elas preferem coisas animadas, “pra cima”, que deem a elas aquele impulso extra de alegria. Eu respeito e, em algum nível, até admiro essas pessoas, mas essa abordagem nunca funcionou pra mim. Eu nunca consegui me conectar com esse tipo de som de forma integral por simplesmente não serem uma tradução genuinamente sincera de como eu sou. É nos lamentos de alguma faixa lúgubre que eu costumo encontrar algum tipo de conforto. São as canções tristes que fazem com que eu não me sinta perdido, são elas que fazem eu enxergar que existem pessoas com problemas como eu e que a vida pode ser dura, mas que sempre há um motivo pelo qual lutar. Elas me ensinam a lidar com a melancolia e são o afago que embala os muitos dias em que tudo parece muito pesado. Eu não estou sozinho.

Se mundo é cheio de contradições, nem todas elas são de todo o mal. Músicas tristes tem o poder de me deixar feliz. Que continuem assim.