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South Park vs Scientology

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De um lado, a Cientologia. Religião para os Estados Unidos, Itália, África do Sul, Suécia, Holanda, Nova Zelândia, Portugal e Espanha. Na Austrália, sob o nome de Igreja da Nova Fé. Empresa para a Suíça. “Culto” para os chilenos. “Culto totalitarista” para Alemanha e Bélgica. “Culto perigoso” para os franceses. Nada próxima de religião para os russos.

Do outro lado, South Park. Animação criada por Trey Parker & Matt Stone. Atualmente em sua décima sétima temporada, com contrato até a vigésima. Transmitida pela Comedy Central, mas que angariou fãs pela MTV ou pelo extinto Locomotion. Criada após os virais “Jesus vs. Frosty” (1992) e “Jesus vs. Santa” (1995), que juntos formavam o “The Spirit of Christmas”. Ambas animações em cutout animation (animação de recortes), formato esteticamente mantido pela série, produzida a partir de um software que a simula. Enfim, South Park em uma declaração:

“And hearing other people say ‘You can’t do that,’ – you can only say ‘you can’t do that” so many times to Matt and me before we’re gonna do it’.
Trey Parker

Fundamentada no best-seller norte-americano “Dianetics: the modern science of mental health”, de L. Ron Hubbard, a Cientologia sugere uma forma de cura aos tormentos da mente  que consiste na exposição e remoção de traumas passados. A origem e conceito destes fatos passados foi condensada por Hubbard na ideia de “Thetan”. Embora julgar-se religião, a cientologia passa uma imagem de maior base científica em sua liturgia; como expõem os criadores de South Park, mais próxima de uma alternativa à psicologia do que, propriamente, uma religião.

Não à toa, South Park e Cientologia se encontraram. De um lado, um desenho que desafia qualquer censura ou padrão de moralidade. Do outro, um grupo – seja lá como você considera – cuja reputação é de completa intolerância a insultos, críticas e ironias. Que não apenas utiliza-se excessivamente do meio legal, mas vai além dele, adentrando o campo do assédio para intimidar e frear seus adversários. Fora as grandes lendas, como a de utilização de técnicas de hipnose para controle autoritário sobre seus membros, a Cientologia, gasta um valor estimado – pela Times Magazine – de 20 milhões de dólares anuais com ações jurídicas. Acontece que não apenas para buscar a justiça ao caso ou garantir a liberdade religiosa de seus membros. O grupo frequentemente se utiliza dos meios legais para, inclusive, assediar, intimidar ou esvaziar seus inimigos.

“The purpose of the suit is to harrass and discourage rather than win. The law can be used very easily to harass, and enough harassment on somedbody who is simply on the thin edge anyway, well knowing that he is not authorized, will generally be sufficient to cause professional decesase. If possible, of course, ruin him utterly”.
L. Ron Hubbard: the scientologist, a manual on the dissemination of material, 1955

Do início ao fim, abordando quatro episódios específicos, assim foi uma das maiores polêmicas de South Park, que tem seu ápice em “Trapped in the Closet”, nono episódio da décima segunda temporada:

!Contém Spoilers dos seguintes EPS!
S05E03 – “Super Best Friends”
S09E12 – “Trapped in the Closet”
S10E01 – “The return of Chef”

 

The Gauntlet – MTV Movie Awards, 2000

Tudo Começou. A primeira referência de South Park à Cientologia aconteceu neste curta especialmente produzido para o MTV Movie Awards de 2000. Parodiando o filme “The Gladiator”, nossos quatro amigos de Colorado estão sendo perseguidos por Russell Crowe pelo Coliseu quando são salvos pela Cientologia, liderada por John Travolta (que é membro da [?]Igreja). No curta, os integrantes do grupo estão caracterizados como os Psychlos de “Battlefield Earth”. Apenas Kenny não resistiu.

 

Super Best Friends – Season 5, Episode 3, 2001

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Bom. Neste terceiro episódio da quinta temporada de South Park – “Super Best Friends” -, David Blaine seduz nossos amigos com sua nova seita – a Blaintology -, a qual convence, através de perguntas retóricas, compreender a infelicidade das pessoas, prometendo ajudá-las. Após abandonar a seita, sem conseguir convencer Kyle a segui-lo, Stan recorre a seu amigo Jesus, cujos famosos truques aparentemente não mais funcionam dois mil anos depois de serem consagrados. Para vencer David Blaine, Jesus reúne os Super Amigos: Buddha, Muhammad, Krishna, Joseph Smith, Lao Tzu e.. Seaman. Liderados por Moisés, os Super Amigos partem para impedir o suicídio coletivo dos seguidores de David Blaine, manifestação para forçar o governo a fornecer isenção fiscal à Blaintology. David Blaine acaba por dar vida à estátua de Abraham Lincoln, que passa a destruir a cidade. Sem encontrar recursos para derrotá-la, os Super Amigos consultam seu líder, Moisés, que aponta a solução: uma estátua de John Wilkes Booth.

Não estou bêbado.

 

Trapped in the Closet – Season 9, Episode 12, 2005

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Neste episódio, ápice da polêmica, Stan, economizando dinheiro para comprar uma nova bicicleta – talvez porque a cientologia tenha atropelado sua antiga no EP de que falamos anteriormente -, faz um teste de personalidade gratuito oferecido pela Cientologia e descobre, novamente através de perguntas retóricas, que é completamente infeliz. Para solucionar seus problemas, Stan usa suas economias para tornar-se membro da Cientologia. Ao passar pelo exame pra descobrir seu nível de Thetan, porém, descobrimos que Stan é, na verdade, a reencarnação de L. Ron Hubbard e deverá agora guiar a Cientologia e retomar as obras de LRH.

Depois de ouvir a doutrina da Cientologia narrada pelo presidente, Stan retoma os escritos. Mas não pode fazê-lo em seu quarto: depois de desprezar Tom Cruise  como ator, este se tranca em seu armário and won’t come out of the closet. Tentando convencê-lo, John Travolta e R. Kelly acabam gostando de ficar por lá, também. Lembremos que Tom Cruise e John Travolta estão na lista dos famosos membros da Cientologia. E R. Kelly… fez a obra rap “Trapped in the Closet” que, se eu fosse você, ouviria antes de ver o EP. E veria os clipes. De verdade.

Enfim, Stan retoma a doutrina e seus escritos agradam o Presidente. Exceto em um ponto: ao sugerir que os membros não mais tenham de pagar para participarem, Stan provoca sua ira, momento em que o presidente o questiona se realmente acredita naquelas bobagens, ou como tirarão dinheiro das pessoas sem que elas paguem para participarem.

Por fim, embora Stan pareça conformar-se com o exposto pelo presidente, ao discursar para o público, acaba voltando atrás, afirmando não ser a reencarnação de L. Ron Hubbard e tratar-se a Cientologia meramente de um golpe em escala global. Sofrendo ameaças dos membros – ninguém pode fazer piadas com a Cientologia -, do presidente – que sentiu-se caluniado por Stan quando este o acusou de tê-lo dito pessoalmente que a Cientologia tratava-se de um golpe – e, claro, de Tom Cruise, já que o falso profeta o fez sentir-se um merda, Stan fecha o episódio gritando, well.. Ok, good. Do it. I’m not scared of you. Sue me.

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Segundo Parker, o que os impedia de dedicar todo um EP a parodiar a Cientologia até então era a presença de Isaac Hayes – voz de Chef e membro da Cientologia – no programa. Mas quando Penn Jillette contou a Parker & Stone que foi impedido de abordar a Cientologia em “Bullshit!”, não faria sentido que South Park não falasse a respeito. Penn Jillette, além de ilusionista, é conhecido por seu grande ceticismo. Ao cogitar abordar a Cientologia em “Bullshit!” – seu programa de televisão com Raymond Joseph Teller – acabou frustrado pela Showtime, temendo os famosos processos judiciais de que falamos no começo. Foi então que Parker proferiu o que, em parte, foi transcrito no início do texto:

“We’re going. That’s fucked up. And hearing other people say, ‘you can’t do that’ – you can only say ‘you can’t do that’ so many times to Matt and me before we’re gonna do it. Finally, we just had to tell Isaac, ‘Dude, we totally love working with you, and this is nothing personal, it’s just we’re South Park, and if we don’t do this, we’re belittling everything else we’ve rippeod on'”

O EP apresenta, de forma caricata e debochada, as supostas crenças da Cientologia, sempre afirmando, em legenda, que this is what scientologists actually believe. Acontece que Mark Ebner – jornalista investigativo, um dos autores do livro “Hollywood Interrupted” e dono de site homônimo, com notícias nada agradáveis sobre o mundo das celebridades – afirma que Nada do que você vê aqui é sequer um pouco exagerado. De verdade. No supracitado best-seller, que traz uma visão alternativa sobre a cultura das celebridades de Hollywood,  o autor faz uma pesquisa sobre a Cientologia para abordar seus efeitos na cultura Hollywoodiana. A obra conta, inclusive, com uma entrevista com Trey Parker.

 

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Isaac Hayes, de fato ofendido pelo episódio, rescindiu seu contrato em 13 de março de 2006, pouco antes do retorno da animação em sua décima temporada. Ele próprio afirma ter sido motivado pelo desrespeito da série às crenças religiosas – não dirigindo-se em específico à Cientologia. Como ativista político por quarenta anos, Hayes declara insustentável sua permanência na série.

“Religious beliefs are sacred to people and at all times should be respected and honored. As a Civil Rights activist of the past 40 years, I cannot support a show that disrespects those beliefs and practices”.

A contradição quase cômica do discurso de Hayes foi levantada por Stone em declaração ao New York Post. O Co-criador de South Park aponta que em dez anos e mais de cento e cinquenta episódios de South Park, Hayes nunca viu qualquer problema no fato de a série debochar dos cristãos, islâmicos, mórmons ou judeus. Mas repentinamente ficou extremamente sensível a deboches religiosos quando estes passaram a envolver suas crenças.

In 10 years and over 150 episodes of South Park, Isaac never had a problem with the show making fun of Christians, Muslims, Mormons or Jews. He got a sudden case of religious sensitiviy when it was his religion featured on the show”.

O QI de Hayes adentraria o campo patológico se, de fato, não houvesse percebido o humor negro de South Park com os judeus. Que trabalhava em uma animação em que Jesus tem um talk show e Moisés é um grande cone laranja e amarelo. E Maomé já foi um super-herói. Na sétima temporada, inclusive, South Park já havia feito um episódio em semelhante modelo, mas em relação aos Mormons (“All about Mormons”, S07E12). Vai precisar de uma desculpa melhor, Isaac.

 

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“Trapped in the closet” foi ao ar pela primeira vez em 16 de novembro de 2005. Tinha uma reprise programada para 16 de março de 2006 mas, sem qualquer aviso prévio, o EP foi substituído por “Chef’s Chocolate Salty Balls” (S02E09). Embora o Comedy Central insista que a razão seja a saída de Hayes do programa, Mark Ebner afirmou – através de seu supracitado site Hollywoodinterrupted, coro posteriormente reforçado pela CNN & FOX News – que a substituição teria se dado, na verdade, por ameaças de Tom Cruise à Viacom de que não cumpriria com seus compromissos de marketing na divulgação de “Mission: Impossible III”. A Viacom detém controle de, dentre diversas outras emissoras e produtoras, Comedy Central e Paramount Pictures (que produziu o MI3). Em entrevista à ABC, Tom Cruise expõe sua visão orkutiana sobre o assunto:

                “First of all, could you ever imagine sitting down with anyone? I would never sit down with someone and question them on their beliefs. Here’s the thing: I’m not even going to dignify this. I honestly didn’t really even know about it. I’m working, making my movie, I’ve got my family. I’m busy. I don’t spend my days going ‘what are people saying about me?'”

Em outras palavras:

But I’m not.. I’m not in the closet”.

Em meio às ameaças de fãs de South Park em boicotar MI3, em apoio à animação e repudio à censura à reprise do EP, Parker & Stone soltaram a seguinte nota, publicada através da Variety:

So, Scientology, you may have on THIS battle, but the million-year war for earth has just begun! Temporaly anozinizing our episode will NOT stop us from keeping Thetans forever trapped in your pitiful man-bodies. Curses and drat! You have obstructed us for now, but your feeble bid to save humanity will fail! Hail Xenu!!!”
Trey Parker and Matt Stone, servants of the dark lord Xenu

 

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“Trapped in the Closet”, e toda sua polêmica, entrou para o TOP 100 episódios da história da TV Guide, elaborado em 2009. Sobreviveu à censura, entrando normalmente para o box da nona temporada de South Park e indo ao ar pela Comedy Central por diversas vezes após a polêmica. Recebeu uma indicação ao Emmy Award (“Outstanding Animated Program (for Programming less than one hour”), que acabou perdendo para “The Seemingly Never-Ending Story”, de Simpsons, mas que gerou o anúncio acima, publicado também na Variety, pela Comedy Central (que, por si só, já é melhor do que qualquer categoria do Emmy).

 

The Return of Chef – Season 10, Episode 1, 2006

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Felizmente, neste episódio, não há referências à cientologia. O episódio começa com um flashback de um EP que não existiu, com Chef abandonando South Park para viajar pelo mundo com seu grupo de aventuras, o “Super Adventure Club”. Os quatro amigos estão arrasados. A cidade se despede de Chef. Ninguém sabe o que será de South Park sem ele. Isaac Hayes já não está neste episódio. Todas as falas de Chef são feitas por recortes de palavras em falas de episódios anteriores.

Finda a apresentação, Chef volta a South Park. Aparentemente encontrou uma forma de conciliar seu novo grupo e seus velhos amigos. Mas algo está errado. Chef volta com comportamento, well.. Pedófilo. Os garotos não vêem outra explicação, se não o tempo que Chef passou com seu grupo…. o “Super Adventure Club” e, portanto, vão investigá-lo.

Descobrem que o “Super Adventure Club” é um clube de pessoas que viajam pelo mundo molestando crianças. Mas o “Super Adventure Club” não o faz simplesmente  porque it feels really really really really good, conta-nos William P. Connelly. O clube foi fundado pelo maior aventureiro de todos os tempos.. William P. Phinehas. Phinehas nunca conseguia ser o primeiro a chegar nos locais mais ermos do planeta. Portanto, decidiu ser o primeiro a fazer sexo com as crianças nativas destes locais. Phinehas descobriu que as crianças possuem “Marlocks” em seus corpos, e, segundo Bethos, o adulto que transa com crianças se enche de Marlocks e se torna imortal. Phinehas viveu viajando ao redor do mundo e molestando crianças, sendo imortal até 1892, quando foi atropelado por um trem. This is what Super Adventure Club actually believes.

Imagem 5Bethos, the ruler

Após recusarem o convite para se tornarem membros do “Super Adventure Club” e resistirem à hipnose de William P. Connelly para aceitá-lo, os amigos constatam que Chef só faz parte do grupo e se tornou um pedófilo porque sofreu lavagem cerebral por seus membros. As crianças, seguindo o conselho de um psicólogo, levam-no a um prostíbulo, onde Chef é curado por uma mulher, bem… ao melhor estilo Chef.

Mas logo após ser curado, Chef é sequestrado pelo Super Adventure Club e a lavagem cerebral é novamente iniciada. Após descobrirem o segredo do Super Adventure Club – e se safarem de serem expulsos pelo segurança em situação de grande constrangimento -, os meninos salvam Chef.

No momento da fuga, porém, Chef se vê no centro de uma ponte, tendo de escolher entre South Park e o “Super Adventure Club”. Ao optar pelo Super Adventure Club, um raio cai na ponte. Chef pega fogo. Tentando se manter pendurado nela, é atingido por uma pedra. Quicando pelos rochedos, cai em um galho de árvore, que o atravessa. É devorado por um leão da montanha. Atingido por alguns tiros. Um urso pardo aparece. Defeca nas calças. E morre.

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Por fim, Kyle faz um discurso sobre como Chef foi uma parte importante da vida dos moradores de South Park. Que por mais que não concordem com suas decisões, eles não podem deixar que isso faça com que as grandes lembranças com Chef desapareçam. E que não deveríamos ficar putos com Chef por abandonar South Park, mas sim com o “Super Adventure Club” por mexer com sua cabeça. Kyle lembrará de Chef como o cara sempre bem-humorado, com alguma música para cantar e os melhores conselhos para as crianças.

Quando penso neste último episódio, várias coisas vêm à cabeça. Como Isaac Hayes se sentiu ao vê-lo. O fato de que, no fim, fora todo humor, Parker & Stone realmente sentiram a saída de Hayes do programa. Não só a perda de um personagem que todo fã de South Park tanto gosta, mas o abandono de uma figura importante e integrada ao desenho, inclusive no background. Seu resultado – pela opção de Hayes, Tom Cruise e postura da Cientologia – foi mais uma mancha na história do grupo de Hubbard, uma perda lastimável para South Park e, tenho absoluta certeza, Isaac Hayes. Analisá-lo é perceber que não há, nunca, fundamento na censura. A censura carrega consigo sempre como pressuposto a ideia de que as pessoas não possuem capacidade intelectual própria para filtrar o desinteressante. E ainda que isto fosse verdade, a censura não seria a melhor solução. I’ve learned something today, Kyle.

 

Se você gostou do texto, alguns links interessantes/que reforçam as informações:

http://web.archive.org/web/20070502161400/http://www.men.style.com/gq/features/full?id=content_4108&pageNum=1

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/03/17/AR2006031702158_2.html

http://writ.news.findlaw.com/hilden/20051206.html

http://variety.com/2006/scene/news/inside-move-south-park-feeling-some-celeb-heat-1117939918/

http://www.cs.cmu.edu/~dst/Fishman/time-behar.html

 

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