Leonard Cohen e o pior ano de nossas vidas

Nessa trilha sonora pro fim do mundo, Leonard Cohen era o que me salvava.

Esse ano começou com meu quarto câncer, em que perdi o útero, os ovários, as trompas, todas as chances de ser mãe. Mais ou menos na mesma época que o Bowie morreu. E todo mundo chorou. Eu não, já disse. Ele não era meu deus do rock. A gente sente a perda – o mundo sente a perda. Da arte. Da força de unir tanta gente num sentimento. Em alguns versos. Em uma sequência de acordes.

Leonard Cohen não era um David Bowie. Não era estrela, não era performático, não era de outro mundo. Ele era daqui, do nosso mundo, do nosso chão. Só que sentia as palavras de um jeito diferente. E nos meus momentos de catástrofe interna, de temporais e furacões, era sempre ele que eu ouvia, não só com os ouvidos, ouvia com o corpo todo, com o estômago, com os pulmões, pra voltar a respirar.

E como a gente precisa respirar esse ano. Astrólogos falam que são os astros, os espíritas têm outras explicações. Mas a gente sente. O dinheiro faltando, os atentados acontecendo, essa gente sendo escolhida pra mandar no mundo. E parece que as pessoas iluminadas – aquela aura de luz, a capacidade de nos envolver dentro, e nos tirar um pouco do vórtex de destruição – tão indo embora. Uma por uma.

Faz quatro anos que o João e eu tentamos entrevistar o Leonard Cohen. Semana passada, recebemos um ok. Como falou o João, “quase fizemos a última entrevista da vida dele. Ou fizemos a última quase entrevista da vida dele”. Seria a última entrevista das nossas vidas – o que viria depois dele? O que a gente sente depois de encontrar deus?

A primeira música que conheci dele não é das mais famosas, “Waiting for the miracle”. Esse título, como disse a Amanda, nesse 2016 apocalíptico, nunca fez tanto sentido. E no meio do meu desprezo incontrolável por gente que chora a morte de pessoas famosas como se fossem amigas, to aqui, chorando também.

Meu deus desistiu do nosso mundo.

Mas Leonard Cohen continua sendo a trilha sonora perfeita pro fim do mundo.

Precisamos falar com os homens?

Eu sou daquele tipo de feminista que acredita que o feminismo é um movimento das mulheres, para mulheres. Mas eu acredito que homens podem trabalhar para a igualdade de gênero – vejam bem, eu não disse que homens podem participar ativamente do feminismo, disse que podem contribuir para a igualdade de gênero. Como? Revendo seus privilégios, aceitando os confrontos das minas, entrando num processo de desconstrução. Tenho muitos amigos que me pedem conselhos sobre isso e eu costumo falar: começa abrindo mão da pornografia, parando de assediar meninas, abandonando piadas machistas. Pára de falar pras mulheres e vai falar pros homens: briga com os amigos que mantêm comportamentos machistas.

O processo de desconstrução é longo e pode ser dolorido. Muitas vezes, é um processo pra vida toda. E podem me acusar por ser pisciana e ingênua demais, mas eu acredito que a gente possa construir um mundo melhor abrindo diálogos (até a revolução, pelo menos). Nós, mulheres, já estamos falando sobre isso. Tá na hora de os homens falarem também.

Fiquei sabendo essa semana do documentário “Precisamos falar com os homens?”, da ONU Mulheres aqui no Brasil, que foi feito a partir de uma pesquisa com 20.000 pessoas e têm a participação de minas fodas como a Clara Averbuck.

 

Assistir a iniciativas que envolvem homens e falam de igualdade de gênero é sempre uma experiência agridoce. A gente nunca sabe o que vai aparecer e que tipo de justificativa pra machismo a gente vai encontrar. Nesse trailer – e nos teasers – a sensação que eu tive foi outra: não se buscou, aqui, desculpar os homens pelo papel ativo no machismo que se propaga. O que eu vi foi uma responsabilização deles: senta aqui, você é agente disso tudo, tá na hora de você encarar o que você faz.

E essa lição é muito boa.

Por isso, convido todo mundo a assistir ao documentário, que estreia no dia 25/10 nesse canal do YouTube. E mandar pro amigo, pro namorado, pro vizinho, pro irmão, pro pai, pro tio. Por que sim: (infelizmente, talvez) nós precisamos falar com os homens.

 

Popload Festival 2016: a música é o que mais importa (mas o resto também é mara)

(por Clarissa Wolff e João Vítor Medeiros)

Esse texto vai ser daquele jeitinho, nada jornalista musical, tudo uma experiência.

No começo desse ano, escrevi sobre como foi terrível ir ao último Lollapalooza. O lineup do próximo é uma metralhadora atirando para todos os tipos de público. Eu sei como é complicado fazer um festival gigante se sustentar e crescer no Brasil, onde os cachês historicamente altos, a dificuldade do deslocamento e mais vários outros problemas enfrentados por produtores fazem o ingresso muitas vezes encostar no salário mínimo. O que devia ser um absurdo, mas com todos esses custos, não é. Mas o Lollapalooza parece ter esquecido que nasceu da e pra música, e, como o Coachella, tem cada vez mais se tornado uma produtora de dinheiro e de notas pra coluna social.

O Popload Festival, que nasceu modesto há alguns anos e chegou a essa edição levando 8 mil pessoas, parece um irmão pequeno e caçula do Primavera Sound Barcelona. Claro: muito menor. Mas dá pra sentir que cada escolha musical importa. Começando porque não são óbvias: Bixiga 70, que arrepiou fundo, a performática Ava Rocha, a viagem do Ratatat. Até colocar o Wilco antes do Libertines foi inteligente: uma parte do público foi embora depois do Wilco, deixando a pista mais confortável pra pular, dançar e voltar pros 17 anos com Libertines. Aliás, inusitada essa sequência: depois do show impecável e virtuoso do Wilco, os erros, as desafinações, as letras esquecidas e a confusão do Libertines. Funcionou demais.

E a estrutura também foi maravilhosa. Num calorão insuportável com sol forte, o palco fazia uma sombra gigante que não deixava ninguém desidratar. Lounges com lugares pra sentar estavam disponíveis. E os banheiros eram banheiros de verdade, que tinham papel higiênico até o último show. Os preços das bebidas não era muito diferente da balada, mas foram os preços das comidas que me impressionaram: hambúrgueres a 25 reais, mesma coisa que pagamos fora do festival, sem a inflação que costumamos ver. E hambúrgueres de verdade, gourmet, nada daquela porcaria industrializada que muitos festivais insistem em vender. Tinham opções veganas (R$15!!!!!) e vegetarianas também.

Fiquei saudosista do Terra do Playcenter. Mas, como uma imagem vale mais que mil palavras (e é isso que eu gosto de fazer em festival, porque nessas horas deixo de ser escritora)…

Bixiga 70

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Ava Rocha

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Wilco

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The Libertines

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O público

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Que venha 2017!

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MAIS FOTOS AQUI.

Caráter é destino: traição, história e nossos relacionamentos de aplicativo

Desde que descobri que fui traída pelo amor da minha vida, fiz vários posts no Facebook – o que muita gente julgou ser superexposição, mas a maioria (graças a deus) entendeu meu propósito: usar a melhor coisa que eu tenho (minha escrita) pra ajudar quem estiver passado pela mesma coisa. Recebi muitas mensagens de meninas dizendo que se viram no post, que passaram pelo mesmo no passado, que estavam passando no presente. Recebi muitos agradecimentos pelas palavras.

E recebi também algo que eu não esperava: relatos e mais relatos de pessoas que traíam ou que eram a/o outra/o. Talvez por verem que eu estou tendendo a perdoar meu marido, essas pessoas apareceram com textos gigantescos falando que era muito bom encontrar alguém que tivesse empatia por quem traísse. E eu pensei: tá tão difícil de me entender, assim? Então deixo claro: eu nunca, nunca, nunca vou ter empatia por quem trai.

Nos seus diários, Sylvia Plath – motivo por trás do nome do meu canal no YouTube, A Redoma de Livros – comenta que “caráter é destino”. É reconfortante pensar que nosso caráter é o que vai construir nosso destino. E nessa mesma linha de pensamento, sabendo que 56% das pessoas traem atualmente, eu acrescento que os motivos citados – impulso, atração sexual, falta de carinho – são, na maior parte das vezes, mentira: a traição é falta de caráter. Especialmente quando vem do homem.

Salvo por motivos específicos – eu pessoalmente acredito que pessoas boas podem errar dentro de circunstâncias especiais – em geral a traição masculina é motivada por algo muito simples que é enfiado de maneira eficaz, pela cultura, na cabeça dos homens desde cedo: as mulheres são, assim como carros ou roupas, objetos de consumo. Se consome mulheres através da pornografia e da prostituição. O casamento não deixa de ser apenas mais um tipo de consumo, dessa vez a longo prazo, de um modelo escolhido com um pouco mais de exigência.

Por trás dos motivos dos homens (busca de aventura, impulso, sensação de controle etc) está, ele mesmo, o frágil ego masculino. Os motivos das mulheres (falta de carinho, sensação de serem negligenciadas etc) colocam o core do relacionamento – o afeto, ou melhor, a falta dele – como a motivação. Só essa diferença psicológica é o suficiente para colocar em evidência as discrepâncias entre a posição da mulher e do homem em uma relação monogâmica. E, embora ainda existam pessoas que usem a desculpa pseudo-evolutiva da mulher engravidar e por isso ser naturalmente mais fiel, desde Engels e “A origem da família” isso já é colocado em cheque.

A nossa cultura, muito mais do que nossa biologia, é responsável pelas nossas escolhas.

Até o começo do século XVI, quando Henrique VIII precisou legalizar o divórcio na Inglaterra por causa de seu desejo por Ana Bolena, as traições eram a única forma de se relacionar com alguma nova paixão pós-casamento. No século XVIII, Maria Antonieta foi enviada aos 14 anos para um casamento político e trair o marido (que demorou 7 anos após o casamento pra conseguir ter uma ereção) era sua única forma de ter um relacionamento como acreditava merecer. Mas no Ocidente no século XXI o divórcio já é legalizado e não vemos mais esse tipo de casamento imposto. E mesmo assim 56% das pessoas ainda traem.

Nessas semanas de solteira, aproveitei para instalar pela primeira vez aplicativos de relacionamentos como o Tinder e o Happn. E o que mais me impressionou foi como todos somos dispostos como catálogos pro julgamento dos outros – e somos, também, julgadores, que é a parte mais divertida. Essa facilidade em encontrar em consumir outras pessoas – assim como Deezer e Netflix fazem com música e séries ou filmes – é mais um sintoma de como entendemos a nossa existência: se um clique já é demais pra baixar um filme, uma pessoa não pode exigir muito mais. Se preferimos tele entrega de comida a sair pra jantar fora, as pessoas também têm que aparecer na nossa casa em 60 a 75 minutos.

Lipovetsky defende que em vez de uma era de pós-modernidade, estamos vivendo a hipermodernidade. As teorias dele com o tempo foram soando pouco aprofundadas – especialmente após ler Marx, que homem, que gênio – mas uma coisa que ele falava cai muito bem aqui: vivemos a era do hiperconsumo. E esse consumo vai desde as mercadorias que encontramos em shopping e têm um preço claro até uns aos outros.

Não é de se surpreender que em uma sociedade que já conseguiu o direito de terminar e ter um novo relacionamento, em que o divórcio perde o estigma, em que se tem o poder de escolha pra se ficar com quem quiser, ainda assim a traição esteja aumentando. Não é de se surpreender que, em países onde a corrupção é generalizada e quase aceita socialmente como um mal necessário, essa falta de caráter também entre como natural.

Até quando a gente vai escolher a mentira acima da honestidade?

 

Notas sobre o hospício II – Os médicos e o pensamento manicomial

(a foto é um auto-retrato de 2015) // (parte um do post)

Eu queria acreditar que eu tinha sorte. Mas eu sabia que o que eu tinha era só um plano de saúde melhor. Mais caro.

Essa era a única diferença entre mim e todas as outras pacientes. Essa e o fato de que eu recebia visitas médicas diariamente, e elas passavam três, quatro dias ou mais sem ver o médico.

Minha mãe tinha sido contra a internação, desde o começo. Quando fui, acreditava que era porque ela não acreditava na minha dor. Quando saí de lá, vi que era porque ela faz parte da abordagem anti manicomial.

Eu imaginava que diariamente teríamos grupos de psicologia, consultas médicas, terapia, atividades. Eu acreditava que teríamos equipe suficiente para que víssemos o sol, fizéssemos caminhadas, buscássemos processos curativos variados.

Nos dez dias que passei lá, participei de um grupo de psicologia com um psicólogo bundão, que nos tratou como crianças de 7 anos, e foi lá pra ler um monte de regras. Ele não falou, mas é óbvio que a leitura aleatória das regras tinha um subterfúgio: alguma coisa tinha acontecido para que ele fosse até lá, falar pra todo mundo que um estupro e uma amor têm a mesma origem, o toque. Descobri depois que era a presença de pessoas bissexuais, como eu. Porque somos bichos, porque não podemos ver outra mulher, porque se abraçamos uma amiga precisa ser com segundas intenções.

De psicóloga, conversei duas vezes com uma. E dela, não posso reclamar: foram conversas úteis, fortes, que mexeram comigo, que me ajudaram a refletir sobre questões fortes. Ela fez o trabalho muito bem: me pegou pela mão e me conduziu aos pouquinhos pela escuridão do meus sentimentos, pra que eu fosse me acostumando com eles, aceitando, conseguindo quem sabe até superar. A ela, só tenho a agradecer.

A nutricionista tava doente quando cheguei. Demorou três dias pra que alguém falasse comigo sobre eu ser vegetariana, sobre ter uma dieta adaptada pra minha condição (síndrome de câncer). Nesses três dias, fui obrigada a comer carne pra não passar fome, entre outras coisas que me deixavam enjoada e com o estômago revirando.

Fui tão sedada no começo que mal conseguia pensar. Tinham que me dar comida na cama. E entre os remédios que eu tomei estavam anti psicóticos fortes pra um surto sem psicose, anti psicóticos que me deixaram pra sempre marcada do horror que é sentir aquele embotamento afetivo que nem a pior quimioterapia tinha me feito sentir. Essa apatia é inexplicável. Vem de um tédio tão profundo que qualquer possibilidade de reação é impossível. E você sabe, você tem certeza, naqueles momentos, que nunca mais vai sentir qualquer alegria.

A rotina da clínica, que foi tão bem referenciada em pesquisas pela internet, que se mostrou uma das melhores do sul do país, é uma cópia de manicômios. Me lembrou da leitura de Holocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex, sobre o Colônia, manicômio de horrores que existia em Barbacena, em Minas Gerais. Guardadas as devidas proporções. Mas serviu pra lembrar especialmente que esse tipo de visão médica ainda existe. Que o louco, pra equipe, quando fala, só serve pra validar a própria doença.

Eu sou muito honesta, até quando vou quebrar regras. Na clínica, celulares eram proibidos. Pedi pros meus pais levarem o meu celular em horário de visita, para que por uma hora eu tivesse contato com a internet, com o Facebook, com a vida normal. Pedi isso porque entendi que a saída da clínica pra realidade seria brusca demais. Que ficar dez dias enfurnada e protegida num lugar pra ser jogada aos lobos em seguida era menos inteligente do que experimentar coisas que me deixavam ansiosa quando ainda estava em um ambiente protegido. Falei isso pra minha médica. Sabia que era contra as regras, mas falei pra ela, porque queria honestidade no tratamento, porque queria ouvir dela sobre minha interpretação de ver as redes sociais ainda internada, que seria melhor pro meu tratamento.

Ela contou isso pros meus pais, que logicamente sabiam, mas contou isso sem conversar comigo sobre falar com eles. Sigilo médico-paciente vira uma piada num lugar em que você é louca com tendências suicidas. Ela contou, e contou para usar isso como motivo pra minha internação por mais tempo. Que seguir as regras é parte da cura. Que a desobediência é parte da doença. Que meu passado de adicção em drogas (!!!) mostrava que eu tinha impulsos descontrolados e que não estava conseguindo controlar nem ali dentro.

(Pra quem tá se perguntando, eu acabei decidindo por não usar o celular, porque não queria causar problemas – antes mesmo de a médica falar isso pros meus pais.  Continuo acreditando que teria sido melhor pra mim.)

As clínicas psiquiátricas são também uma ferramenta do nosso mundo capitalista e patriarcal, que vê a loucura – essa patologia tão expressiva e sintomática do descontentamento com a realidade injusta – como uma praga, e que busca transformar o louco em um ser obediente. A cura, ela me disse, é ligada à obediência.

As clínicas querem nos fazer abaixar a cabeça pro sistema.

Saímos de lá anestesiados, robôzinhos condicionados que sabem que com uma campainha é hora de comer, que abrem a boca pra mostrar que tomaram o remédio, que têm medo de ficar na rua depois das 18h, quando as portas fecham, porque eles podem anotar. Eles podem anotar tudo o que você faz de errado. Qualquer descontentamento que gere uma atitude desobediente. E tudo isso prejudica sua alta.

Minha alta foi a pedido da família, essa atitude que eles condenam como outra praga, como se os familiares fossem incapazes de pensamentos próprios e manipuláveis pelo paciente. Alta pedido ainda vem um presente: você sai de lá sem receitas e sem nota de alta. Você sai de lá como se fosse ainda louco. Sem saber que remédios tá usando, o que é um direito seu. Você sai de lá regredindo no tratamento, como uma punição por ousar ir contra os magnânimos médicos do lugar.

Tentaram me assustar falando isso, médicos, técnicos, enfermeiros. Eu ria na cara deles: “meus pais são médicos, eu tenho cinquenta receitas dessas na hora que quiser”. Mas e as pessoas que não são filhas de médicos? Que dependem dessas receitas pra se tratar? Eu cheguei louca, mas fiquei bem. Nos últimos dias, tava ficando louca de novo. Quantas pessoas prejudicam o próprio tratamento por causa de uma folha de papel que a clínica, cruel, burra, como um manicômio, nos priva? Até quando a opinião do paciente vai ser considerada uma besteira, um capricho de louco, perto da toda poderosa opinião médica? O que nos privam é dos nossos direitos, da nossa dignidade.

Meus pais me tiraram de lá. E foi simples: eu já tinha saído do surto. Eu tava lá só pra ajustar a dose de um remédio específico (lítio), processo que minha mãe faz ambulatorialmente com os pacientes dela. Meus pais são médicos, já articularam consultas com uma psiquiatra fora da clínica e minha terapia. Minha mãe inclusive tirou licença pra cuidar de mim.

Com tudo isso, a médica devia ter achado maravilhoso que eu tivesse um suporte como esse pra terminar o processo curativo em casa, com meus bichos de estimação, minha família, com tudo que me faz bem. A reação dela foi dizer que isso ia contra os procedimentos da clínica e eu só sairia antes de completar 15 dias com alta a pedido de familiar. Que mesmo com o respaldo da minha psiquiatra, eles não me liberariam antes desse tempo.

Eu pensei, tentando entender o que faz um médico tão facilmente descartar o bem estar do paciente em nome do procedimento. E então percebi: a clínica tem diárias, que meu plano – tão bom, tão caro – tá pagando.

No fim, a única coisa que eu ainda tenho é minha voz. Meu texto. E por isso que continuo escrevendo.

Esse é meu Lemonade – poemas

1.

what are we doing to each other?
why is the world so ugly?

that we have to fuck, kill and smother
every last damn good thing that lasts and lives
and loves and breathes and ends.

right now, it ends.

in that same moment when the Lexapro ends
you’re broken – i’m broken – this ends

we had chosen one another and then
fucked, killed and smothered.

closed every open (open?)
doors, eyes, ribcages

the moment i’ve stopped moaning
secrets piling up in the backstage

unfrozing.

you’re broken?
i’m broken.

right now, it ends.

the hoping, the omen, the smoking, the stolen
everything.

the atonement.
we’re broken.

2.

for all the girls my husband picked
(to break me in pieces)
and talk and lie and cease his
little male insecurities

i say:

i’m sorry that he used you
as vessels for a needy ego,
as a shoe, a pursue, an avenue
to a mental handjob

how could he be such a slob?
with my feelings? with whole human beings?
as you? and me?

is it the love of the screw?
or is it this maleness spree?

i am finally free.

3.

at this moment, i hate you less
and love you more

what did you expect?

don’t worry,
i’ll hate again in just a sec.

4.

how many wonderful women
being ripped apart by vile men?

infatuated with their own maleness
as well trained dogs, chasing their tail

for how long patriarchy will fuck up our lives?
and to which scale?

destroying women, girlfriends, wives,
their faces wet, sad, and pale?

and how many women have, like knives,
cut their sister’s throat in exchange

for the cheap ego boost that arrives?
when men are men and we cry?

and the concept of friendship, that survives
despite men, and then die

for how many women have left
their sisters alone in the night?

5.

how many hearts are breaking
at this very second?

and how many times have we asked
this single question?

have you ever written a book of lies
while staring deep into your lover’s eyes
as if they were round globes mades of skies
right from van gogh’s starry night?

are you mastering the art of deceit?
painting whole pictures with the blood i bleed?
is this your masterpiece? learning to cheat?
and hide? and then pressing repeat?

is this the spreadsheet of our love’s portrayal?
column A, the things you said
and column B, the betrayal?

have i made you up inside my head?

how dark, how bittersweet, how sad
is it when i think i want you back?

6.

56% of people cheat

you brought me here,
this page of a magazine,
shining.

a statistic I feared
becoming.

yet, here I am.

I am only 25
hundreds of lives
inside.

your honesty –
what’s left of it.
new promises –
I want to believe.

how can I
– or anyone –
believe in a man?

I should have asked
that first time
you took my hand.

7.

the murdered sex drive
the dry pussy
the blind longing that I’ve
given up, biting my juicy
roman in the land
of gods, nodding to bright
realizations as you touched
my hand last night
that it doesn’t take much
to kill a love, I am only 25
and already dead inside.

8.

You wrote a poem to me
I cried, so sweet,
pregnant with belief

You talked about honesty
it was so quick
3 minutes (it goes so fast)
the nurse said
(if you want an universe)

I want to leave
and go back, back, back
to you

Do what we always do
(Fuck, fight, and fall
in love too.
Everytime.)

9.

To forgive is to love is to live
is to forget is to remember
is to come back is to pretend
is to endure is to be sure
is to not know is to trust
is to lust is to want is to need
is to breathe is to cringe
is to kneel is to feel
is to bleed is to break
is to be is to ache.

10.

This is for the love that I lost
and for the pain that I gained.

This is for the feelings that frost
only to warm up again.

This is for the friends that you cost
me, and for the ones that remain.

This is for the crazy, the most
real thing in this train.

11.

Asking for advice for people in a mental institution,
is like writing letters for the dead.
As they tear apart our constitution,
the sadness of millions of brazilians fill my head.

Still
my depression is selfish
floating and glowing like jellyfish
at night
The ashes of a relationship
that died.

Asking for advice for people in a mental hospital,
is like drowning in butterflies.
Their wings caress you, you fall
still expecting to fly.

The lack of shoelaces.
This is a windowless city
You were greedy
and now I’m here.

Asking for advice for people in a psychiatric ward,
is like going to war with a flower.
It’s pointless, even silly, against power.

The ghost of your wedding bend
is everything on my finger at this hour.

12.

I imagine the gods,
merciless.
My womb, pregnant,
babyless.
Your voice, confessions,
hopeless.
Apologies, “I’m sorries”,
faceless.

I imagine the angels,
dancing.
I curl, twirl into you,
heart racing.
You count, one two,
chasing.
The rhythm and the blues,
embracing us.

I imagine the demons,
laughing.
They look at me,
cracking.
They smile at your
wrecking.
The lust, the trust,
lacking.

I imagine the souls,
crying.
My insides, yours,
trying.
You say, “my love’s not
dying”
You want me, you need me,
finding

That I
can be
please see
you nod
you say
a little god
in a small way.

13.

the end, with beyoncé

So, what are you gonna say at my funeral, now that you’ve killed me?
“Here lies the body of the love of my life
Whose heart I broke without a gun to my head
Here lies the mother of my children, both living and dead
Rest in peace, my true love, who I took for granted
Most bomb pussy, who because of me, sleep evaded
Her shroud is loneliness, her God was listening
Her Heaven would be a love without betrayal
Ashes to ashes, dust to sidechicks”

Notas sobre o hospício

Fui internada.

Os primeiros dias na ala mais fechada da clínica psiquiátrica foram passados na cama, numa sedação intensa, num embotamento afetivo inexplicável, causado pela mistura de anti depressivos, ansiolíticos, anti psicóticos, anti depressivos, estabilizadores de humor. A última vez que tinha tomado tantos remédios, eu tava com câncer.

Conheci pessoas incríveis, passei a maior parte do tempo conversando e colecionando histórias, sentimentos, ideias. Valeu a pena. Eu precisava. Mas trago notas:

# Na ala mais fechada, um quadro gigante mostra o nome das pacientes e o risco que elas representam. De queda, de fuga, de agressão, de uso de drogas. De suicídio. Meu nome era limpo, salvo pelo último. E a exposição pouco importa: pouca gente tá lúcida. E todo mundo ali é fodido. Não tem ninguém pra te julgar.

# As horas, que se arrastavam como se contivessem dias inteiros em cada uma delas, torturavam. A gente contava o tempo pelas refeições, e o período entre elas era de espera. O estado de lá é de espera. É curioso, pra alguém como eu, que quero fazer tanto ao mesmo tempo, me encontrar sem nada, nada, nada pra fazer. Sem nada que satisfaça uma necessidade básica de sentir prazer em algo. O prazer é um luxo.

# É curioso ser rotulado como louco, isolado de todo o contato para se esperar a recuperação. Qualquer impulso de injustiça, qualquer vulnerabilidade ou vontade é descartável embaixo desse rótulo. A nossa humanidade é limitada, destruída aos pouquinhos, a cada insatisfação. Existe um pacto de silêncio auto inflingido pelas pacientes, porque qualquer vocalização é palavra de gente que não tá sã.

# Os tênis são sem cadarço, e demorou um segundinho pra entender o motivo.

# Lápis e canetas eram proibidos na ala fechada. Explodindo de poemas, eu escrevia em letras gigantes com giz de cera meia dúzia de versos pra guardar na memória esses embriões de poesias.

# As ligações, pra quem pode receber, duram três minutos cronometrados. São no horário do almoço e da ceia, e geralmente encontram um ambiente barulhento que dificultam a troca breve de comprimentos. Se eu peço pra encostar a porta da enfermaria, ela me diz que não. E se assim eu não consigo ouvir nada, ela me diz que sente muito, e vira as costas.

# Existem muitas enfermeiras e técnicas maravilhosas. Encontrei anjos lá. De verdade. Mas existem muitas enfermeiras e técnicas que não se importam com a nossa dor e esquecem de buscar quando pedimos medicamentos, ou que moldam as regras ao seu favor sem se preocupar se nos prejudica, como adiar o horário da ceia e dar junto com a medicação para facilitar o trabalho, mesmo que todo mundo fique com fome, mesmo que o certo seja dar a medicação depois de comer, mesmo que muita gente fica grogue assim que o comprimido desce na garganta. É curioso como as regras e as normas são facilmente mudadas quando é pra interesse alheio.

# Tem dias em que não tem copo, e se você não encontra uma garrafinha de plástico de água pra chamar de sua, você fica sem beber água. Tem gente que busca no lixo, lava, e usa, porque também não podemos pedir pra ninguém levar.

# Os contatos, apertos de mão, e abraços são proibidos. A gente abraça mesmo assim.

 

 

Esse é o meu “Lemonade”

O cara viveu cinco anos contigo, te pediu em casamento, fez planos e promessas. Um dia você descobre que toda vez que ele ficava deprimido e sozinho, com depressão, enchia a cara escondido, abria o Facebook e via que minas estavam online pra ele poder dar em cima. De maneiras ridículas, tipo “se eu fosse solteiro, teria chances contigo?”. Desumanizando essas mulheres completamente, como uma masturbação pro ego.

Um dia, há uns sete ou oito anos, um cara fez isso comigo. Não tava bêbado, tava sóbrio, e passou meses dizendo que abriria mão da namorada de três anos por uma chance comigo. Ela me odiava, eu sentia pena dela. Hoje, eu sou ela.

Todo mundo sabia. Grandes pessoas que eu considerava amigas. Outras que não me conheciam direito. Muita gente não me falou porque ele era tão maravilhoso, tão amoroso, tão inteligente, as meninas que estavam inventando histórias. Ah, que ironia deliciosa do nosso mundo machista, né?

Descobri que esse homem transou com uma menina que anos depois veio a se tornar uma das minhas melhores amigas. Nenhum deles me falou. Mas foi fácil perdoar ela. Não sei explicar – é um tipo de amor muito diferente entre as mulheres. Se você ler isso, querida, tá tudo bem. To aqui pra ti.

Eu amo muito esse homem, ainda. A gente deu muito certo juntos, por muito tempo. E foi muito feliz. Eu não sei se vou terminar tudo ou se vou tentar de novo, com AA, terapia, remédio.

Mas é engraçado ter tanta gente me julgando, perguntando “que feminista essa que fica com macho assim”? (Menos as feministas radicais. Elas estão me acolhendo. E algumas mulheres incríveis que passaram por isso e com quem eu conversei. E as minhas melhores amigas. Obrigada.)

É engraçado que várias dessas meninas que corresponderam as investidas dele encheram meu inbox ao longo de meses, às vezes mais, com declarações de adoração, de como eu escrevo bem, como sou linda, como sou inteligente.

É engraçado que nenhuma das minhas amigas tenha me falado.

É engraçado que tenha menina falando mal de mim por aí.

É engraçado que eu queira ficar.

É engraçado que vai ter gente me julgando se eu ficar

De qualquer forma, meu curativo é sempre arte. Dizem que a tristeza ajuda a arte e eu penso: minha arte tava bem o suficiente sem essa merda. Mas enfim. Vou continuar escrevendo durante a semana algumas dúzias de poemas ruins em inglês, com erros mesmo, e foda-se. Esse é o meu Lemonade.

Vozes da África: conheça os livros bons e belos da Editora Kapulana

Toda vez que vejo aquelas amizades invejáveis – tipo o pisciano David Foster Wallace e o leonino Jonathan Franzen – fico pensando que queria ser amiga dessas pessoas incríveis. Mas quando olho ao meu redor, percebo que tem tanta gente maravilhosa pelos 20 e poucos anos que ainda vai fazer história. Se for pra falar de conhecer gente foda, eu tenho muita, muita sorte – e uma leonina pro meu coração pisciano. A Amanda Azevedo, de quem já falei aqui e que foi a razão por trás da criação do meu canal no YouTube, é ilustradora e diretora de arte da Editora Kapulana.

“Literatura de qualidade”, ela me fala, de cara, quando eu comento que quero fazer uma matéria sobre a editora pro meu blog e pergunto a missão da editora. “Pra gente, a ideia de fazer parte de todos os estágios do leitor é muito motivacional”, completa, explicando a razão por trás da existência de livros bons desde o estágio de alfabetização, passando pela infância quando a criança já sabe ler, depois se inserindo na época universitária até a idade adulta. Afinal, o catálogo, que já é bem grande para uma editora tão nova, acompanha a formação de leitores desde pequenos.

“Começamos a editora com uma obra brasileira, infantil e inédita, seguindo essa nossa ideia inicial. Continuamos trazendo novos autores brasileiros e atualmente temos alguns projetos bem bacanas com eles. Uns já em andamento, ou outros mais secretos…” ela continua. A preocupação de lançar escritores e ilustradores no mercado é clara. “Mas a gente trabalha bastante com literatura africana também”, acrescenta, começando a entregar o ouro.

A fundadora e diretora da editora, Rosana Weg, morou em Moçambique e se apaixonou pela literatura local. Por isso, o contato com a produção de lá e de Angola é constante. “Vozes da África é um selo nosso onde a gente traz livros de contos e poesia, alguns com obras inéditas no mundo e outros que foram publicados, esgotados e nunca foram republicados aqui. A gente tenta dar visibilidade pra essa literatura de qualidade, que se mistura com uma literatura mais regional, que eu particularmente gosto bastante, e uma literatura mais universal. Mas o legal mesmo é esse intercâmbio cultural Brasil-África”, Amanda continua. E mantendo a essência de tocar os leitores ainda bem novos, existe um braço infantil também com publicação de autores africanos, muitas vezes resgatando e eternizando contos tradicionais da oralidade local. O meu favorito pessoal do catálogo é O regresso do morto, um livro de contos do Suleiman Cassamo.

“Pra se abrir uma editora no Brasil, assim na cara e na coragem, tem que ter um amor muito grande pelo mundo editorial”, ela fala. E explica: “Produzir e distribuir livros são processos caros por si só, mas além disso existem burocracias, existe um mercado que é vendido pra gente como um mercado não leitor, apesar dos números sempre dizerem o contrário. Esse ano mesmo durante a Feira do Livro de Londres eles apresentaram estatísticas que dizem que o Brasil é o país do mundo onde a venda de livros mais cresceu nos últimos anos. E mês passado saiu o resultado da pesquisa do Instituto Pró-Livro dizendo que o número de leitores no Brasil cresceu, mas todo mundo continua dizendo que brasileiro não gosta de ler”, contextualiza.

Para autores novos que queiram publicar pela editora, a dica é preencher o formulário no site. Todos os livros enviados passam por uma curadoria editorial: “Os membros do conselho fazem leitura individual da obra, que depois é discutida em grupo, e ali se decide se o título se adequa ou não ao nosso perfil editorial. Se o título for selecionado, ainda passa por uma segunda leitura mais crítica, essa já pensando no processo de edição”, Amanda explica.

“Apesar das dificuldades, tem poucas sensações mais incríveis do que entrar numa livraria (de shopping, de rua, de aeroporto, rodoviária, estação de trem…) e ver um livro que você ajudou trazer à vida, ali, exposto, no mundo, pronto pra ser lido. É um trabalho que acaba envolvendo todo mundo no processo, que acaba não sendo só de criação e execução, mas também emocional. Ainda mais num ambiente com uma equipe pequena como a nossa. A gente conhece o autor, a história dele, a história que ele criou, e é difícil não se apegar”, continua. Eu acredito.

Esse ano, ainda no segundo semestre, a editora será a responsável por trazer pro Brasil a antologia poética da moçambicana e revolucionária Noémia de Sousa. A minha dica é: fica esperto pra agarrar um exemplar assim que sair. Essa mulher é incrível.

 

Clique aqui pra ler o poema na íntegra
Clique aqui pra ler o poema na íntegra

Fãs do Egito e o novo livro do Christian Jacq

Eu sou daquele tipo de pessoas que tem fases quando se trata de gosto pessoal – e não bem fases normais, como uma pessoa saudável. Quando eu era pequena, passei uma época obcecada por felinos. Escrevi um caderno inteiro como resultado de pesquisas e curiosidades. Outra vez, teve o Titanic. E o Egito. Ah, o Egito. Já até apareceu no blog. E foi esse amor que me fez chorar e fiquei horas plantada na frente da Nefertiti em Berlin – tanto tempo que o guarda do museu até desconfiou e ficou me rondando, até finalmente me xingar.

Esse foi um amor herdado. Veio de papai, que até hoje persegue assiduamente narrativas e histórias que contemplem esse período histórico. É natural, então, que os livros do Christian Jacq vão parar em sua estante assim que chegam nas livrarias. E é claro que não foi diferente com o último, o primeiro volume da série “O Juiz do Egito”. Por isso, convidei papai para falar um pouco mais do que torna Jacq um escritor tão maravilhoso pra quem gosta de fazer essas viagens no tempo através da narrativa literária. Embarque comigo!

 

“O Juiz do Egito”, de Christian Jacq
por Ronald Wolff

A aventura, o gosto pela história e a paixão pelo Egito são marcas próprias e constantes na obra de Christian Jacq. Já houve jornalistas que lhe atribuíram o título de escriba da tumba, se houvesse vida na forma de reencarnações!

Em “O Juiz do Egito”, mais uma vez, coloca um herói jovem, honesto e incorruptível, o Juiz Paser. Ele, então, ao lado de um amigo inseparável, Suti, e contando com a ajuda, a cumplicidade e o amor apaixonado da médica Neferet, parte em uma busca desesperada pela descoberta do mistério envolvendo a morte de cinco guardiões da Esfinge. Nessa busca, encontram obstáculos terríveis na própria burocracia e na alta sociedade, pois é ali mesmo que pode estar escondida a verdadeira causa do mistério.

Favorecimentos, corrupção, traição ao Faraó, envolvimento de altos figurões, tudo isso deve ser enfrentado pelo jovem e fiel trio, se quiserem achar respostas que possibilitem desvendar a causa das mortes. Ou dos assassinatos.

O grande Ramsés II é o soberano, e, enquanto procura manter o Egito em seu caminho de desenvolvimento e bem estar da sociedade, pode não estar percebendo que alguns servidores não estão realizando sua missão de forma leal. Por isso, um Juiz dedicado, fiel à sua função, e determinado pode ser um grande entrave aos interesses dos traidores.

Nessa aventura, não irão faltar perigos, incertezas, conquistas e decepções, ao lado de ternura, amizade, companheirismo – inclusive do simpático e inteligente burro Vento do Norte. E, sobretudo, um grande amor…

Vale a pena debruçar sobre as deliciosas e provocantes páginas do primeiro livro que conta a saga do Juiz do Egito. No meu caso, na qualidade de médico, foi leitura para dois plantões, tamanho o envolvimento e ansiedade para ver o desfecho!

E com a mesma ansiedade aguardo o segundo…