Diário de viagem, parte 4 – Museus, museus, museus!

Diário de viagem, parte 4 – Museus, museus, museus!

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Organizar meus dias em Paris foi uma tarefa difícil porque precisava conciliar, além das coisas que eu e o João queríamos fazer, duas personalidades muito fortes minhas: por um lado, eu queria me perder pela cidade. Sair caminhando pelo bairro, experimentar diferentes restaurantes e cafés quase vazios em ruas estreitas, ver prédios antigos e lindos com flores nas sacadas, o sol do fim da tarde (que aqui dura até 22h) incidindo pelas ruas, as margens do rio Sena, as pontes que ligam o a cidade à Île de la Cité, as pessoas caminhando na rua e o francês se dissolvendo no ar nas conversas de dia-a-dia, enfim. Me perder sem qualquer destino que não realmente sentir a cidade.

Por outro lado, eu queria entrar na maior quantidade de museus possível – e, como Paris tem um museu, um metrô e uma Sephora a cada quadra, para visitar o meu roteiro completo eu teria que abrir mão dos dias de viajante sem rumo. Com a ajuda da minha ex professora de história da arte (e uma das mulheres mais incríveis do mundo), selecionei os seguintes lugares que gostaria de conhecer: Louvre, claro, Musée Rodin, St. Chappelle, Versailles, Georges Pompidou, Musée d’Orsay, Instituto do Mundo Árabe, Catacumbas, Cemitério de Père-Lachaise, Jardins e Palácio de Luxemburgo, Notre-Dame, Saint-Denis.

Decidi destinar alguns dos oito dias em Paris para visitas de arte, e na minha escalação final entraram Versailles, escolha óbvia pelo meu fascínio pela Marie Antoinette, onde vamos no nosso último dia aqui; Louvre, Musée d’Orsay, St. Chappelle e Notre-Dame. Musée Rodin acabei tirando da brincadeira depois de perder um dia na cidade porque fiquei doente e de ver várias esculturas maravilhosas dele no Musée d’Orsay.

Sobre esses lugares incríveis, não tem muito o que falar. Ficam as imagens que eu tirei nesses dias:

SAINT CHAPPELLE

Chegamos em torno das 13h30, porque sabia que os melhores horários para ver os vitrais iluminados eram entre 12h e 15h. A fila demorou em torno de 20min, e a catedral é realmente deslumbrante. Uma pena que estava em reforma e o impacto visual de encontrar a catedral inteira completamente iluminada foi impedido pela parede coberta de pano branco. Mesmo assim, é impressionante.

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MUSÉE D’ORSAY

O museu preferido de muita gente que eu conheço era o que eu mais esperava ver. Mergulhei na obra de vários pintores por quem sou completamente apaixonada, como Lautrec, Degas, Renoir. Lembro de pensar que iria voltar falando pra minha mãe, amante da arte impressionista, que vi “tanto Monet que quase fiquei enjoada”. Mentira, claro, só uma brincadeira pra deixar todo mundo de boca aberta. Ainda estava acontecendo uma exposição do Van Gogh, um dos preferidos meu, da minha mãe e da minha melhor amiga. Foi uma experiência maravilhosa.

A surpresa, porém, foi o transe que entrei quando me deparei com “La Porte de l’Enfer”, do Rodin. Me apaixonei pelas obras dele e da Camille Claudel ainda na faculdade, nas aulas de história da arte e no filme de 1988 “Camille Claudel” comentado pela minha professora em atividades extra curriculares. Em São Paulo, fui com meu namorado assistir à peça em exposição no MASP no ano passado e escrevi um pouco da minha paixão pelas obras do casal aqui. Mesmo assim, não estava preparada para o sentimento furioso que me dominou quando encontrei a obra que estampa o meu antigo post, do Rodin, “L’âge mur“, da Camille, e principalmente a escultura que abre o parágrafo. A versão em bronze está no museu dedicado ao artista, mas uma versão branca se encontra no d’Orsay e me prendeu por muito tempo na sua frente: sentada, sentia a ansiedade de tentar absorver cada pequeno detalhe, cada pedaço de escultura que se jogava para fora, cada expressão, cada história que se desenrolava na pedra na minha frente. Um francês passou por mim e, ao me ver sentada, perguntou se eu amava o artista. “Sim”, respondi, o que mais poderia responder? “Não é ruim”, ele respondeu, expressão típica francesa que funciona de forma elogiosa por aqui.

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Eu às portas do inferno (foto tirada pelo João, muito furtivo)
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Lautrec, quando eu ainda não sabia que era proibido fotografar

LOUVRE

Das dicas que li antes de vir ao Louvre, lembrava de duas: a primeira era a de comprar o ingresso com antecedência, para evitar a fila imensa da compra. Por isso, fui antes até a FNAC comprar meu bilhete. A segunda, era entrar pela Porte des Lions, que geralmente não tem nenhuma fila e por isso garante uma entrada tranquila. Porém, como o site informa que o acesso pode estar fechado, decidi ir pela entrada do metrô, que também foge da entrada principal pela pirâmide. Descendo na estação, segui as placas e quando vi já estava dentro do Carrousel du Louvre, o espaço comercial (tem até loja da Apple!) que dá acesso ao museu. De lá, entrar nas galerias é facílimo: são várias entradas, dependendo da parte do museu onde você quer começar, e você pode sair e entrar novamente quantas vezes quiser: seu bilhete é verificado cada vez que você entra e é válido pelo dia inteiro. Por isso, não entrei em fila nenhuma vez para entrar no Louvre: o único momento em que enfrentei espera foi para comprar água no café, na saída. Outra dica é aproveitar as quartas ou sextas para visita, pois o museu fica aberto até depois das 21h.

Quando entrei, caí na galeria de pinturas francesas em grande formato do século XIX e, vendo aquele espaço imenso, de teto altíssimo e as paredes lotadas das obras que havia estudado anos antes, não consegui segurar o choro. Não acreditava que eu tava ali, vivendo aquela experiência, encarando “La Liberté Guidant Le Peuple”, do Delacroix, ou ainda “Le Sacre de Napoléon” do Jacques-Louis David, imensas, se abrindo para adoração na minha frente. Que sentimento poderoso. De lá, fui para a Galeria de Apollo, espaço que parece uma joia, coberto de adornos e dourados, e atravessei o museu para entrar no Apartamento de Napoleão, outra experiência espetacular. Depois, subi ao terceiro andar para ver pinturas francesas e holandesas, mas infelizmente descobri que, naquele dia, metade do andar estava fechado: vi apenas pinturas do século XIX. Minha vontade de conferir as obras francesas do século XVIII era imensa, visto meu amor pela Marie Antoinette e pelo Rococó – mesmo que uma das minhas obras favoritas do período, do Fragonard, se encontre em Londres. Também fiquei chateada de ficar sem encontrar Van Eyck, Dürer e Vermeer, mas encarar na minha frente por vários minutos a imensa “La Baigneuse Valpinçon”, do Ingres, foi outra experiência deslumbrante.

Tudo bem: desci, vi a área dos pintores italianos, dei oi pra “Mona Lisa” de longe e fui curtir o período antigo do Egito, outro momento histórico pelo qual sempre tive uma fascinação imensa, e um pouco da Grécia, porque precisava encontra a Vênus de Milo. Também vi outras esculturas famosas como a italiana “Cupido e Psiquê”. Uma grande decepção que tive, porém, foi descobrir que a “Nike de Samotrácia”, minha escultura preferida, está em restauração; por isso não pude vê-la de pertinho, algo que sonho há cinco anos.

A visita ao Louvre teve que ser assim: passando rápido por grande parte das galerias porque queria muito encarar de frente, e com tempo, algumas obras específicas. Mesmo assim, passei 6 horas caminhando pelo museu e, no fim do dia, quando estava pronta para cruzar o espaço novamente e ver de perto o “Código de Hamurabi”, desisti: estava completamente destruída, mas da melhor forma possível. Essa é uma visita que pretendo repetir ainda muitas vezes e aproveitar especialmente o último andar, quase vazio (e maravilhoso), já que a maior parte dos turistas fica perto da “Mona Lisa” e das outras obras do Da Vinci. Sério, dá vontade de chorar saber que não vou poder voltar lá semana que vem e viver de novo essa experiência de sublime. Que lugar incrível. Fico maravilhada cada vez que penso nisso.

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Aula de história da arte <3
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Galeria de Apollo
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Aquário e Peixes
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Apartamentos de Napoleão
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Apartamentos de Napoleão
Apartamentos de Napoleão
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Apartamentos de Napoleão
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A “Mona Lisa”: de frente
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A “Mona Lisa”: de trás

Fim!

Por favor, se puderem, vão nesses museus (e em todos os outros que não pude ir). Por mais que eu tenha me esforçado em descrever, a verdade é que é indescritível.

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Selfie rica
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