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Como Foi: Popload Festival 2016

O Popload sempre foi um dos grandes nomes do jornalismo de música Indie e seus derivados, além de trazer informações sobre o mundo da música eles também sempre trazem artistas para shows no Brasil. Ao ir crescendo, os shows foram crescendo também até surgir o Popload Festival, que chega a sua terceira edição em 2016 trazendo dois grandes nomes do indie/alternativo dos anos 2000: The Libertines e Wilco.

Saindo das casas fechadas e indo para o espaço aberto do Urban Stage, o Popload festival ainda trouxe o duo Ratatat, Ava Rocha e Bixiga 70, que substituiu o Battles que cancelou sua vinda. Com dois nomes de peso, o festival trouxe quase 8 mil pessoas para ver Jeff Tweedy e sua gangue e o casal musical Pete Doherty e Carl Barat.

Chegamos cedo ao festival para aproveitar todas as bandas que iriam tocar, numa tarde ensolarada, mas com um ventinho frio, o Bixiga 70 se apresentou de forma magistral, sempre afiados e afinados o grupo que mistura música brasileira, afrobeat e jazz, teve o importante papel de substituir de última hora os americanos experimentais do Battles e para ser sincero o Bixiga 70 é muito mais banda que o Battles, principalmente para um festival como o Popload. Uma grande banda que está sempre por ai fazendo shows e em algum momento você irá assisti-los e que não fez feio no festival.

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Trinta minutos cravados depois era a vez da Ava Rocha subir ao palco que trouxe seu som que mistura rock com mpb com cara meio setentista. Começou bem o show com músicas pegadas e empolgando o público, porém mais para o meio do show as músicas ficavam em segundo plano e toda a atenção se voltava para a performance, bizarra, de Ava, com suas facas e danças ela causou um estranhamento no povo que aproveitava o fim de tarde. Entre reações curiosas: os seguranças e bombeiros que estavam na minha frente olhavam algumas vezes para trás e ficavam espantados “o som é meio legal, mas ela é doidinha né” um bombeiro falava com um cara do meu lado.

mais meia hora cronometrada e era hora do show do duo instrumental Ratatat se apresentar. Assisti o duo em 2015 no Priamvera Sound num palco lotado de gente fritando até com pedaços de árvore, cheio de lasers e solos o show do Primavera foi estonteante principalmente na parte visual, já no Popload, infelizmente foi um grupo que caiu de paraquedas para o público errado e no momento errado, o público era bem dividido entre os indies nostálgicos do Libertines e os indies tiozões do Wilco (alguns deles obvio que compartilhavam gostos) e o som do Ratatat não foi compreendido, muitos falavam “ok e que horas eles vão cantar” outros não conseguiam diferenciar as músicas que seguem um mesmo padrão e timbre soando quase como uma gigantesca música do Daft Punk instrumental. Sem a iluminação e os lasers que são metade da graça do show o duo trouxe só um projetor com imagens divertidas que acompanhavam as músicas.

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Infelizmente o show do Ratatat foi mal pensado e mal produzido, talvez uma volta deles num ambiente mais propício como um Sónar da vida com o equipamento de iluminação certo o show seria ovacionado, o que não ocorreu no Popload, com mutias pessoas aproveitando para comer, beber e conversar, os fãs de Wilco aguentaram bem o show, afinal o que era uma horinha comparado com dez anos de espera e muitos boatos de vinda ao Brasil, não é mesmo?

Chegada a hora da emoção, quem tinha filho pequeno provavelmente levantou no momento que a banda entrou no palco. Ovacionados a todo momento, o Wilco cresceu de uma forma grande aqui no Brasil, com fãs que amam a banda como se fosse da família. Com seu Alternative Country bem americano, a banda liderada por Jeff Tweedy e John Stirratt, únicos membros originais da banda, tocou de tudo um pouco passando por toda sua carreira, ou seja, foi música pra caramba.

Mesmo sendo a turnê de seu último álbum, o Schmilco, a banda aproveitou a espera de 10 anos desse show para fazer a graça do público em um show de duas horas e 27 músicas. Se dependesse do público poderiam ficar mais duas horas tocando. Apesar do Tweedy ser a voz da banda, o meu destaque vai para Glenn Kotche e Nels Cline, o baterista e o guitarrista são simplesmente destruidores e deixam a música do Wilco, que já boa, ainda melhor, claramente os dois mais técnicos do sexteto é impressionante como os dois são perfeitos em suas execuções como em Via Chicago e principalmente Impossible Germany.

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Apesar de quase nunca interagirem entre si, cada um ficando no seu lugar demarcado, a banda possui uma química muito grande e essa química junto com o carisma de Tweedy passa para o público, cantou por duas horas todas as músicas tocadas. Agradecendo ao público brasileiro, se desculpando pela demora a banda mostrou um carinho pelo público que é recíproco e isso é um dos grandes pontos da banda, não vieram só para tocar como um contratado, não é a toa que no dia seguinte do festival fizeram um dos melhores shows já vistos por um preço simbólico.

Fechando o show com Spiders (Kidsmoke) e The Late Greats a banda compensou o tempo de espera e com certeza o público já sente falta da banda, que não demorem mais dez anos para tocarem no Brasil.

Fechando o festival era a hora de reviver os anos 2000 com o The Libertines, que eu odeio, mas tem umas músicas boas. Um pouquinho atrasados a banda dessa vez veio completa. Os fãs do Wilco já deixavam o espaço para os fãs do Libertines que pularam a todas as músicas dos primeiros álbuns e até mesmo do último álbum lançado em 2015. Apesar de hit atrás de hit a banda é péssima ao vivo, vozes fracas, erros grotescos e frescuras que hoje soam forçadas. A questão é eles sempre se venderam como uma banda ruim então todo mundo acaba relevando isso e fica satisfeito com a dupla Barat-Doherty dividindo microfone.

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O problema foi aguentar esses erros depois de ver alguém como o Nels Cline tocando guitarra, foi quase como uma última refeição no corredor da morte. Mas para seu público e fãs com certeza foi um show memorável e nostálgico, suas músicas do álbum mais recente Anthems for The Doomed Youth casam bem com as antigas e apesar de ainda terem cara de Libertines, mostra um amadurecimento bem sutil.

Musicalmente o Popload Festival manteve sua qualidade, aumentou o espaço, mas não virou um super festival e tomara que não vire, afinal precisamos de festivais menores para que não necessitemos de um super trunfo que leve milhares de pessoas sozinhas para fechar a conta. Já na sua estrutura, banheiros limpos e poucas filas, porém caixas com pouco troco, preços abusivos em um lanche e até falta de alimento tiravam a fome de qualquer um. Tecnicamente o som só falhou um pouco no começo do festival onde as vezes o som do Bixiga 70 desaparecia por um segundo, de resto era possível aproveitar o festival de qualquer lugar, quem queria ver de pertinho seus artistas favoritos conseguiam e quem queri a ficar mais longe da muvuca ainda tinha uma boa visão e som do palco. Continue assim Popload e nos vemos ano que vem!

Uma mistura de personagens fictícios desde Doug Funnie até Rob Gordon, escuta desde Creed até Richard Strauss, presidente do fã clube da novela Kubanacan e baixista da Que Rubens os Tambores #ad

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