Musas da Música – THE TWO TENS

Musas da Música – THE TWO TENS

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Eu e meu namorado passamos uma hora num quarto de hotel com os caras do The Sonics. Eu tava lá só pra fotografar, mas acabei me metendo e fazendo uma ou outra pergunta que deixavam claro que eu sou feminista. Quando nos despedimos, Dusty me puxou pro lado e disse: “Você curte banda de mulheres fortes? Você tem que conhecer a banda da minha mulher”, e anotou o contato dele e de Rikki, sua esposa.

A sonoridade forte e que não pede desculpas me fisgou de cara, então decidi que queria entrevistar a dupla por trás do The Two Tens, que surgiu porque Rikki era baterista do projeto solo de Adam quando ambos decidiram se dedicar a algo juntos. A ideia é que fosse cheio de energia. E deu certo: “Nós somos tipo almas gêmeas musicais”, Rikki explica.

Enquanto Adam sabia desde cedo que música era seu futuro, para Rikki não foi tão simples. “Música sempre foi uma prioridade, mas foi só recentemente que decidi me dedicar apenas a isso. Quando você está em um projeto que você realmente acredita, então vale a pena, mesmo sendo assustador”, ela explica, acrescentando que está pronta para arriscar enquanto isso significar poder tocar bateria.

Na hora de criar, os elogios são mútuos: “inspiramos um ao outro”, explicam, acrescentando que as suas influências vem do garage, punk e rock, principalmente Ramones, The Hives, Ty Segall, The White Stripes, Bass Drums Of Death, The Queers e The Sonics, claro. “As letras vêm de dificuldades”, Adam explica. “Serve como gasolina no fogo”.

“Eu também me inspiro muito pelo Dusty, meu marido, claro que é um favorito!”, Rikki fala, contando sobre as referências específicas de bateria. “Mas também fiz parte de um grupo de oito mulheres que ficaram juntas por uma semana tocando bateria dez horas por dia, incentivando umas as outras a serem melhores, nossa, foi uma das experiências mais religiosas que eu vivi. Elas são como irmãs”, ela conta. Sandy West, Dave Grohl e Keith Moon são outros nomes que ela cita, acrescentando que adora conhecer músicos pessoalmente e ouvir suas histórias. Para Adam, as referências de voz são Kurt Cobain, Paul McCartney, e Little Richard, entre outros.

Aproveitamos para falar sobre o movimento riot grrrl, que Rikki garante adorar. “Esses tempos eu toquei com Alice Bag, de umas das primeiras bandas da cena punk de Los Angeles, e ela tem uma grande história no rock e no ativismo. Quando ela tava fazendo a turnê do seu livro, a banda Pussy Riot foi presa na Rússia e ela escreveu uma música para elas para tocar na turnê. Ela me ensinou que não preciso ser uma baterista perfeita, ou me vestir perfeitamente, ou ter uma aparência perfeita. É sobre ser mulher e aprender a se amar, a compartilhar isso com o mundo”, ela explica.

“E sabe, é algo bem não tradicional ser uma baterista mulher. Sempre me inspiro quando vejo mulheres confiantes arrasando nos instrumentos que elas tocam, não existe nada mais incrível. Mas é claro, existem vários estereótipos que constantemente preciso quebrar”, acrescenta, enquanto a conversa vai se tornando mais política. “Eu não acho que é possível ser mulher e não ser feminista”, declara, contando que sempre foi alguém que quebrou regras e torce para o sucesso das mulheres em qualquer área.

Voltando pra música, Adam conta que estão trabalhando no primeiro álbum completo, já que a banda até agora só lançou três (poderosos) EPs. “Nós queremos fazer mais turnês, novos vídeos. Vamos ficar muito ocupados, mas estamos muito felizes por isso”, ele garante. “E você nunca sabe, de repente uma turnê pelo Brasil também aconteça”, Rikki acrescenta. Vamos torcer.

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