Club NME: Temples em São Paulo

Ano passado o lado psicodélico da música recebeu o trem do hype com o lançamento de “Sun Structures” o debut dos britânicos do Temples e tudo isso se deu graças a comentários de artistas como Johnny Marr, Noel Gallagher entre muitos outros que falavam de salvação do rock e etc. Eu particularmente odeio esse tipo de música, para mim a última grande banda do psicodélico foi o Flaming Lips.

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Welcome to The Jungle na Audio Club

Jungle é o tipo de banda que surge do nada, com um único álbum, músicas dançantes, refrão fácil e uma pegada que mistura Synthpop, funk, soul e disco eles são fáceis de se escutar e caem no gosto de muita gente principalmente os publicitários que adoram esse tipo de música para suas propaganda. Num revival oitentista mas sem deixar de ser atual os londrinos misturam Bee Gees com Capital Cities e Fitz and The Tamtrums e vieram ao brasil para mostrar o som do seu debut que leva o nome da banda.

Allah-Las no SESC Pompeia

A Balaclava Records junto com a Brain Productions já são os heróis do submundo indie da música. Se você pensar em uma banda razoavelmente pequena e que se encaixa no perfil surf/noise/dream/alternative rock/pop pode ter certeza que tem alguma chance dessa banda vir para o Brasil pelos caras e melhor a um preço justíssimo de SESC. A banda da vez foi o Allah-Las.

O quarteto californiano esgotou o SESC Pompeia e apesar de ser um som revival onde a falta de inovação acaba deixando a música genérica, o Allah-Las em estúdio tem seus momentos. Com um surf rock ensolarado e dois álbuns de estúdios é impossível não curtir o som dos caras, mesmo que muitas musicas sejam quase idênticas umas as outras (ainda assim boas) e foi com esses dois álbuns, o self-titled de 2012 e Worship The Sun de 2014 a banda mostrou que nem sempre o que se ouve em estúdio é igual ao vivo.

Como eu disse acho esse tipo de música, se não tem algo que te anima logo de cara, genérico, algo que hoje em dia é muito comum nesse gênero de surf rock assim como outros como Indie Folk e o novo rock psicodélico, mas ao vivo Allah-las por mais que façam as coisas idênticas ao álbum de estúdio o som ao vivo é outra experiência é uma energia totalmente diferente.

A galera desde fãs assíduos que fritavam solos de guitarra invisível até os apreciadores do som que dançavam de olhos fechados junto com o clima praieiro que mistura um The Monkees com Beach Boys e até um Beatles fase Hard Day’s Night fizeram com que o show fosse muito bom, basta gostar de música ao vivo que qualquer um iria se divertir no show dos caras.

O setlist tocado variava entre os dois álbuns lançados com destaques para “Had it All”, “Follow You Down” e o hit “Catamaran”. Um show divertido, simples, sem firulas ou grandes produções, confortável para curtir uma noite de semana a um preço acessível e que voltem mais vezes pois é um show imperdível para quem gosta do estilo.

dEUS não é brasileiro, mas fez uma parada em São Paulo

Ok, acho que essa será a primeira e última piada envolvendo Deus e a banda belga dEUS, mas que eles mereciam ser louvados pela apresentação que fizeram quinta-feira (23/04) no SESC Pompeia mereciam.

dEUS é uma banda belga que se eu tivesse uma definição de estilo definiria, mas entre as misturas de som podemos classificar a banda (não que isso diga muito) como Art-Experimental-Em Partes Progressiva-Indie-Wave–Post Punk-Pop-Rock e que está na ativa desde 1991, como a maior parte das bandas pré-00 houveram reformulações na formação que hoje conta somente com dois membros originais: o vocalista e guitarrista Tom Barman e o tecladista/violinista Klaas Janzoons.

Com oito álbuns de estúdio mais alguns lives, dvds e compilações a banda faz um show explosivo e diferente do tipo de banda que comumente toca no Brasil e que vem dessa época dos anos 90, com um som que passa por influências de Tom Waits, Frank Zappa, New York Dolls, Television, David Bowie, New Order entre muitos outros artistas. A junção dessas influencias trás um som diferente de quase tudo que eu já escutei. Nunca fui um fã assíduo da banda, na verdade nunca parei para escutar, assisti alguns lives na internet e foi isso, nunca me aprofundei. Pelos lives a banda tinha cara de show de festival, assistir sentado às 3h da tarde, mas o show do SESC Pompeia mostrou que eles deveriam ser grandes, bem grandes e infelizmente nunca foram.

A banda fez um show de estádio para um público que lotou a choperia do SESC, Tom falou por quase todo show, arriscando um bom português. Falou que iriam tocar no Recife mas que um dia voltavam. Nas músicas Tom dividia seu tempo entre cantar, tocar guitarra e a bateria de efeitos, enquanto isso outros membros da banda tocavam seus instrumentos e cantavam, uma das boas peculiaridades da banda é essa movimentação de vocalistas, todos ali cantam, cada um em seu momento e isso deixa as músicas dinâmicas e diversificadas, lembrando a um pouco Apanhador Só que por mais que tinham um vocalista fixo faziam rotação de instrumentos.

Num total de 17 músicas tocadas, os belgas revisitaram toda a carreira desde o debut Worst Case Scenario até Following Sea, último álbum da banda lançado em 2012. Os destaques ficam por conta da performance dos caras no palco e por músicas como Instant Street e seu lindo crescendo do meio para o final da música, If You Don’t Get What You Want, Sun Ra e Bad Timing.

O show do dEUS no SESC entra para a história de bandas que deveriam ser grandes mas não são, mesmo lotado o SESC não chegou a esgotar os ingressos. Em seu público, pessoas de todos os tipos e camisas, desde os tiozões que acompanham a banda desde seu surgimento até jovens com camisetas do Sonic Youth e Misfits descobrindo (ou redescobrindo) o som dos caras. Um show imperdível de uma banda imperdível, pode vir mais vezes como prometido dEUS que pelo menos o público de SESC vocês sempre terão.

De homenagens a solos de gaita, Donavon Frankenreiter faz um show completo e relaxante

O surf brasileiro está em alta, todos os olhares da mídia esportiva estão para o grande Gabriel Medina, surfista de 21 anos, que venceu o título mundial de surf no ano passado, se agora parece que o surf terá um maior respeito e um maior número de fãs, na música que muitos dos surfistas curtem isso já é um realidade, depois do Current Swell lotar o Beco, o adorador do surf e do Brasil, Donavon Frankenreiter, decidiu  pegar sua prancha para uma turnê brasileira.

The Hives – Mais uma vez um dos shows do ano

Se existe uma banda que poderia vir todo ano para o Brasil é o The Hives, os suecos podem trazer o mesmo set-list todas as vezes, porém sua animação, carinho pelos fãs e é claro qualidade musical sempre serão o diferencial. É por isso que os caras são queridos aqui no Brasil e lotaram o Cine Joia dias depois de terem tocado para um Anhembi lotado de fãs do Arcitc Monkeys.

The Drums – Uma show surpreendente não só musicalmente

Os nova-iorquinos do The Drums voltaram ao Brasil e fizeram um ótimo show regado a bom som, casa razoavelmente cheia, um bom setlist e algumas surpresas onde muitos poderiam dizer que a terceira vez é a da sorte. O duo indie que bota a galera para fritar nas pistas de danças de baladas da Augusta faz seu terceiro show na cidade de São Paulo para a turnê do (ótimo) terceiro álbum Encyclopedia.