Esse é o meu “Lemonade”

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O cara viveu cinco anos contigo, te pediu em casamento, fez planos e promessas. Um dia você descobre que toda vez que ele ficava deprimido e sozinho, com depressão, enchia a cara escondido, abria o Facebook e via que minas estavam online pra ele poder dar em cima. De maneiras ridículas, tipo “se eu fosse solteiro, teria chances contigo?”. Desumanizando essas mulheres completamente, como uma masturbação pro ego.

Um dia, há uns sete ou oito anos, um cara fez isso comigo. Não tava bêbado, tava sóbrio, e passou meses dizendo que abriria mão da namorada de três anos por uma chance comigo. Ela me odiava, eu sentia pena dela. Hoje, eu sou ela.

Todo mundo sabia. Grandes pessoas que eu considerava amigas. Outras que não me conheciam direito. Muita gente não me falou porque ele era tão maravilhoso, tão amoroso, tão inteligente, as meninas que estavam inventando histórias. Ah, que ironia deliciosa do nosso mundo machista, né?

Descobri que esse homem transou com uma menina que anos depois veio a se tornar uma das minhas melhores amigas. Nenhum deles me falou. Mas foi fácil perdoar ela. Não sei explicar – é um tipo de amor muito diferente entre as mulheres. Se você ler isso, querida, tá tudo bem. To aqui pra ti.

Eu amo muito esse homem, ainda. A gente deu muito certo juntos, por muito tempo. E foi muito feliz. Eu não sei se vou terminar tudo ou se vou tentar de novo, com AA, terapia, remédio.

Mas é engraçado ter tanta gente me julgando, perguntando “que feminista essa que fica com macho assim”? (Menos as feministas radicais. Elas estão me acolhendo. E algumas mulheres incríveis que passaram por isso e com quem eu conversei. E as minhas melhores amigas. Obrigada.)

É engraçado que várias dessas meninas que corresponderam as investidas dele encheram meu inbox ao longo de meses, às vezes mais, com declarações de adoração, de como eu escrevo bem, como sou linda, como sou inteligente.

É engraçado que nenhuma das minhas amigas tenha me falado.

É engraçado que tenha menina falando mal de mim por aí.

É engraçado que eu queira ficar.

É engraçado que vai ter gente me julgando se eu ficar

De qualquer forma, meu curativo é sempre arte. Dizem que a tristeza ajuda a arte e eu penso: minha arte tava bem o suficiente sem essa merda. Mas enfim. Vou continuar escrevendo durante a semana algumas dúzias de poemas ruins em inglês, com erros mesmo, e foda-se. Esse é o meu Lemonade.

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