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A falácia da liberação sexual e as novas formas de dominação

– Sabe, essa história de liberação sexual é uma mentira.

Tudo começou com essa frase, que um dia comentei casualmente com meu namorado. Em seguida completei: “acho que vou escrever sobre isso”.

Quando morava em Porto Alegre, eu gostava de ir a strip clubs com um dos meus melhores amigos e começar a noite por lá, bebendo uma cerveja e observando as apresentações. Aliás, amigos homens eu sempre tive muitos: “você é um dos caras, Cla”, era o que costumava ouvir com frequência. “Queria que as meninas que eu fico fossem mais como você.” Há algum tempo, essas declarações começaram a me deixar intrigada.

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Miley Cyrus hiper sexualizada, mas não pra agradar homem. Fogo nela.

A gente sabe que o machismo mais fácil de reconhecer é aquela tia que manda a filha lavar a louça enquanto o filho joga videogame, que xinga a menina pelas roupas que ela veste, que usa termos como “ela tava pedindo”, enfim: pra ela, o papel da mulher é ser casta, submissa, gerar filhos e cuidar da casa. Nossa geração, porém, define que a mulher tem também outro papel muito claro na sociedade: a de provar que é super liberada sexualmente, adepta do sexo casual, de relacionamento aberto, de clubes de swing, ménage à trois e sexo no banheiro da balada. Não tem nada de errado em gostar de sexo casual e nenhuma das coisas citadas aqui – e ser sexualmente livre é algo lindo. O problema é que é, também, bastante raro.

Pra se adequar, a gente se vê reproduzindo comportamentos como: “ah, eu só tenho amigos homens, mulher é muito dramática” e “eu odeio discutir a relação” e “eu só curto sexo casual” e “claro que eu amo pornografia!”. Essa falsa “liberação sexual” é só uma forma de nos encaixar em um novo papel pré definido em que devemos ter um determinado comportamento para receber aceitação masculina. A gente aprende a internalizar nossa própria objetificação e confunde isso com liberdade sexual quando é só uma nova prisão – diferente da de antes, mas ainda prisão.

O mundo hoje é muito mais sobre saciar a fantasia sexual masculina de disponibilidade ilimitada de mulheres do que sobre a liberação sexual feminina de verdade – todo cara quer uma coelhinha da Playboy.

No vídeo acima, Caroline Heldman resume como funciona a objetificação (tema também bem explicado aqui) e os motivos pelos quais isso não é empoderador. Trazendo a dicotomia entre sujeito e objeto, ela explica que o objeto sempre é subordinado ao sujeito, que é quem tem escolhas e atitudes. Compreendendo essa análise, fica claro que nossa própria objetificação é ligada direitamente à nossa sujeição em relação aos homens. Ela ainda contesta a mentira de que “sexo vende” e elabora que, às mulheres, é vendida e imposta a noção de que é dessa forma – através da subjugação da nossa sexualidade (que, é claro, precisa responder a certos padrões) – que garantimos nosso valor. E o pior: além de depressão, péssima auto estima e uma série de outros problemas criados por essa dominação, ela aprisiona e condiciona nossa sexualidade, impede uma verdadeira liberação e se torna um obstáculo para uma relação sexual prazerosa. É mais um problema que aparece no nosso caminho em busca do orgasmo: já ouvi muitos relatos de amigas que, embora realmente gostem de fazer sexo, nunca gozaram com um homem, apenas sozinhas.

Essa matéria sobre a Jennifer Lawrence traz à discussão que essa objetificação, é claro, invade Hollywood também de formas menos óbvias e como o estereótipo da “Cool Girl” nada mais é que parte da dominação. Jane Fonda, outra cool girl que a autora descreve, perdeu o status no momento em que começou a se envolver seriamente com política – e a coincidência aqui é inexistente. Ela havia, é claro, rompido com a ordem que fazia dela a queridinha da época: “Cool girls não se importam com as mesmas coisas que normal girls. Elas não se sentem atoladas pelo patriarcado e nem se preocupam com seu peso. Elas são basicamente caras, mas mascaradas em lindos corpos femininos, aproveitando os privilégios dos dois. Mas vamos deixar uma coisa clara: é atuação. Pode não ser consciente, mas é a forma que a nossa sociedade ensina uma menina a ser legal: relaxe, não incomode, aja como um cara, mas pareça uma super modelo”.

A jornalista do The New Yorker Ariel Levy escreveu um livro intitulado “Female Chauvinist Pigs: Women and the Rise of Raunch Culture”, em que aprofunda essas questões e critica o mundo super sexualizado em que as mulheres são objetificadas, objetificam umas as outras e são encorajadas a se objetificarem. “É a ideia de que a sexualidade feminina é sobre performance, e não sobre prazer”, diz a autora, explicando que é comum mulheres participarem de atividades sexuais que não expressam seus desejos individuais, mas são designadas para tornarem essa mulher desejada ou causarem prazer para o homem observador.

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FCP?

Levy começa o livro falando de Girls Gone Wild, um fenômeno especializado em objetificação feminina. Entre os relatos que ela nos traz estão empregados do programa que coíbem meninas a mostrarem o corpo, “é só os peitos, qual o problema?”; meninas que ficam com outras meninas “pelo show, pelos homens”, que tiram a roupa por artigos da marca – seus seios nus em televisão nacional por um boné; e até mesmo uma menina que aceitou se masturbar para a câmera, mas claro que não conseguiu atingir o orgasmo, porque a ideia do ser sexy é muito distante de sexo (e prazer). Uma das histórias é sobre um concurso que a marca produziu, em que meninas em posições sexuais foram cercadas por homens que gritavam violentamente para que elas tirassem as roupas e elas diziam que não queriam. Depois de alguns minutos de pressão, é claro que elas cederam – isso é uma forma muito clara de violência e assédio sexual financiado pelo programa. Mais para frente, o livro traz a estatística aterradora que um quarto das meninas dos Estados Unidos entre 15 e 19 anos descrevem sua primeira relação sexual como “consensual, mas não desejada”.

A Playboy é outra óbvia instituição que promove os mesmos valores nojentos. Em 1967, quando questionado sobre o símbolo do coelhinho, Hefner declarou que “uma garota deve parecer um coelhinho, pulando, cheia de alegria e energia.(…) [A Playmate] não é sofisticada, uma garota que você não poderia ter. Ela é jovem, saudável e simples – a garota da casa ao lado. A gente não tem interesse em mulheres misteriosas ou difíceis, em femme fatales que usam lingeries elegantes e rendadas, e são tristes e meio sujas psicologicamente. A garota da Playboy não tem renda nem lingerie, ela é nua, limpa, com cheiro de sabonete, e é feliz.” Isso porque, como aponta Levy, a revolução sexual inaugurada na década e apoiada por Hefner era válida apenas para os homens: mulheres com a mesma riqueza de experiências sexuais que ele, e que gostavam de andar por aí de roupão, eram “psicologicamente sujas”. “A garota da Playboy tem uma moral altíssima. Se elas aceitam um encontro, são demitidas”, ele explica, deixando claro que a função da mulher para a marca era de ornamento: não era a parceria, a cumplicidade sexual que era valorizada, mas sua obediência. Amor (e sexo) livres eram empoderadores para homens, mas vergonhosos para mulheres: Hefner diz, na introdução da primeira edição da revista, que gosta de meninas divertidas e fiéis, mas que mentalmente prefere a companhia de homens.

Se é para falar de objetificação e a violência contra mulheres que isso gera, a pornografia jamais poderia ficar de fora. Terreno fértil para todo tipo de violência, estatísticas e depoimentos aterradores mostram a realidade obscena dessa indústria. Linda Lovelace conta que sua iniciação foi em um estupro coletivo de cinco homens, financiado pelo pornógrafo Chuck Traynor: “Ele me ameaçou com uma arma. Eu nunca tinha feito sexo anal e aquilo me destruiu. Eles me trataram como uma boneca inflável, (…) eu nunca senti tanto medo e desgraça e humilhação na minha vida”. Do outro lado, os depoimentos dos chefes da indústria pornográfica entregam que “o que eu realmente gosto de ver é violência contra mulher” (Bill Margold), “não tem nada de que eu goste mais do que uma garota que fala que não vai fazer sexo anal, porque sim, ela vai ter um pau enfiado no seu cu” (Max Hardcore), “pode ser que promova violência contra mulheres nos EUA, mas eu penso ‘que bom’, eu odeio essas putas” (depoimento de um pornógrafo que criou títulos como “Bem-vindos ao acompamento do estupro”). No livro de Levy, a atriz Jenna Jameson revela que nunca conseguiu assistir às suas cenas e outras experiências aterradoras.

Nada mais adequado que o sensacional slogan do movimento Women Against Pornography: “Pornografia é a teoria, estupro é a prática”. A ideia é largamente explorada no primeiro livro da feminista radical Susan Brownmiller, “Against Our Will: Men, Women and Rape”. Para ela, “estupro é nada mais, nada menos que um processo consciente de intimidação pelo qual todos os homens mantém todas as mulheres em um estado contínuo de medo”. Em entrevista, Erica Jong, uma feminista liberal, fala à Ariel Levy: “Eu tava no banheiro esses dias e fui passar shampoo e vi que o nome é ‘Dumb Blonde’. Eu pensei, ‘há trinta anos isso não poderia ser vendido’. Eu acho que a gente perdeu a noção das formas que nossa cultura diminui as mulheres. Eu não iria sugerir alguma lei contra o produto, mas não vamos nos enganar e acreditar que isso é liberação. As mulheres compram a ideia de balançar os peitos com lantejoula – quer dizer, eu sou super a favor disso – mas não vamos ficar cegos pelos seios e bundas e não perceber o quão longe nós não chegamos. Não vamos confundir isso com poder de verdade. Eu não gosto de ver as mulheres sendo feitas de idiotas”.

“A cultura da vulgaridade não é sobre abrir a cabeça para as possibilidades e mistérios da sexualidade. É sobre infinitamente reiterar uma particular – e comercial – forma de sexualidade”, explica Levy enquanto avança a discussão. Existe uma óbvia desconexão entre ser sexy e o sexo em si. Ser sexy é plastificado e pasteurizado, alcançável em meia dúzia de regras ensinadas pela mídia – ou melhor, pelos homens da mídia: seios grandes, cintura fina, cílios longos, muitos decotes, e o ingrediente especial, decorativismo. Uma mulher sexy, na cultura atual, não precisam ser sexual – aliás, muitas vezes é ainda melhor se não for: ela serve como objeto de apreciação, como instrumento para deixar os paus dos homens duros, não como sujeito sexual com vontades e protagonismo (isso nunca). Em uma das sex tapes de Paris Hilton, ela atente o telefone durante a relação sexual, escancarando a completa falta de conexão com o momento, com o sexo e com o prazer.

“Provar que você é gostosa, merecedora de desejo e, mais que isso, que você quer provocar esse desejo ainda é exclusivamente uma tarefa para mulheres. Não basta ser rica, bem sucedida e realizada (…), até mesmo mulheres no topo de seus campos de atuação precisam se mostrar sexualmente disponíveis”, Levy explica. Como Candida Royalle disse, “nós nos tornamos uma cultura muito sexualizada, mas é sexo e consumo em uma coisa só. Movimentos revolucionários costumam ser engolidos pelo mainstream e transformados em cultura pop. É uma forma de neutralização, quando você pensa sobre isso… torna tudo seguro e acessível, e exclui os radicais. Quando isso acontece, qualquer poder real é dissipado”.

Outro ponto apontado por Levy é por que as mulheres alegremente tomam o posto de FCP, abreviação que a autora escolhe para “Female Chauvinist Pigs”. Uma de suas entrevistadas, executiva da Sony, explica: “meus maiores mentores sempre foram homens. Por quê? Porque eu tenho pernas lindas, seios maravilhosos e um grande sorriso que Deus me deu. Porque eu quero fazer meu primeiro milhão antes dos 35. Então é claro que sou uma FCP. Você acha que esses homens queriam que eu tivesse lá falando sobre melhoras na carreira, departamentos de marketing, demografia? Não. Eles queriam brincar no meu jardim secreto. Mas eu apliquei meu batom de guerra da Chanel, abri as portas com saltos altos da Gucci, trabalhei, me esforcei muito e subi na ladeira. E fiz a diferença! Tudo isso num terninho curto da Prada”. Isso porque “ser um dos caras” é a melhor forma de se afastar do estereótipo negativo que ser mulher representa. E ser um dos caras, uma cool girl desencanada e divertida implica também ser sexy e disponível sexualmente. E é claro que é empoderador: você obviamente ganha mais poder ao jogar as regras do jogo. A questão que vale frisar é que não é empoderador como mulher, e sim como parte do patriarcado. Como Levy conclui o capítulo, “se você é a exceção que prova a regra, e a regra é que mulheres são inferiores, então você não fez nenhum progresso”.

“O conceito dessa cultura da vulgaridade como um caminho para liberação em vez de opressão é uma conveniente – e lucrativa – fantasia”, Levy conclui. É claro que faz sentido: o mundo é dos homens, às mulheres, a maior parte das vezes, só resta seguir as regras deles. Mas não se enganem: isso não é liberação, e, muito mais, isso não é feminismo.

Hoje, ser feminista me arranja muito mais problemas do que soluções. “Você enxerga machismo em tudo”, “você tá cada vez mais intolerante”, “que exagero, Clarissa”, “você costumava ter senso de humor” são só algumas das frases que invadem meu dia-a-dia. Os assédios quase diários não passam mais silenciosos e as juras internas de “deixa pra lá, relaxa, é normal” pra cada vez que eu era violentada verbalmente deram lugar para uma raiva crescente e poderosíssima. Quando escrevi meu texto sobre padrões de beleza, que foi publicado no Brasil Post também, vi gente – homens, claro – compartilhando e comentando sobre o quão ridículo era porque “mulher tem que ter carne pra homem pegar”, o valor da mulher ainda completamente ligado à necessidade do homem, é claro. É verdade, não sou mais a cool girl bem humorada de antes, que sacava o mundo dos caras, gostava de strip clubs e pornografia, e “sabia se divertir”. Agora, parece que sou uma feminazi amarga que odeia homens. E minha reação a isso hoje é rir e pensar: ainda bem. Tava na hora de abrir os olhos.

 

154 Comments

  1. Flávio Loureiro

    Depois criticam quando chamamos as feministas de “exageradas” ou de “paranoicas”. Enfim, as moças têm problemas de autoestima e querem culpar a sociedade por isso. Falta de maturidade própria? Não não, imagine, é culpa do papai dela. Ele pode ter dado o que tinha e o que não tinha para criar a filha, mas é “opressor” por mandar ela se vestir direito.

    Ah, e não vou nem falar do que define um homem como bonito ou feio né ($$$… saciar necessidades materiais das mulheres? Nãão, imagina… mulher nenhuma entra com ação de alimentos sem fundamento, né?).

    • Telminha

      E nem vou falar como é tolo generalizar. Quer dizer que mulher só acha bonito homem que tem dinheiro? Nossa, nenhuma mulher trabalha e ganha seu próprio salário, não existem mulheres ricas e nem independentes! O sonho de todas é ficar com um cara rico para saciar suas necessidades materiais.
      Sinceramente? Vá se catar!

      • Eu discordo do Flávio, mas em se tratar de generalização, o texto publicado tem o mesmo erro lógico que o Flávio realizou. O texto sempre trabalha com exemplos e estes exemplos são formas de explicar os estereótipos existentes. Isso também é uma generalização. É muito difícil pegar exemplos singulares e tentar dar uma explicação para o todo, principalmente trabalhando em uma esfera subjetiva que é o pensamento humano e trabalhá-lo de uma forma tão objetiva.

        • Oi, Vladmir, tudo bom? Pelo contrário: é CLARO que buscamos trabalhar com generalizações porque elas explicam a REGRA da opressão ESTRUTURAL. Essa ideia de “exemplos singulares” é típica de uma individualidade pós-moderna que é uma tentativa de inviabilizar esse tipo de luta.

          • Antonio Duarte

            Não Clarissa, o que o Vladimir tentou explicar é que existe uma falácia em jogo que se chama falácia da generalização. Esta falácia existe quando você elenca um numero pequeno de casos para justificar uma tese que envolve um número enorme de indivíduos. É bastante comum usar este tipo de falácia por exemplo, para denegrir uma determinada categoria profissional, tipo “todos os advogados não são confiáveis” De fato, o texto contém muitas afirmações que se sustentam nesta falácia. Pra ser sincero não entendi o que você quis dizer com Regra da opressão estrutural ???

          • Eu entendi o que o Vladimir tentou explicar. Inclusive pela sua analogia fica claro que você não compreende as noções de opressão estrutural. Mas enfim, posso indicar alguns textos bons pra você ler e entender porque políticas relacionadas a isso são apoiadas na generalização – já que a opressão é generalizada e o grupo como um todo, mesmo que tenha exceções, sofre as consequências.

          • Não acha que a Modernidade (não dá para acreditar em pós-modernidade) é o que fez tudo que você e a ideologia em si dizem, culminarem? Digo, desde o inicio da Era Moderna que os moldes sociais como conhecemos se construiu e pipocam nervos expostos como feminismo, por exemplo. Por favor, se for usar a História anterior à Modernidade na resposta peço que não, porque vamos acabar saindo do ponto da minha dúvida que gira em torno da Modernidade.
            Enfim, reiterando…
            Não acha que a Modernidade em si é culpada não só pela exploração da mulher, mas do homem também? No fim, na exploração humana num total.
            Valeu

          • Não, não acho. A exploração e violência contra mulheres não é um problema “MODERNO”. Pode ser que a modernidade tenha inserido dificuldades na vida dos homens que antes não existiam, mas não tem NADA a ver com as opressões estruturais que as mulheres sofrem desde a antiguidade (bem antes da Modernidade). Inclusive a discussão sobre a origem do patriarcado traz várias linhas, mas todas elas remetem há momentos muito anteriores à modernidade. E sério, comparar sofrimento de mulher com do homem é tipo falar em “racismo inverso” ou “heterofobia”. Não é legal porque é uma falsa simetria.

          • Só assim por mera curiosidade, esses conceitos não vêm da escola marxista de pensamento? e não será esse o verdadeiro problema? o fato de ser intratável por via de formas sérias de tratar o assunto, digamos o da individualidade pós-moderna? Vc não consegue transpor através de algo não marcado pela ideologia marxista?

    • Se eu te der 15 reais você vai lutar na guerra da palestina? Vai servir o exército pau de cutucar cu. Depois reclamam que as feministas é que são exageradas, ora lógico,um texto com informação e links e o cara ainda vem comentar besteira, mostrando claramente a burrice e provavelmente a solidão de ser mais um anônimo em um blog.

      • Bom, sempre depende muito, se objetiva ou subjetivamente a ideologia está presente no texto, porque numa é colocada conscientemente e noutra inconscientemente. Mesmo assim, devemos lembrar que a escola marxista possui por fundamento implícito igualização material dos indivíduos (não uniformização), nesse sentido, não poderíamos afirmar também que o posicionamento da autora do texto se coaduna com um posicionamento alinhado aos direitos humanos? Objetivamente, a autora faz uma abordagem sobre a opressão feminina convencional, por conta, dela ser realmente visível, vide no nossa própria legislação civil (pátrio poder é um exemplo de instituição jurídica abolida mas que considera o homem o núcleo da família). Não obstante a isso, ignorar o legado teórico marxista é coisa que nenhum teórico da atualidade faz, já que, quando se fala em neoliberalismo ou mesmo pos-modernidade, faz-se isso por influências sobre o pensamento de uma sociedade de consumo teorizada pelo marxismo… a própria pós-modernidade (até mesmo individualismo nela presente) pode ser considerada como consequência do capitalismo, como seu ciclo de exaustão, o que já havia sido previsto pelo marxismo científico… Nesses termos, não tem como compreender inventar uma ‘sociedade pósmoderna’ sem marxismo… Mesmo assim, pensando em pós-modernidade, primeiro que o próprio termo é criticado por não se acreditar preciso, segundo que, a abordagem da autora, claramente mostra apenas uma perspectiva da vida social, o próprio texto dela não é capaz de explicar outros fenômenos que influenciam também a vida em sociedade, tais como a pobreza, as guerras, a solidariedade, dentre outras coisas, afinal, por exemplo, ela não afirma em nenhum momento que os homens guerreiam porque querem submeter a objetivação as mulheres do outro povo, o texto não carrega o teor de “a sociedade é machista e, por essa razão exclusiva, é opressora”, muito pelo contrário, ela não pode excluir outras possibilidades, até mesmo porque não foram abordadas, sob esse aspecto, ela tenta individualizar o machismo e até mesmo o feminismo, como a consequência individual de uma não tomada de consciência nuclearmente a nível individual dos seres que subconscientemente pilotam sua existência em piloto automático, o que é concorde com uma fragmentação da verdade, porque não explica a realidade num todo… e, portanto, com uma concepção possível a cerca da pós-modernidade.

    • AÇÃO DE ALIMENTO SEM FUNDAMENTO? CÊ É LOCO, JOVEM? O POVO METE O PAU NA BUCETA ALHEIA SEM USAR CAMISINHA, FAZ FILHO ADOIDADO, NÃO TEM QUE CUIDAR E FICA RECLAMANDO MISERINHA DE 100r$/MÊS? Não sabe nem a merda do endereço do colégio do guri, a mulher não tem direito de abortar porque nesse momento o “pai” resolve aparecer pra dar palpite, depois some, paga merrequinha, dá sorvete duas vezes no mês e acha que tá fazendo um trabalhão, a mulher que tem que levar no médico, ficar grávida, ir ao colégio, ir ao futebol, pagar o futebol, pagar remédio, ouvir a birra, dar banho, limpar bunda, ficar sem dormir E O FDP AINDA VEM RECLAMAR DE PENSÃO. VAI TOMAR NO SEU C*, babaca.

    • Flávio é o típico cara que não entende bulhufas sobre feminismo e faz comentários comparando o assunto com os dramas masculinos. Cara, aqui estamos falando da sexualidade feminina, e a protagonista do texto é ELA. Ninguém está culpando pai ou namorado, está sendo citado o contexto social e histórico, e por mais que se diga que é generalização, a verdade é que existem pouquíssimos homens não machistas ~feministas~ no Brasil. E afirmo isso com base de dados, segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil aumentou em desigualdade de gênero do ano passado para este ano, além de várias outras fontes de dados que você pode procurar se for seu interesse. Então, pare de cambiar o foco! É exatamente esse o ponto chave do texto da autora, o sexo, o orgasmo, a revolução sexual feminina precisa ter identidade para ser concreta, e não devemos focar a construção desta identidade no que seria favorável aos homens. Isso já foi feito por décadas. Minha sugestão é que cada mulher aprenda a olhar para o seu interior e foque no que é satisfatório para ela, e somente ela. E se existem pessoas no seu círculo de família, amigos ou parceiro, que não se enquadra nas características que te fazem ser feliz, então a opinião delas não é relevante e ele não serve pra você e ponto. Coragem, meninas, vamos botar em prática nosso individualismo sexual! Um abç a todxs!

    • Ah claro, até porque a questão econômica é mais válida que a questão psicológica não é mesmo ? Porque assim, meu pai me dá tudo (materialmente) mas quer, através de uma ideologia machista fazer eu me vestir “comportada” e que aliás, é isso que todo mundo espera mesmo, porque tentar quebrar com isso tudo para o meu bem estar quando eu tenho tudo material né ?
      engraçado é que no mesmo comentário você conseguiu ser contraditório, determinando que o bem material é mais válido que o psicológico, mas comenta logo após que as mulheres querem só caras que tem dinheiro … como assim? Você não acabou de dizer que o melhor é meu pai ter me dado tudo? Que o bem material é melhor do que meus pensamentos?
      É isso que o vídeo quer recorrer, que as mulheres vivem por determinados padrões e que a culpa não é propriamente das mulheres, já que fomos CRIADAS (vide o pai que você citou é um exemplo um pouco mais claro para você entender) a ser como os homens desejam todo o tempo, tornando objetos sexuais. E como no vídeo a palestrante cita com clareza, é que por vivermos nesses moldes, é necessário entender que a outra pessoa que está agindo dessa maneira por um molde construído … mais alteridade por favor

  2. Camila Duarte

    Clarissa, acho que eu não soube interpretar o texto a impressão que me passou foi: Não é “certo” ou “libertador” dizer que faço sexo casual? Não devo me sentir livre por não me importar com o que o homem o qual eu transo vai achar? Bem queria comentar antes de ler novamente o texto mas essas foram as minhas dúvidas na primeira leitura.

    • Oi, Camila, tudo bom? Na minha opinião, não é certo/libertador que a menina TENHA QUE fazer sexo casual para ser considerada legal, entende? 🙂 A discussão aqui é que muitas vezes a ideia de “liberdade sexual” serve apenas como forma de dominar as mulheres obrigando que determinadas atitudes sejam tomadas sem uma verdadeira vontade. E que, além disso, a “liberdade sexual” ainda não existe verdadeiramente para as mulheres, porque uma mulher sempre vai ser pressionada para servir a determinados papeis e cruelmente julgada. 🙁

      • Na boa, não existe um movimento homogêneo na sociedade no sentido de que “mulheres TÊM QUE fazer sexo casual para serem consideradas legais”. O texto e esse seu comentário transparecem claramente frustrações pessoais que você tentou politizar. Sério mesmo.

        • É verdade, são frustrações pessoais minhas, da Levy, da Dworkin, da Brownmiller e de todas as feministas radicais do mundo porque todas nós tivemos EXATAMENTE as mesmas vivências, uau.

          • Que bom que ao menos você admitiu sua ligação forte com o RadFem da Segunda Onda. 🙂 Realmente ótimos exemplos de gente bem-resolvida (só faltou a Solanas, por que será que ela ficou de fora dessa sua lista? rs.)

          • [vou soltar alguns pensamentos que tive durante a leitura do texto e dos comentários]

            Acho que a idéia do texto é apresentar como a cultura é vendida para a massa. A simbologia, o clima na sociedade, as intenções. Individualmente uma mulher pode ter vontades diversas, ter poder de decisão, ter liberdade para fazer o que bem entender: seja sim ou não; essa é a verdadeira liberdade sexual.

            Não existe isso de ser bem resolvida! O que seria ser mal resolvida – por exemplo?

            A questão maior é: foda-se … é só sexo, é só prazer individual. Não interessa se vc faz, se vc não faz, se vc gosta ou não. (existem pessoas assexuadas – por exemplo)

            O problemas é que hoje em dia o prazer é mistificado, é vendido. E independente de mulheres, individualmente, estarem curtindo seus prazeres sexuais. O corpo feminino é exposto como um OBJETO de prazer.

            Eu nem vou colocar como um objeto de prazer para os homens… mas simplesmente como um objeto de prazer… seja para mulheres, homens o que for.

            Reduzir um ser humano a um corpo e depois a um objeto nunca vai ser uma coisa boa. Mesmo que não seja explicitamente violento, agrega um valor errado a convivência em sociedade.

            As crianças que assistem milhões de comerciais durante seu crescimento, ver mulheres sendo apresentadas como produtos em comerciais… Como isso pode expressar liberdade?

            Gostei do textos e dos videos, esse assunto sempre me fez pensar muito. Porque a liberdade nunca é plena quando se limitam personagens e papeis. Quando as pessoas paparem de taxar as outras teremos uma liberdade de fato. A cada geração criam-se espectros de comportamentos possíveis… nunca vão se cansar disso?

          • Stella, você diz que “a idéia do texto é apresentar como a cultura é vendida para a massa”. E concordo. Só que pra mim isso significa que é mais um problema de indústria cultural do que de gênero. Se estamos numa sociedade machista é óbvio que vai sobrar mais para a mulher do que para o homem, mas de alguma maneira todo mundo é “objetificado” (não concordo com o uso moral desse termo). Então não adianta reclamar sobre a forma como o capitalismo transforma a cultura como se isso fosse um problema de gênero. Com ou sem indústria cultura, o problema continua. É consequência e não causa.

            E eu só vejo um motivo plausível para essa parte do feminismo que insiste demais em criticar o que é consequência (e não causa): gosto pessoal. É como as RadFem que criticam pornografia porque claramente não gostam de pornografia, e não porque gostariam que ela fosse diferente. Só que gosto não é política. “Gosto pessoal” pode ser uma falácia legitimadora da dita direita, mas ficar tentando politizar o gosto é também uma falácia da dita esquerda. (Se alguém vier falar de “falsa simetria” nesse meu comentário vou só ignorar.)

        • HAHAHAAHAHAH Em que mundo você vive? Eu não sou adepta do sexo casual PORQUE não quero, prefiro fazer sexo em relacionamentos monogâmicos (seja com homens ou mulheres, porque sou pan), mas não acho necessário a ponto de TER QUE fazer. Você não sabe quantas vezes ouvi que sou quadrada, bitolada religiosa (??? não tenho religião), que sou presa aos costumes (??) e etc. Nunca falo nada semelhante a quem prefere fazer sexo casual. Acho que isso é ESCOLHA. Mas se você é mulher, feminista, “inteligente” (entre aspas porque inteligência é subjetivo), existe uma pressão social louca para que você libere a perseguida na grila e use drogas. Eu não gosto. Não tô nem aí pra quem gosta. Mas falar que “não existe isso de TEM QUE fazer sexo casual”, é mentira. Tem sim, e muito. MUITO. Tanto mulheres quanto homens vivem cobrando que eu seja “liberal” que nem minhas ideias.

          DICA: Ser liberal é respeitar a escolha do outro. OK?

          • Ai gente, sério. Por favor parem de achar que os homens e mulheres do seu meio liberal classe média moderninha intelectualzinha representam A SOCIEDADE. Ser “pressionada” pelos costumes de sei lá gente, no máximo 5% da população brasileira, e se comportar como vítima do país inteiro. Depois não entendem quando alguém diz que isso aí é pura frustração pessoal e insegurança psicológica (“todo mundo fica me cobrando!”) transformada em política.

          • Cris, duas coisas: a gente – eu pelo menos – não sou da linha liberal. Como disse ali em cima, sou do RadFem. Nossa vontade é justamente problematizar os “gostos pessoais” para chegar à CAUSA dos problemas. Por que as mulheres fazem tantas cirurgias plásticas, se depilam, morrem pra ser mais magras? Por que o massivo público consumidor de prostituição é masculino? Nesse texto, justamente critico a ideia liberal de “empoderamento” através disso porque considero que é uma forma de enganar as mulheres e voltar a tirar delas qualquer poder que tenha sido conquistado. A linha RadFem luta em várias frentes – políticas a curto e longo prazo, e tentamos dialogar com diferentes públicos. Você falou sobre classe média: eu sou da classe média e nesse texto minha pauta é voltada para mulheres de classe média. Mas isso não significa que a luta não seja feita em frentes que contemplem mulheres de diversas situações: mas isso é IMPOSSÍVEL em um único texto, por exemplo. É ingenuidade achar que vai existir algum movimento capaz de englobar todas as pautas feministas em todas as ações: ainda é um “trabalho de formiguinha”.

  3. Gabriela

    Adorei teu texto, parabéns!
    Estava, hoje, justamente conversando com uma amiga sobre a quantidade de gurias loucas por um gringo nessa copa aqui no Brasil.
    Não tinha parado pra refletir muito, mas uma coisa em incomodava: “até que ponto essas gurias são realmente livres sexualmente ou estão reproduzindo uma cultura machista já dominante”?!

    Pois bem, teu artigo me deu a resposta. =)

    *E um comentário ao comentário do companheiro acima, Flávio: existem muitas mulheres machistas! E se for difícil pra te entender isso, não tem problema… tu é biologicamente favorecido, talvez tu nunca entenda. 😉

    • Awn, obrigada! Sobre essa história dos gringos é complicado porque eu sou de Porto Alegre e li depoimentos de meninas que falavam que tavam sempre se reprimindo (a idade é suuuuper machista e provinciana) por causa das coisas que falavam delas e sentiam que podia “se soltar” e que não haveria repercussão, vi gente defendendo que isso aguça a percepção do Brasil como exportação sexual, enfim. Esse é realmente um grande questionamento :~

  4. Calabria

    clarissa, parabéns pelo espaço no catarticos e pela repercussão de seus textos.

  5. Cara, seu texto é de extremo esclarecimento… Não sei, mas, ao ler eu senti um certo tipo de reconhecimento, porque enquanto homem que tenta lutar e garantir a “liberdade feminina” por vezes me senti perdido ou hipócrita… Sabe? É como uma vez li “todo homem é um estuprador em potencial” e aí da pra sacar a justificativa, ao que me parece pelo menos menos, do feminismo atual que está perdido pois não consegue traçar nem seus limites, quanto mais seus objetivos e você fez isso de forma belíssima. A intolerância, as vezes, é sim necessária. Parabéns.

    • Oi, Marcelo, tudo bom? Fiquei bem feliz com o seu comentário. Essa compreensão de todo homem como estuprador em potencial é uma que é mais complicada de entender, especialmente para homens, porque é difícil enxergar a opressão quando você está numa posição de privilégio. Fico feliz que tenha ajudado sua percepção nesse sentido 🙂 de verdade!

  6. Mateus Matias

    Um show de lucidez e discernimento. Que essa sua paixão imiscuida com ódio contra o que está posto se alastre como fogo! Sempre haverá alguém tentando esvaziar de sentido lutas legítimas e urgentes. Esses alguens não importam. Importa continuar resistindo, continuar alcançando mais pessoas e um dia, quem sabe, vencer.

  7. Cau Ferreira

    Estou aqui com algumas inqueitações sobre teu texto. Ai,pertubador! Bom,né? Rs

    Mas essa suas questão, em si, também me pertuba muito. Presencio,cotidianamente, meninas que gostam de fingir casos de amor,apenas para impressionarem homens; não há desejo entre elas.

    Além disso, concordo contigo de que, muitas vezes, essa “liberdade sexual”, mtas vezes, é apenas uma capa que aprisona.

    Continue escrevendo pra gente =)

    • A Ariel Levy fala muito no livro sobre PERFORMANCE, que é zero desejo e feito só pra impressionar homens 🙁 ela cita especialmente nos casos do Girls Gone Wild, tem depoimentos muito tristes lá :~~ aconselho ler o livro se você se interessou pelo tema!

      E obrigada pelo comentário! 🙂

  8. Mauricio

    Por vezes, na nossa sociedade “moderna” nos tornamos escravos da liberdade, e liberdade também tem moda, as maneiras de se “provar” que se é livre mudam com o tempo. Algumas coisas prevalecem ao tempo, desde os anos 60, woodstock que o diga, sexo, drogas são sinônimos de liberdade, mas para muitos são um atoleiro. Ser livre é poder dizer sim ou não, segundo o próprio entendimento, segundo o próprio coração. As adjetivações, objetizações são instrumentos usados por quem vive preso em si e distante da autenticidade, autoconfiança e gozo pela vida em si. Já fiz, as vezes faço, uso de drogas e sexo casual, não acho que isso me completa e nem me faz mais social, apenas é humanamente um forma de catarse. Comportamentos alicerçados nessas práticas de escravidão libertária são similares ao uso ópio ou da morfina que iludem e mascaram os verdadeiras anseios da alma. Como um pêndulo, nosso comportamento durante a vida parte de um extremo ao outro e percorre outros extremos até um dia encontrarmos o equilíbrio. Tem gente que adora a libertação sexual e sempre vai gostar, tem gente gosta de ser livre sexualmente e assim será, e tem gente ainda, que é livre para saber ser quer ou não, se vai ou não vai, se é sim ou não.

    • Oi, Mauricio, interessante teu argumento. Mas é importante lembrar que os processos de “escolha” e “liberdade” de classes oprimidas são muito mais complexos e anteriores ao que você colocou 🙂

      • É muito mais complexo como? Todo mundo adora “complexificar” a questão dizendo que ela é complexa, sem desenvolver. Se “escolha” e “liberdade” não são assim “tão simples” para as classes oprimidas (e ao falar em classe num texto como esse você já parte do pressuposto que gênero é classe, o que discordo completamente), como são afinal? O que pauta escolhas e liberdade genuínas para os oprimidos, senão os próprios indivíduos? Para ser livre do opressor, o oprimido deve se guiar pelo que dizem os seus representantes? Ou então deve se guiar pela falácia lógica de que “se A é opressor e B agrada A, então B é necessariamente opressão”? Como fica a mulher que tem consciência de escolher livremente algo que, eventualmente, não é o que o movimento feminista concorda? Realmente… É muito mais complexo do que apenas dizer que é muito mais complexo. 😉

        • É muito mais complexo como: o texto todo ali em cima, o livro da Ariel Levy e mais uma bibliografia extensa se você tiver interessada em parar de reproduzir a opressão 😉

          • Já li parte dessa bibliografia RadFem e desculpa, já foi o suficiente pra dispensar. Mas escuta, tem que estar “interessada em “parar de reproduir a opressão” antes de ter o argumento? Curiosa essa sua provocação.

          • Oi, Cris, vou responder tudo aqui porque to com preguiça de ir nos dois. 1, é óbvio que sou ligada ao RadFem, tão óbvio quanto o fato de que você não leu o texto porque tá completamente claro lá, rs. E 2, também é óbvio que você precisa estar interessada em parar de reproduzir a opressão, ou você acha que você acordar um dia magicamente sem internalizar o monte de merda que jogam em você? rs

          • 1) Li o suficiente e já percebi tudo (postura bem previsível, aliás), 2) se eu vou querer “parar de reproduzir opressão” ou não, ainda assim isso não significa que é você ou a cartilha do seu coletivo que vai ditar as regras, como se fossem magicamente as donas da verdade. 😉

          • Eu queria de verdade ver o que de mudanças a cartilha liberal propõe, porque até agora não vi nada que pareça chegar perto de ser efetivo e que consiga abordar as questões estruturais e milenares que ditam a nossa opressão. E ah, eu tinha adicionado um comentário antes mas ele não foi, mas assim: eu acho muito difícil discutir essas coisas por comentários porque costumo compartilhar algumas experiências pessoais quando falo sobre feminismo – e todas que sentia que podia compartilhar tão no texto ali em cima. Mas eu queria me oferecer pra continuar conversando por email (meus contatos tão todos ali em cima, do lado direito), se você tiver interesse 😉

  9. Prem Ragini

    Clarissa seu texto é esclarecedor de muitos aspectos que ficam camuflados mesmo para algumas mulheres que, como eu, vem tentando, a cada dia, desenraizar os valores do machismo do patriarcado (E que ninguém se engane: isso está tão impregnado em nossa forma de pensar e de nos comportar, que é preciso uma longa jornada de libertação). Tenho uma filha advogada, feminista ferrenha e militante de vários movimentos sociais que me ajuda muito nessa caminhada de mudança de valores.

    • É verdade, isso tá tão impregnado na nossa forma de pensar que cada descoberta já é um passo IMENSO. Eu sei que eu ainda tenho muiiiiito a caminhar, mas é uma caminhada que, mesmo muitas vezes dolorida, é maravilhosa <3

  10. Amei o texto, muito esclarecedor e didático e extremamente REALISTA. Resolvi ser cool Girl, livre, feliz, desempedida com a cabeça aberta para várias formas de se relacionar-se com alguém. Fiz Swing, menáge, encontros de RLi, sexo casual, mas o interessante é que em todas as modalidades os homens não têm nenhuma preocupação, interesse e vontade de realmente dar prazer a mulher, ou seja, a mulher é apenas um objeto de prazer masculino. Eles querem meter, foder todos os buracos que você tem e ir embora…..foda-se você que quis deliberadamente estar lá no meio dando……entende onde eu quero chegar??? 100% de amigas e conhecidas que resolveram ser uma cool girl sentiram esta verdade na pele, choraram em 04 paredes escondidas com ódio delas mesmas por permitirem serem consensuais e após ao término de tudo sentiram-se violentadas tanto fisicamente quando pscicologicamente. Muitas mulheres casadas se tornam cool girls para seus maridos e topam fazer swing…..mas no final da noite o marido está satisfeito ao ver um terceiro homem fazendo sexo violento com sua esposa e no final a esposa tem que achar tudo isso legal…..mas por dentro e silenciosamente ela está quebrada e arrasada. Como sair desta manipulação da falsa liberdade sexual imposta as mulheres???? Hoje eu entendo porque o bissexualismo feminino e homosexualismo feminino está aumentando de forma gritante…homens não se importam em realmente dar prazer as mulheres, então as mulheres descobriram que elas podem doar este prazer mutuamente. PS: eu sou totalmente heterossexual, mas entendo minhas amigas. Para as mulheres que fazem sexo casual e demais modalidades e sentem-se 100% realizadas, plenas e felizes eu tiro meu chapéu. Aos homens que realmente se importam em dar prazer as mulherese e dão prazer de verdade tem minha apreciação! Beijos a todas as mulheres e não caiam na armadilha da cool girl, não permitam que seu corpo seja explorado com uma ideologia sofisticada de liberdade sexual.

    • Oi, Louise, é muito triste de verdade essa realidade 🙁 mas tomando consciência, aos poucos a gente consegue ser livrando dessas opressões tão fortes e tão internalizadas. É um caminho longo e permanente, mas cada vez tenho mais certeza que tá valendo muito a pena 🙂 E ADOREI essa frase que você terminou o comentário <3 demais!

  11. Muito bom o artigo. Assim como o capitalismo, o patriarcado se recria para mascarar a opressão. Feministas temos que pensar 2 ou mais vezes para não cair nessas roubadas ou sem mal entendidas.
    De um livro que não lembro o nome agora:
    “Dos ‘ismos’ do nosso tempo, o feminismo é, talvez, o mais utópico, o mais perturbador, o mais alegre e o mais triste dos projetos de futuro. Resposta aos desencontros de uma época, a que dói mais fundo e de maneira mais secreta, a menos épica, mas, talvez, a mais sentida”. pg. 53

  12. Tive prazer em ler esse texto e compartilha-lo. Muitas vezes uso esses argumentos e algumas pessoas entendem como moralismo. Fico chocada cada vez que vejo a funkeira Walesca Popozuda ser chamada de ‘simbolo da liberação feminina’. Nada contra ela pessoalmente, mas uma mulher que expões seu sexo como um cartão de visitas e incita a guerra entre mulheres (sempre chamadas de ‘invejosas’ e ‘inimigas’), é, no minimo, triste. EM TEMPO: consumo pornografia, portanto não sou contra. A questão é saber que é um filme… Quando se assiste um filme de terror não se mata as pessoas na rua por causa disso…

    • Oi, Mimi, tudo bom?

      Eu já discordo de você, acho Valesca bem menos pior que pornografia hahaha. Valesca pode ser o primeiro passo pro empoderamento, primeiro mais liberal, depois a pessoa vai se questionando. A pornografia é toda centrada na exploração e na violência da mulher 🙁 e eu concordo 100% com a Brownmiller nesse caso, abomino pornografia 🙁

      • Felipe Jaeger

        “A pornografia é toda centrada na exploração e na violência da mulher”.
        Me desculpe, não quero ser chato e dizer que você está generalizando e tudo mais… Mas existe muita pornografia na qual esse papel é invertido, o homem é explorado e violentado. Assim como existe pornografia sem nenhuma forma de exploração e violência.

        • Sua lógica de comparar a performance de violência contra mulher e contra homem é uma falsa simetria do tipo de gente que defende a existência de heterofobia e racismo reverso.

      • Clarissa, você entendeu errado, eu não comparei Walesca com pornografia. O que disse e não entendo o que significa esse tal de “empoderamento” no caso dela. Não me referia ao vocabulario chulo das letras dela tampouco, mas sim à pobreza do imaginario que gira em torno das canções que so falam de “invejosa”, “inimiga”,etc. Dizer que um personagem tão raso seja a representação de uma suposta “liberação” é realmente lamentavel. Além disso, a Walesca é exatamente o que você critica no texto.

        • Oi, Mimi, desculpa! E sim, eu concordo com você que a Valesca é tudo que eu critico no texto 🙂 Mas as ideias do texto de sexo casual e empoderamento através de sexo – que são as mesmas da Valesca – podem funcionar como um trampolim pra outras reflexões 🙂 por isso eu não considero de todo negativo uma ideia de feminismo liberal porque vejo esse potencial, MAS acho que, obviamente, ele não é a solução (como expliquei no texto).

      • Também acho bobagem ver as mulheres como vitimas da pornografia. Existe sim um grande numero de filmes onde as mulheres sao dominadas por um ou mais homens, mas tambem existe o contrario, e um montão de outras tematicas. Basta escolher qual é seu fetiche no loooongo menu do pornô. Eu consumo pornografia e, de acordo com pesquisas, o numero de mulheres consumidoras de porn cresce cada vez mais. Fica a dica.

        • Oi, Mimi, eu tenho noção de que o consumo aumenta e coloco no mesmo lugar que as outras atitudes que foram criticadas no texto. Mas claro, eu sei que existem ALGUMAS práticas pornográficas (tenho uma amiga que citou o xplastic) que prometem fugir da exploração do corpo da mulher e prometem impedir a reafirmação de padrões opressores. Mas a indústria pornográfica como um todo, as estatísticas sobre ela, os depoimentos da maior parte dos diretores e de atrizes, todos eles comprovam a violência que existe por trás disso. Mas são coisas pra gente ler, pesquisar e refletir 🙂

  13. Oi Clarissa!
    Muito bom o seu texto! Ainda estou vendo os links e vídeos, mas sua análise foi muito boa e importante para que seja lida e lembrada. Nâo que vá mudar muita coisa, mas é bom ter o assunto no radar, porque o mais fácil e repetirmos comportamentos que nos objetificam sem percerbermos. Me vi em certas situações, desde o salto alto no trabalho, à agradável (que é mesmo) companhia dos homens e a implicância (confesso) com algumas mulheres por serem ‘mulherzinhas demais’. Brigada pelas ideias! 🙂

  14. Olá!
    Gostei muito do texto porque concordo que a “liberação sexual” hoje está completamente engolfada pelo comércio do sexo e da sexualidade através de estereótipos “não reais”, ou seja, que não refletem algo possível de ser atingido (a não ser com uma profunda mutilação emocional e psicológica).
    O meu ponto, é que isso também se aplica aos homens. Sou homem e muitas das coisas que ouço e vejo como referenciais do que o homem é não combinam comigo, tenho clientes que vivem a mesma situação e creio que esta indústria do sexo acaba destruindo a relação sexual para ambos os lados mantendo-os sempre em papéis estereotipados estúpidos e irrealistas.
    Muitas vezes trabalhei com homens desmistificando a ideia de que eles são apenas um “pau” em uma relação e muitos se descobriram – com algum espanto – pessoas altamente carinhosas e com uma sexualidade mais prazerosa – prazer de fato – para eles.

  15. Maria Angela Piai

    Olá, Clarissa.
    Gostei muito do seu artigo. Meu trabalho sobre conclusão de curso em filosofia foi baseado no livro O Segundo Sexo, mas eu quis (não sei se consegui) mostrar exatamente esta perspectiva sobre a qual você atenta. Queria seu e-mail para fortalecermos o contato e a discussão sobre o tema. Se você achar conveniente, é claro, me escreva.Muito difícil conversar sobre esta situação com os dominantes e a maioria alienada. Por isso, prefiro o e-mail.Talvez nos unindo, fortalecendo nossas ideias, amadurecendo conceitos poderemos estabelecer bases melhor estruturadas para nossa luta. Abraços!

  16. Meu deeeeeeeeeeeeeeeeus, que texto maravilhoso! Valeu! Nunca tinha me tocado disso desse ponto de vista. Quer dizer, sobre a objetificação, sobre o “ser sexy” para servir aos homens, é claro. Mas sobre o “jeito de homem”, “ser homem”, “ser um dos caras”… caralho, pode crer! Sempre fui assim inconscientemente. Deve ter sido uma estratégia de sobrevivência. Ser uma mulher não era algo legal, respeitado, etc., então fui ser um dos caras. Mas, é claro, nunca fui de fato um deles. E, pra falar a verdade, sempre percebi que não.

    Cacete, que libertador isso. Muito obrigada, muito mesmo!

  17. Anna Clara

    Menina, que texto FANTÁSTICO! Mexe em feridas que poucos têm coragem de mexer. Fiquei perturbada lendo, e ao mesmo tempo extremamente identificada com tudo o que você escreveu. É uma pena que a maioria das pessoas vá interpretar esse texto como radicalismo de mulheres loucas ou ódio aos homens. Seria tão bom se as pessoas conseguissem enxergar tudo isso e começar um processo de mudança, homens e mulheres! A frase “pornografia é a teoria, estupro é a prática” não podia estar mais certa! PARABÉNS PELO TEXTO!! Que bom saber que existem pessoas assim no mundo!!!

  18. Alex Soares

    Muito bom texto, excelente mesmo, lúcido, claro e sem falso moralismo. Me deu muito no que pensar. Eu vejo um ‘neofeminismo’ industrializado e as vezes sinto acoado em me opor, em denuncia-lo como machismo travestido de liberdade e acabar sendo taxado de machista e reaça

    • Tá difícil ser feminista radical nesse contexto atual 🙁

      • Alex Soares

        Deve ser difícil sim, mas acho que se defender, resistir e opor-se a opressão ainda deve ser melhor que aguentar calada, ou pior aguentar sorrindo como essas meninas que sonham em ser Paris Hilton e se deixam subjugar. Sinceramente seu texto foi muito bom pra mim, cheguei até ele por uma amizade virtual que criei quando apoiei o movimento “não mereço ser estuprada”, mas eu tava começando a desanimar, já divulguei ele, mesmo durante jogo de copa do mundo outras duas pessoas gostaram, pode ser difícil mas o que você tá fazendo é realmente libertador.

  19. Desde o ser a Cool Girl, ser sexy para os homens, viver a bissexualidade para eles até a viver a falsa ilusão de mulher desempedida com a cabeça aberta, onde me “permitia” formas diferentes de relacionar.
    Me vi em tudo.

    Há alguns meses decidi romper com tudo isso pois me via depois sempre depressiva, amarga e chorosa. Mas não tinha um “argumento”, uma “linha de raciocínio” em minha mente pra isso. Apenas parei…

    Obrigada por esse texto, agora tudo faz sentido. Esse é o começo de uma libertação! <3

  20. Já comento aqui com o pé atrás, não só porquê sei que não sou o “publico alvo” do texto, que é basicamente formado de pessoas que já concordam com vc, como pq já vi as respostas que vc deu para as pessoas que, mesmo que educadamente, tentaram conversar aqui com vc.
    Gostaria de começar elogiando, realmente é um texto bem escrito. As ideias estão postas de forma clara e são bem poucos os pontos onde vc assume algum conhecimento prévio exagerado. Além disso, apesar de não concordar com as argumentos apresentados na bibliografia proposta, me deixa feliz ver que as pessoas estão cada vez mais dispostas a tratar assuntos sérios dessa forma. Isso, claro, sabendo que a minha aprovação é irrelevante.
    Mas acho que, na minha opinião de merda, as premissas e definições que estão por traz do seu argumento deveriam ficar mais claras. Inicialmente, me parece óbvio que vc define “liberdade” de uma forma incomum. Aparentemente, na sua definição de liberdade, um ser humano não tem liberdade para fazer algo se as outras pessoas não gostarem que ele o faça. A definição que me foi apresentada a vida toda é que liberdade é o direito de fazer o que vc quiser, mesmo que a sociedade ache feio. Digo isso porquê vc trata a expectativa/opinião dos homens como lei. Na definição mais usual, as mulheres teriam a liberdade de ignorar a “opinião dos homens” (que não é homogenea o bastante para ser tratada dessa forma horrorosa e ofensiva que vc trata, mas deixa pra lá) e fazer o que bem entendessem, tendo a consequência natural de desagradar os seres racionais que tiverem alguma opinião contrária. Por favor me diga se eu estiver enganado, mas na sua definição de liberdade só poderá existir um mundo realmente livre quando as pessoas deixarem de ter opiniões sobre as vidas das outras pessoas, ou quando elas forem capazes de ignorar completamente (inclusive em seus inconscientes) essas opiniões quando tomam decisões.
    Outro conceito que vc parece assumir, mas que de forma alguma é unanimidade na academia, é a validade da luta de classes como representador dos interesses das pessoas. É altamente discutível que exista uma “classe” das mulheres, com interesses e visões de mundo iguais. Portanto, é mais discutível ainda que é possível fazer mal “às mulheres” ou definir a opinião “dos homens” ou “da sociedade machista”. Te desafio, inclusive, a achar um grupo de seres humanos que realmente concordem plenamente em tudo. Não acho que exista liberdade real sem fugir de noções coletivistas, só o indivíduo pode falar por si.
    Se vc se der ao trabalho de ler esse texto desse tamanho, agradeço a atenção.

    • Oi, Bruno, tudo bom? Como disse ali em cima, tenho dificuldade em me alongar em comentários porque em geral tudo que eu sentia que conseguia expor publicamente já foi exposto no texto, então, se você sentir falta de algo na minha resposta e quiser continuar a discussão, pode me mandar um email (meus contatos tão ali em cima no lado direito). Dito isso, vamos lá.

      Então, Bruno, existem várias linhas de feminismo, algumas que pregam um individualismo e a existência de “escolhas”, e outras que não. A linha que eu me identifico teoriza sobre a opressão ESTRUTURAL entre homens e mulheres. Ou seja, não existe escolha individual para as classes oprimidas e todas as “liberdades” são condicionadas à socialização do seu gênero. No caso dos homens, socializados como privilegiados e classe dominante, essa liberdade se faz presente – tão presente que se exagera na forma de conivência com violência, porque os homens se sentem “livres” para fazer sexo com mulheres sem receber consentimento. No caso das classes oprimidas, isso não existe: todas as liberdades são previamente condicionadas às exigências impostas pela classe dominante. Essas estruturas são estabelecidas a níveis que, na maior parte das vezes, são inconscientes. Não sei se você já leu Foucault, mas quando ele fala de corpo dócil fala exatamente isso: do oprimido que reproduz, com alegria e cegueira, a opressão. Por isso essa unanimidade que você pergunta é impossível, uma vez que seria necessária uma consciência coletiva que é inexistente.

      To com muito sono, não sei se me fiz entender, mas como disse lá em cima, se quiser mandar e-mail pra continuar, à vontade!

  21. PItágoras

    Ah, a necessidade de se adequar…… Eterna prisão. Excelente o texto.

  22. Juliana Prado

    Muito bacana ler esse texto e ver que meu pensamento de que esse empoderamento por ser gostosa e liberal, fazer e acontecer é uma imensa furada… as vezes ficava me questionando se isso era uma vertente moralista da minha cabeça, mas sempre fez mt sentido para mim que essa lei nova de “poder” n existe….ah!esse papo de sexo casual num mundo de machistas babacas parece estranho para mim…ainda n alcancei esse “desprendimento”…

  23. Obrigada por esse texto maravilhoso <3

  24. Cibele Reis

    Uau! Que tapa na cara esse texto!
    Muito bom!
    Pena que poucas pessoas são capazes de compreender coisas assim…

  25. [vou soltar alguns pensamentos que tive durante a leitura do texto e dos comentários]

    Acho que a idéia do texto é apresentar como a cultura é vendida para a massa. A simbologia, o clima na sociedade, as intenções. Individualmente uma mulher pode ter vontades diversas, ter poder de decisão, ter liberdade para fazer o que bem entender: seja sim ou não; essa é a verdadeira liberdade sexual.

    Não existe isso de ser bem resolvida! O que seria ser mal resolvida – por exemplo?

    A questão maior é: foda-se … é só sexo, é só prazer individual. Não interessa se vc faz, se vc não faz, se vc gosta ou não. (existem pessoas assexuadas – por exemplo)

    O problemas é que hoje em dia o prazer é mistificado, é vendido. E independente de mulheres, individualmente, estarem curtindo seus prazeres sexuais. O corpo feminino é exposto como um OBJETO de prazer.

    Eu nem vou colocar como um objeto de prazer para os homens… mas simplesmente como um objeto de prazer… seja para mulheres, homens o que for.

    Reduzir um ser humano a um corpo e depois a um objeto nunca vai ser uma coisa boa. Mesmo que não seja explicitamente violento, agrega um valor errado a convivência em sociedade.

    As crianças que assistem milhões de comerciais durante seu crescimento, ver mulheres sendo apresentadas como produtos em comerciais… Como isso pode expressar liberdade?

    Gostei do textos e dos videos, esse assunto sempre me fez pensar muito. Porque a liberdade nunca é plena quando se limitam personagens e papeis. Quando as pessoas paparem de taxar as outras teremos uma liberdade de fato. A cada geração criam-se espectros de comportamentos possíveis… nunca vão se cansar disso?

    • Oi, Stella, achei suas colocações bem interessantes 🙂 uma coisa que gosto de comentar para as pessoas que não estão familiares com teorias do feminismo é que, quando você faz parte de um grupo oprimido, não existe essa noção de “individualmente”. Quer dizer, ela pode existir, mas ela precisaria romper tantos padrões que é bastante difícil – por isso a gente fala de relações e opressões estruturais e entre classes, onde a classe homens tem poder sobre a classe mulheres. 🙂

  26. Priscila

    Na minha opinião, feminismo nada mais é do que a prisão machista com pintura cor-de-rosa…
    Precisamos medir forças, construir rótulos, ser parte de algum grupo, seja dos populares ou nerds, dos feministas ou machistas, das “para casar” ou “para ficar”, dos intelectuais ou saradões…

    Todos nós, homens e mulheres, somos muito mais que isso. Apenas não sabemos como lidar com a liberdade ou diversidade, e ficamos presos à rótulos por medo de pertencer a lugar nenhum… Muito triste…

    A propósito, belo texto sobre sexualidade!

    • Oi, Priscila, tudo bom? Nesse caso você está comparando grupos comportamentais, de aceitação/identificação (nerds, populares, intelectuais, saradões) com posicionamentos políticos. O machismo, assim como o capitalismo, por exemplo, são realidades sociais. O feminismo é uma posição política de desconstrução do machismo por uma sociedade igualitária. Você pode comparar o feminismo com outros posicionamentos políticos, como ideologias de esquerda e direita, por exemplo. 🙂

  27. Olha eu na minha humilde opinião, queria q o ser humana fosse livre, vejo mulheres e homens “presos” sinceramente cada um faz o que lhe der na telha, mas é realmente uma falsa liberdade e as próprias feministas são opressoras, pra elas não podemos ser casadas e fiéis que somos chamadas de machistas! Dai eu leio, leio, leio e releio e continuo me perguntando: É obrigatório ser promíscua pra ser feminista ou ter “liberdade”? Se a mulher quer se protistuir problema é dela se ela quer se casar o problema é dela também! Se vocês não foram felizes no relacionamento de vocês parem de ficarem disceminando por aí esse negócio de que mulher tem q dar pra todo mundo pra ser livre!!! A liberdade é fazer o que a gente quer, seja casar com um “machão”, seja ir pra balada todo dia! Parem de enxer a paciência e vão mudar a cabeça de vocês quem sabe aí a realidade de vocês mude!

    • Oi, Tamires, tudo bom? Eu não sei quais feministas você conhece, mas a fidelidade não é uma crítica feminista. A instituição do casamento, por ser uma instituição capitalista, muitas vezes é – mas até isso não é consenso no feminismo. Aliás, o feminismo tem várias correntes. A corrente com a qual eu compactuo é contra, como o texto fala, que haja formas de imposição de comportamentos para que mulheres hajam de acordo com vontades de homens e problematiza o quanto de real existe por trás dessas vontades. No texto falo especificamente de sexo casual por exemplo – você certamente não leu o texto porque a minha crítica é justamente CONTRA a imposição de promiscuidade. A prostituição, que você citou, é uma das formas mais horrendas de objetificação e exploração do corpo feminino, por exemplo. Acho ainda mais importante que as críticas sejam feitas de forma pensada e problematizada – é bem fácil comentar no texto de alguém que questiona realidades sociais que o questionamento é causado por “não ser feliz no próprio relacionamento” (e, bom, eu sou casada há dois anos, então é ainda mais absurdo). Mas o ponto é: nós estamos mudando as nossas cabeças e queremos mudar a das outras mulheres também. A liberdade REAL, a igualdade real, esses são nossos objetivos 😉

  28. É uma versão mais light, mas não passa de mais um texto feminazi que prega o ódio entre gêneros ao invés da tolerância e compreensão.

    Agora os homens são culpados até se as mulheres fazem sexo casual? Por favor, esse texto afirma claramente que a mulher não tem vontade própria e nem cérebro.

    • Pelo contrário, ele mostra que as mulheres têm sim cérebro pra ver quando estão sendo feitas de bobas 🙂 e daí óbvio que vêm homens descontentes e acham que mulheres exigindo respeito = ódio/intolerância. Amigo, ódio são os estupros que rolam (contra mulheres), a violência doméstica (contra mulheres), a exploração sexual (contra mulheres) e eu poderia seguir por dias falando mais um milhão de violências estruturais e sistemáticas CONTRA MULHERES. O dia que os homens quiserem COMPREENDER que precisam respeitar e parar de oprimir, você vai ver que NENHUMA feminista vai ser intolerante 😉

  29. Texto muito bom, apesar de grande não é redundante nem prolixo; procuro saber sempre mais sobre o universo feminino, o acho interessante, enigmático e “educativo”, mas sempre caio no mesmo vácuo de entendimento quando leio tais textos sobre o feminismo e/ou a mulher: Aonde, afinal, a mulher quer chegar? No mais, parabéns pelo “desabafo”.

    • Oi, André, legal o interesse em feminismo. Sobre a pergunta, é bem facil a resposta na verdade: a gente quer chegar em um nivel de equidade em que a gente possa andar na rua sem ter medo de ser estuprada/assediada, que as exigencias de beleza nao sejam absurdas como hoje, que nao exista violencia domestica/obstetricia (alias, qualquer violencia de genero) ou exploraçao sexual, que o aborto seja legalizado, que a mulher possa ser finalmente dona do seu proprio corpo e todos os direitos que nao temos atualmente por causa da opressao estrutural de generos. 🙂

  30. “Pressão para fazer sexo casual”? Bem vinda a um pequeno trecho do universo masculino. Não posso comparar a ~mesma pressão~ exercida em gêneros diferentes pq tem consequências e causas diferentes, mas se as mulheres são induzidas a venderem o corpo como mercadoria, o homem também é induzido a comprar (e é tão heteronormativo quanto soa). Essa roda de consumo atira pros dois lados: uma propaganda promete um harém se o homem comprar certo carro, tomar tal suplemento, ter tal salário ou tal corpo. Ele nem sabe se quer um harém, mas vai atrás de todas essas coisas e nada satisfaz, é induzido a continuar procurando, enquanto a mulher continua sendo usada de objeto-isca. No final quem sofre abusos e mal tratos é a mulher, mas o psicológico e emocional masculino também não fica 100%. Ser homem tem sim seu bônus, mas esse bônus só existe pq “conseguimos” impor um ônus em quem não é homem. Uma mulher nunca vai ser de fato “um dos caras”, e quado se tenta, recebe-se muito mais as desvantagens masculinas (ter que ser sexualmente ativo, provedor, independente e forte e nunca ceder, nunca quebrar) do que as vantagens (não ser molestado num ponto de ônibus e ter salários maiores).

    • Ai, Filippo, desculpa. Meu primeiro impulso foi postar uma imagem de mau gosto aqui porque tenho muita preguiça de homem que tá sentado num troninho de privilégios vir falar “AH MAS NEM TODOS OS HOMENS SÃO ASSIM” ou “AH MAS O MACHISMO ATRAPALHA HOMENS TAMBÉM”. Mas decidi não fazer isso porque to tentando não ser agressiva, por mais que essas falas sejam de uma injustiça tremenda. Mas enfim: você teria coragem de chegar pra um negro e falar “ah mas ser branco também tem desvantagens” ou prum pobre e falar “ah mas rico também sofre preconceito”? Por que é legítimo falar isso pra mulher? Sabe. Numa coisa você acerto: quem sofre abusos e mal tratos é a mulher. E o psicológico do homem pode não ficar 100%, mas fica uns 98%. O da mulher fica em 3%. Quando essa consciência chegar, aí dá pra conversar de verdade.

      • Você até poderia postar uma imagem assim, mas nao faria muito sentido já que pro ponto central do meu argumento não faz a menor diferença se “nem todo homem é assim” ou se “sofremos com o machismo também”. Eu nem usei a palavra machismo.

        Quanto ao psicológico: não separei machismo de homofobia e transfobia, apenas falei de desejos impostos pelo mercado. Não faz bem uma mulher achar que ela é um produto, não faz bem o homem achar que ele é um consumidor sem escolha, não faz bem para um garoto gay achar que deve gostar de garotas, não faz bem para um homem trans não ter espaço ou representatividade. Não faz bem pra ninguém.
        E sério, 98%? De onde veio isso? Eu fiquei no máximo uns 15%, mas levando em conta minha vivência pessoal e meus próprios traumas, e sei que não posso levar isso como regra pra todo homem, então não leve a vida dos homens e mulheres que você conhece como regra também. Querida, sofrimento não se mede e tbn não se faz competição.
        Por que pode falar pra mulher que homem também sofre? Por que das categorias “homem, rico e branco”, a “homem” é a mais performática. Eu fui ensinado a ser homem da mesma forma que você, a ser mulher. Te pergunto, e por que não deveria? Não se deve afirmar isso pra abafar os sofrimentos de ser mulher, e sim pra denunciar a artificialidade e fragilidade das nossas atribuições a cada gênero. Isso sim desafia a roda imposta pelo mercado, transformar em uma opressão maniqueísta nem tanto (apesar de ser mais fácil e divertido).

        Voltando ao meu primeiro comentário: se um negro tenta “ser branco”, ele não só vai continuar sofrendo com o racismo (que também é estrutural) como terá que lidar com o distanciamento de sua cultura original. E esse é o ponto central do meu 1° argumento: tentar se “misturar” com
        quem te oprime não te torna menos oprimidx, e as vezes, de quebra, vc ganha fardos novos.

  31. Clarissa, ha tempo não leio um texto que entenda tanto meus pensamentos. Hoje na verdade foi um dia que passei pensando muito sobre o assunto, sobre o incomodo interno gigante que tenho quanto a essa objetificação da mulher, sobre como isso é tão errado e ainda assim tão presente a cada segundo da nossa vida, em como isso fica no nosso caminho e que ao contrario do que as pessoas me mostram de que ‘é assim que é e eu que devo me acostumar com isso’ na verdade eu deveria lutar para que um dia isso seja muito diferente do que o que vivemos hoje e eis que seu texto veio parar em minhas mãos. Tão bom encontrar palavras que se encaixem tão bem nos meus pensamentos, e que dão forças pra gente continuar lutando para mudar isso, muito obrigada. <3

  32. Boa noite Clarissa, ví seu ótimo texto no “feici” de um colega e acabei lendo vários comentários…Tive namoradas sérias, mas como nao me casei sou apenas mais um que tenta entender oque as mulheres querem no séc XXI. Me parece que hoje todos vivemos o simulacro das coisas e nao as coisas propriamente. Vivemos um constante provocar e negar o sexo que gera muita confusao. Percebo nitidamente essa “falácia” nos relacionamentos casuais, aonde tudo parece repetir os mesmos padroes de falsa liberdade “gritada” de comportamento…Eu ja estive em um site de relacionamentos e infelizmente saí de lá com a impressao (sem generalizar)de se tratar de um balcao de negócios. Ainda assim conhecí mulheres bem interessantes por lá e digo que até pode dar certo com uma delas. O básico é se afastar de pessoas que busquem luxo e bens materiais e procurar aquelas que valorizem o teu conteúdo. E isso vale para ambos os sexos! Vivemos sim em um mundo machista (com variacoes segundo o país em questao) e tenho percebído que para muitas mulheres ser bem resolvida é repetir a idéia de ser poderosa e assim quase inacessível: ser competitiva e trabalhar muito, fazer academia e congelar seus óvulos aos 35 para esperar “o cara” certo (que esteja a sua altura), ou entao bancar as suas próteses de silicone que a convertam em uma amada-odiada panicat. Adoro o TED, ao contrário de vc eu fugí de SP p o Sul do Brasil, desculpe a falta de alguns acentos e espero ter sido compreendido.

    • Oi, Tom! Acho legal que você se interesse sobre o assunto, mas queria frisar que esse texto não é focado em relações amorosas ou sexuais – mas nas implicações de opressão estrutural que essas mesmas relações atingem atualmente no nosso cenário 🙂

  33. Felipe Renê

    Olá, gostei muito do seu texto, inclusive concordo com algumas linhas de raciocínio contidas nele. Mas, é inevitável perceber que você, como toda feminista, é exagerada, intolerante, faz analogias equivocadas, é aparentemente amargurada, e adivinha de quem é a culpa? Rss… Não seria machismo achar que a infelicidade de algumas mulheres seria causada por homens? Vocês são independentes! Trabalham, estudam, divertem-se, satisfazem-se sexualmente sozinhas ou com parceiros(as), aí lêem um anúncio machista e a felicidade acaba? Gatas! O mundo é de vocês! Essa “pepeca” é capaz de irracionalizar qualquer homem. E nós? O que temos para mexer com a cabeça de vocês? (fui machista pra caralho agora… Mas como seríamos iguais em tudo, se nos homens o comportamento sexual se sobrepõe ao racional e nas mulheres não? (por exemplo) Na minha humilde opinião, somos completamente diferentes, e as feministas não respeitam essa questão. Se me faz bem transar com duas mulheres, independente se cheguem ou não ao orgasmo, não devo ser crucificado. Se elas estivesse curtindo aquilo tanto quanto eu, teriam chegado… Da mesma forma que se as garotas não quiserem o ménage, eu não vou gozar também! (A menos que eu me vire sozinho)
    Da mesma forma que mulheres podem (e devem) ter suas fantasias eróticas, e nós normalmente aceitamos (adoramos sexo!). Só que impomos uma condição: o sexo só acaba quando nós chegamos ao orgasmo. Por que vocês não fazem o mesmo?
    Vou contar uma historinha: Minha esposa é mais machista que eu (criada em interior, com princípios extremamente machistas enraizados desde a infância). Namoramos 3 anos e ela sempre fingiu orgasmo. Quando descobri? Na lua de mel. Quando transamos na cobertura do hotel, a reação, lubrificação e até a fisionomia dela mudou. Em nossa lua de mel tive a primeira noção do que dava mais prazer a minha esposa: o risco de sermos vistos. Conclusão que só cheguei meses depois em uma viagem que fizemos com outros casais amigos nossos, quando na madrugada, com todos dormindo, transamos e as reações se repetiram. Ali, tive certeza de que em todas as outras transas (exceto a da lua de mel) ela não chegava ao orgasmo. Preocupado (em ela me trocar por outro que a fizesse gozar sempre) tentei conversar, perguntar, redescobrir os pontos erógenos, etc. Mas ela mentia! Dizia que gozava sempre (ela tinha um misto de vergonha e medo de que eu terminasse por não me achar capaz de satisfazê-la – Pode um negócio desse?) Eu tinha uma certa fama de bom de cama (pelos comentários de duas amigas delas que já haviam transado comigo antes do começo do namoro) e ela se culpava por não chegar lá. Após outras experiências de sexo com o risco de sermos flagrados e os respectivos orgasmos, cheguei a conclusão de que todo sexo teria que ter esse risco. Transamos anos na escadaria do prédio, na janela (de madrugada), na sala com a porta aberta esperando visita… Rss – Hoje ela já goza mesmo sem risco (graças a Deus! eu nunca gostei muito disso), mas as vezes ainda rola. O importante é que ao menos essa condição, ela já impõe! Sexo precisa de orgasmo de ambos os lados. Sinto-me mais confiante sabendo que minha mulher gozou antes de dormir ou de ir para o trabalho. Onde eu quero chegar com minha história? Somos diferentes (homens e mulheres), mas temos os mesmos direitos. Diferença: homens impõem suas necessidades, mulheres normalmente não… Agora a forma de impor é que precisa ser vista. Eu gosto de sexo anal, por exemplo, minha esposa faz pra me agradar. Mas eu também não gosto de sexo oral e faço para agradar. Uma negociação resolve tudo entre quatro paredes.
    Jamais obrigaria uma mulher a fazer sexo em qualquer que seja a modalidade comigo, aí sim é estupro… Mas uma atriz pornô, que aceita o dinheiro pelo sexo, e acha que vai lá sentir prazer chega a ser idiotice… Ela tá lá pelo dinheiro e não pelo prazer! Ou ela faz de graça? Ela está ali para satisfazer aos fetiches de homens, e será bem paga por isso. Um gari é pago para recolher o lixo (muito mau pago inclusive), eles fazem por prazer ou pelo dinheiro? Correm riscos, são expostos a diferentes perigos por prazer? Claro que não! Esse argumento de estupro pornô pra mim é pura hipocrisia. Pornô hardcore existe porque tem quem faça! Se ninguém aceitasse o dinheiro, não existiria! E atriz nenhuma faz enganada, como sugere Linda Lovelace! Ela sabia tudo que ia rolar, pois é documentado em contrato! Inclusive atrizes que fazem anal são mais convidadas que as que não fazem e mais bem pagas pelo trabalho também. Cada um tem a fantasia que quer, e se o outro(a) topa, vai acontecer… Comparar uma mulher que escolheu receber dinheiro para satisfazer aos fetiches masculinos com uma mulher que não tem condição de defesa contra um marginal, é no mínimo leviano…
    Outra historinha: Quando eu tinha uns 15, 16 anos, um homossexual me ofereceu 100 reais pra eu deixar ele fazer sexo oral em mim. Eu disse que iria pensar, e falei com meu pai. O conselho que recebi foi o seguinte: Se você gosta de sentir outro homem te tocando, faça de graça! Mas se você faz uma coisa que julga errado por dinheiro, está demonstrando falta de caráter. Significa então que se outro oferecer mil você “comeria”, 10 mil você “daria”, e 100 mil iria morar com ele e ainda chamaria de alma gêmea, né? – Onde quero chegar? Se ela topou fazer algo que julga ser um estupro, o problema não é o machismo e sim a falta de caráter…

  34. Emily Edwards

    Clarissa, obrigada por instigar nossos pensamentos, e realmente, é um trabalho de formiguinha.

  35. Oi Clarissa, obrigado por responder o meu comentário. Entendí em que se estrutura o texto e sim percebo oque está na pauta. No entanto, apesar de eu ter uma formacao humanista, nao tenho tanto conhecimento sobre o Radical Feminismo para aprofundar o assunto de maneira relevante. Vendo que já havia um monte de comentários resolvi abordar questoes mais cotidianas…Só achei curioso vc frisar o fato de o texto nao focar em relacoes amorosas/sexuais, mas nao o fazer antes para com alguns posts que foram até bastante mais diretos nesse sentido (como o da Louise do dia 03). Até pelo fato de o texto tratar tb de pornografia, eu nao saí tanto assim do tema e tenho ainda uma dúvida: Diferenciando aqui pornografia e erotismo, vc diria que a mulher tb é retratada subjulgada em relacao a do homem, mesmo em filmes cult eróticos (filmes de arte) ou em soft porns (que em teoria servem para incentivar a vida sexual de casais “normais”)? Existe o bom erotismo?

    • O comentário da Louise traz as relações sexuais/amorosas como SINTOMA de um problema maior (opressão), que seria a doença de base, a causa. O seu comentário trazia isso como a ORIGEM, como a própria doença, que, como eu disse, não é o caso.

      Ex: o problema não é pornografia, se todos os problemas de relacionamento/sexo fossem a pornografia, bora acabar com ela e ser feliz. O problema é a opressão estrutural que cria VÁRIOS sintomas – desde extremos como violência doméstica, crimes passionais, estupro etc até outros mais sutis como padrões de beleza e de comportamento (onde entrariam relações amorosas e sexuais). Ou seja, eu to falando de UM SINTOMA de uma coisa MUITO MAIOR. A Louise parecia compreender isso no comentário.

      Eu não sei se existe o bom erotismo. Mas, se existe, nunca vi, nem comi, eu só ouço falar rs. Agora sério: a indústria pornográfica inteira é calcada na exploração das mulheres, não é só o filme que tá passando o problema (embora seja um baita problema). A indústria por trás também é e também precisaria de reforma – não se trata do produto, só, mas do processo.

  36. Texto maravilhoso, só discordo da parte de q a sexualidade da Miley Cyrus não é pra agradar homem. Ela foi meio q colocada como um modelo dessa outra libertação q o texto propõe. Discordo mto.

    • Oi, Susy, pra ser honesta eu concordo completamente com você. A maior parte das entrevistas e vídeos com ela me mostram exatamente isso. 🙂

      Eu escolhi essa foto porque, especificamente nessa apresentação, ela foi rechaçada de maneiras absurdas. E eu li uma entrevista em que ela declara que “ela não queria ser sexy, ela queria usar a sexualidade pra chocar”. E eu achei interessante porque a Selena, por exemplo, tá SEMPRE fazendo cena pra homens e é adorava. A Miley, nesse momento, só nessa apresentação, hipersexualizou pra chocar, sem se ligar em seduzir homens, e isso causou uma rejeição imensa. Eu não acho que a MILEY seja liberta, não defendo ela. Mas eu acho que a reação do público nessa situação é um exemplo claro de que a sexualidade feminina tem que ser sempre refém do que os homens querem 🙂

  37. Apenas mais um texto filiado ao movimento coitadista brasileiro. A autora deve ter embarangado com a idade e então resolveu se revoltar contra os homens depois disso.

  38. Felipe Renê

    Sobre a mulher legal ser a mulher com atitudes masculinas, porém com aspecto sexy feminino, isso é muito relativo! As minhas amigas que são “um dos caras”, por exemplo, não despertam desejos ao grupo. É até meio desconfortável quando homens dão em cima delas em nossa presença. Mais estranho ainda são elas contando sobre suas peripécias sexuais, pois a visão sexual feminina é bem diferente da masculina… Lembro de uma dessas resenhas onde uma descrevia desde a entrada do hotel até o cheiro das velas aromáticas, de como ele a acariciou, da preocupação dele com o preservativo, da banheira, do champanhe, etc. E nós (homens do grupo) ali salivando esperando a “parte boa” (Se ele correspondeu as expectativas, quantas vezes ela gozou, quais posições, se broxou, negou fogo, se teve algum comportamento incomum, ejaculação precoce…), ela falou de tudo com detalhes, menos sobre as coisas que mais interessavam agente… E isso não as tornam menos “brothers”! Ter um ângulo diferente de visão ou gostarem de partes diferentes de uma mesma coisa. Mas o que as tornam Brothers é gostar da mesma coisa. Eu gosto do celular da Nokia porque é resistente, você gosta porque tem câmera e sons de qualidade, outra pessoa porque a bateria demora de acabar, e todos gostamos do celular Nokia, entendeu o que quis dizer? Colegas meus já namoraram e normalmente não da certo, por uma série de motivos, mas o principal, é que homens que gostam de mulheres não vêem “um dos caras” como mulher, por mais sexy que ela seja… Mas qual o problema na garota ter amigos e ter o namorado fora desse ciclo? Nós não gostamos de misturar nossas 1ª damas e 1º cavalheiros com roda de amigos, a não ser que sejam todos ou a maioria casais…

  39. Gabriela

    Cris, acho que, de maneira resumida, a autora quis dizer apenas que nem sempre uma mulher tem uma prática sexual de acordo com seu VERDADEIRO desejo. Muitas mulheres adotam práticas ditas liberais para se enquadrarem no novo conceito de mulher bacana/interessante. Àquelas que tem conduta sexual liberal por pura vontade PRÓPRIA, parabéns. Mas parabéns de verdade, sem ironia. Se você quer ser parabenizada por ser uma delas, então parabéns! Satisfeita? Legal, agora saiba que, se isso for verdade, você é uma exceção à regra. Quando se faz parte de um grupo oprimido (pra evitar seus questionamentos a respeito do uso dos termos de classe e gênero) muitas vezes é difícil separar o que é um desejo próprio verdadeiro do que o que a maioria esmagadora da sociedade espera (e cobra) que você deseje (ou represente desejar). Já crescemos entranhado em nossa linha de pensamento os dogmas patriarcais impostos pela sociedade.

    E à Clarissa , parabéns e muito obrigada por buscar, trabalhar e me dar de presente um referencial teórico pra me libertar. Despertou em mim um desejo de participar e ajudar nessa luta. Por dever e também por gratidão a vocês que assumem a denominação de feministas e apanham em nome de todas as mulheres do planeta.

  40. Clarissa, adorei seu texto. É tão difícil tocar nesses assuntos dentro de algumas correntes feministas, porque sempre somos chamadas de moralistas. Parece que as pessoas não conseguem ver ‘the bigger picture’, sabe?

    Amo quando consigo achar textos e blogs rads! Me sinto menos sozinha na luta =]

  41. Esta questão para mim é bastante confusa. Frente a algumas situações, realmente não sei o que pensar… Não sei o que pensar, por exemplo, do poledance quando utilizado para danças eróticas da mulher para o homem, e não como uma forma de expressão artística ou desempenho esportivo. Simplesmente não entra na minha cabeça… Na maioria das vezes o pole é tratado apenas como um falo gigante, não como uma ferramenta para demonstrar acrobacias bonitas. E quando me manifesto sobre o assunto, me reprovam e chamam de puritana/reacionária/moralista…
    Ao mesmo tempo, me sinto muito desconfortável com a burca muçulmana ou as vestimentas totalmente cobertas de pessoas religiosas em geral. Porque, do meu ponto de vista, se submeter a isso é concordar com uma cultura que prega a inferioridade feminina.
    Mas afinal, o que é liberdade? O que é vulgaridade? O que é objetificação? O que é sensualidade?
    Acredito que, dependendo do contexto e da cultura, estas respostas variem.
    Analisando a questão do ponto de vista ocidental judaico-cristão, eu diria que a definição de liberdade sexual está contaminada por camadas e mais camadas de culpa católica x rebeldia. Me parece, portanto, que esta maneira distorcida de ver a sensualidade não liberta, pois parte do suposto que “sexo e qualquer coisa afim é sujo”, portanto ser livre é confrontar estes valores adotando posturas pervertidas, servindo de objeto para um monte de marmanjo babão.
    Não sei se fui clara ou se estou sendo contraditória, é que este assunto para mim é bastante nebuloso, dentro do universo feminista. Muitas vezes não sei definir aonde começa e aonde termina a liberdade e a opressão. Às vezes pode ser uma questão muito mais subjetiva, também. Pode ser que uma mulher se sinta totalmente realizada, feliz e livre servindo de objeto sexual aos outros, ou, ao contrário, vivendo escondida embaixo de uma burca.
    O meu conceito de liberdade sexual, por outro lado, está atrelado ao reconhecimento da beleza de uma pessoa da pele para dentro e de dentro para fora, sem barreiras, sem desigualdade, sem julgamentos, sem esse ranço de culpa religiosa. À naturalidade e aceitação da nudez feminina e masculina. Ao amor indefinido, terno, respeitoso e apaixonado.

  42. Lá vem as Amazonas revoltadas…

  43. Nina Orcy

    Oi Clarissa, nunca tinha lido teu blog mas acabei chegando aqui. Adorei teu texto e as recomendações de vídeos sobre o assunto. Acho que cada vez mais esse tema do feminismo vem surgindo na sociedade e é notável como tem causado efeitos. Eu noto como muitos homens se sentem ameaçados. Como cada vez mais artigos sobre isso tem sido compartilhados pelas redes. E como parece que hoje em dia se assumir feminista significa ouvir dos outros coisas como: feminazi, chata, não tem senso de humor etc. Eu sempre gostei de ler sobre o assunto, mas muitas vezes fico chateada com textos feministas que não me representam. Por ter um sentimento de ódio, ou por não serem bem fundamentados. Então queria dizer que adorei o teu texto! Tá muito bem escrito! Parabéns, vou ler mais teu blog 🙂

  44. Muito bom o texto. Não sou feminista, mas sou a favor da compreensão de todos de como a cultura mundial está reduzindo as mulheres e através da reflexão promover um futuro diferente.
    Continue a instigar o pensamento, Clarissa, por favor!

  45. Nathália

    Adorei o texto, esclarecedor e extremamente enriquecedor, chegar a causa dos problemas é de fato a única maneira de resolvê-los. O que a maioria chama de problematizar ou chamo de refletir, obrigada Clarissa!

  46. Lucas Madi

    Parabéns pelo texto Clarissa! Muito lúcido o tempo todo, sem cair em lugares comuns ou coisas do tipo. Estamos precisando dessa lúcidez para problematizar temas como esse, não são pontos fáceis de se discutir.

    Sempre há aquelas pessoas que comentam textos desse cunho com o intuito de desmoralizar o/a autor/autora. Apesar de sabermos que eles são muitos não se deixe abalar, tem gente que precisa ler esse tipo de texto.

    Repito: parabéns pela coragem principalmente, textos polêmicos como esse tem se mostrado essenciais para nós esses dias.

    Abraço!
    Lucas Madi

  47. Gostei do texto, mas, apesar de entender que algumas mulheres odeiem os homens, não vejo sentido em, dessa maneira, cometer o mesmo erro que muitos homens cometem contra as mulheres.
    Com relação à pornografia, não consigo entender porque mulheres se prestam a trabalhar uma área que serve quase que única e exclusivamente a satisfazer os homens. Não acaba sendo uma profissão extremamente machista?
    Um abraço
    O.

  48. Cla, seu texto é bem inquietante! E era de se esperar tantas divergências ideológicas, alguns machistas (homens e mulheres machistas), e, também, é claro, aqueles que não entenderam o escopo deste conteúdo. Não sou feminista,mas questiono muito os valores e regras ditados por séculos de machismo controlador e assassino. É dever social das pessoas com um certo bom senso crítico levar à superfície temas tão complexos e polêmicos. É preciso ser valente para levar adiante o que se pensa, se constrói e se descontrói. Sempre é tempo de luta.

    Pessoas que tem clareza, como você, para escrever devem sempre trazer à discussão esse tipo de assunto.

    E o que defendo é que nós mulheres não devemos viver mais à sombra masculina. Outros tempos; outros valores.

    um abraço e parabéns pela polêmica(positiva) que gerou.

  49. Tirando o fato de q sempre fui curioso em relação ao feminismo e preocupado em não passar adiante concepções machistas, repensando, esse texto praticamente expôs tudo q eu sempre pensei. Essa atitude de ser desbocado em rede social, fazer um esforço pra mostrar pra TODOS q heterossexualidade e monogamia são valores ultrapassados, nada disso me cheirou bem. Todo mundo pode pensar isso, ter esse estilo de vida, a mulher tem todo o direito de dispor do seu corpo como bem entender, mas desconfio muito qdo a coisa é panfletária, como se dissesse “vcs homens podem, a gente pode tb”. Aí cai no q vc falou: será q toda essa performance, por vezes exacerbada e agressiva, essa sensualidade em tempo integral, se traduz na intimidade, na subjetividade? Se sim, ótimo, maravilha, sorte sua. Se não, é jogo de cena, q toma o olhar dos homens como referência, oq passa longe de ser liberdade. Taí uma crítica q há tempos merecia ser feita 🙂

  50. Bom, este texto serve com fonte para uma “contra agumentação” a outro que vi; de uma autora que vai apresentar seu trabalho sobre feminismo na Universidade de Columbia, onde o objeto de estudo é o funk brasileiro como meio e libertação sexual. Tinha achado a ideia mto controversa; e seu texto agr me parece extremamente pertinente, embora também tenha críticas a ele. Ainda lerei várias vezes até conseguir “digerir” tudo o que foi escrito e verei os vídeos também.

    O importante é salientar, que pelo menos agora concordo com outra pessoa aqui, que a lógica de de “engolir, modificar e reproduzir” parte do pressuposto da indústria cultural a tudo que vem de “revolucionário” e transformador na sociedade. E o feminismo se encaixa muito bem neste papel, mas não é único. Logo, não acredito que este pseudo feminismo tratado no texto e a “falácia da liberação sexual” seja um problema singular do movimento, mas de toda lógica do sistema.

    Acredito por outro lado, que as simplificações do feminismo- que trata somente sob a ótica de capital e trabalho (o feminismo que se encerra a partir do momento em que as mulheres assumem lugares em postos de trabalho elegendo um falso pressuposto de igualdade) é um problema particular do movimento. Já li sobre o feminismo no BR ainda só serve “às mulheres brancas, universitárias de classe média” e que as de classe baixa ainda se encontram inferiorizadas, prezas por um modelo familiar ajustado para manutenção do abismo social existente no país. E este quadro está inserido dentro de uma lógica familiar, como bem explica Marilena Chauí no texto O que é ideologia. São Paulo: Brasiliense, 2012. – (Coleção Primeiros Passos; 13), p. 135

    “Se, por exemplo, pudesse mostrar que a família proletária tem por função exclusiva reproduzir a força de trabalho procriando filhos, teria de mostrar que é por isso (e não por razões religiosas e morais, que justamente são ideológicas) que a mulher proletária não tem direito ao aborto decente nem o direito ao anticoncepcional, a não ser quando, em virtude da modificação tecnológica que leva à automação do trabalho, interessa aos dominantes diminuir a quantidade de oferta de mão de obra no mercado de trabalho. Nesta hora, os dominantes, através do Estado, inventam o chamado Planejamento Familiar, que pretende, pela diminuição numérica dos trabalhadores, resolver o problema real da miséria e da desigualdade social[…]Se a ideologia mostrasse todos os aspectos que constituem a realidade das famílias no sistema capitalista, se mostrasse como a repressão da sexualidade está ligada a essas estruturas familiares (condenação do adultério, do homossexualismo, do aborto, defesa da virgindade e do heterossexualismo, diminuição do prazer sexual para o trabalhador porque o sexo diminui a rentabilidade e produtividade do trabalho alienado), como, então, a ideologia manteria a idéia e o ideal da Família?”

    Aí entra um dos meus questionamentos. Seu texto ainda é uma discussão, ao meu ver, que é pertinente a um pequeno número de indivíduos (de classe média) que são bombardeados por uma ideologia deturpada de liberação sexual, enquanto a maioria das mulheres do nosso país ainda sofrem diariamente com o “machismo fácil de reconhecer” exemplificado no começo da minha leitura. Só queria saber sua opinião: concorda ou discorda?

    PS: não por isso o considero menos necessário!

    • Olha, acho que a realidade do funk brasileiro e da periferia negra é diferente da realidade que eu to endereçando nesse texto. Sim, esse texto está falando diretamente com as mulheres brancas, universitárias e da classe média – como eu – que também continuam sendo oprimidas mesmo quando acreditam que estão liberadas. Não acho que meu texto seja contra-argumentação nenhuma porque são realidades diferentes e diferentes culturas precisam de diferentes análises.

  51. Expliquem isso aqui pra mim, por favor.
    Como diria um perturbado Criolo (doido, o artista do rap)
    AJUDE-NOS, LÁZARO, A COMPREENDER ISSO:

    http://www.humbledfemales.net/

  52. Texto com muita lucidez foucaultiana, raridade em tempos que muitos sexólogos e psicanalistas, e demais falastrões do sexo, de muita gente “descolada e livre sexualmente” fazem questão de aclamar a liberdade sexual sem se darem conta de que isso é mais um avatar de dominação masculina, interessante para o consumo, para o capitalismo, para a docilização dos corpos. Estou de acordo, liberdade sexual talvez seja algo muito raro, aliás, falar em liberdade sexual em tempos de liberdade sexual já seria um contrassenso! Talvez seja justamente essa obsessão das subjetividades e dos corpos em se mostrarem como libertos sexualmente que denuncia nosso atolamento sexual. Triste porque a dominação masculina vai se tornando cada vez mais sofisticada, travestida justamente de liberação sexual. Obrigado pelo texto 😉

  53. Clarissa, o texto que você escreveu reflete exatamente o que eu pensava em meu interior há anos. Ficava (e ainda fico) perplexo em ver certos comportamentos da mulheres como se sujeitar a fazer comerciais de cerveja ou participar de programas televisivos quase nuas e sujeitas ao ridículo só para atrair audiência e propor entretenimento, entre outras. Me questionava: se eu fosse mulher, não me sujeitaria a determinados papéis e estereótipos que vejo muitas delas praticarem só pra agradar geral. Concordo com você sobre o uso da sexualidade feminina de com forma de opressão disfarçada e, em muitos casos, imperceptível a maioria das pessoas. Enfim, na Modernidade em que vivemos, tudo é fagocitado para se tornar comestível, digo, consumível virar produto para um novo nicho de mercado e mulheres que tentam se promover a partir da polêmica sexual (Lady Gagas, My.. Cyrrus, etc) só são mais uma que se sujeitam a manter o status quo. Beijos e te parabenizo pelo excelente reflexão

  54. Clara Oliveira

    Clarissa, me identifiquei com todo o seu sentimento de passar a defender o feminismo e se tornar a chata do grupo. Perdi alguns amigos recentemente, principalmente porque é impossível agora ignorar o caráter deles diante o machismo. Estudo na Universidade Estadual de Santa Catarina, em Florianópolis. Tivemos um episódio nesta semana que causou muita mágoa e angústia pra muita gente, enquanto para outros era só a nossa incapacidade de distinguir a piada violenta da violência violenta. Cinco meninos formaram uma banda de ‘glam rock’ e em uma festa produzida por alunos de teatro eles bateram uma foto, com os cinco enfileirados, quatro deles tinham uma mulher- suas parceiras- agachadas fingindo fazer um boquete. O menino que não tinha uma mulher pendurada na sua virilha tomava uma cerveja- essa era a piada, ele postou depois a foto com o título “prioridades”- e a foto foi postada como capa da banda. Claro que os comentários das fotos se alternavam entre denúncias de machismo e chacota de feministas (um menino afirmou que as feministas eram parecidas com Hitler, você já deve ter ouvido essa antes)
    Enfim, em meio a essa situação, o seu texto me serviu de grande apoio pra enfrentar essa situação e muitas outras que estão por vir. Obrigada.

    • Oi, Clara, também perdi muitos amigos, mas vale a pena saber que a gente não tá contribuindo pra normatização e perpetuação de um padrão opressor. Seu relato é horrível, me causou um mal estar tremendo também – você não tá sozinha, isso que eles fizeram é violento. Sério. Sinta-se abraçada :~~ e que merda cara, que merda.

  55. Jose Anonimato

    Gostei do texto, porem me perdi com uma coisa, pois de fato tenho um problema em me perder um pouco, mas existe um ponto de solução sugerido ? um ponto de busca para a melhora certo? este ponto não ficou claro pra mim, compreendi o texto ou pelo menos acho, mas não compreendi bem a questão final do tipo, a liberdade falsa é prejudicial e deve ser exposta as mulheres que estão perdidas a essa questão, seria isso ? porque dentro dessa tal liberdade existe a parte saudável certo ?
    Eu me recordo que um dia vi um filme, anos atras, onde uma mulher era uma ninfa, transava com o porteiro, o homem que vendia na rua, o vizinho, uma mulher que decidiu entrar em um mundo desenfreado de prazeres sexuais, ao terminar de ver o filme pensei, bom tudo que perde o freio pode ser fisicamente/psicologicamente não tão saudável, mas ainda sim não vi ela como uma vagabunda ou qualquer tipo de jargão desses, apenas vi uma mulher querendo ter experiências mais extremas com sua sexualidade. Mas ao longo da caminhada, observei mulheres que se sujeitavam a mais relações sexuais, a uma “liberdade” total mas no fim, ao conhecer o intimo de algumas eu via que não era o que elas gostavam, outras se apaixonaram conheceram um mundo que não conheciam antes. E com o tempo na qual fui aprendendo e ainda estou a ser menos egoista em tratar a mulher como um objeto que supre minhas necessidades sexuais(afinal, me perdoe, mas sou falho, não vou dizer que nunca mais vou usar da falsa liberdade para me beneficiar em uma transa imediata convencendo uma mulher a partir dessa ideia.)
    Hoje não procuro ser feminista, machista, conservador, procuro ser respeitoso e policiar para não deixar meus desejos egoístas ferirem uma pessoa.

    Engraçado, uma ex namorada, um dia pegou um video de porno aberto em meu computador, não ficou brava, ficou curiosa, estávamos fumando um baseado, conversando rindo, quando isso ocorreu por acaso, ao trocar a musica. E então ela disse, vamos assistir ? a principio eu pensei bom, se é uma vontade sua vamos, não sei como isso vai ser pra mim, mas vamos, então começamos, obviamente senti muito tesão e assumo que estava gostando, e então ela mandou parar, disse que o homem do filme era feio, não tinha barba, não tinha o pau bonito e pra ela estava sem graça, e se fosse um cara com uma estetica semelhante a minha que era o que da a ela tesão ela iria gostar da experiencia, demoramos vinte minutos pra achar um video assim, assistimos, transamos posteriormente e só. Eu não sei se iria sugerir isso um dia, o até iria, afinal é um namoro, existe uma questão de liberdade em dizer sim e não caso não seja algo de agrado ou seja algo de desconforto. Mas no trabalho ouvi um amigo, que diz assistir porno com a namorada, disse que sugeriu para ela, foi muito bom e ela tambem gostou, e disse que virou um rito, sempre faz e ela aceita, enfatizou que ela gosta, disse que passou a colocar videos de sexo a 3 para amaciar a ideia de um dia sugerir algo mais moderno. Pensei com meus botoes, posso estar errado, mas talvez essa mulher tem abandonado seu prazer, vontades e escolhas, para não ficar feio na foto, afinal o namorado dela é um cara que banalmente falando, atrai atenção de muitas mulheres. por fim, acho que agora existe um agente que contribui com a opressão usando a liberdade como mascara, isso ao mesmo tempo não significa que muitas mulheres podem ser mais felizes com essa liberdade caso elas se respeitem, e sejam respeitadas (o que é mais dificil) mas isso vai um pouco da sabedoria em saber escolher o parceiro, ou ate mesmo em impor o respeito. Tenho uma amiga moderna, gosta de mostrar o corpo, gosta de ser cantada na rua, não gosta que encoste nela e quando isso ocorre ela anda com um teaser e spray de pimenta na bolsa, uma mulher que pode ser facilmente estereotipada, que anda em minha roda de amigos, mas não gosta de sexo a tres, não gosta de anal, e nem sexo casual e todas as vezes que o assunto entra em pauta ela da um show.

  56. Illusion

    Nada importa, pois dentro de um tempo menor do que imaginamos, tudo muda, e você perdeu seu tempo e foi para baixo da terra.

    É essa ilusão sobre o controle da vida que manifesta essa consciência coletiva.

    A natureza é impermanente, e há poucas escolhas, e o nosso pensamento é a resistência paradoxal. Você tem uma escolha, deixar se levar pelos pensamentos, ou ignorá-los..

  57. Clarissa, boa noite!
    Gostei muito do texto! Sou homem e mesmo assim me identifiquei muito com ele. Infelizmente essa opressão não é exclusividade contra o sexo feminino, mas com todos nós. Diariamente somos bombardeados com propagandas, filmes, músicas e livros sempre nos dizendo como devemos nos comportar, o que é felicidade, o que é ter sucesso. Para piorar, essas mensagens são carregadas de apelo ao ego/orgulho, ou seja, sempre colocando que precisamos de outras pessoas, da aceitação delas para sermos felizes.
    Na realidade, a única pessoa a quem você deve satisfação é a você mesmo(a). O único jeito de você encontrar o equilíbrio, é se conhecendo e escutando a você mesmo.
    Somos todos “violentados” mentalmente. A diferença é que cada “sexo” responde com atitudes diferentes (ou não).
    O único caminho para nossa libertação é nos conhecendo. Conhecendo o que nos motiva e a partir disso estabelecer o que você quer para a sua vida. Para você! Agind, a partir desse momento, de forma consciente.

    Ps: você escreve muito bem. Parabéns!

  58. Alice Martins

    olá,
    seu texto é excelente. Há pouco tempo aconteceu um fato comigo: estava numa balada e um cara me seguindo, depois q eu ignorei ele fui xingada de tds os nomes possíveis. Colei em uns amigos meus e ele sumiu, fui embora uns 5 min depois. Dia seguinte me disseram q ele bateu numa moça, detalhe q ele era da PF e estava armado.

  59. Guilherme

    Thiago, você externou exatamente o que penso.
    Ultra feministas combatem cegamente o estupro, violência contra mulher, sustentando a tese de que mulheres são vítimas da sociedade patriarcal em que vivemos. O fato é que a muitos anos a violência – inclusive a sexual – contra a mulher – e inclusive contra o homem- são crimes. Ou seja, a sociedade já entende que um estupro é um crime, independente de alguém achar que a mulher mereceu ou não (sinceramente, ao meu ver, ela nunca merece). Atualmente existe até delegacias especializadas para mulheres porque elas são as mais atingidas pela violência domestica e afins (não pelo fato de serem “seres” oprimidos da sociedade, mas sim pelo fato de simplesmente serem mais fracas fisicamente que os homens).
    Do meu ponto de vista, não há mais o que a sociedade possa fazer pelas mulheres que se encontram oprimidas, visto que esse é um sentimento que não é exclusividade delas. Todos nós somos julgados pela sociedade! Homens são julgados tanto quanto mulheres, a diferença é que não existe um movimento que defenda o bem estar social dos homens. Segundo as feministas, ninguém além delas são oprimidas. Isso é uma grande falácia! Não existe um só ser humano na nossa sociedade que de alguma forma não seja oprimido, seja pelo olhar de reprovação em função de seu peso, sua altura, seu cabelo (ou falta dele), seja por não saber falar em público ou qualquer outra dificuldade ou diferença que a sociedade o impõe como correta. Todos sofremos com isso! A diferença é como reagimos a essa imposição.
    Francamente, dizer que a sociedade te julga e se fazer de coitadinha se você gosta ou não de sexo casual é de um egocentrismo sem escalas. Você tem o direito de gostar ou não gostar do que quiser, sexo casual, sexo depois do casamento ou sexo de ponta cabeça, desde que não provoque mal a alguém está ótimo e ninguém vai ter nada a ver com isso. Dizer que é oprimida pela sociedade porque te chamaram de puta pois gosta de sexo casual: pelo amor de Deus, tenha vergonha na cara e parar de frescurinha, textos indignados no facebook pra cá e pra lá não vão te fazer sentir melhor. Assim você só vai conseguir mais julgos da sociedade, se sentir mais oprimida, ter mais raiva de quem tem valores diferentes dos seus e não vai superar nada. O melhor a fazer é cagar pra quem te julga puta por gostar de sexo casual, ou pra quem te julga santa de mais por gostar de sexo após casamento, por exemplo. Ninguém tem nada a ver com teus gostos, não existe certo ou errado em questão de gosto. Não tente convencer ninguém que essa ou aquela forma de viver é a melhor, apenas viva da forma que você acha melhor e conviva com quem gosta de você do jeito e do tipo de sexo que você gosta.
    Ademais, feministas ainda falam que ao sair na rua são olhadas com desejo e assediadas verbalmente e por isso são oprimidas. Olha, já fui olhado com desprezo, já fui xingado por outros homens e mulheres, também já fui tratado como uma coisa pelo outro gênero e nem por isso me faço de coitado e oprimido. Entendo que por mais que me julguem, alguém que me acha um escroto me trate mal ou me xingue sem fundamentos que realmente façam diferença na minha vida, somente eu sei quem eu realmente sou. Não é um cara ou uma mulher na rua que mal me conhece, que me rejeitou ou rejeitou a minha forma de viver que sabe a verdade sobre mim, se souber e mesmo assim me rejeitar, azar o desta pessoa, continuarei vivendo da forma como acho certo e o deixarei com sua opinião sobre mim. Acredito que esta é a verdadeira forma de enfrentar o ‘problema’ que são os esteriótipos.

  60. Boa noite Clarissa,

    Tenho me adentrado nesse mundo feminista há pouco tempo – nominalmente e reconhecidamente – mas antes sempre percebia facilmente esse tipo de opressão estrutural.

    Tem muita coisa escrita por aí por cima que já me perdi, e queria pedir se você pode encarecidamente me passar por email livros e textos que você acha interessante pra eu me adentrar no assunto. Ultimamente tenho percebido que o feminismo liberal também tem suas opressões, e prisões, e estava me sentindo acuada com isso como em contrapartida estava me sentindo acuada pela sociedade até mesmo em me denominar feminista por conta das ditas ‘feminazi’ ou misandria, várias vezes posso até ter reverberado discursos pra defender os opressores. Se puder me ajudar a esclarecer os pensamentos com essas leituras, me ajudará muito.

    Aguardo

    ps: parabéns pelo texto, me esclareceu o porque da minha necessidade de ser uma cool girl e a ‘liberdade’ sexual que passei – e da qual me libertei já – ufa.

  61. Ricardao

    Serio, vc tem problemas! Paranóia feminazi sendo descontada nos homens

  62. Olá Clarissa!
    Gostei muito do seu texto!
    Me senti um pouco a “cool girl” que você citou que era.
    Vejo o tempo todo amigas tendo atitudes para se adequar a esse novo padrão de liberação sexual, sem realmente querer estar nele.
    Novos esteriótipos, novas prisões, e sim, tudo pela aceitação dos parceiros. Quando publicar algo me avisa para compartilhar!

    Um abraço, e parabéns!

  63. Larissa

    Clarissa, muito obrigada!
    Obrigada por postagens como esta..
    Assim não me sinto mais tão sozinha, errada ou estranha.

  64. Boa noite, Clarissa. Meus parabéns pela publicação, me fez enxergar esse tipo de liberalização da “menina faz-tudo” de forma diferente. Que muitas vezes ela tenta provar que é diferente e que não é como as outras e que tem atitudes diferentes, mas que essa própria tentativa de se provar o tempo inteiro para os homens continua sendo uma forma de submissão. Bom, quando você utilizou de casos da indústria de moda, de cosméticos e pornográfica para elucidar o tema da exploração, me pareceu algumas vezes que você utilizou de exemplos como uma equação, uma constante. Não conheço nenhuma das três indústrias para saber, mas será que realmente a forma que as mulheres são (mal) tratadas no cotidiano e por muitas vezes são generalizadas abre brechas para se generalizar as posturas dentro dessas indústrias? Sendo mais claro, ao dizer que a mulher é estigmatizada e generalizada, REALMENTE é pertinente generalizar os casos específicos que você citou? Porque eu realmente não consegui compreender que tipo de teoria se aplicaria a generalizar algo por que outra coisa também é. Não seria um seis por meia dúzia? Um elas por elas?
    Um grande abraço e parabéns.

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