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Rob Zombie’s The Lords of Salem: o Terror respira

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Um filme de 2012. Estreia em Abril de 2013. Aparentemente ainda um lançamento, pela promoção excessiva – e merecida – de Rob Zombie em seu Twitter. Assistindo-o, porém, pode-se confundir com um filme do fim dos 60s, 70s ou início dos 80s – a Era de Ouro dos Horror Movies. Citarei algumas cenas iniciais, mas creio que ler não estragará o filme caso ainda não o tenha visto.

Pra quem não está situado, Rob Zombie não é apenas o ex-vocalista do White Zombie (atualmente em carreira solo), mas também pôs seus pés no Cine, começando em 2003 com “House of 1000 corpses”. Com um estilo ao mesmo tempo puxado ao Trash, seu humor muito lembra os filmes de Tarantino. No mundo de Tarantino, ainda que repleto de sangue e situações grotescas, o humor mantém certa leveza, e isso até o amplia, rola uma espécie de choque entre a cena e os diálogos. Já no caso de Rob Zombie, o humor segue a linha de Tarantino, mas sem essa leveza: bem escrachado e conectado ao peso das cenas. Se você curte Tarantino, se interessará por “House of 1000 corpses”, não necessariamente gostará, mas se divertirá com “Halloween II” e certamente curtirá bastante “The Devil’s Rejects”, que é onde esse estilo do Zombie tem seu ápice. Aliás, Zombie colaborou com Grindhouse, paródia dos trash movies dos 70s que acabou dividida em dois: “Planet Terror” (Robert Rodriguez) e “Death Proof” (Tarantino).

“The Lords of Salem” começa em um clima bastante dark e silencioso – lembrando o cine noir -, com Heidi Hawthorne – nossa personagem principal – indo para casa, cansada. E a manhã seguinte, sendo acordada por um despertador, antes mesmo do sol nascer completamente. Esse início, somado a um ritual demoníaco realizado por algumas bruxas, nos leva a crer que teremos um filme de terror mais tradicional do que os encontrados anteriormente na filmografia do diretor. Esse clima, porém, é quebrado de uma forma bem ao estilo Tarantino, com apresentação de um programa de rádio conduzido por três atores que acompanham o diretor em sua filmografia (Sheri Moon Zombie, sua esposa, Ken Foree e Jeff Daniel Phillips), que desta vez não estão no lado negro da força, como costumam estar, mas conduzem uma entrevista debochada com uma banda satânica. Essa quebra é bem comum no Trash, lembra o clássico Evil Dead, em que Sam Raimi nos inicia em um suspense impecável, quebra drasticamente pra um terror de pura adrenalina e acaba em um gore que até nos acalma um pouco diante de tamanha irrealidade. Neste dia, Heidi recebe uma caixa de madeira contendo um vinil, enviada por “The Lords”, posteriormente batizada pelos locutores como “The Lords of Salem”. Logo após, o filme retoma a climatização sombria com Heidi frequentando um grupo de ajuda que a princípio não tem seu tema identificado (e não identificarei seu tema para não dar spoilers).

A climatização dos apartamentos é muito bem pensada e colabora bastante com o filme. Em uma das cenas, em que Heidi e Herman (Jeff Daniel Phillips) ouvem pela primeira vez o vinil entregue por The Lords, bastante macabro, o clima em um tom escuro com uma luz vermelha facilita o corte para uma cena em que as bruxas aparentemente realizam um parto não muito delicado de uma delas, também em um clima sombrio com um tom de iluminação pelo fogo bastante semelhante ao do quarto, suavizando a transição. Apenas um exemplo de artifício utilizado pelo diretor, mas o apartamento da Heidi prende bastante a atenção pelo filme, em seus detalhes na parede e afins, e também nos situa na personagem, porque diz muito sobre ela; sua rotina, estilo de vida e personalidade.

Como dito no início, o filme nos lembra bastante os clássicos do gênero. Na cena em que Heidi entra no quarto 5, suas visões nos remetem às trips de Argento ou Polanski, somados a um horror que não se vê muito no cine atual (baseado em sustinhos bestas e afins). Logo após à saída da personagem do quarto, hipnotizada, temos uma cena em que a trilha sonora atmosférica e densa, somada ao revezamento de enquadramento da câmera entre a bruxa e Heidi, parece bastante inspirada em Kubrick (a cena de Danny no corredor, se deparando com as gêmeas, em “The Shining”, por exemplo).

Enfim, para não estragar o filme entrando na substância do roteiro, posso dizer que o filme utiliza bastante – e bem – de sonhos, principalmente aqueles que começam em uma situação plausível ao cotidiano e se convertem em pesadelos (quem já teve problemas com isso sabe bem qual é) e remédios/drogas, o que é ótimo para suavizar o sobrenatural, porque sonhando ou trippin’ com remédios e drogas, tudo é possível. Cresce a dúvida entre realidade/viagem, lembrando bastante “Rosemary’s baby”.

Visualmente ótimo, com uma trilha excelente que se adequa a cada circunstância – revezando entre perturbadora, densa e minimalista, poderosa e imponente, sempre de acordo com o que quer passar na cena; em alguns momentos, assume aquela trilha experimental típica do Trash, em outros, é bastante tradicional, assim como o filme. O terror psicológico é crescente, mas creio que o foco esteja na reação dos personagens diante da situação (o foco está em Heidi), e os atores crescem (principalmente Sheri Moon Zombie, em uma de suas melhores atuações).
Além de tudo, o filme tem suas três tiazinhas boazinhas e, a princípio, meio “alegres”, mas que acabam se tornando bem sinistras, o que é bastante utilizado pra dar um tom macabro aos filmes (lembram daquela cena aterrorizante de Mulholland Dr., com os velhinhos bonzinhos entrando por baixo da porta? Sim, pois é, puta que pariu, não?).

Uma crítica que considero cabível é que, ao utilizar-se da técnica de jogar imagens a princípio aleatórias em meio às cenas, mas que a ela se conectam, o diretor muitas vezes joga imagens realmente aleatórias e que não contribuem. Nem se compara às do bom e velho Kubrick. Mas não culpo Rob Zombie por isso, afinal, Kubrick é Kubrick.

Acompanhando a filmografia de Rob Zombie, nota-se que é um diretor que foi se arriscando e colocando a cara a tapa até encontrar seu estilo, muitas vezes errando. Demonstra que algumas coisas só se aprende pegando uma câmera e tentando, sem medo. Não adianta ficar aí esperando a chance de ouro, já é hora de pegar sua handycam e improvisar um filme caseiro, ir procurando seu estilo, pra estar preparado quando as chances surgirem. No final da soma, Rob Zombie já possui dois bons filmes em sua filmografia: “The Devil’s Reject” (mais no estilo Trash e humor negro) e “The Lords of Salem” (mais tradicional). Não que os outros não prestem, mas esses se destacam. E agora posso  dizer que é um diretor que promete, fico ansioso por seu próximo projeto, “Broad Street Bullies

Gostei bastante de “The Lords of Salem”, espero que vocês assistam, vale a pena!

Trailer 1

Trailer 2

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