Entrevista: João Veppo, da Volt Project

70Shares

A primeira vez que eu ouvi falar da Volt Project, ela ainda não tinha nome. Um amigo abriu um pvt no chat do Facebook e disse: “posso te ligar?”. Sabendo que ele sabe do meu ódio por conversas no telefone, conclui que, para pedir isso, devia ser importante. “Beleza, liga aí”, e, quando atendi, João Veppo começou a me contar do projeto que ele estava planejando criar. Fotos de festa, só que diferentes, tendo como referência o Cobra Snake. Mais espontaneidade e detalhes, menos efeitos manjados. Assim nasceu a Volt, na mão de três sócios: os fotógrafos João Veppo e Francisco Soll, e Vanessa Samurio, com o auxílio de Júlia Franz nas redes sociais e do fotógrafo de moda Miguel Soll – sobre quem falaremos mais aqui, outro dia.

joao-volt

Tudo começou nas festas que a Vanessa fazia na sua casa na Zona Sul de Porto Alegre. Tudo entre amigos, as festas sempre tinham decorações temáticas, bilhetinhos e outros mimos, às vezes começavam com máscaras, outras terminavam na piscina e as fotos, das câmeras de João e Chico, sempre ficavam ótimas. “Em um momento de bebedeira concluímos que as fotos de festa na cidade tavam um saco e que a gente podia fazer alguma coisa diferente. Chamamos a Vanessa pra fazer toda arte e identidade e nisso notamos que sem ela mandando na gente a empresa ia FALIR em uma semana então ela virou nossa sócia”, ele conta.

Como todo bom pisciano, a ligação de João com arte é muito forte. Leitor ávido, ele toca piano, violão e guitarra, e sua intimidade com a câmera vem de anos. Fica difícil separar o lado artístico da fotografia do lado de negócios. “Acho que isso é o diferencial da Volt. Nós tentamos aproximar o máximo possível a foto arte da foto comercial, criando um mix dos dois.” E como funciona isso? “Então, nas festas tem que ter algumas fotos padrões, tipo todos os DJs, foto de pista, foto da galera dançando. Aí eu tento fazer isso do jeito mais artístico. Não só retratar o momento ali, tentar dar um enquadramento diferente, luz etc. Uma foto que pode não ser tecnicamente perfeita às vezes fica até mais massa na noite. Tentamos criar uma identidade bem nossa pras fotos de festa”, ele conta. Com um ano de existência, mais de seis mil fãs no Facebook, e três festas no currículo, dá pra perceber que a meta foi alcançada.

joao-festa01

Mas flando em técnica, como medir o balanço entre ela e a emoção na hora de tirar uma boa foto? Técnica é tudo? “Não. Não acho mesmo. Acho que é muito importante a técnica, mas nas festas eu acho que o feeling vale mais. Acho que pras fotos sairem bem massa tu tem que tá aproveitando junto. Tem que tá ali no meio, é ali que rola as fotos espontâneas. Quando as pessoas veem que tu tá curtindo junto, elas se soltam bem mais!”, ele entrega. E pelo jeito, histórias de curtir junto é o que não faltam: “Bá, acho que eu vivi mais loucuras nesses anos como fotógrafo de festa que na minha vida inteira. Teve de tudo. Tragos épicos em que eu só descobri como foi a festa vendo as fotos depois. Teve festa que eu fiz mais de 1.000 fotos e pra selecionar depois foi o caos. Teve quedas da escada do Cabaret com a câmera na mão (me arrebentei todo, mas a câmera: INTACTA). Teve o MECA Festival, que foi muito massa. Teve uma semana em fevereiro que eu fotografei de segunda a domingo as noites inteiras, quase morri!”.

E na hora de buscar referências? “Citar os fotógrafos mais famosos é meio clichê, mas o Terry Richardson, o Cobrasnake, que inspirou o projeto. Um lugar onde eu descobri muita coisa e me inspirou muito é o Tumblr e o Flickr. Lá tem muita gente talentosa. Tem a Alisson Scarpulla, que o Miguel Soll me apresentou e bá, ela é SENSACIONAL. Talvez seja minha favorita atualmente. Por sinal o prórpio Miguel eu admiro muito. Aprendo muito vendo ele trabalhar e sempre peço e conto muito com a opinião dele. O cara manja demais!” E quem você gostaria de fotografar? “A Charlotte Free. Acho ela muito afudê. Ah, e a Winona Ryder por motivos de: paixão platônica desde os 12 anos”, confessa. E pelo jeito, essas fotos seriam ótimas, já que retratos é seu tema favorito fora do ambiente de festas. “Mas nada posado, tem que ser de surpresa. Ah, e também eu gosto muito de levar alguma das minhas lomos quando saio e bater fotos dos amigos por aí.” E da namorada também, é claro, que acabou virando sua musa. “Ela me xinga bastante, na verdade, porque eu fico tirando foto dela”, ele contou. “Mas fotografar ela é sempre mais legal, até até porque é a guria mais bonita da cidade!”

joao-camille

“Fotografia é o meu futuro”, ele revela. “Não necessariamente de festa, mas fotografia em geral. Até talvez não como profissão, já que meu futuro mesmo é a Volt como empresa, mas fotografia vai tá sempre presente na minha vida, com certeza”. E o que te inspira tanto nisso? “Retratar, imortalizar momentos que não vão voltar e que depois as pessoas possam olhar com carinho.” E na vida? “Acho que sou movido à esperança.”

Todas as fotos do post foram tiradas pelo João. Para conhecer mais sobre a Volt Project, acesse a página no Facebook e o site. Ah, e dá pra ver mais algumas fotos clicando em “leia mais”.

joao-festa02

joao-festa03

joao-festa04

 

70Shares

Related Stories

1 Comment

  • […] A primeira vez que eu ouvi falar da Volt Project, ela ainda não tinha nome. Um amigo abriu um pvt no chat do Facebook e disse: “posso te ligar?”. Sabendo que ele sabe do meu ódio por conversas no telefone, conclui que, para pedir isso, devia ser importante. “Beleza, liga aí”, e, quando atendi, João Veppo começou a me contar do projeto que ele estava planejando criar. Fotos de festa, só que diferentes, tendo como referência o Cobra Snake. Mais espontaneidade e detalhes, menos efeitos manjados. Assim nasceu a Volt, na mão de três sócios: os fotógrafos João Veppo e Francisco Soll, e Vanessa Samurio, com o auxílio de Júlia Franz nas redes sociais e do fotógrafo de moda Miguel Soll – sobre quem falaremos mais aqui, outro dia.  Tudo começou nas festas que a Vanessa fazia na sua casa na Zona Sul de Porto Alegre. Tudo entre amigos, as festas sempre tinham decorações temáticas, bilhetinhos e outros mimos, às vezes começavam com máscaras, outras terminavam na piscina e as fotos, das câmeras de João e Chico, sempre ficavam ótimas. “Em um momento de bebedeira concluímos que as fotos de festa na cidade tavam um saco e que a gente podia fazer alguma coisa diferente. Chamamos a Vanessa pra fazer toda arte e identidade e nisso notamos que sem ela mandando na gente a empresa ia FALIR em uma semana então ela virou nossa sócia”, ele conta. LEIA MAIS. […]

Leave a Comment

Leave A Comment Your email address will not be published