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World War Z

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A espera pelo “Zombie movie apocalíptico com Brad Pitt” atravessa meses. E é essa a maior traição ao filme: a expectativa. Que é uma faca de dois gumes: já reduziu filmes bons ou normais a lixo; já elevou filmes ruins ou razoáveis a clássicos. Foi amiga de grandes diretores – como Orson Welles. É a expectativa que decepciona muitos leigos que buscam os monstruosos clássicos do Cinema e não os compreendem a princípio. Foi a expectativa que me instigou a procurar mais sobre Cinema, pra compreender o que se esconde atrás da superfície. SPOILER ALERT.

Não é à toa que um filme com Brad Pitt gere tamanho clamor. O ator transcendeu o estigma de galã para se tornar referência de uma geração, fazendo parte, dentre diversas outras produções, de grandes filmes como “Thelma & Louise” (1991), “Interview with the Vampire” (1994), “12 Monkeys” (1995 – mesmo ano em que fez “Seven”), “Fight Club” (1999), “Inglorious Bastards” (2009) e “The Tree of Life” (2011) – este último, considero entre os melhores filmes lançados desde que respiro

Antes de qualquer coisa, convém refletir se estamos realmente diante de um Zombie Movie. Sobre o gênero, em geral, abordei de forma mais extensa (e creio que a leitura ajude bastante) aqui. Isto porque, a princípio, nos deparamos com uma pandemia que não necessariamente indica uma infestação zumbi (cuja fonte não é discriminada no filme, bem ao estilo dos clássicos). Os infectados se movem com grande velocidade, muitas vezes com saltos sobre-humanos e afins. Não que isto não aconteça nos filmes do gênero (um exemplo seria “Rammbock”, zombie movie alemão de 2009 muito bom, exceto pelo final caótico!). Mas tomemos por exemplo “REC”, que é por muitos tratado como um filme do gênero e no qual os infectados manifestam tal postura: em nenhum momento o filme se refere a eles como zumbis.  Por muito tempo tive preconceito com esse novo zumbi, mas é uma grande besteira. Aliás, esse zumbi ágil e mais agressivo entrou até em sequências como “Resident Evil” (aqui me refiro aos jogos, claro: ignoro a existência dos filmes). Enfim, é uma opção de acordo com o que o diretor julgar útil para o suspense e, no caso do filme analisado, trabalha bem com a ação, a qual creio ser o foco. O próprio filme, porém, indica tratar-se de uma pandemia de zumbis.

O filme – que tem uma intro bem ao estilo clássico, com ilustrações narradas por notícias que vão dos problemas reais a nível planetário (e as diversas visões que sobre eles incidem) até imagens de seleção natural em outras espécies animais – se inicia inserindo os personagens em um ambiente apocalíptico convincente. Estamos diante de um ambiente catastrófico, mal explicado, com uma boa dose de adrenalina cercada pela dúvida dos personagens diante dos fatos que se dão perante a eles. Esta introdução não deixa de lado a hostilidade e desconfiança entre os próprios seres humanos – dentre a qual a humanidade e benevolência muitas vezes também têm seu espaço – e a quebra de hierarquias e deveres profissionais, inclusive sob forma de um policial que age como mero civil, ignorando seus deveres profissionais. A climatização colabora, de forma estética, inclusive no plano do suspense. A soma de tudo isto é um indicativo de que, ainda que possamos estar diante de um filme ruim, ele cumprirá seu papel de entretenimento.

E de fato, como entretenimento, o filme cumpre seu papel, embora em alguns pontos até mesmo seu aspecto ação seja falho – Gerry (Brad Pitt), em um avião despressurizado, em queda, consegue se levantar, sentar em uma cadeira e apertar o cinto. E o esforço para tal nem é tão grande assim. Inclusive logicamente, o roteiro é, em alguns momentos, improvável – um avião sem destino determinado perde controle e sofre uma queda em uma região próxima ao centro de pesquisa da OMS (Organização Mundial de Saúde): aparentemente o apocalipse traz bastante sorte aos heróis que tentam corrigi-lo. Alguns pecados dizem respeito à realidade: se passa em um mundo fictício no qual Israel é uma nação que abre suas portas para ajudar pessoas (ainda em uma situação de apocalipse) – nesse ponto, é quase um SCI-FI. Isso para não mencionar (mencionando) que, segundo o filme, Jerusalém é uma cidade pertencente a Israel, não um território internacional (o filme a apresenta assim por escrito; um erro gravíssimo).

Um ponto positivo é que o plot point 2 é muito bem desenvolvido: desde o princípio, Gerry faz observações progressivas sobre os infectados, até que, reunindo todas, tem sua ideia para contenção da pandemia. É um turnover baseado na ideia “mother nature serial killer”, que inevitavelmente deixa indícios às suas calamidades, mas que acaba não tendo propriamente um conteúdo: a fraqueza aí não se vincula a nada que diga respeito ao ser humano, mas meramente ao fato de os infectados não se interessarem por atacar outras pessoas que estejam doentes. É uma constatação do personagem apenas; não há uma grande reflexão que possa partir disto.

Pelo desenvolvimento, o filme cause a sensação de terminar pela metade. Ainda que a intenção fosse atingir um final em aberto, precisava de um maior desenvolvimento até chegar a esse fim.

World War Z é um bom filme de ação. Cumpre com seu papel de divertir o espectador, deixa a desejar em conteúdo ao ser analisado como filme apocalíptico.

Trailer 1

Trailer 2

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