Andy Warhol e Marilyn Monroe

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A série que Warhol fez de Marilyn foi imagem de abertura no site, estampado nosso post de apresentação. Isso porque, envelopado ali, não estão apenas dois ícones da nossa cultura (Andy Warhol, da arte, e Marilyn Monroe, do cinema): ali está a essência de um pensamento crítico que não se detém apenas a questionar obras, mas especialmente verdades e ideias.

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Nascida Norma Jeane, em primeiro de Junho de 1926, sem saber quem era seu pai biológico e tendo uma mãe com problemas mentais, Marilyn teve uma infância entre orfanatos e lares adotivos. Aos 16 anos, casou pela primeira vez. A esse primeiro seguiram-se outros casamentos, inúmeros casos extraconjugais e até alguns abortos no caminho. Inteligente e perturbada, Marilyn primeiro trabalhou como modelo para só depois brilhar no cinema, transformando-se na mulher mais sexy do mundo (foi, aliás, a capa da primeira revista Playboy!). Sempre no meio da contradição entre sexualidade e independência, foi uma mulher incompreendida, problemática e, ao mesmo tempo, vítima e vencedora.

Entretanto, pouca gente sabe que grande atriz Marilyn foi. Eternizada no estereótipo de dumb blonde de que nunca conseguiu se livrar, todo o lado artístico ficou escondido. Ela escrevia poesia, pintava quadros e foi apontada por Lee Strasberg como a melhor atriz que ele ensinou, enquanto o cargo de melhor ator ficou com Marlon Brando. Mas, para ela, assim como o sucesso, a decadência foi rápida. Já nos últimos filmes de sua carreira estava extremamente desgastada pelas drogas, acabando por morrer muito jovem. E, talvez justamente por isso, imortalizando-se.

andymarilyn

Marilyn, o sonho americano, a imagem criada pela indústria, foi tema de Warhol em uma de suas mais famosas séries. E não podia deixar de ter sido: como rei da Pop Art, que tinha por missão justamente a exploração do consumismo, das mídias de massa e da estética de publicidade, Warhol encontrou em Marilyn a essência dos questionamentos de sua arte. Primeiramente em 1962, com As Duas Marilyns, Warhol começou a trazer para discussão o produto que a atriz havia se tornado, com a imagem manipulada pela mídia e transformada em um objeto de consumo. No mesmo ano, aumentou as apostas em As Vinte e Cinco Marilyns, ainda discursando sobre as identidades desmanchadas, e repetiu o processo com Liz Taylor e Jackie O., embora talvez nenhuma delas embleme o tema de forma tão completa quanto Marilyn.

Reduzida a objeto sexual, escândalos e personagens apáticos, talvez Warhol tenha traduzido mais do que seus próprios questionamentos em sua obra: talvez tenha conseguido traduzir, também, um pouco da própria perturbação interna da atriz, nessa brincadeira de reprodução de imagem até que se borre, se apague, se torne irreconhecível… ou, como ela mesma diria:

I’ve got a tear hanging over my beer that I can’t let go
It’s too bad
I feel sad
When I got all my life behind me.
If I had a little relief
From this grief
Then
I could find a drowning straw to hold on to
It’s great to be alive.
They say I’m lucky to be alive
It’s hard to figure out –
When everything I feel –
Hurts.

 

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3 Comments

  • […] Nascida Norma Jeane, em primeiro de Junho de 1926, sem saber quem era seu pai biológico e tendo uma mãe com problemas mentais, Marilyn teve uma infância entre orfanatos e lares adotivos. Aos 16 anos, casou pela primeira vez. LEIA MAIS. […]

  • Travis
    6 years ago

    Massa. Um filme legal desse lado da Marilyn Monroe que infelizmente não foi o mais explorado (e que é o que interessa) é “Don’t bother to knock” (Em pt, “Almas Desesperadas”. Acho que vou até rever hoje.

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