As melhores piores séries de todos os tempos

As melhores piores séries de todos os tempos

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Os personagens são rasos, a história é ruim e os diálogos piores ainda. Mas mesmo assim, alguma coisa te deixa morrendo de ansiedade pelo próximo capítulo e você se enche de prazer cada vez que o download daquela série é concluído. Você se emociona, ri, chora, sente raiva (especialmente dos roteiristas destruindo seu programa), e aqueles 20 ou 40 minutos semanais podem ser descritos como felicidade, não interessa o quão ruim o seriado é. Se identifica com a situação?

Escolhi aqui, na minha humilde opinião de telespectadora obsessiva, as melhores piores séries de todos os tempos (ou pelo menos desde que eu lembro):

 

How I Met Your Mother: eu sei, você não entende de onde eu tirei essa ideia. Você vai argumentar que os diálogos e as piadas são inteligentes, que a história é cativante, que a Robin é linda e merece atenção (esse último item é completamente verdade, aliás). Mas não é bem assim: a inverossimilhança começa com a linha principal da história. Tá legal, então ele vai contar como conheceu a mãe dos filhos e passa quase dez anos explicando sobre todas as minas que ele comeu. Pros filhos. Concordo que isso pode ser considerado um detalhe e que vale a pena ignorar para poder curtir os personagens, mas mesmo assim precisamos admitir que a série foi perdendo a perspicácia com o tempo. É normal: os estereótipos vão sendo exagerados, a história vai cansando, e não, HIMYM não é e nunca vai ser o novo Friends. Apesar disso, a gente torce com os personagens, suspira cada vez que a Robin aparece, ri das piadas e fala de peito cheio que gosta da série. Menos de Barney/Robin. Podem me xingar ainda mais, mas sempre vou querer ela com o Ted!

 

The Hills: diferente de How I Met Your Mother, The Hills é uma porcaria desde o início. Forçado e exageradamente dramático, ele nos premia com cenas absurdas como, logo no primeiro ou segundo episódio, a Heidi se surpreendendo que teria que “actually work on the floor” no início de carreira. E dinheiro ou sucesso nunca são problemas: a Lauren saiu da casa dos pais para um apartamento de dois andares em um condomínio com piscina e um estágio na Teen VOGUE, enquanto a Heidi consegue de cara emprego em uma das maiores produtoras de Los Angeles. De tão ruim, mas tão ruim, o seriado é bom. Cada situação absurda, cada briga nova, cada coração quebrado, tudo é motivo para se emocionar e amar ainda mais a série. Quem não chorou pela amizade desmoronada entre a Lauren e a Heidi? Quem não sofreu nas mãos do Justin Bobby com a Audrina? Quem até hoje não tem vontade de se esconder de vergonha alheia quando pensa que a Lauren deixou de ir pra Paris pelo namorado Jason, que deu um pé na bunda dela logo em seguida? Ah, The Hills, The Hills. Você vai viver pra sempre no nosso coração.

 

Grey’s Anatomy: o maior drama da história da televisão e certamente não perde pra nenhuma novela mexicana. Apesar disso, algumas personagens acabam salvando a série: a asiática insensível que faz os melhores comentários do mundo, a Grey mais nova que pega o Mark, e, é claro, a Addison, que era tão boa pra série que saiu pra ter a sua própria. Fora isso, to pra conhecer alguém que não passe 98% do episódio pensando em maneiras de bater na Meredith: ela é tão chata que ainda não foi inventado um adjetivo suficientemente bom (ou melhor, ruim) para descrevê-la. Ela é tão chata que parte do prazer da série é o sadismo que ela suscita. Ela é tão chata que… bom, vocês entenderam.

 

Supernatural: tudo bem, to sendo injusta. Apesar do tema fantástico, que causa preconceito em bastante gente (eu inclusa, antes de assistir), os personagens da série não são rasos. São, na verdade, a melhor coisa que a série tem a oferecer (e eu to falando dos personagens, ok? Não to usando o Jensen Ackles ou o Jared Padalecki como critério!), o que nos cativa e me fez chorar incontáveis vezes nessas temporadas. Com o tempo, todas as vezes em que Dean e Sam morreram e voltaram, as idas ao inferno e ao céu, Lúcifer, anjos e Deus colocados na jogada, a história começou a se desgastar. Confesso que ainda não vi a última temporada, mas me falaram que tá melhorando – espero que sim, porque Dean, Sam e Castiel (ah, Cas, você merecia um post inteiro em homenagem) ainda fazem meu coração aquecer. Não interessa a merda que os roteiristas fizerem, pra sempre vou torcer que eles finalmente encontrem paz e vou sentir o peito doer quando pensar na família Winchester. Aliás, que fã de Supernatural não sente os olhos se encherem de lágrimas às primeiras notas de Carry On Wayward Son?

 

Gossip Girl: o maior guilty pleasure da história começou com tudo para dar certo. Elenco lindo, um livro interessante, muita grana por trás. Limousines, glamour, roupas de marcas caríssimas, ambientações e decoração ótimas. Infelizmente, depois da terceira temporada (com Nate/Serena, melhor casal da história), o castelo começou a desmoronar. Jovens agindo como adultos de 30 anos em mundo de negócios? Blair sendo humilhada e quase estuprada pra continuar implorando o amor de Chuck? A storyline inteira da Ivy? Os diálogos cada vez mais ridículos e absurdos? “We’re magnetic”, “I’m all in and my bet is on us”? Isso não é épico, gente, isso é brega. E nem dá pra começar a falar naquele final, em que, depois de ser completamente exposta e humilhada, Serena resolve casar com Dan – não bastassem temporadas inteiras deixando claro o quão filho da puta Dan foi pra ela. Falando nele, a cereja do bolo foi a descoberta da identidade de Gossip Girl. Como o próprio Penn falou em entrevistas, há cenas de Dan sozinho xingando Gossip Girl e gritando “you bitch” para o celular. “Quando ele estava sozinho! Isso significa que ele era esquizofrênico e transgênero”, ele brincou em entrevista. É, Josh Schwartz, The O.C. precisava de um sucessor na lista dos seus seriados que começaram bem e acabaram bosta. E mesmo assim, aqui estou eu, revendo a primeira tempora. Vai entender? (Para quem quer ver mais de Gossip Girl dissecada, tem uma edição inteira da Meia-calça Furada sobre isso.)

 

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8 Comments

  • […] Escolhi aqui, na minha humilde opinião de telespectadora obsessiva, as melhores piores séries de todos os tempos (ou pelo menos desde que eu lembro): LEIA MAIS. […]

  • Malu
    7 years ago

    bom texto! concordo que HIMYM enfraquece bastante depois de um tempo (a partir da 6ª temporada, pra ser mais exata) e que as piadas ficam bastante arrastadas, mas não vejo apenas como “a história de todas as mulheres que eu comi até conhecer a mãe de vocês, crianças.”. o piloto é focado completamente em como o Ted conheceu a Robin, e isso é essencial pra todo o arco narrativo posterior da série. o Ted conhece a esposa no casamento da Robin com o Barney, achei inteligente a série começar contando “de onde a Robin surgiu”. enfim, com certeza HIMYM não substitui Friends, mas é uma série que eu considero que vale a pena. eu, por exemplo, continuo assistindo apenas por honra e por raiva de querer saber quem é a maldita esposa, e tenho certeza que não vou gostar da mulher. hahahaha

    • 7 years ago

      Concordo com você 🙂 o problema na corda principal é justamente ser vendida como a história sobre ele conhece a mãe dos filhos, quando é muito mais que isso! Eu adoro a Robin, acho que a personagem dela fez a série crescer muito e causou mudanças e crescimentos nos outros personagens também. Enfim 🙂 Ah, eu também continuo assistindo, aliás, finale essa semana! hahahaha

      • Malu
        7 years ago

        com certeza, a Robin é a melhor personagem da série! =) eu também sou apaixonada por ela com o Ted. achei ela com o Barney até fofo, mas meio forçado. e finale essa semana mesmo! tô achando que agora vai, hein hahahahaha vamos continuar esperando, firmes e fortes!

  • Bernardo
    7 years ago

    (só li o parágrafo de HIMYM, afinal é a única que eu conheço)

    Concordo que depois do episódio 5×12 a série começa a rolar escada abaixo, chuta a porta e cai dentro do abismo com o nascimento do filho do Marshall e da Lily. Discordo quando tu levanta a comparação com Friends (que nunca foi e nunca será uma série boa, portanto incomparável) e quando tu diz que a série é sobre o Ted contando pros filhos sobre as minas que ele comeu (afinal, todo mundo sabe que o Ted perde a virgindade com a Mother).

    Resumindo, a série se banca, além dos atributos físicos da Robin, por basicamente um personagem: o Barney (das antigas, não isso que ele virou). Spin-off de Barney anos dourados já!

    • 7 years ago

      Vou ignorar o que você falou sobre Friends porque senão nossa amizade vai entrar em colapso! Hahahaha.

      Eu sou contra Barney/Robin porque acho que o personagem do Barney é muito engraçado e ele casando perde a graça. O Barney é um crianção imaturo, não dá pra ele ter um relacionamento assim ainda mais com a Robin! Dito isso sou a favor do spin-off.

  • 7 years ago

    Acho que o caso de Supernatural não é bem hate-watching, mas cansaço, mesmo. Apesar de ser fã da série desde o início, tenho noção de que devia ter acabado há anos (lá pela quinta temporada, quando o Eric Kripke saiu do cargo de produtor executivo). Hoje em dia eu assisto porque dói muito pensar em abandonar o Dean e o Sam, mas que dá vontade, ah dá.

    • 7 years ago

      Cara, Supernatural é uma série que todas as vezes que eu tava triste eu ia assistir e me sentia abraçada. Sei que tá desgastada, concordo contigo, mas amarei pra sempre!

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