John Galliano: “Criar o vestido de casamento de Kate Moss me salvou.”

John Galliano: “Criar o vestido de casamento de Kate Moss me salvou.”

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Quem é do mundo das modas, lê o nome John Galliano e lembra na hora do escândalo que rolou. Para quem não é, eu explico. Acontece que ele foi flagrado, bêbado, dizendo a seguinte frase para dois judeus: “Eu amo Hitler e pessoas como você estariam mortas hoje”. Eu, que tava largando faculdade de moda, senti meu coração quebrar ao ver meu designer preferido vomitando esse tipo de pensamento horrível. Levei como um sinal para abandonar o curso e adeus.

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Acontece que Galliano é um gênio do design de moda. As coleções que ele fez por quinze anos para a Christian Dior trazem peças icônicas, desfiles inesquecíveis e roupas que, como obras de arte, tiram nosso fôlego. Só podia ser desse jeito para comandar por tanto tempo uma das maiores maisons do mundo.

Como era de se esperar, ele foi demitido da Dior logo em seguida.

O escândalo foi ainda intensificado por uma série de efeitos colaterais. A garota propaganda do principal perfume da marca, Miss Dior, é desde aquela época a atriz judia Natalie Portman – aliás, impossível esquecer o vídeo ao som de Je t’aime, moi non plus  – que manifestou publicamente seu desgosto e declarou que não seria associada a Galliano de forma alguma. Aqui no Brasil, gente grande da moda como Glaria Kalil estampou manchetes de notícias com declarações como: “não demitir John Galliano seria conivência com um crime”. Verdade.

Agora, dois anos depois, o estilista rompe o silêncio em uma entrevista exclusiva para a Vanity Fair. Sóbrio. “Foi a pior coisa que eu disse na minha vida”, ele admite, contando que não lembrava do incidente no dia seguinte e vomitou quando viu o vídeo.

Apesar de tudo, ele admite que, de certa forma, o que aconteceu acabou funcionando como uma força positiva em sua vida, afinal, se não tivesse largado o álcool e as drogas, acabaria num asilo ou embaixo da terra. Ele conta que o vício começou como forma de se livrar do estresse ao fim das coleções. “Nunca bebi para criar ou me inspirar, não preciso de álcool para isso”, esclarece. Com cada vez mais coleções, os porres foram se tornando mais frequentes. A partir daí, começou a tomar pílulas para dormir, e depois mais pílulas para evitar as tremedeiras e bom, a gente sabe como acontece. Lá pelas tantas, ele já não controlava nada, mas achava que sim.

O processo de recuperação envolveu entrar na rehab e fazer o vestido de casamento de Kate Moss: “O convite dela me salvou porque foi minha reabilitação criativa. Ele me desafiou a ser eu mesmo de novo”, ele conta. Com atividades como estudar a história judaica, ler livros sobre o Holocausto e encontrar líderes judeus, ele busca se responsabilizar e se desculpar pelo que fez. E garante que tudo isso o ajudou a redescobrir dentro dele aquele garoto que tinha fome de criação: “Eu estou vivo”.

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  • […] Quem é do mundo das modas, lê o nome John Galliano e lembra na hora do escândalo que rolou. Para quem não é, eu explico. Acontece que ele foi flagrado, bêbado, dizendo a seguinte frase para dois judeus: “Eu amo Hitler e pessoas como você estariam mortas hoje”. Eu, que tava largando faculdade de moda, senti meu coração quebrar ao ver meu designer preferido vomitando esse tipo de pensamento horrível. Levei como um sinal para abandonar o curso e adeus. Acontece que Galliano é um gênio do design de moda. As coleções que ele fez por quinze anos para a Christian Dior trazem peças icônicas, desfiles inesquecíveis e roupas que, como obras de arte, tiram nosso fôlego. Só podia ser desse jeito para comandar por tanto tempo uma das maiores maisons do mundo. LEIA MAIS. […]

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