Livros demais, tempo de menos #3 – Cortázar e romances históricos

Livros demais, tempo de menos #3 – Cortázar e romances históricos

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Não existe nada como abrir um livro novo.

E quando abri “O Jogo da Amarelinha”, do Cortázar, indicação de um amigo cineasta, me deparei com uma das coisas mais surpreendentes do mundo: um livro que poderia ser lido em duas ordens diferentes. Uma delas, a ordem formal de capítulos, termina deixando algumas dezenas de páginas de fora. A outra é uma ordem indicada nas primeiras páginas, que engloba outros capítulos em diferentes sequências e traz o texto final. Confesso que só li o primeiro dos dois livros contido naquele suporte, mas já foi o suficiente pra me apaixonar pela narrativa sinestésica, corrida, maravilhosa. Obrigatório pra todo mundo que aprecia a linguagem.

Por isso, quando “A Fascinação das Palavras” – uma entrevista intimista feita por Omar Prego Gadea com o autor – foi lançado, sabia que precisava botar as mãos no livro o mais rápido possível. O formato é de pergunta e resposta, de diálogo entre o entrevistador e entrevistado – embora a troca de palavras em muitos momentos pareça mais uma conversa entre amigos – e Cortázar discursa por páginas sobre sua infância, suas manias, a literatura, suas obras, seu amor por música (ou mais especificamente pelo jazz).

A vida do autor foi carregada de experiências enriquecedoras: ele viajou por vários lugares do mundo, foi vocalmente a favor de revoluções na América Latina (como a cubana), teve três relacionamentos duradouros, escritores como Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa adoravam seu trabalho, e ele influenciou diretamente outros artistas como Jean-Luc Godard e Roberto Bolaño.

É claro que uma conversa ele só poderia ser espetacular e, como a orelha do livro entrega, essa leitura é como “conversar com Julio Cortázar e passar longas tardes em seu apartamento”. Enquanto pensava em como fazer uma resenha que fosse à altura das discussões (e confissões) que perpassam as quase 300 páginas, percebi que nada que pudesse ser escrito sobre o livro seria capaz de capturar o tipo de intimidade que ele proporciona, e que talvez a tentativa fosse responsável por afastar o possível leitor da obra, que se sentiria saciado em meia dúzia de anedotas transcritas aqui.

Por isso, vou na linha do contrário, que é a minha intenção absoluta desde que comecei essa série: falar apenas o suficiente para que a curiosidade seja acesa. E o resto, o livro completa. Que leitura!

 

ariel

Em outra esfera de estilos literários, resolvi ler “A Urna Sagrada”, de Bob Hostetler, por ser o tipo de livro que meu pai gosta. Ele adora aventuras com informações históricas, é seguidor de J. J. Benítez e esse livro não podia ficar de fora da coleção: seguindo a escola de Dan Brown, o livro fala sobre um arqueólogo que vai a Israel e acaba descobrindo ossuários que podem comprovar a existência de Jesus Cristo.

Com uma escrita fácil, uma narrativa direta, capítulos curtos e alta velocidade, a leitura pode ser feita em poucas horas – o que provavelmente acontecerá quando você for finalmente fisgado por essa aventura. Ainda tratando de importantes temas familiares – a perda da mulher e a relação com a filha que está transitando da adolescência para o começo da vida adulta – é uma leitura de entretenimento perfeita para espairecer a cabeça ou pra dar pro sobrinho adolescente. Quase um filme de Hollywood em um suporte literário.

Na mesma linha de aventura histórica, Steven Tyler escreve “Império”, que fala sobre a história de Roma, o grande incêndio, a perseguição de Nero aos cristãos, tudo através de dramas familiares que perpassam cinco gerações da família Pinário ao longo de 100 anos. O livro ainda tem espaço pra romance e sedução, como deveria.

O dia dos pais está longe, mas a indicação ainda vale: meu pai tem mais de 50 anos, é médico e leitor voraz de Christian Jacq, o egiptólogo que escreve romances históricos e já vendeu mais de 10 milhões de exemplares ao redor do mundo. Conversas de domingo comumente contém curiosidades retiradas das suas leituras e esses livros refletem, de certa forma, a personalidade dele: aventureira, divertida e bem humorada. Por isso mesmo, a dica é atemporal.

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