Rainha Nefertiti, a mulher mais bela (e incrível) do mundo
Rainha Nefertiti, a mulher mais bela (e incrível) do mundo

Rainha Nefertiti, a mulher mais bela (e incrível) do mundo

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A primeira vez que eu chorei em um museu foi quando, ainda nova, vi meu primeiro Renoir, no MARGS, na minha cidade natal. Depois, foi a vez de um Degas no MASP. Em nenhum dos casos eram obras que eu realmente amava, mas alguma coisa em estar naquele lugar vendo aquela pintura me emocionou. Nada se comparou com a experiência de entrar no Louvre em Paris pela primeira vez, no espaço destinado a pinturas francesas de grande formato, e me deparar com corredores tomados de pinturas gigantescas de Delacroix e Jacques Louis David. Fui tomada por uma sensação tão forte que quase caí, o choro em soluços, lembrando as tantas maravilhosas aulas de história da arte que tive, onde tinha visto tudo aquilo em projeção do PowerPoint, e agora eu, ali, com tudo aquilo na minha frente. O que me veio à cabeça foi o conceito de sublime do Kant.

Eu vivi outros momentos assim – como aquela vez que passei uma hora sentada na frente da versão branca de As Portas do Inferno de Rodin, no Musée D’Orsay – mas eu não fazia ideia que ainda havia níveis novos de deslumbre a descobrir. Foi o que aconteceu quando entrei na sala onde o busto da rainha Nefertiti fica, na ilha de museus em Berlim, e permaneci por horas a fio.

Colocada em um pedestal à altura dos nossos olhos e cercada por vidro, Nefertiti não parece uma rainha. Parece uma divindade. A mulher que tinha o título de mais bela do mundo é assustadora em sua beleza: a perfeição do seu rosto, sua simetria, a altivez que ela carrega mesmo em pedra. Em todos os aspectos, Nefertiti é impressionante. E quando penso em ficar lá, circundando a escultura, observando cada detalhe e encarando o rosto da rainha, o que me vêm é uma ideia forte de luz, transcendência, maravilha. Nefertiti poderia estar ali, na minha frente, me abençoando.

Imagino que seja algo assim o que fiéis sentem ao encontrar seu Deus, qualquer que seja o templo.

Historicamente, Nefertiti é uma obra magnífica, porque é um dos poucos vestígios do único período do Antigo Egito que quebrou todos os padrões. Quando Amenophis IV assumiu o trono, mudou o nome para Akhenaton e levou a capital do reino de Tebas para Tell el Amarna. A cidade foi criada para adorar o deus Aton, a única divindade que adotou, destruindo a tradição politeísta anterior.

Padrão artístico do Egito Antigo
Padrão artístico do Egito Antigo

O estilo do Antigo Egito foi marcado por representações estilizadas, alongadas e padronizadas, tanto para a aristocracia como para o povo. Esse foi mais um aspecto destruído durante o período em que Akhenaton foi rei: ele adotou técnicas naturalistas em suas obras, pela única vez em toda história da antiguidade egípcia.

Nefertiti era a esposa-real de Akhenaton, e existem evidências históricas de que ela se tornou co-regente, administrando as terras e o povo ao lado do rei: ela viveu um poder sem precedência para mulheres. Da união de Akhenaton com uma de suas esposas secundárias nasceu Tutankhaten, que assumiu o trono aos nove anos e é um dos reis mais conhecidos do Egito: nós o conhecemos por Tutankhamon, o nome que adotou após pressões políticas obrigarem-no a retornar com o reinado para Tebas. Dez anos depois, ele morreu, e seu sarcófago inviolado, encontrado em 1922, é considerado uma das maiores descobertas arqueológicas de todos os tempos.

Mas isso pode mudar: o arqueólogo inglês e professor da Universidade do Arizona Nicholas Reeves diz que acredita que a tumba de Nefertiti está escondida atrás da tumba de seu enteado. A descoberta surgiu após estudos avançados em imagens de alta resolução da tumba do rei, onde Reeves acredita ter identificado duas entradas secretas. Faz sentido: o tamanho da tumba de Tutankhamon é um mistério há décadas, por ser muito pequena comparada ao padrão da época.

Agora é esperar que a hipótese seja comprovada.

 

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