“Cidade em Chamas”: uma viagem para a Nova York dos anos 70

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Se Vinyl nos leva para a Nova York dos anos 70 principalmente com a paleta de cores e as referências visuais, Cidade em Chamas utiliza o cenário político, o surgimento do punk, as grandes conglomerações e o apagão de 77. O livro, de mais de 1000 páginas, acabou de chegar no Brasil e desde o ano passado vem recebendo resenhas elogiosas da crítica norte-americana: o autor recebeu um adiantamento de $2 milhões de dólares.

A história foca no ano de 76 a 77, mas não se limita a ele. Os saltos cronológicos para o passado e para o futuro são bem costurados na trama, seja na narrativa direta ou nos interlúdios, um dos tesouros do romance: espaços onde cartas, avaliações psiquiátricas, fanzines e reportagens a que os personagens têm acesso são disponibilizadas para o leitor também. Esses recursos funcionam como um convite para participar da história junto com os protagonistas – personagens que variam da pobreza à riqueza e da adolescência à velhice, se interligando de formas inusitadas na cidade gigantesca. O livro tem um ou outro problema, que falo um pouco nesse vídeo, mas é uma leitura que vale a pena. E o grande trunfo tá no fator viagem no tempo.

Nova York, nos anos 70, passava por um período conturbado: incêndios tomavam conta do Harlem e do Bronx e o movimento punk e a resistência ao status quo ganhavam cada vez mais força. O CGBG, o East Village, uma bandinha nova e underground, artes plásticas, literatura. Os bastidores do movimento punk e do mundo das galerias de arte também estão lá, deixando nós na posição quase de intrusos, descobrindo segredos antes enterrados de um momento histórico.

A arte é um fio condutor tanto quanto os esquemas econômicos, as corrupções e manipulações das grandes empresas. Mas é o assassinato de uma adolescente que liga todos os personagens e transforma o ritmo da história: é por causa dele que seguramos o ar enquanto passamos as páginas.

O autor não viveu aquela época, mas poderia ter vivido: é como se o livro fosse um vórtex que nos suga pra esse mundo com tanta força que a gente é capaz de sentir o cheiro que corria nas ruas naquela época. Os personagens que caminham nessas ruas são muitos: mas o protagonista do livro é, acima de tudo, a cidade.

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