Diário de viagem, parte 1 – Hola, Barcelona!

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Nem acreditei quando eram 21h de quarta e eu finalmente tava em Barcelona. O trajeto até lá tinha sido difícil, começando com um atraso em Porto Alegre que nos deixou 4 horas esperando e a decepção absurda com o nosso free shop gaúcho. De lá, fomos para Buenos Aires, onde a companhia aérea nos ofereceu um táxi para o translado até Ezeiza, o aeroporto de onde sairia o vôo até Madrid (passagem promocional é assim, dezessete paradas por causa de mil reais a menos).

Lustre no nosso quarto em Barcelona
Lustre no nosso quarto em Barcelona

O caminho em Buenos Aires foi a 130km/h, numa cidade carregada de outdoors estranhos pra quem mora em São Paulo. Eu ainda era pura animação e passei a meia hora entre aeroportos comentando como essa cidade era linda e como eu poderia morar lá. Lembrei de uma grande amiga que sempre me falou que eu me apaixonaria assim que pisasse lá. Buenos Aires também não me decepcionou no seu Duty Free, consideravelmente maior, onde fiz minhas primeiras comprinhas. À meia-noite embarcamos no avião que nos levaria até Madrid, e as onze horas de vôo foram terríveis, o suficiente para me deixar com dor de garganta, enxaqueca, dor no corpo todo e atacadíssima da rinite. Era a primeira vez que eu ficava mais de duas horas dentro de um avião, e cheguei comentando “nossa, que esforço imenso só pra conhecer outra cidade”. Quando vamos trocar de terminal pra pegar o vôo para Barcelona, o João me aponta um bar chamado “UMA ROLA”.

Foi só pisar no terminal 4 do aeroporto de Madrid pro deslumbre inteiro voltar. O prédio é lindo, imenso, espaçoso. Comemos um Big Mac com batata frita e Coca zero – 14 euros pra nós dois – quando uma moça vem nos pedir por favor, um euro pra poder tomar um café. Ela está vestindo um sobretudo preto, cachecol e botas. No dia seguinte, um mendigo na rua iria me pedir dois euros para pegar o ônibus noturno em inglês, depois de perguntar qual língua eu falava.

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É na hora do embarque que finalmente encontro um free shop lindo, imenso, incrível – tudo aqui parece merecer três adjetivos em sequência. To emocionadíssima, pegando milhares de coisas. Tem sombra da L’Oréal por 7 euros. Tem uma parte inteira da loja só pra MAC. No meio do meu êxtase, João, já me chamando de louca do Duty Free, me fala uma verdade doloridíssima: “amor, nosso vôo é local. Precisamos apresentar a passagem para poder comprar alguma coisa”.

Durmo o vôo inteiro para Barcelona, ainda to bastante cansada. Pegamos um táxi até nossa casa, na rua Marina com a Carrer de Llull, e eu fico pensando como a cidade é linda, outro lugar que eu facilmente poderia morar. Mas quando chego em casa, só o que faço é deitar na cama e dormir.

"Revolver"
“Revolver”

Acordamos cedo no outro dia e vamos direto comer. Um espaguete à bolonhesa custa 4 euros aqui na região e eu fico pensando que, para quem recebe em euros, é realmente bastante barato. Queremos conhecer lojas de disco – o João compra meus discos preferidos do Lou Reed e do Pulp – e a Plaça de Catalunya. De lá, vamos para a H&M, que também me deixou bastante desiludida. Modelagens e peças comuns que, mesmo nos preços de 15 euros, não valem tanto a pena pra quem recebe em reais. É na Bershka, dica da minha chefe, que encontro várias roupas lindas e realmente baratas, até pra quem usa a moeda convertida. 5 euros por uma camisa cropped é menos de vinte reais, baratíssimo até pro padrão Brás – e com uma qualidade muito maior. Short jeans de cintura alta sai por 12 euros e tem até jaqueta de couro falso por 25. Quero morar aqui, trabalhar aqui e receber em euros logo!

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De lá, voltamos para casa e vamos no mercado. Compro o famoso jamón, dica dos chefes, que alegaram que é “muito mais que presunto, Clarissa, que comparação!”. Bom, continuo achando que é presunto sim, mesmo que mais gostoso, mesmo da marca baratex – 2 euros o pacote – que eu escolhi. O queijo, de 1 euro, também tem um gosto diferenciado. Até a Coca zero tem um sabor diferente, mas nesse caso prefiro a minha brasileira, afinal, vício é vício. Minha primeira paixão alimentícia são Donuts. Comprei um pacote com 4 em promoção por 1,99 e queria comer tudo de uma vez, delícia.

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Pra quem fala que francês é esnobe com quem não fala a língua, aqui também passei por situações complicadas pelo mesmo motivo: mesmo no aeroporto de Madrid, uma das moça me tratou mal e me xingou em espanhol por eu falar “I’m sorry, I don’t understand” quando ela me deu instruções de embarque. Perguntar em inglês e receber a resposta em espanhol ou catalão também é bastante comum, mas nesse caso é mais fácil se virar. Por outro lado, encontramos pessoas muito gentis: na hora de comprar o chip pro celular, o atendente da loja aqui do bairro ficou horas explicando, em inglês, tudo que a gente precisava saber e dando várias dicas. Em um restaurante, vejo a foto de um misto quente – torrada pra mim, gaúcha – e a legenda “Bikini”. Acho graça. Acho curioso também as aproximações entre o catalão e o francês, desde o “merci”, agradecimento usado pela vendedora da H&M, até o “si us plau”, parecido com o por favor francês, “s’il vous plaît”.

O tempo aqui tá uma loucura. Saímos de casa lá pelas 11h da manhã num dia nublado. Vestia meia-calça, shorts, e camiseta de manga comprida, mas o vento gelado fez até eu, gaúcha, pensar que deveria ter trazido um casaco. Pelas 14h, já tava derretendo de calor no sol quente, que se manteve até quase 20h, quando a gente tava assistindo ao show do Warpaint, no Primavera Sound. Mas foi só cair a noite pra gelar tudo de novo e eu tremer de frio, mesmo com jaqueta de couro por cima de tudo.

Pra aguentar a temperatura e o ritmo da viagem, dá-lhe Ibuprofeno – 2 euros a caixinha com 40, 600mg.

Eu na Plaça de Catalunya
Eu na Plaça de Catalunya

 

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